INICIAR SESIÓNNoah se sentiu impotente pela primeira vez em toda a sua vida.
Quando foi que ele enfrentou uma batalha sem saber o motivo da guerra?
A garota que chorava não parecia uma atriz.
Ou ela era digna de um Oscar, porque seu choro era muito convincente.
Ele não podia devolver a vida dela.
Ele nem ao menos se lembrava do que tinha acontecido!
Sua cabeça doía de tanto forçar as memórias, mas só tinha a vaga lembrança de chegar a Vegas para uma possível aquisição de um hotel em falência.
A Hampton Global vinha crescendo sob sua gestão.
Seu avô teria orgulho dele.
Sua avó, por outro lado...
A Sra. Hampton não era fácil de agradar.
Ela sempre demonstrou sua preferência por Hugo.
O filho de sua primogênita.
A filha favorita.
Se estivesse com o celular, ela já teria ligado para repreendê-lo.
Isso era outro problema.
Não sabia onde estavam seus pertences.
Justin precisava dar explicações!
Os dois viajaram juntos.
Seu assistente deveria acompanhá-lo em todos os lugares, então como ele acabou se casando com uma estranha?
Ele esfregou os olhos pela décima vez e suspirou.
A garota ainda chorava, encolhida em seu canto.
- Você realmente não lembra de nada?
- Não! Quantas vezes preciso repetir?
- Certo, supondo que eu acredite em você, qual é a sua última memória?
Ela ficou olhando para o vazio por um tempo e então falou sobre chegar do trabalho e ir dormir um pouco.
Depois disso, não conseguia lembrar de mais nada.
Ele não poderia dizer que era mentira, dado que também só se lembrava de estar a caminho de Vegas e nada mais.
- Por que não liga para alguém?
- Meu celular não está funcionando. Descarregou, e não estou com o carregador. Você teria um para me emprestar?
- Não. Não sei onde estão meus pertences.
- E o seu amigo?
- Quando Justin voltar, podemos perguntar se ele tem. Hum... fale-me sobre você.
- O que quer saber?
- Qual é a sua idade?
- Vinte. E a sua?
- Tenho trinta e um. Você ainda é uma garota. Por que veio para este lugar?
- Eu já falei que não sei. Eu não lembro!
- Não tem amigos por aqui? Um namorado, talvez?
- Não. Eu não namoro. Não tenho tempo. Eu... Achei que fosse algum plano da Mercedes.
- Quem é ela?
- A esposa do meu pai. Mas, se ela tivesse armado para me prejudicar, escolheria algum velho ou um bandido...
O olhar dela demonstrava certa dúvida quanto à sua integridade, e ele se sentiu pior.
Estava aliviado por ela não ser menor de idade, mas isso ainda não era motivo de tranquilidade.
Ela poderia ser a arma de alguém para atingi-lo.
A pessoa mais provável era Hugo.
Seu primo seria o beneficiado caso ele fosse afastado do cargo.
- Você conhece Hugo?
- Hugo?
- Hugo Drake. Ou Hugo Hampton, como ele prefere ser conhecido. Ele costuma vir para estes lados em busca de diversão. Talvez já tenha se hospedado no hotel em que você trabalha.
- Não me lembro desse nome. Eu não tenho contato com os hóspedes. O que tem ele?
- Nada. Vamos esperar Justin.
Ele não iria deixar que ela criasse uma história mentirosa, caso estivesse aliada a alguém.
Todo cuidado era pouco.
A espera o irritava.
Já estava prestes a sair em busca de seu assessor quando Justin voltou.
- Tenho novidades.
- Fale logo!
- A Catarina não faz parte dos funcionários daqui e veio junto com outras garotas para uma espécie de treinamento.
- E daí?
- O gerente-geral não sabia de nada. Quando descobriu, demitiu a responsável que organizou isso sem o consentimento dele.
- Isso não esclarece nada!
- Não. Ele ficou de nos enviar as imagens do circuito interno. Quando assistirmos, teremos uma explicação.
- Isso pode levar horas ou até dias! Eu quero saber agora!
- Eu fiz o que podia! Ofereci dinheiro ao sujeito para agilizar, mas ele com certeza está receoso de que tenha havido algo mais. É o pescoço dele que está em risco!
- Que hotel é esse? Quanta irresponsabilidade!
- Não se preocupe. Vamos deixar claro para o Arnold que não faremos negócio. O lugar não é agradável e não tem perspectiva de lucro.
- Então esse era o hotel que iríamos adquirir?
- Um deles. Você decidiu vir conhecê-lo ontem.
- E você não veio junto? Honestamente, Justin, onde você estava enquanto tudo isso acontecia?
- Nós viemos juntos, mas eu fui até o escritório com o Arnold enquanto você jantava. Não lembra?
- Não. Eu não lembro de nada! Que inferno!
- Quando eu voltei, você tinha saído. Ouvi alguém falando sobre um empresário louco que estava se casando com uma camareira, mas não achei que pudesse ser você. Pensei que tivesse ido embora sem me esperar.
- Eu não teria essa ideia absurda de casamento nem sob efeito de entorpecentes! Alguma coisa me foi dada, e alguém estava me conduzindo nesse teatro infernal!
- Iremos descobrir. Mas, por hoje, temos que resolver as coisas mais urgentes.
- Quais?
- Sua avó. O conselho. O futuro da Hampton Global.
- Ligue para o Allan. Ele tem que achar uma saída. E nós precisamos ir embora deste lugar!
- A propósito, o Arnold me entregou seu celular. Ele disse que uma das garçonetes o encontrou. Eu mandaria o TI fazer uma varredura. Não confio neles. Com certeza a equipe tem algum envolvimento no que aconteceu.
- Certo. Fique com ele e peça ao Dante para analisá-lo.
Noah virou-se para a esposa e se perguntou o que seria necessário para torná-la minimamente apresentável.
Ele não podia levá-la consigo vestida daquele jeito.
O jeans gasto já tinha visto dias melhores.
A camiseta não ficava atrás.
Até o tênis parecia ter anos de uso.
Não eram apenas os trajes.
Tudo nela parecia insignificante.
Como aquela mulher poderia sair do hotel como esposa do poderoso herdeiro dos Hampton?
Era um ultraje!
Quem a escolheu queria humilhá-lo e torná-lo objeto de zombaria.
Ele tinha passado a juventude com mulheres deslumbrantes.
Aquela mulher não teria sido escolhida nem mesmo para ser sua empregada!
A luz da manhã entrou pelas frestas da velha cabana, e Cat acordou com a cabeça doendo e o enjoo voltando.Sua avó fazia o café da manhã no velho fogão, e o cheiro de ovos a levou correndo para o lado de fora.Cat se abaixou atrás da cabana e vomitou tudo o que havia em seu organismo.Depois, cambaleou até o riacho e lavou o rosto.Sua avó se aproximou com um olhar preocupado.- Está tudo bem?- Enjoo. Achei que já tivesse passado dessa fase.- Bom, então é melhor comer algo leve. Há muitas frutas por aqui.- Vou ficar um tempo aqui, respirando o ar puro. Tem algum problema?- Não, pode ficar tranquila. Mas é sempre bom ficar de olho.- Certo.Cat passou boa parte da manhã à beira do riacho.Sua avó sugeriu que elas tomassem banho enquanto a água do córrego não estava muito fria, e toda aquela situação primitiva a fez sentir ainda mais saudade de casa.Era possível perceber que sua avó estava apta a essa situação, mas Cat ainda não conseguia sequer fazer suas necessidades tranquilamen
A escuridão da noite causava um pouco de medo.Seu primo poderia mandar parar o carro em qualquer lugar e matá-lo.Ninguém saberia, a não ser que Dante e Allan os estivessem seguindo ao longe.Mas ele não viu nenhum farol na retaguarda desde que saíram do bar.Sua esperança era que os outros estivessem com os faróis apagados.Por um longo tempo, eles foram sacudidos até chegarem à entrada da propriedade.Apenas uma luz jazia acesa ao longe.- Sua esposa está lá na casa. Assine e pode ir buscá-la.- Acha que sou tolo?- Não. Mas é isso ou o meu amigo aqui vai meter um tiro em sua cabeça.- Vamos até lá e, se alguma coisa tiver acontecido com Cat, você nunca terá a minha assinatura!- Não. Você assina aqui e pode ir encontrá-la.- Já disse que não vou fazer nada disso, Hugo!- Ok. Você e o sujeito armado vão até a casa e, quando chegar lá, você assina e pode ficar à vontade com a sua esposa!Noah olhou para o seu primo.Havia tensão ali, e ele desconfiou que Hugo não queria ir até a cas
O céu estava escurecendo, e Cat já sentia o pavor percorrendo cada osso de seu corpo.Maria Catarina continuava caminhando, e agora Cat tinha a certeza absoluta de que elas estavam andando em círculos.Ela marcou uma árvore para confirmar seu pensamento, e lá estava a árvore outra vez.- Vovó? Estamos perdidas?- Não. Continue andando e faça silêncio.- Mas é que…- Calada!Cat engoliu em seco e reprimiu o choro, mas não foi possível evitar as lágrimas que insistiam em escorrer por seu rosto.O sol se pôs, e a escuridão na mata a impedia de ver um palmo à sua frente.Sua avó parou por um instante, e ela quase caiu por cima dela.- De-desculpe…- Shhh.Por alguns instantes, sua avó ficou parada e, depois do que pareceu ser um longo tempo, retirou uma lanterna do cesto e clareou o caminho, voltando a caminhar.Nas últimas horas, ela caminhava mais lentamente e com mais dificuldade.As duas tinham feito muitas paradas para descansarem, e Cat temia acabar morrendo na floresta, atacada por
Cat estava pegando sua mochila quando ouviu o som de carros se aproximando da casa.O plano de fuga parecia ter se perdido.Correu até a cozinha em busca de sua avó e a encontrou saindo do minúsculo quarto que ocupava nos fundos da casa.- Tem alguém chegando. E agora?- Espera aí, que vou olhar.Cat sentia seu coração disparado.Sua única chance de fugir não podia terminar assim.Sua avó voltou com aparente tranquilidade.- São os soldados aliados que vieram proteger a mansão.- Então, o que faremos?- Vamos sair. Eles estão ocupados se organizando para a possível invasão. Não vão reparar na gente!- Vovó, não é muito arriscado?- E daí? Não quer mais sair daqui? Ficar também é! Quando as metralhadoras começarem a trocar tiros, não vai ter nada seguro!Catarina nunca viu nada daquilo e estava realmente com medo.Correu de volta ao quarto e pegou sua mochila.Sua avó estava com dois cestos grandes e entregou-lhe um deles.- Vamos fingir que estamos indo coletar frutas. A mata está che
Hugo conseguiu sinal do celular na cidade e ligou para Noah.- Hugo! Seu maldito! Onde está minha esposa?- Relaxe, primo. Ela está bem. Está se divertindo muito aqui.- Já chega, seu idiota! Eu já preparei a documentação. Traga minha esposa de volta, e é melhor que você não tenha tocado em um fio de cabelo dela!- Não me interesso por mulheres feias.- Você está com o maldito do Frank, e ele é…- O Frank muito menos. A sua esposa está segura. Nenhum de nós iria para a cama com aquela mulher. Agora escute bem: você vai trazer a documentação aqui. Não vou voltar para os EUA até estar com a posse das ações. Entendeu?- Sim. Estou a caminho. E não precisa mandar a localização, porque eu vou te achar até no inferno!A ligação foi encerrada, e Hugo sentiu medo.Como Noah poderia achá-lo se nem ele sabia exatamente onde estavam?Frank tinha ido até um bordel local, um lugar em que ele já estivera antes e que atendia a qualquer um de seus pedidos absurdos.Hugo perambulou pela cidade e ficou
Cat acompanhou sua avó até a horta.Ali, as duas poderiam conversar sem serem ouvidas.Hugo estava irritado e desconfiado.Frank não parecia se preocupar com nada.O sujeito exigiu um almoço farto e delicioso.Catarina se ofereceu para ajudar sua avó e, apesar de Hugo reclamar, o amigo falou que não havia problema e que era melhor deixá-la fazer o que quisesse.- Se você quiser mantê-la trancada no quarto, ela pode acabar tendo ideias de fuga que vão nos trazer problemas. Deixe que ela trabalhe. Isso vai fazê-la relaxar com as empregadas e não tentará nada.- Não confio no pessoal daqui e muito menos nessas mulheres!- Essas mulheres trabalham para o meu tio, e ele deixou a propriedade sob a responsabilidade delas. Isso mostra que elas são confiáveis!- Elas te deixam ficar aqui como dono, e você nem mesmo tem a permissão de seu tio!- Cala a boca! Eu te ajudei, e você está enchendo minha paciência! Quer que eu te entregue para a polícia?Hugo ficou em silêncio e saiu para o quarto.E







