Compartilhar

capítulo 2

Autor: Danny Veloso
last update Data de publicação: 2024-05-05 02:06:08

Giulia

Dias depois

— Não sei o porquê de tanta reclamação. — Antônia passava os dedos sobre as peças de roupas chiques expostas nos cabides de uma loja de marca. Ela era a minha única amiga e adorava comprar roupas e joias caras. — Tem tudo que deseja. Seu pai não economiza na sua mesada e aposto que Pablo também vai te agradar assim. Só basta você dar uma chance ao cara. Ele até que é gostosinho.

— Você pode se casar no meu lugar — debochei, sentindo raiva do que ela falou. — Pablo é um machista de merda; só quer transar comigo e vai me tratar como um lixo depois do casamento.

— Assim como todos, Giulia. Não pode se esquecer de que não estamos em um conto de fadas. Mas se eu fosse você, aprenderia a seduzir o homem e a fazer com que ele me venerasse, não desprezasse.

— Se dependesse de mim, eu cortaria o pau dele só para não ter que me casar. — Bufei, cruzando os braços e me sentindo frustrada. — E não quero falar sobre isso.

Eu não via o tempo passar. Minha amiga não parava de falar sobre sua vida e de como eu deveria agradecer pela minha.

Saí da loja sem nenhuma sacola, só com raiva e chateada por tudo. Paramos em uma cafeteria e eu pensei em tomar um café. Estávamos ao lado de fora, aproveitando o ar livre e o pouco sol.

— Vamos sair hoje à noite? — ela sugeriu.

Pelo menos isso me interessava naquele dia chato.

— Meu pai está bem ranzinza nesta semana por conta do meu desgosto em não querer me casar com Pablo, mas sair pode me ajudar e, talvez, ele querendo me agradar mais, possa concordar com isso.

Meu pai até que estava tolerante ultimamente. O que me deixava com a pulga atrás da orelha. Sempre que ele me dava algo, cobrava-me no futuro. Eu teria que ser bem mais esperta que ele se quisesse me livrar de todos os compromissos que ele poderia me dar.

***

Tive que mentir para ir àquela boate. Se meu pai soubesse aonde iríamos, obviamente, não me deixaria sair. O meu problema mesmo seria quando eu voltasse para casa, pois sabia bem que ele colocava seus homens atrás de mim e que ficava ciente de tudo que eu fazia.

Era arriscado provocá-lo quando ele estava sendo bem bonzinho, então eu sabia que minha libertinagem iria me render algumas punições. Contudo, fazia um tempo que eu não saía e ia a lugares assim.

Entrei no local, sentindo que deveria me comportar, porém nem tanto. Se eu iria ficar de "castigo", que fosse por me divertir o bastante.

Antônia era a filha de um burocrata mau-caráter que roubava de todos os lados. Por isso era tão rico. Ultimamente, ele estava na boca do povo e sendo acusado pelo óbvio, só que nem isso conseguia abaixar o temperamento da sua filha, que usufruía do dinheiro como se fosse uma fonte sem fim.

— Fiquei surpresa por seu pai ter sido tão.... bom em deixar você vir comigo — ela falou perto do meu ouvido, pois a música nos impedia de conversar normalmente.

— Eu não disse onde seria a festa. — Ri antes de tomar mais um gole da bebida cor-de-rosa, sabor morango, que pedi. — Minha noite não vai acabar bem.

— Vamos para a área VIP. Aqui está muito lotado. — Pegou-me pela mão e me conduziu às escadas da boate, que eram iluminadas com luzes fluorescentes neons.

Enquanto eu subia, olhava para todos que estavam lá embaixo se esfregando uns nos outros e bebendo álcool como se fosse água. Na área VIP podíamos conversar normalmente. Havia sofás confortáveis de couro, mesas, cadeiras, pufes e um bar exclusivo.

Antônia e eu ficamos olhando para as pessoas no andar inferior enquanto ela me contava mais sobre os escândalos do seu pai como se não fossem nada demais. Então, por cima dos seus ombros, eu o vi. Estava com dois outros homens. Acho que um deles era seu irmão Lorenzo. Mas ele, em particular, estava me encarando com um sorriso de canto.

Voltei minha atenção à minha amiga e tentei não parecer desconfortável, mesmo sabendo que ele ainda me observava.

— Preciso de algo mais forte. — Afastei-me dela e fui em direção ao bar.

Eu sentia frio na barriga só de pensar que ele estava ali e me encarava. Não fazia ideia do porquê estava desse jeito. Dante não queria nada comigo, nem eu com ele. Além disso, ele era pior que Pablo. Eu deveria manter distância de mafiosos, um abismo de distância.

— É uma surpresa vê-la aqui — a voz grossa e intimidadora soou ao meu ouvido como um vento gelado que me paralisou.

Aja naturalmente.

— Pelo que conheço de Marcos, ele não permitiria que sua única filha viesse a um lugar como esse.

Dei um leve sorriso, sentindo-me motivada a respondê-lo à altura.

— Meu pai é um homem inteligente, senhor Mitolli: me dá algo e pede outra coisa em troca. — Fiquei feliz por meu drink ter chegado rápido. — Além disso, não estou em um bordel. É só uma festa com minha amiga.

— Uma festa regada a muito álcool e drogas. — Levantou uma das sobrancelhas.

Eu não deveria olhá-lo tão de perto, como no outro dia. Ele possuía traços fortes e um charme que poucos tinham, que chamava a atenção. Todos sempre falavam que Dante era o mais parecido com o pai. E devo admitir que esse homem, apesar de ter mais que o dobro da minha idade, deixava-me atraída por ele e totalmente desestabilizada.

— Não preciso que cuide de mim. Ele já faz esse trabalho — falei antes de sair sem olhar para trás, ou perderia a mínima coragem que criei para o responder.

Confesso que, por dentro, fiquei orgulhosa de mim mesma. Poucas mulheres, creio eu, responderia ele desse jeito.

***

Minha melhor amiga, simplesmente, sumiu com algum carinha e me deixou a ver navios na área VIP. Quando saí do banheiro feminino, ela já não estava mais ali, e como era hora de eu ir, por saber que não deveria provocar meu pai mais do que já havia provocado, decidi ir embora.

Desci as escadas, com esperança de encontrá-la em meio à multidão. Todavia, conhecendo Antônia, eu sabia que ela já deveria estar agarrando alguém em algum lugar daquela balada barulhenta. Segui em frente, pronta para sair, quando uma pessoa me pegou pelo braço. Ela não fez mais do que isso.

Então olhei para trás e encontrei Dante, que, sem dizer uma palavra, conduziu-me para o lado oposto da saída. Nunca tinha me sentido tão indefesa e amedrontada. Não que ele pudesse fazer algo de ruim comigo, mas alguma coisa nele me despertava um instinto de fuga. Talvez fosse o meu cérebro tentando me alertar, só que, por ora, meu corpo foi simplesmente manipulado pelas boas vibrações que vinham daquele simples toque na mão.

Eu não sabia o porquê de tudo isso, só o segui. Então, em um determinado canto quase sem ninguém e iluminado por algumas luzes neons, ele não disse nada, somente me colocou contra a parede e me beijou. Achei estranho no início, entretanto fui inundada por uma sensação boa de calor e prazer. Suas mãos no meu corpo tocavam nas partes certas para me acender de vez.

Passei os braços em volta do seu pescoço enquanto uma de suas mãos em minha coxa subia pela saia fina e brilhosa que escolhi usar. Nada além de "mais e mais" se passava na minha cabeça. Eu tinha até me esquecido de onde e com quem estava.

E, de repente, foi um estalo de consciência que me acordou.

— Tenho que ir antes que meu pai venha e me carregue à força — falei, ofegante e bêbada com aquele beijo.

— Um minuto a mais ou a menos não vai fazer diferença. — Abriu em seus belos lábios um meio-sorriso.

— Acredite: a cada segundo, ele fica mais irritado — expliquei, não conseguindo parar de fitar a sua boca.

Sem me dar espaço, ele me beijou novamente, agora com mais rapidez e urgência, tirando-me o resto de ar que tinha em meus pulmões.

— Você agora é minha, Giulia Santini.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A filha rejeitada do mafioso   EPILOGO 2

    DARKNunca imaginei que um dia estaria vestida de noiva, com véu e grinalda, praticamente entrando em uma capela e prestes a me casar com um mafioso com quem tenho um filho.Sempre fui a pessoa que repetia mil vezes que isso nunca aconteceria, que jamais me apaixonaria por alguém, seja homem ou mulher, mas aqui estou eu, com um frio na barriga que me paralisava, mãos suando e ansiosa para ver o homem que amo na frente de um altar.Giovanna seria a garota das rosas que também levaria as alianças, e eu, estava me julgando mentalmente por estar fazendo isso.Gabriela estava com Luke, pois era a única pessoa em quem eu confiava para deixar o meu filho.Acredite, isso tudo era louco, era maluquice estar me prendendo a um homem mandão e que não sabia lidar com os sentimentos. Mas eu também não sabia, o que desejava agora era nunca mais sair de perto dele, mesmo com as brigas e divergências.Quando as portas foram abertas, senti o meu nível de estresse chegar ao limite. Não tinha muitos conv

  • A filha rejeitada do mafioso   capítulo 70

    LORENZODesde que assumi essa posição, venho sendo alguém que segue à risca o que os capos dizem. No início, era mais fácil deixar tudo como meu pai tinha feito, eles eram os mais antigos e tinham as suas ideologias de como tinha que ser as coisas, porém, hoje vejo o quanto errei com isso tudo.Me tornar um homem que os ouvia, passou a má impressão de que eu não era capaz de ser o chefe sozinho e agora, as expressões controvérsias e caras feias me deixavam puto.Cuidar de Michael antes de entrar nessa sala não minuiu em nada a minha dor de cabeça, mas diferentemente do passado, depois do que aconteceu de um deles me trair, eu seria rígido e eram eles quem deveriam me ouvir.A primeira coisa que faria seria me tornar independente e separar as nossas casas, pois agora vejo o quanto isso está confuso e a antiga impressão de uma grande família que se apoiava era uma mentira.Enquanto eu fazia o que eles queriam, era respeitado e ouvido, mas me opor ou escolher algo no qual rejeitam, traz

  • A filha rejeitada do mafioso   capítulo 69

    DARKDepois do que aconteceu ontem a noite, pesei muito no que aconteceria depois disso. Meu corpo parecia que estava de ressaca, como se eu tivesse tomado um porre.Lorenzo disse que cuidaria de Michael e pensei em discordar, insistir para ser eu quem o matasse, mas por fim descobri que não era isso que eu queria.Hoje faz quatro meses que o tenho nas minhas mãos e não quero perder nada disso por conta de uma vingança. Na verdade, decidi parar com essas loucuras. Ontem só provou que mesmo que a Dark de antes ainda esteja viva dentro de mim, ela se preocupa mais com o bem-estar do filho do que com alguma tortura ocasional.Também me mostrou tudo o que mais odeio quando saio de casa para caçar alguém. O medo sempre esteve em mim. Ele me protegia tanto me mandado ir embora, quanto por me dar foça para me livrar da pessoa que me causa receio, mas nada do que faço me tira a sensação de fraqueza.Sempre soube que a raiva contida em mim para fazer essas coisas vinha do meu passado. As lembr

  • A filha rejeitada do mafioso   capítulo 68

    LORENZOJá tínhamos passado pelos idiotas que estavam de guarda na redondeza da boate. Se já era ruim ser atacado dentro da nossa casa, pelos nossos aliados, era duas vezes pior saber que meus inimigos se reuniam para me dar um golpe dentro de lugares onde costumávamos ter completo domínio.Isso daria um basta em tudo: traições, disputas e mal-entendidos. Esperava que essa noite sessasse o conflito entre mim e Michael, eu o mataria e ninguém ficaria no meu caminho.Ainda tínhamos que resolver o problema com o Sul, quando todos nos reuníssemos. Eu não deixaria barato essa afronta, serviria de exemplo para quaisquer um que ousassem nos trair novamente.Agora, parecia que não tínhamos credibilidade alguma. Eles nos viam como fracos, permitindo que inimigos permanecessem em nosso território, causando desastres, mas esperava colocar tudo nos eixos antes do meu casamento. Isso se a mulher a quem escolhi dissesse sim para mim. Claro, eu não desistiria nunca, Dark seria minha, assim como já é

  • A filha rejeitada do mafioso   capítulo 67

    DARKMomentos antesJá fiz muita coisa nessa vida. Matei muitas pessoas, homens e mulheres. Fingir ser quem não sou, ser algo totalmente oposto daquilo que todos achavam ou queriam de mim, era fácil.Muitas vezes sentia necessidade disso, de correr atrás de algo, caçar alguém que era errado. Não que eu fosse a pessoa mais santa do mundo, muito pelo contrário, mas desde que fui violentada pelo meu próprio pai, um desejo incessante de punir alguém tão podre quanto o homem que contribuiu para a minha existência, me libertava.Desde que meu filho nasceu venho me contendo. Não queria ser essa pessoa que sou para Luke. Meu filho cresceria sem ver sua mãe sendo tão fria e cruel quanto estou sendo agora, porém, para que Luke viva, que tenha um futuro, eu deveria fazer isso mais uma vez.Agora, eu estava frente a frente com Michael, um homem alto, pele bronzeada, cor de oliva, olhos castanhos escuros, cabelos lisos, bem cortados, barba grossa e um humor questionável.Ele e seus "colegas", bebi

  • A filha rejeitada do mafioso   capítulo 66

    LORENZODark era como um furação que me levava com a sua força incomum. Ela era a única pessoa na qual eu faria tudo, até mesmo morrer.Difícil, provocativa e irresistível, eram algumas das suas qualidades e defeitos, e mesmo sabendo que ela estava acabando com os meus neurônios, meu coração a desejava mais que qualquer coisa.Foi difícil deixa-la perambular pela cidade atrás de um lunático que queria me matar, mas estar a menos de um metro dele era outro nível de loucura, minha cabeça estava a mil pensando no que poderia acontecer e ficar esperando era algo que odiava, ainda mais quando a mulher que amo estava dentro de uma casa noturna, uma das piores da cidade, próxima do meu maior inimigo.— Muito maduro da sua parte estar aqui enquanto ela está lá dentro, dando ordens para todos, inclusive em nós dois.Dante realmente era um filho da mãe. Sabia qual era o meu ponto fraco, agora, e estava usando isso para me torturar emocionalmente, mesmo que essa não seja sua intenção.Estávamos

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status