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Cap 7

last update publish date: 2026-05-15 19:55:16

Romeo Esposito

Falei enquanto encarava o homem à minha frente.

Ele tentou dizer alguma coisa, mas o medo parecia ter tomado conta dele.

Não senti pena.

Pessoas como ele não mereciam.

Naquela noite, eu tinha duas certezas.

A primeira era que Justin Cameron pagaria por ter colocado as mãos em Crystal.

A segunda era que eu ainda não entendia o que aquela garota de olhos verdes havia despertado em mim.

Mas descobriria.

Porque, pela primeira vez em muitos anos, algo havia conseguido prender minha atenção.

E eu não pretendia deixar escapar.

Crystal Dixson

Acordo com um gosto amargo na boca. Minha visão está embaçada e uma tontura intensa faz tudo ao meu redor girar.

Por alguns segundos, não consigo entender onde estou. Minha cabeça parece pesada e tento me lembrar do que aconteceu, mas minha mente está completamente vazia.

— Graças a Deus você acordou.

A voz preocupada de Gina chega aos meus ouvidos e faço esforço para abrir melhor os olhos. Aos poucos, consigo enxergá-la de pé ao lado da minha cama, com uma expressão de alívio misturada com preocupação.

— O que aconteceu?

Pergunto confusa, tentando organizar meus pensamentos.

— Você não se lembra de nada?

Nego com a cabeça.

Gina se aproxima, como se ainda não acreditasse que eu realmente não me recordava.

— A festa... você saiu com o Justin. Ele disse que ia te levar para casa.

Fecho os olhos por alguns segundos, tentando buscar qualquer lembrança perdida. Aos poucos, algumas imagens começam a surgir: a música alta, as pessoas dançando, Justin insistindo para me acompanhar, eu me sentindo mal de repente e...

Nada.

Um vazio completo.

— Eu só consigo me lembrar que comecei a passar mal quando saímos da festa. O que aconteceu depois disso?

— Ninguém sabe. Só me ligaram daqui do hospital avisando que você tinha dado entrada.

Franzo a testa, confusa.

— Mas como eu vim parar aqui?

Gina balança a cabeça.

— Não me disseram. Eu perguntei na recepção, mas não existe nenhum registro da pessoa que trouxe você. Só falaram que os exames acusaram que você foi drogada.

Meu coração acelera.

— Drogada? Como assim? Eu nem chego perto dessas coisas.

— Alguém deve ter colocado alguma coisa na sua bebida.

Aquelas palavras fazem um arrepio percorrer meu corpo.

Então uma lembrança volta.

— O Justin...

Gina me encara.

— O que tem ele?

— Ele me deu uma bebida. Eu não sei o que era, mas tinha um gosto estranho... amargo.

Ela fica em silêncio por alguns segundos.

— Você acha que ele...

Desvio o olhar, tentando entender tudo.

— Eu não sei. Mas foi a única coisa que tomei naquela festa. Onde ele está?

A expressão de Gina muda.

— Esse é outro mistério. Na verdade, esperávamos que você soubesse nos dizer alguma coisa. Os pais dele estão desesperados procurando notícias.

Meu estômago se revira.

— Há quanto tempo estou aqui?

— Há dois dias.

Abro os olhos surpresa.

— Você avisou meu pai?

Gina hesita antes de responder.

— Não. Eu sabia que você não ia querer isso. Mas pensei em ligar... fiquei com medo de ser algo grave. Só mudei de ideia depois que conversei com o médico.

Solto um suspiro aliviado.

— Obrigada. Você sabe como meu pai é. Ele ia dizer que eu só dou trabalho e que preciso tomar juízo.

Gina apenas concorda.

— Eu sei.

Antes que possamos continuar a conversa, a porta se abre e o médico entra, fazendo com que o assunto seja interrompido.

Enquanto ele verifica meus exames, minha mente continua uma bagunça. Tento encontrar qualquer lembrança daquela noite, qualquer detalhe que possa explicar o que aconteceu.

Mas existe apenas uma coisa que insiste em voltar.

Uma voz.

Grossa.

Familiar.

“Não se preocupe, occhi di smeraldo. Eu vou cuidar de você.”

Um arrepio percorre meu corpo.

Eu conheço aquela voz.

Tenho certeza de que já a ouvi antes.

Mas não consigo lembrar onde.

E o que significa “Occhi di smeraldo”?

Depois que o médico confirma que estou bem, ele finalmente me dá alta.

Volto para casa com Gina, ainda tentando organizar tudo o que aconteceu. Durante o caminho, ela tenta fazer com que eu me lembre de mais alguma coisa, dizendo que a polícia provavelmente vai querer conversar comigo e que qualquer detalhe, por menor que pareça, pode ajudar na investigação.

Mas existe apenas uma coisa da qual tenho certeza.

A bebida.

O gosto amargo.

A sensação de que algo estava errado.

Eu não sei o que Justin pretendia fazer comigo, mas sei que ele colocou alguma coisa naquela bebida.

Na manhã seguinte, acordo com a mente mais tranquila e as lembranças um pouco mais organizadas. Ainda não consigo entender tudo o que aconteceu, mas pelo menos agora consigo pensar com mais clareza.

E isso é importante, porque quando desço as escadas encontro a polícia me esperando na sala.

Assim que me vê, um dos policiais se levanta.

— Bom dia, senhorita Dixson. Será que podemos conversar com você?

Há mais dois policiais ao lado dele: uma mulher e um homem. Próximo à porta, Gina me observa com uma expressão preocupada.

Respiro fundo.

Não tenho nada a esconder. Eu não fiz nada errado. Pelo contrário, sou a primeira pessoa interessada em descobrir o que realmente aconteceu naquela noite.

— Claro. Podemos conversar, sim. Sentem-se, por favor.

Enquanto falo, Jorge pula nas minhas pernas pedindo atenção. Abaixo-me para pegá-lo no colo e percebo que estou sem meus óculos.

Passo a mão pelo rosto, incomodada.

Eu estava usando eles naquela noite.

Devem ter caído em algum lugar.

Caminho até o sofá com Jorge nos braços e me sento, indicando que eles façam o mesmo.

— Vocês aceitam alguma coisa? Café, água?

— Não, obrigada.

A policial responde e Gina se senta ao meu lado, esperando o interrogatório começar.

— Então, Crystal, precisamos que nos conte tudo o que aconteceu naquela noite. Todos os detalhes que conseguir lembrar.

Assinto.

— Não há muito o que dizer. Eu estava na festa com Gina e Kellan. Em determinado momento, decidi ir embora e Justin se ofereceu para me levar em casa. Eu não queria aceitar, mas ele insistiu e acabei cedendo.

Faço uma pausa, lembrando daquela noite.

— Antes de sairmos, ele me deu uma bebida. Eu nem queria aceitar, mas ele insistiu tanto que acabei tomando. Bebi tudo de uma vez porque queria sair logo daquela festa.

O policial ao lado dela me observa com atenção.

— Por que queria sair tão rápido?

Dou de ombros.

— Porque eu não gosto de festas. Prefiro mil vezes ficar em casa lendo.

— Então por que foi à festa?

Olho para Gina, que imediatamente se sente culpada.

— Porque Gina insistiu para que eu fosse.

Ela suspira antes de explicar.

— Kellan, meu namorado, j**a no time de hóquei da universidade. Ele estava na corda bamba com o técnico porque faltou a um jogo importante para me acompanhar ao hospital. Justin disse que, se Kellan conseguisse um encontro com a Crystal, ele ajudaria a conversar com o técnico. Foi por isso que pedi para ela ir.

A policial volta sua atenção para mim.

— Então você e Justin não tinham nenhum relacionamento?

— Não. Antes daquela festa, eu nunca tinha tido nenhum contato com ele.

Gina completa:

— Justin viu a Crystal uma vez na cafeteria e ficou interessado nela.

A policial faz uma anotação.

— Continue, Crystal.

Engulo em seco antes de continuar.

— Quando tomei a bebida, senti um gosto estranho. Meio amargo. Mas como eu não tenho costume de beber, pensei que fosse normal. Achei que talvez fosse apenas o gosto daquela bebida.

Minha mão aperta o pelo de Jorge sem perceber.

— Quando saímos da festa e estávamos indo para o estacionamento, comecei a me sentir mal. O estranho é que Justin não pareceu preocupado. Na verdade... parecia que ele sabia exatamente o que estava acontecendo comigo.

Os três policiais ficam atentos.

— Ele me carregou até o carro com uma tranquilidade que me assustou. E quando tentei acusá-lo de ter colocado alguma coisa na minha bebida, ele não negou.

Faço uma pausa.

Aquela lembrança ainda me causa desconforto.

— Ele apenas sorriu.

A policial mantém o olhar sério.

— Você está afirmando que foi Justin quem colocou algo na sua bebida?

Respiração fundo antes de responder.

— Eu acredito que sim. A bebida que ele me deu foi a última coisa que consumi naquela noite.

A policial troca um olhar rápido com os colegas.

— Infelizmente, esse tipo de situação acontece com frequência, principalmente em festas universitárias.

O outro policial continua:

— E depois disso? O que aconteceu?

Fecho os olhos por alguns segundos, tentando voltar àquela noite.

— Eu apaguei por algum tempo. Quando acordei, Justin tinha me levado para um lugar que eu não conhecia. Parecia um daqueles hotéis de beira de estrada.

Minha voz fica mais baixa.

— Quando ele me deixou livre para abrir a porta, tentei me afastar, mas minhas pernas simplesmente não obedeciam. Eu caí no chão.

Paro por um instante.

Porque é nesse momento que a lembrança volta.

Aquele som.

Aquele barulho estranho.

— Foi quando ouvi um baque... como se alguma coisa grande tivesse caído.

Minha testa franze enquanto tento lembrar.

— Depois disso, tudo ficou escuro novamente.

Abro os olhos.

— Quando acordei... eu estava no hospital.

O silêncio toma conta da sala.

Percebo que todos estão me observando, principalmente a sargento Melina, que parece analisar cada palavra que acabei de dizer.

— Crystal, você consegue se lembrar de mais alguma coisa desse momento? Algum rosto? Alguma voz? Qualquer detalhe pode ser importante.

Franzo a testa.

Uma voz.

Sim.

Eu me lembro de uma voz.

Mas não sei explicar por quê, porque tudo aconteceu de forma tão confusa.

— Eu... lembro de alguém.

Os três policiais ficam atentos.

— Alguém?

Fecho os olhos, tentando encontrar aquela lembrança perdida em meio à escuridão.

A sensação de segurança.

O cheiro de algo amadeirado.

Braços fortes me segurando.

E aquela voz.

— Eu não consigo ver o rosto dele.

Minha voz sai mais baixa.

— Mas eu lembro da voz.

Gina olha para mim surpresa.

— Que voz, Crystal?

Passo a língua pelos lábios secos, tentando organizar meus pensamentos.

— Eu não sei quem era. Eu só lembro que ele disse para eu não me preocupar.

A frase volta imediatamente à minha mente.

“Não se preocupe, occhi di smeraldo. Eu vou cuidar de você.”

— Ele me chamou de alguma coisa... em outro idioma.

A sargento Melina inclina levemente a cabeça.

— Você se lembra do que ele disse?

Engulo em seco.

— Occhi di smeraldo.

Os policiais trocam olhares.

— Você sabe o que significa?

Nego.

— Não. Eu não faço ideia.

A sargento pega algumas anotações.

— E você tem certeza de que essa pessoa não era o Justin?

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