A loba que o Alfa rejeitou

A loba que o Alfa rejeitou

last updateÚltima atualização : 2026-09-13
Por:  Layane P SantosCompleto
Idioma: Portuguese
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9.6
5 classificações. 5 avaliações
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Na noite em que o pergaminho deveria coroá-la como a escolhida do Alfa Kael, Eliz — Liz para os poucos que a amavam — é rejeitada diante de toda a alcateia. Humilhada por um homem cujo coração pertence secretamente a outra, ela sente o vínculo se romper como uma ferida que nenhuma loba deveria sobreviver. Ela sobrevive. Deixando para trás o pai idoso e a irmã caçula, Eliz desaparece na noite seguinte, decidida a nunca mais depender do amor de ninguém. É um filho de caçador — inimigo por natureza, protetor por escolha — quem a esconde do mundo que a rejeitou, arriscando o próprio clã para mantê-la viva. Meses depois, quando uma ameaça que nenhuma alcateia pode enfrentar sozinha volta a cruzar seu caminho com o de Kael, ele a quer de volta. Mas o vínculo que ele rompeu não se refaz com um pedido de perdão. Kael pode forçá-la a voltar. Jamais poderá obrigá-la a confiar. Desta vez, é ele quem precisa provar — com o que estiver disposto a perder — que merece ficar.

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Capítulo 1

Capítulo 1 — Antes do Pergaminho

Eliz

A janela do meu quarto dava para a rua principal, e desde cedo eu já sabia que não conseguiria dormir mais naquela noite. Fiquei ali, testa quase encostada no vidro frio, vendo o vilarejo se mover como um organismo só — mulheres carregando cestos de pão fresco para o salão, homens acendendo as primeiras fogueiras mesmo sem ainda ser hora, crianças sendo chamadas para dentro de casa mais cedo do que o normal, como se a noite tivesse pressa de chegar.

Do outro lado da rua, a casa do meu pai vizinha diretamente a linha onde o vilarejo terminava e a floresta começava. Eu sempre gostei disso. Gostava de saber que, se precisasse, bastava atravessar o quintal e desaparecer entre os pinheiros. Nunca imaginei que um dia aquilo deixaria de ser apenas um pensamento reconfortante.

— Liz — a voz da minha irmã veio de trás, pequena e séria como só uma menina de oito anos consegue ser quando está tentando parecer mais velha. — Você vai ficar bonita hoje?

Virei para ela. Maya estava sentada na cama, as pernas balançando sem alcançar o chão, os cabelos escuros — cópia exata dos meus — presos de qualquer jeito porque ela odiava que eu penteasse com cuidado demais.

— Vou ficar do jeito que sempre fico — respondi, e ela fez uma careta, insatisfeita com a resposta, mas deixou pra lá.

Meu pai apareceu na porta pouco depois, já com a camisa boa, aquela que só usava em cerimônias e enterros. Ele não disse nada sobre a noite. Nunca dizia. Só colocou a mão no meu ombro, um segundo, talvez dois, e saiu para ajudar a acender o fogo lá fora. Era o jeito dele de dizer que estava ali. Eu tinha aprendido, com os anos, a ouvir o silêncio dele como quem ouve uma frase inteira.

Foi a batida na porta que quebrou aquilo.

Nora entrou sem esperar resposta, como sempre fazia, o vestido claro já pronto para a cerimônia, o cabelo solto em ondas que ela certamente tinha passado a tarde inteira arrumando. Parou no meio do quarto e me olhou de cima a baixo com aquele jeito de quem está prestes a dizer alguma besteira.

— Você ainda nem se arrumou — disse ela, escandalizada, como se isso fosse o fim do mundo.

— Ainda tem tempo.

— Liz. — Ela se sentou na beirada da cama, ao lado de Maya, que imediatamente se aproximou dela como fazia sempre, gostando da atenção. — Tem tempo pra quê? Pra fingir que você não está morrendo de ansiedade lá dentro?

Não respondi de imediato. Fui até o armário, peguei o vestido que separara — simples, azul-escuro, nada que chamasse atenção — e comecei a vesti-lo devagar, como se isso pudesse adiar a pergunta que eu sabia que viria.

— Eu não estou ansiosa — menti, ou tentei mentir, porque Nora me conhecia bem demais pra engolir aquilo.

— Você ama o Kael desde os doze anos — disse ela, baixo, cuidadosa, olhando de relance para Maya como quem verifica se a menina está prestando atenção. Estava, é claro, mas fingia não estar, os olhos fixos numa boneca de pano que já não tinha mais um dos braços. — E hoje o pergaminho pode escolher você pra ele. Como assim não está ansiosa?

Fechei o último botão do vestido e me virei pro espelho pequeno pendurado na parede, evitando o reflexo dos próprios olhos por um instante.

— Porque não depende de mim — falei, por fim. — Nunca dependeu. O pergaminho escolhe quem ele quer escolher. Eu só vou estar lá, como todo mundo.

— Mas se for você... — Nora se levantou, veio até onde eu estava, ajeitou uma mecha do meu cabelo que teimava em cair sobre o rosto. Nos olhamos pelo espelho. — Se for você, Liz, o que você vai fazer?

Eu ri, baixo, sem muita vontade.

— Vou aceitar. Como qualquer loba aceitaria. — Girei pra encará-la de verdade, não mais pelo reflexo. — Mas pode não ser eu, Nora. Pode ser qualquer uma. Pode ser você.

Ela revirou os olhos, do jeito que só ela sabia fazer, meio brincalhona, meio genuinamente incomodada com a ideia.

— Eu? Kael nem sabe que eu existo.

— Isso não significa nada. O pergaminho não escolhe pelo que ele sabe ou não sabe. — Segurei as mãos dela, um gesto que fazíamos desde crianças, sempre que uma das duas precisava ouvir que estava tudo bem, mesmo quando não estava certo que estivesse. — Pode ser você essa noite. E se for, eu vou ficar feliz por você. De verdade.

Ela me olhou por um longo momento, como se tentasse decidir se acreditava em mim. Acho que decidiu que sim, porque apertou minhas mãos de volta e sorriu, daquele jeito que sempre conseguia me acalmar um pouco, mesmo sem palavras.

— Você é boa demais pra esse mundo, sabia? — disse ela, baixinho.

Do lado de fora, os tambores começaram, distantes ainda, mas já reconhecíveis — o chamado da alcateia se reunindo. Maya levantou de um pulo, animada com o som, esquecendo por completo a boneca sem braço na cama.

Eu olhei mais uma vez pela janela. O vilarejo inteiro parecia se mover em direção ao salão agora, uma corrente só, puxada pelo mesmo som.

Não sabia, naquele momento, que era a última vez que olharia para aquelas ruas como alguém que ainda pertencia a elas.

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avaliações

sueli freitas
sueli freitas
estou apaixonada na história, é aquele tipo de história que você espera ansiosamente pelos próximos capítulos
2026-09-04 10:32:51
1
0
leitorafanatica
leitorafanatica
muito boa a história, sou do time do Kael kkk, sério não julguem
2026-08-29 05:39:53
0
0
Isis matos
Isis matos
Estou amando, Aiden é apaixonante 🥹
2026-08-28 04:32:37
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0
laiane Amorim
laiane Amorim
comecei a ler dia 27/08, amando a Eliz.
2026-08-28 04:08:55
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Eliane Guimarães
Eliane Guimarães
a história é boa, mas perdeu um pouco do encanto, em certa parte esqueceram do pai, irmã e da amiga que ficou cuidando deles, trocou a amiga pela Briana. não gostei da ingratidão da Eliz
2026-10-11 14:28:21
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