LOGIN༺ Dafne Aslan ༻Santiago está parado no batente, apoiado na madeira com os braços cruzados sobre o peito largo. O olhar dele passa de mim para Mateo, fixando-se na proximidade perigosa entre nós dois e na caixa de primeiros socorros esquecida sobre a cama. Um sorriso sombrio e perigoso surge no canto dos seus lábios.— Olha só para o nosso médico certinho — Santiago provoca, com uma ironia venenosa que faz a espinha arrepiar. — Veio cuidar do curativo da garota ou resolveu aproveitar a oportunidade, Mateo?Mateo se levanta da cama de pulo, ajeitando a armação dos óculos enquanto assume uma postura defensiva na minha frente.— Pense bem no que fala antes de falar bobagem, Santiago — Mateo rebate, mantendo a voz fria, embora os punhos fechados ao lado do corpo entreguem a sua irritação. — A Dafne se cortou na cozinha e eu só estava tratando o ferimento.— Ah, claro — Santiago caminha para o interior do quarto com passos lentos e ameaçadores de um predador, ignorando completamente a res
༺ Dafne Aslan ༻Alguns dias se passaram desde aquela grande confusão que tive com o meu próprio pai na entrada da propriedade. Mas sei perfeitamente que essa não vai ser uma batalha fácil. Alejandro me informou hoje cedo que Joseph dobrou o reforço de homens armados na fazenda. Sei melhor do que ninguém que isso é puro desespero da parte dele.Enquanto corto alguns pedaços de frutas frescas para fazer uma salada na cozinha, uma lembrança antiga e dolorosa vem à minha mente. Minha mãe andava completamente desesperada pelos cantos da casa naquela época.Eu tinha apenas dez anos quando presenciei uma discussão terrível entre os dois na sala, escondida atrás da cortina.“Meu pai segurava uma pasta cheia de papéis, tentando obrigar minha mãe a assinar os documentos de qualquer jeito.— Você vai assinar essa porcaria agora mesmo, mulher! — ele esbravejava, puxando o cabelo dela com violência enquanto a encostava contra a parede. — Vai assinar nem que seja preciso morrer para isso.Minha mã
༺ Alejandro de La Vega ༻Seguro o pulso de Joseph com a mão direita, apertando o osso da junta dele até ver o desgraçado franzir o rosto de dor. Encaro esse sujeito com um ódio que queima no peito.Jamais permitiria que qualquer tipo de agressão contra a Dafne acontecesse na minha frente. Meus irmãos se aproximam pelas minhas costas, formando uma barreira viva.Santiago, Mateo, Diego e Dante parecem dispostos a qualquer coisa para quebrar a cara desse sujeito nojento ali mesmo, sem importar quem está olhando.— Você não vai levá-la para lugar nenhum daqui — aviso, soltando a mão dele com um empurrão seco. — Ela declarou claramente que não deseja ir e que não permanece no nosso domínio por obrigação.Joseph massageia o punho avermelhado, me medindo da cabeça aos pés com a cara fechada.— Alejandro, não é? Esse é o seu nome — ele rebate, tentando aparentar uma coragem que não possui. — Fique fora disso. A conversa e a pendência são entre mim e a minha filha.— Sinto muito, senhor Joseph
༺ Dafne Aslan ༻Continuo observando meu pai com a mandíbula travada, tomada por uma fúria ardente que consome meu peito ao ver até onde vai a coragem dele de expor minha vida na imprensa.Mas não deixarei ele sair daqui com um sorriso vitorioso. A repórter se aproxima com o microfone e os olhos brilhando de pura curiosidade, percebendo que a pauta do dia acabou de tomar um rumo completamente inesperado.O cinegrafista ajusta o enquadramento na minha direção enquanto as viaturas da polícia mantêm os giroflex ligados atrás da multidão.— Então absolutamente tudo o que o seu pai falou aqui na frente das câmeras é uma mentira? — a repórter questiona, buscando confirmação. — Você não está sendo mantida em cárcere privado por essa família?— Eu não estou sendo sequestrada por ninguém — respondo com firmeza, encarando a lente da câmera. — Na verdade, estou sendo impecavelmente bem cuidada por esses homens. Acabei sofrendo um grave acidente na estrada justamente quando fugia do meu próprio pa
༺ Dafne Aslan ༻Estou lendo um livro que Mateo trouxe da cidade especialmente para mim. Era uma comédia romântica clichê. No começo, achei a história meio boba e sem graça, mas, aos poucos, o enredo acabou me prendendo de um jeito gostoso, fazendo o tempo passar sem que eu percebesse.De repente, barulhos altos de discussão vindos do pátio cortam a paz do meu quarto. Me levanto da cama de pulo e vou até a janela. Ao puxar a cortina para ver, me deparo com uma equipe de repórteres cheia de câmeras, viaturas da polícia e o meu próprio pai no centro do tumulto.Não acredito que ele estava fazendo isso, descendo a um nível tão baixo. Mas eu não sei por que eu não me surpreendo. Ele deve estar realmente muito desesperado. A audácia desse homem me faz travar a mandíbula de pura raiva.Como ele tem a audácia de continuar enfrentando homens poderosos que já sabem de todas as suas sujeiras? Recuso-me a ficar trancada assistindo ao circo. Saio do quarto furiosa e desço as escadas a passos largo
༺ Dante de La Vega ༻ Observo Dafne se alimentar em silêncio, sentado na beirada da cama enquanto ela saboreia cada pedaço do café da manhã que preparei. Foi a primeira vez que vi essa garota quebrar totalmente a muralha de durona que carrega desde que pisou nesta casa. O choque com a verdade sobre o pai com certeza a levou ao limite de aguentar tudo sozinha. Quando ela termina finalmente a refeição, me aproximo e recolho a bandeja prateada com o prato e os utensílios. Entrego um copo de água fresca para ela e aproveito para me inclinar, deixando um beijo carinhoso e demorado na sua testa. — Descansa mais um pouco, passarinha — recomendo com voz amena. — Você continua meio fraca devido a todo esse estresse. Ela somente concorda com um gesto leve de cabeça, permanecendo sentada na cama. Seguro a bandeja com firmeza e caminho até a saída do quarto. — Voltarei mais tarde com o seu almoço — aviso, dando um último olhar na sua direção antes de puxar a porta. Fecho a porta devagar e si







