LOGINHelena Moretti passou anos apaixonada pelo homem que nunca a enxergou. Gabriel Castellan era tudo o que qualquer garota poderia desejar: bonito, inteligente, herdeiro de um império empresarial e completamente fora do alcance dela. Quando um acordo inesperado os leva ao altar, Helena acredita que finalmente terá a chance de conquistar o coração do homem que ama. Mas amar alguém não significa ser amada de volta. Mesmo depois do casamento, Gabriel continua distante. Frio. Indiferente. E Helena passa anos tentando ser suficiente para um homem que nunca parece escolhê-la. Até que um acidente muda tudo. Quando Gabriel acorda no hospital sem lembrar dos últimos anos, a primeira pessoa que ele procura não é sua esposa. É a ex-namorada. Com o coração destruído, Helena luta por seu casamento até perceber uma verdade cruel: algumas histórias de amor existem apenas em um dos lados. Determinada a recomeçar, ela abandona tudo e se muda para outro país para seguir a carreira dos sonhos. O que ela não esperava era encontrar alguém que sempre a enxergou... alguém que a escolheu muito antes de ela aprender a escolher a si mesma. Mas quando Gabriel recupera a memória e percebe o que perdeu, ele está disposto a fazer qualquer coisa para trazê-la de volta. Entre arrependimentos, segundas chances e um amor que atravessou anos em silêncio, Helena precisará decidir: Voltar para o homem que finalmente aprendeu a amá-la... ou escolher aquele que nunca deixou de amar.
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Minha voz saiu mais firme do que eu me sentia. Gabriel olhou para os papéis sobre a mesa de vidro. Durante alguns segundos, apenas observou as folhas sem tocá-las. Era engraçado. Passei anos imaginando esse homem me olhando. Me enxergando. Me escolhendo. E agora que finalmente seus olhos estavam voltados para mim, eu não sentia nada além de cansaço. Um cansaço tão profundo que parecia ter se instalado nos meus ossos. — Tem certeza? — ele perguntou. Eu quase ri. Quase. Depois de tudo, aquela era a pergunta que ele fazia? Não "como você está?". Não "você ainda me ama?". Não "vamos tentar outra vez?". Apenas: — Tem certeza? Como se estivéssemos cancelando uma assinatura de revista. Como se meu coração não tivesse sido destruído e reconstruído tantas vezes que eu já não soubesse qual era sua forma original. — Tenho. Ele assentiu. Sem drama. Sem discussão. Sem insistência. Sem lutar por mim. Como sempre. Pegou a caneta. Assinou. E naquele instante eu soube que os últimos quatro anos da minha vida tinham acabado. Era simples assim. Uma assinatura. Um rabisco de tinta. Fim. Eu deveria ter chorado. Mas as lágrimas tinham acabado muito antes daquele dia. Muito antes do acidente. Muito antes de ele acordar no hospital procurando outra mulher. Muito antes de eu entender que não importa o quanto você ame alguém. Você não pode obrigar essa pessoa a amar você de volta. Gabriel empurrou os documentos para mim. — Pronto. Pronto. Uma palavra tão pequena para algo tão grande. Meu coração apertou. Porque, apesar de tudo, existia uma parte estúpida dentro de mim. Uma parte que ainda esperava. Sempre esperava. Esperava que ele me impedisse. Esperava que dissesse meu nome. Esperava que finalmente me escolhesse. Mas ele não fez nada. Nunca fez. Peguei os papéis. Levantei. E fui embora. Sem olhar para trás. Sem perceber que aquela seria a última vez que o veria por muito tempo. Dois meses depois. Eu estava parada no aeroporto segurando uma passagem só de ida. Nova York. A cidade que eu sonhava conhecer desde os dezesseis anos. A cidade onde ficava uma das maiores empresas de design do mundo. A cidade onde ninguém me conhecia. Onde ninguém sabia quem eu tinha sido. Ou quem eu tinha amado. Minha mala estava pesada. Mas não tanto quanto meu peito. Meu celular vibrou. Uma mensagem da minha mãe. "Tem certeza que quer ir tão longe?" Sorri. Engraçado. Todo mundo parecia preocupado com a distância. Mas ninguém entendia que eu já estava longe havia anos. Longe de mim mesma. Longe dos meus sonhos. Longe da garota que eu costumava ser. Antes de Gabriel. Antes do casamento. Antes de tudo. Fechei os olhos por um instante. E, contra minha vontade, uma lembrança surgiu. Eu tinha seis anos. Estava sentada no chão da escola chorando porque um menino mais velho tinha rasgado meu desenho. Lembro do papel amassado. Das lágrimas. Da sensação horrível de que meu trabalho não valia nada. Então alguém sentou ao meu lado. Um garoto magro. Com os joelhos ralados. E um sorriso torto. Ele não disse nada. Apenas colocou um pacote de biscoitos na minha frente. — Você pode ficar com o meu. Eu funguei. — Por quê? — Porque você parece triste. Simples assim. Como se fosse motivo suficiente. Como se minha tristeza importasse. Lembro dele pegando o desenho rasgado. Lembro dele juntando os pedaços. Lembro dele dizendo: — Ainda está bonito. Na época eu acreditei. Porque crianças acreditam em milagres. E naquele dia aquele menino tinha sido um. Lucas. Esse era o nome dele. Não pensava nele havia anos. Talvez mais de uma década. A vida tinha acontecido. Mudanças. Escolas diferentes. Faculdade. Casamento. Fracassos. E as pessoas acabavam ficando para trás. Abri os olhos. O embarque estava sendo chamado. Respirei fundo. Era hora de seguir em frente. Era hora de começar outra vida. Sem Gabriel. Sem expectativas. Sem esperar ser escolhida. Pela primeira vez, eu escolheria a mim mesma. Peguei minha mala. Dei o primeiro passo. E não fazia ideia de que, do outro lado do oceano, o destino estava prestes a me apresentar novamente ao garoto que um dia juntou os pedaços de um desenho rasgado. E, anos depois, ajudaria a juntar os pedaços do meu coração.Na sexta-feira, cheguei ao apartamento de Lucas com uma bolsa no ombro, uma pasta de desenhos debaixo do braço e a intenção de passar apenas algumas horas com ele. Pelo menos, era esse o plano. Na prática, eu já tinha avisado que dormiria ali, separado roupas para o fim de semana e colocado na bolsa o livro que estava tentando terminar havia quase duas semanas. Ainda assim, quando ele abriu a porta e olhou para tudo o que eu carregava, não conseguiu esconder o sorriso. — Você está vindo passar o fim de semana ou pretende se mudar definitivamente? Entrei, desviando dele para deixar a bolsa sobre o sofá. — Depende. Você tem alguma objeção à minha presença? — Nenhuma. Só estou tentando entender por que trouxe material de trabalho se prometeu que não passaria o sábado inteiro revisando o projeto. Olhei para a pasta em meus braços. — Isso é diferente. Lucas cruzou os braços. — Claro. Imagino que a pasta tenha vindo espontaneamente, sem qualquer participação sua. — Ela precisava
Naquela noite, pedimos comida e abrimos uma garrafa de suco que eu havia comprado durante a viagem. Lucas insistiu em colocar a mesa como se estivéssemos recebendo convidados importantes, embora fôssemos apenas nós dois, sentados no apartamento, ainda usando roupas de trabalho. — Você sabe que não precisa fazer tudo isso, não sabe? — perguntei enquanto ele ajeitava os pratos. — Sei. Mas quero. Ele puxou a cadeira para mim. — Além disso, uma mulher que acabou de conquistar uma nova responsabilidade profissional merece uma celebração adequada. Sentei-me, sorrindo. — Você está levando isso muito a sério. — Estou levando você a sério. A resposta me fez parar por um instante. Lucas percebeu, mas não tentou preencher o silêncio. Apenas se sentou à minha frente e começou a servir a comida. Jantamos conversando sobre o projeto, sobre as possíveis dificuldades e sobre as coisas que eu gostaria de aprender naquela nova etapa. Ele fez perguntas, ouviu minhas respostas e, quando não co
Na quarta-feira, percebi que tinha cometido um erro ao acreditar que conseguiria terminar a revisão do projeto até o fim da semana sem levar trabalho para casa. Não era falta de organização. Eu tinha um planejamento, uma lista de prioridades e até horários reservados para revisar cada etapa. O problema era que, quanto mais eu analisava as alternativas, mais possibilidades encontrava. E eu queria explorar todas elas. — Você está encarando essa tela há vinte minutos — Maya comentou, parando ao lado da minha mesa. — Ou está trabalhando em uma solução brilhante ou está tentando hipnotizar o computador. Afastei os olhos do monitor. — Estou tentando descobrir como reduzir o custo de um mecanismo sem comprometer a funcionalidade do móvel. Ela puxou uma cadeira e se sentou. — E qual é o problema? Girei o monitor na direção dela e mostrei as duas versões que estava comparando. — A primeira é mais barata, mas limita os movimentos. A segunda funciona melhor, só que aumenta o custo de p
Perto do meio-dia, meu celular vibrou.Era uma mensagem de Lucas.Como está sendo o retorno da nossa designer favorita?Respondi enquanto caminhava até a copa.Até agora, ninguém me demitiu. Considero um bom começo.A resposta chegou quase imediatamente.Ótimo. Eu estava pensando em comemorar seu primeiro dia de volta.Sorri.Com jantar sofisticado ou comida pronta?Estou disposto a negociar.Então compre comida pronta.Eu sabia que você tinha bom gosto.Guardei o celular e preparei mais café.Quando voltei para minha mesa, encontrei uma nova mensagem, dessa vez de Sofia.Ela tinha enviado uma fotografia de um documento aberto sobre a mesa, acompanhado de uma xícara de café.Sofia: Adivinha quem marcou uma entrevista para aquela vaga em São Paulo?Meu sorriso aumentou.Eu: VOCÊ!Sofia: Eu mesma. Ainda estou com medo, mas decidi que pelo menos vou ouvir o que eles têm a oferecer.Eu: Estou orgulhosa de você.Ela demorou alguns segundos para responder.Sofia: Você acha mesmo que eu cons
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