แชร์

Capítulo 6 — O Pedido

ผู้เขียน: Layane P Santos
last update วันที่เผยแพร่: 2026-07-25 00:47:39

Eliz,

Passei dois dias sem sair do quarto, o corpo ainda dolorido de um jeito que eu não sabia se algum dia passaria por completo. Meu pai trazia comida até a porta, batia de leve, e ia embora sem insistir quando eu não respondia. Maya, no início, tentava entrar, mas depois do segundo dia parou de tentar também — acho que percebeu, do jeito que só crianças percebem certas coisas sem que ninguém precise explicar, que havia algo errado demais pra ser consertado com abraços.

Foi Nora quem finalmente forçou a porta, no fim da tarde do terceiro dia, entrando sem pedir licença como sempre fazia, mas dessa vez sem o sorriso costumeiro, sem nenhuma leveza no rosto.

— Chega — disse ela, sentando na beira da cama, onde eu continuava deitada, olhando pro teto como se ele tivesse alguma resposta que eu precisasse. — Você não pode ficar assim pra sempre, Liz.

— Eu sei.

— Sabe? — Ela ergueu uma sobrancelha, cética. — Porque não parece.

Sentei devagar, o corpo ainda protestando com o movimento, e finalmente encarei a amiga que eu conhecia desde antes de conseguir me lembrar de qualquer outra coisa na vida. Havia algo decidido em mim havia horas, talvez desde a própria noite da cerimônia, algo que eu vinha adiando dizer em voz alta porque, uma vez dito, se tornaria real.

— Eu vou embora, Nora.

Ela ficou em silêncio por um momento longo demais, os olhos me estudando como se tentasse encontrar alguma brecha na minha voz, algum sinal de que aquilo era só a dor falando, não uma decisão de verdade.

— Embora como? Pra onde?

— Não sei ainda. — E era verdade. Eu não tinha mapa nenhum na cabeça, nenhum destino certo, só a certeza absoluta de que não conseguiria continuar em Vorden, vendo as mesmas ruas, o mesmo salão, talvez até o próprio Kael, todos os dias pelo resto da vida. — Mas eu não posso ficar aqui, Nora. Não depois disso.

— E seu pai? E a Maya? — A voz dela subiu um pouco, não de raiva, mas de um medo genuíno que eu reconheci porque sentia o mesmo. — Liz, você vai simplesmente deixar eles?

Foi ali que a voz me falhou pela primeira vez desde que tinha começado a falar.

— Eu não quero. — As palavras saíram mais fracas do que eu pretendia, quase um sussurro. — Você não tem ideia do quanto eu não quero. Mas eu não posso levar eles comigo, não sei nem o que vou encontrar lá fora, não sei se vou conseguir sobreviver sozinha, quanto mais cuidando do meu pai e de uma criança de oito anos ao mesmo tempo.

Nora ficou quieta, os olhos brilhando com lágrimas que ela ainda não deixava cair, e eu soube, pelo jeito como ela apertou os lábios, que ela já entendia o que eu estava prestes a pedir antes mesmo de eu dizer.

— Eu preciso que você cuide deles — falei, finalmente, a frase que vinha ensaiando havia dias, mesmo sem admitir a mim mesma que estava ensaiando. — Não pra sempre, eu... eu não sei quanto tempo vou ficar fora. Mas preciso saber que alguém vai estar de olho. Que meu pai não vai ficar sozinho demais, que a Maya vai ter alguém além dele pra conversar, pra rir, pra ser criança.

— Liz...

— Por favor. — Segurei as mãos dela, do jeito que fazíamos desde crianças, mas dessa vez foi eu quem apertou mais forte, como se pudesse transmitir através daquele gesto tudo que não conseguia dizer em palavras. — Eu não tenho mais ninguém além de você pra pedir isso. E eu sei que é muito. Eu sei que não é justo pedir isso de você. Mas eu não vou conseguir partir se não souber que eles estão bem cuidados.

Nora chorou, finalmente, as lágrimas que vinha segurando escorrendo livres agora, e por um longo momento nenhuma das duas disse nada, só ficamos ali, mãos entrelaçadas, o peso do que estava sendo pedido e do que estava sendo prometido pairando entre nós sem precisar de mais palavras.

— Eu vou cuidar deles — disse ela, por fim, a voz embargada mas firme. — Você não precisa nem pedir, Liz. Eles são praticamente minha família também. Sempre foram.

— Obrigada. — A palavra parecia pequena demais pro tamanho do que eu sentia, mas era tudo que eu tinha pra oferecer naquele momento. — Eu vou voltar. Não sei quando, mas eu vou voltar.

— E se o Kael...

— Isso não importa mais — cortei, mais rápido do que pretendia, porque a verdade era que eu não sabia se conseguiria terminar aquela frase sem que a voz falhasse de novo. — Ele fez a escolha dele. Diante de todo mundo. Eu só preciso descobrir quem eu sou longe daqui, longe de ser a garota que ele rejeitou.

Nora assentiu devagar, limpando o rosto com as costas da mão, e depois me puxou pra um abraço apertado, do tipo que a gente só dá quando sabe que uma despedida de verdade está próxima, mesmo que nenhuma das duas quisesse admitir isso em voz alta ainda.

— Quando? — perguntou ela, baixinho, contra meu ombro.

— Em breve. — Fechei os olhos, sentindo o cheiro familiar do cabelo dela, tentando gravar aquele momento como quem grava algo que sabe que vai precisar lembrar por muito tempo. — Antes que eu perca a coragem.

Ela se afastou o suficiente pra me olhar nos olhos, séria agora, o tipo de seriedade que Nora raramente mostrava.

— Então vai. Mas vai sabendo que vai ter uma casa pra voltar, Liz. Sempre vai ter.

Eu não confiava mais em muitas coisas naquele momento — não confiava na alcateia, não confiava no próprio coração, que insistia em doer por um homem que nunca me quis de verdade. Mas confiava nela. Sempre tinha confiado.

E foi com aquela certeza, pequena mas sólida, que finalmente comecei a me preparar pra partir.

อ่านหนังสือเล่มนี้ต่อได้ฟรี
สแกนรหัสเพื่อดาวน์โหลดแอป

บทล่าสุด

  • A loba que o Alfa rejeitou    Capítulo 198— O Amanhã

    A primavera havia chegado de verdade. Não apenas às árvores, que agora carregavam folhas novas, nem aos campos que começavam a ganhar tons de verde depois de meses de frio. Ela havia chegado às pessoas. Vorden despertava todas as manhãs com um tipo diferente de barulho. Não eram mais ordens de soldados. Não eram gritos de alerta. Não eram passos apressados diante de alguma ameaça. Eram vozes. Portas sendo abertas. Crianças correndo pelas ruas. Comerciantes levantando as pequenas placas de madeira de suas lojas. Martelos batendo em alguma construção que ainda precisava de reparos. Risadas. Vida. Aldrich caminhava pela praça naquela manhã, carregando uma pequena sacola de frutas que alguém havia insistido em lhe entregar. Ele não parecia ter pressa. Ao seu lado caminhava uma mulher que Eliz não conhecia muito bem. Ela falava alguma coisa, e Aldrich ria enquanto balançava a cabeça. Em determinado momento, a mulher tocou de leve o braço dele para chamar sua atenção. Ald

  • A loba que o Alfa rejeitou    Capítulo 197 — Para Sempre Não É Uma Promessa

    A noite havia chegado tranquila a Vorden. Não havia reuniões. Não havia mensageiros correndo pelos corredores. Não havia guardas sendo chamados às pressas. Não havia ninguém esperando por uma nova ameaça. Pela primeira vez em muito tempo, uma noite podia simplesmente ser uma noite. Eliz estava sentada na varanda de casa, com as pernas recolhidas sobre a cadeira e uma manta sobre os ombros. À sua frente, o jardim estava iluminado apenas por algumas pequenas lanternas. As flores da primavera haviam crescido. Algumas estavam espalhadas pelo caminho. Outras começavam a tomar conta dos canteiros. Ela gostava de observar aquilo. Coisas que cresciam sem pedir permissão. Sem precisar ser escolhidas. Sem precisar provar que mereciam estar ali. Kael apareceu alguns minutos depois, trazendo duas xícaras. — Chá. Eliz ergueu os olhos. — Você fez? — Tentei. Ela pegou a xícara. — Isso não me tranquiliza. — Eu coloquei água e folhas dentro de uma panela. —

  • A loba que o Alfa rejeitou    Capítulo 196 — Primavera

    Alguns meses haviam passado. Não tantos a ponto de apagar as marcas do que acontecera, mas suficientes para que Vorden já não parecesse o mesmo lugar. A primavera chegara devagar. Primeiro, pequenas flores começaram a aparecer perto das casas. Depois, os campos ganharam novos tons de verde. As árvores que haviam permanecido silenciosas durante o inverno começaram a criar folhas outra vez. Era impossível olhar para aquilo e não perceber a semelhança. As pessoas também haviam mudado. Vorden estava mais movimentada. As ruas tinham crianças correndo, comerciantes chegando de outras regiões, trabalhadores construindo novas casas e famílias que, antes, jamais teriam dividido uma mesa, agora discutindo sobre qual receita ficava melhor. No Norte, o castelo continuava sendo transformado. As antigas salas de guerra começavam a receber outras funções. Uma delas se tornara uma sala de estudos. Outra recebera materiais para o centro de cura. No pátio, jovens do Norte e de Vorden treina

  • A loba que o Alfa rejeitou    Capítulo 195 — A Família

    A vida na casa de Aiden começou a encontrar um ritmo. Não era um ritmo perfeito. Algumas manhãs eram silenciosas demais. Alguns jantares terminavam sem que ninguém soubesse o que dizer. Havia perguntas que ainda permaneciam sem resposta e lembranças que nenhum dos três conseguia simplesmente colocar para trás. Mas havia algo diferente. Eles já não fingiam. A mãe de Aiden percebeu isso primeiro. Durante muito tempo, naquela casa, o passado parecia uma porta que ninguém tinha coragem de abrir. Ela evitava perguntar sobre o que acontecera enquanto o filho esteve fora. Caleb evitava falar sobre a própria raiva. Aiden evitava explicar coisas que sabia que não poderiam ser justificadas. Agora, pouco a pouco, a porta permanecia aberta. Mesmo quando doía. Naquela manhã, Aiden estava no quintal consertando uma cerca. A madeira antiga estava rachada e precisava ser substituída. Ele mediu duas vezes antes de cortar. Caleb observava da varanda. — Está torto. Aiden olhou para a cer

  • A loba que o Alfa rejeitou    Capítulo 194 — O Homem que Ficou

    Lycan voltou ao Norte sozinho. Não havia comitiva. Não havia guerreiros seguindo seus passos. Não havia ninguém esperando por ele diante dos portões. Apenas o vento frio atravessando o caminho e o som dos próprios passos sobre a estrada que, pouco a pouco, começava a ser reconstruída. Quando avistou o castelo, não sentiu o peso que esperava. Durante muito tempo, acreditou que aquele lugar seria para sempre uma espécie de túmulo. Um monumento a tudo o que havia perdido. Mas naquela manhã, pela primeira vez, enxergou as paredes sem sentir que elas estavam exigindo alguma coisa dele. O castelo ainda carregava marcas. Algumas pedras precisavam ser substituídas. Partes das janelas permaneciam quebradas. Mas havia trabalhadores reconstruindo o que podia ser reconstruído. Lycan atravessou os portões. E entrou. --- O primeiro lugar que visitou foi o antigo quarto de Adara. Ele ficou parado diante da porta por alguns segundos antes de abri-la. A memória veio

  • A loba que o Alfa rejeitou    Capítulo 193 — O Que Fazemos com o Amanhã

    A sala do conselho nunca havia parecido tão diferente. Durante anos, aquele espaço fora usado para discutir fronteiras, ataques, patrulhas e ameaças. Naquela manhã, porém, não havia mapas de guerra sobre a mesa. Havia mapas de estradas. Listas de famílias. Projetos de casas. Registros de plantações. E uma quantidade quase absurda de anotações feitas por Darian. Lycan entrou primeiro. Atrás dele vieram Briana, Theo, Kira e Darian. Pouco depois, Kael chegou acompanhado de Eliz. Ela olhou para a mesa e sorriu. — Isso parece mais complicado do que uma guerra. Darian levantou os olhos dos documentos. — É porque você ainda não viu a quantidade de papel que uma reconstrução produz. Kael sentou-se. — Quantas páginas? — Muitas. — Então é pior. Eliz riu e ocupou a cadeira ao lado dele. Lycan olhou para todos. Por um instante, ninguém falou. Era estranho. Aquelas mesmas pessoas haviam se reunido tantas vezes para decidir como sobreviver. Agora estavam reunidas para decidi

บทอื่นๆ
สำรวจและอ่านนวนิยายดีๆ ได้ฟรี
เข้าถึงนวนิยายดีๆ จำนวนมากได้ฟรีบนแอป GoodNovel ดาวน์โหลดหนังสือที่คุณชอบและอ่านได้ทุกที่ทุกเวลา
อ่านหนังสือฟรีบนแอป
สแกนรหัสเพื่ออ่านบนแอป
DMCA.com Protection Status