MasukQuando a porta se abriu e Liam apareceu, senti o ar abandonar meus pulmões. Seu olhar era uma mistura perigosa de surpresa, raiva e algo mais… algo que eu não ousei nomear. Hermant soltou lentamente minha mão e se levantou imediatamente, com a serenidade de quem sabia lidar com os silêncios.—Não era nada, senhor Azacel —disse com a voz firme, mas cortês.— Cecilia e eu já havíamos terminado de conversar.Ele fez uma pausa e sorriu levemente, com uma calma que contrastava com a tensão que pairava no ambiente.—O senhor tem uma noiva muito bonita. Peço desculpas pelo incômodo.Liam o olhou de cima a baixo, sem esconder sua desconfiança. Seus olhos eram frios, duros, como se tentassem perfurar as verdadeiras intenções de Hermant. Eu não conseguia me mover. Sentia minhas pernas fracas, o coração descompassado e a garganta seca. Quando Hermant foi embora, sua figura desaparecendo atrás da porta, senti uma estranha pontada… como se uma parte de mim quisesse segui-lo.O clique suave da porta
POV: Terceira pessoaLiam fixou o olhar no homem que não parava de observar sua noiva. Seus ombros ficaram tensos e, com a voz firme e carregada de autoridade, rompeu o silêncio:—Posso saber o que vê na minha noiva, senhor Hermant?O comedor ficou em silêncio em um instante, como se todos tivessem prendido a respiração. Aslin e Carttal trocaram um rápido olhar, silencioso, mas carregado de significado: a pergunta do filho havia mudado completamente a dinâmica da sala.O senhor Hermant não desviou o olhar de Cecilia nem por um instante. Sua postura permanecia inalterável, e sua expressão continuava calma e calculista. Finalmente, falou em um tom controlado, fazendo com que cada palavra caísse pesadamente no ar:—Nada… apenas acho que sua noiva me parece conhecida, senhor Azacel.Cecilia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A intensidade com que ele a observava era quase insuportável. Baixou ligeiramente o olhar, tentando recuperar a compostura, enquanto seu coração batia acelerado
POV: Terceira pessoaPassei o dia inteiro trancada no meu quarto, sozinha com meus pensamentos e com o silêncio da mansão. Cada canto parecia amplificar a solidão e a pressão que sentia no peito. Eu não conseguia me concentrar em nada além daquela lembrança que havia irrompido em minha mente como um relâmpago, abalando todo o meu mundo.O homem da floresta não me deixava em paz. Cada detalhe que surgia em minha memória, por menor que fosse, parecia gravar-se com força em minha consciência: sua postura, o esforço de seus músculos, a maneira como ofegava enquanto eu tentava ajudá-lo. E, acima de tudo, a urgência que sentia ao segurar o remédio, como se algo vital dependesse daquilo. Era uma lembrança que eu não podia ignorar, embora ainda não compreendesse completamente o que significava.Perguntei-me quem era aquele homem. O que ele tinha a ver comigo? Por que estava ali? Por que eu o estava ajudando? A sensação de responsabilidade que sentia naquele instante era tão real que eu podia
POV: Terceira pessoaJusto quando a tensão entre os dois parecia insustentável, a porta se abriu de repente e Aslin apareceu. Seu rosto impecável, tão perfeito como sempre, ficou paralisado ao ver Liam, e seus olhos se arregalaram ligeiramente ao notar a quantidade de suor em sua testa e a palidez de sua pele.— Liam… por que você está suando tanto? — perguntou, sua voz suave, mas carregada de preocupação genuína.Liam, ainda apoiado contra a parede, endireitou ligeiramente o tronco e forçou um sorriso que não chegou aos seus olhos.— É… apenas uma febre passageira, mãe — mentiu com voz firme, tentando minimizar a situação.Aslin franziu levemente a testa, mas sua expressão não demonstrava desprezo; pelo contrário, havia preocupação em cada traço de seu rosto.— Mesmo que seja passageira, não podemos deixar que você piore. Vou buscar um remédio imediatamente — disse, dando um passo em direção a ele, como se estivesse disposta a cuidar do filho.— Eu já tomei remédio — interveio Liam r
POV: Cecilia HernándezA manhã chegou com um sol tímido que atravessava os enormes janelões do quarto. Levantei-me lentamente, sentindo cada músculo do meu corpo tenso. Dormir havia sido impossível; cada rangido da mansão, cada passo distante dos criados fazia com que eu me sobressaltasse. Liam não havia retornado ao quarto naquela noite, e isso me deixou com um estranho alívio misturado à ansiedade.O café da manhã estava marcado para as nove horas e, enquanto me vestia com as roupas que os criados haviam preparado para mim, senti um nó no estômago. Era uma peça elegante, delicada, que de maneira alguma me representava. Mas eu precisava usá-la; precisava aparentar ser a noiva perfeita. Não havia alternativa.Ao sair do quarto, desci pela escadaria de mármore, respirando fundo para acalmar os nervos. O aroma de café recém-preparado e pão assado pairava no ar e, por um instante, quis pensar que aquele era um dia normal, que eu não estava presa em uma farsa que me fazia tremer de medo e
POV: Cecilia HernándezO ar naquela sala parecia denso demais, como se, de repente, tivesse perdido todo o oxigênio. As palavras de Liam ainda pairavam no ambiente, ecoando em minha mente repetidamente, como um eco impossível de silenciar.“Ela é minha noiva.”Eu. Noiva de Liam Azacel.O impacto foi tão forte que fiquei sem reação, presa em um limbo entre a incredulidade e o medo. Minha garganta ardia, lembrando-me ainda da força de suas mãos quando, horas atrás, ele estivera prestes a me matar. E agora… pretendia que eu me tornasse sua noiva?—O quê…? —consegui murmurar, apenas um fio de voz que se perdeu em meio ao silêncio expectante da sala.Eu gostaria de negar, gritar que tudo aquilo era mentira, que jamais poderia amar um homem como ele. Mas, antes que pudesse pronunciar qualquer palavra, senti sua mão agarrar a minha com força. Um gesto que, visto de fora, poderia parecer carinhoso, mas que eu senti como uma algema gelada me prendendo à sua vontade.—O que foi, Lia? —sua voz s







