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Cinco

Autor: Alice Lima
last update Fecha de publicación: 2026-07-14 11:09:25

Cat trocou de roupa no banheiro e voltou para o quarto, onde os dois desconhecidos pareciam deliberar sobre seu futuro.

Ela não iria aceitar que eles decidissem nada.

Tinha que ser forte e sair dali.

Dar um basta na situação.

- A camareira não parecia querer conversa...

A jogada de Justin era unicamente testar sua história.

Cat respirou profundamente e o encarou.

- Não. E eu realmente gostaria de saber como vim parar aqui. Eu tenho um emprego e gosto da minha vida em Pahrump.

Ela não gostava exatamente, mas era a vida que conhecia.

Pelo menos tinha Santi e tia Rosita.

A vida valia a pena pelos dois.

- Então você não se importa se eu for tentar extrair alguma coisa dela?

- Claro que não! Pelo contrário, eu realmente quero saber o que aconteceu e como vim parar aqui!

- Certo. Vou sair para descobrir. Vocês dois, tentem se entender.

Cat ignorou a provocação e foi até a mesinha próxima à janela.

Tentou ligar o celular, mas ele simplesmente não funcionou.

Fazia algum tempo que ele vinha apresentando problemas na bateria.

Por mais que trabalhasse e economizasse, ainda não tinha conseguido comprar um novo.

A maior parte do salário ficava no hospital, com os cuidados de saúde de Santi.

Seu irmão tinha asma e vivia tendo crises.

Cat fazia o possível para amenizar seu desconforto.

Aquela era responsabilidade de seu pai e de Mercedes, mas nenhum dos dois parecia se importar minimamente.

Tia Rosita costumava dizer que Santi era rejeitado por se parecer com o avô materno.

Quando descobriu que estava grávida, Mercedes foi expulsa da família e, até aquele momento, nenhum deles fizera as pazes com ela.

- Tentando encontrar uma desculpa para se safar?

Noah estava decidido a acusá-la.

Era cansativo.

Ela simplesmente o ignorou.

- Eu te disse que descobriria tudo.

- Não é você quem está investigando? E quem mais deseja saber por que você me arrastou para este quarto sou eu!

- Eu? Acha que um homem na minha posição iria forçar uma camareira?

- Como vou saber? Não o conheço! Tudo o que sei é que acordei machucada...

- Escuta aqui! Você viu as imagens. O que aconteceu neste quarto foi consentido!

- Eu vi imagens de fora do quarto. Talvez do saguão deste hotel ou do corredor. Mas quem garante que não são forjadas?

- O quê? Está me acusando de forjar imagens do que aconteceu?

- Já disse que não o conheço! No que me diz respeito, você pode ser um sujeito com interesses estranhos e que está tentando encobrir alguma coisa!

Ele a olhou chocado!

Não era verdade, mas, se ele insistia que ela havia armado para ele, por que ela não poderia insistir que ele era um criminoso?

Ele se sentou na beirada da cama e ficou olhando para o vazio.

Parecia desolado.

Cat se sentia mal por acusá-lo, mas sabia uma coisa sobre si: não faria sexo com qualquer um e não ingeria bebida alcoólica.

Sua mãe vivia falando sobre as consequências do álcool e sobre o que acontecia com garotas que perdiam a virgindade fora do casamento.

A experiência de sua avó materna e a situação de Mercedes eram exemplos claros dos riscos de se deixar levar pela paixão.

Não.

Catarina Sullivan só faria amor com o marido.

Alguém que amasse.

- Eu... Olha, não sei quem está te contratando para fazer isso, mas eu te pago mais. Só me diga quem está por trás dessa armação.

- Você vai morrer me acusando, e eu vou morrer jurando que a vítima aqui sou eu!

- Estou disposto até a deixar sua vida em paz. Apenas me diga quem te mandou!

- Estou falando que não estou envolvida em um plano contra você e, no que me cabe, acredito que o plano é contra mim!

- Contra você? Pelo amor de tudo o que é sagrado! Por que eu iria armar um plano contra uma mera camareira? Você já se olhou no espelho?

- Já. E sei muito bem o que vi. Alguém que trabalha e ganha a vida com o próprio trabalho. Quando acordei, cheguei a pensar em uma armação por parte de Mercedes ou Lupita. Mas... talvez o plano seja tomar minha casa.

- Sua casa? Acha que sou um pobre coitado querendo tirar a casa de alguém? Eu tenho mansões em várias partes do mundo!

- Mas há muitos empresários querendo comprar minha casa para algum empreendimento. Como saber se você não é um deles?

- Francamente! Se tenho interesse em um empreendimento, faço uma oferta irrecusável. Não levo ninguém para a cama!

Cat o ignorou.

Ainda tentava se lembrar da noite anterior.

Qualquer coisa ajudaria a entender a situação, mas parecia tão difícil!

Noah se levantou e caminhou em sua direção.

Parecia um homem irritado até a medula.

- Escute bem, eu não tenho interesse em nada do que você tenha. Nem seu corpo, nem sua casa. O que aconteceu aqui foi uma armação de alguém, e vou descobrir. É bom estar preparada para as consequências!

Cat também se levantou e o encarou.

Estava tão furiosa quanto ele.

Para ele, aquela noite havia sido apenas um percalço em seu caminho.

Ela, no entanto, havia perdido tudo.

- Eu também espero que você descubra! Mas nada vai trazer de volta o que eu perdi!

- O que raios você perdeu aqui?

Cat olhou para a cama.

Uma lágrima silenciosa desceu por seu rosto.

Noah virou-se para ver o que ela olhava e mudou de postura.

- Você era virgem?

- É claro que sim!

Por um instante, ele pareceu culpado.

Então estendeu a mão para enxugar suas lágrimas.

Uma corrente elétrica percorreu seu corpo, e ela deu um passo para trás.

Noah a olhou confuso.

Ao que parecia, ele também havia sentido a descarga elétrica.

- Se você for alguém que foi vítima, bom, eu só posso dizer que sinto muito.

- Isso não muda o que aconteceu e não melhora em nada a minha vida.

- O que você quer? Dinheiro?

- Não! A vida não se resume a dinheiro!

- E então, o que você quer?

- Minha vida de volta!

E Cat caiu no choro.

Não havia como a vida voltar a ser como era antes do casamento ou da intimidade que eles haviam partilhado.

Mas ela gostaria que houvesse.

Ela não sabia mais o que pensar ou sentir, além do medo de quando sua família descobrisse o que acontecera naquela noite.

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Último capítulo

  • A esposa indesejada do magnata   Cento e dezesseis

    A luz da manhã entrou pelas frestas da velha cabana, e Cat acordou com a cabeça doendo e o enjoo voltando.Sua avó fazia o café da manhã no velho fogão, e o cheiro de ovos a levou correndo para o lado de fora.Cat se abaixou atrás da cabana e vomitou tudo o que havia em seu organismo.Depois, cambaleou até o riacho e lavou o rosto.Sua avó se aproximou com um olhar preocupado.- Está tudo bem?- Enjoo. Achei que já tivesse passado dessa fase.- Bom, então é melhor comer algo leve. Há muitas frutas por aqui.- Vou ficar um tempo aqui, respirando o ar puro. Tem algum problema?- Não, pode ficar tranquila. Mas é sempre bom ficar de olho.- Certo.Cat passou boa parte da manhã à beira do riacho.Sua avó sugeriu que elas tomassem banho enquanto a água do córrego não estava muito fria, e toda aquela situação primitiva a fez sentir ainda mais saudade de casa.Era possível perceber que sua avó estava apta a essa situação, mas Cat ainda não conseguia sequer fazer suas necessidades tranquilamen

  • A esposa indesejada do magnata   Cento e quinze

    A escuridão da noite causava um pouco de medo.Seu primo poderia mandar parar o carro em qualquer lugar e matá-lo.Ninguém saberia, a não ser que Dante e Allan os estivessem seguindo ao longe.Mas ele não viu nenhum farol na retaguarda desde que saíram do bar.Sua esperança era que os outros estivessem com os faróis apagados.Por um longo tempo, eles foram sacudidos até chegarem à entrada da propriedade.Apenas uma luz jazia acesa ao longe.- Sua esposa está lá na casa. Assine e pode ir buscá-la.- Acha que sou tolo?- Não. Mas é isso ou o meu amigo aqui vai meter um tiro em sua cabeça.- Vamos até lá e, se alguma coisa tiver acontecido com Cat, você nunca terá a minha assinatura!- Não. Você assina aqui e pode ir encontrá-la.- Já disse que não vou fazer nada disso, Hugo!- Ok. Você e o sujeito armado vão até a casa e, quando chegar lá, você assina e pode ficar à vontade com a sua esposa!Noah olhou para o seu primo.Havia tensão ali, e ele desconfiou que Hugo não queria ir até a cas

  • A esposa indesejada do magnata   Cento e quatorze

    O céu estava escurecendo, e Cat já sentia o pavor percorrendo cada osso de seu corpo.Maria Catarina continuava caminhando, e agora Cat tinha a certeza absoluta de que elas estavam andando em círculos.Ela marcou uma árvore para confirmar seu pensamento, e lá estava a árvore outra vez.- Vovó? Estamos perdidas?- Não. Continue andando e faça silêncio.- Mas é que…- Calada!Cat engoliu em seco e reprimiu o choro, mas não foi possível evitar as lágrimas que insistiam em escorrer por seu rosto.O sol se pôs, e a escuridão na mata a impedia de ver um palmo à sua frente.Sua avó parou por um instante, e ela quase caiu por cima dela.- De-desculpe…- Shhh.Por alguns instantes, sua avó ficou parada e, depois do que pareceu ser um longo tempo, retirou uma lanterna do cesto e clareou o caminho, voltando a caminhar.Nas últimas horas, ela caminhava mais lentamente e com mais dificuldade.As duas tinham feito muitas paradas para descansarem, e Cat temia acabar morrendo na floresta, atacada por

  • A esposa indesejada do magnata   Cento e treze

    Cat estava pegando sua mochila quando ouviu o som de carros se aproximando da casa.O plano de fuga parecia ter se perdido.Correu até a cozinha em busca de sua avó e a encontrou saindo do minúsculo quarto que ocupava nos fundos da casa.- Tem alguém chegando. E agora?- Espera aí, que vou olhar.Cat sentia seu coração disparado.Sua única chance de fugir não podia terminar assim.Sua avó voltou com aparente tranquilidade.- São os soldados aliados que vieram proteger a mansão.- Então, o que faremos?- Vamos sair. Eles estão ocupados se organizando para a possível invasão. Não vão reparar na gente!- Vovó, não é muito arriscado?- E daí? Não quer mais sair daqui? Ficar também é! Quando as metralhadoras começarem a trocar tiros, não vai ter nada seguro!Catarina nunca viu nada daquilo e estava realmente com medo.Correu de volta ao quarto e pegou sua mochila.Sua avó estava com dois cestos grandes e entregou-lhe um deles.- Vamos fingir que estamos indo coletar frutas. A mata está che

  • A esposa indesejada do magnata   Cento e doze

    Hugo conseguiu sinal do celular na cidade e ligou para Noah.- Hugo! Seu maldito! Onde está minha esposa?- Relaxe, primo. Ela está bem. Está se divertindo muito aqui.- Já chega, seu idiota! Eu já preparei a documentação. Traga minha esposa de volta, e é melhor que você não tenha tocado em um fio de cabelo dela!- Não me interesso por mulheres feias.- Você está com o maldito do Frank, e ele é…- O Frank muito menos. A sua esposa está segura. Nenhum de nós iria para a cama com aquela mulher. Agora escute bem: você vai trazer a documentação aqui. Não vou voltar para os EUA até estar com a posse das ações. Entendeu?- Sim. Estou a caminho. E não precisa mandar a localização, porque eu vou te achar até no inferno!A ligação foi encerrada, e Hugo sentiu medo.Como Noah poderia achá-lo se nem ele sabia exatamente onde estavam?Frank tinha ido até um bordel local, um lugar em que ele já estivera antes e que atendia a qualquer um de seus pedidos absurdos.Hugo perambulou pela cidade e ficou

  • A esposa indesejada do magnata   Cento e onze

    Cat acompanhou sua avó até a horta.Ali, as duas poderiam conversar sem serem ouvidas.Hugo estava irritado e desconfiado.Frank não parecia se preocupar com nada.O sujeito exigiu um almoço farto e delicioso.Catarina se ofereceu para ajudar sua avó e, apesar de Hugo reclamar, o amigo falou que não havia problema e que era melhor deixá-la fazer o que quisesse.- Se você quiser mantê-la trancada no quarto, ela pode acabar tendo ideias de fuga que vão nos trazer problemas. Deixe que ela trabalhe. Isso vai fazê-la relaxar com as empregadas e não tentará nada.- Não confio no pessoal daqui e muito menos nessas mulheres!- Essas mulheres trabalham para o meu tio, e ele deixou a propriedade sob a responsabilidade delas. Isso mostra que elas são confiáveis!- Elas te deixam ficar aqui como dono, e você nem mesmo tem a permissão de seu tio!- Cala a boca! Eu te ajudei, e você está enchendo minha paciência! Quer que eu te entregue para a polícia?Hugo ficou em silêncio e saiu para o quarto.E

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