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O Despertar do Predador

Autor: Nu.Ferreira
last update Fecha de publicación: 2026-04-27 01:05:55

​O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, quebrada apenas pelo brilho dourado dos abajures de cristal. Luna começou a emergir do sono profundo, sentindo o conforto de lençóis de seda que nunca antes haviam tocado sua pele. Por um momento, ela esqueceu onde estava.

​Mas, ao abrir os olhos, o choque a atingiu como uma descarga elétrica.

​Vincenzo estava sentado em uma poltrona ao lado da cama, a poucos centímetros dela. Ele não usava mais o paletó; a camisa branca estava com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando os antebraços fortes. Ele a observava com uma intensidade perturbadora, como se estivesse decifrando cada traço de seu rosto enquanto ela dormia.

​Luna deu um salto na cama, o corpo reagindo por instinto. O desespero nublou sua visão instantaneamente.

​— Que horas são? — a voz dela saiu embargada, o pânico subindo pela garganta. — Eu preciso ir! Meu Deus, eu dormi demais!

​Ela tentou se levantar, mas o mundo girou por causa do movimento brusco. Vincenzo se inclinou para frente, estendendo a mão para segurar o braço dela, seu toque era firme e quente.

​— Calma, Luna. Você está segura aqui — a voz dele era um barítono baixo, quase um comando, mas havia uma nota de algo novo ali, uma contenção que ele não mostrara antes.

​— Você não entende! — Luna exclamou, as lágrimas de medo já surgindo. — O José... se eu chegar tarde, ele vai... a Mila está lá! Eu preciso ir agora!

​O nome de José fez o olhar de Vincenzo escurecer como uma tempestade sobre o Mediterrâneo. Ele apertou levemente o braço dela, não para machucar, mas para ancorá-la.

​— Ninguém vai encostar um dedo em você ou na sua irmã, Luna. Eu dou a minha palavra — ele declarou, e a autoridade em sua voz era tão absoluta que, por um segundo, Luna parou de lutar.

​A porta do quarto se abriu e Julia entrou, trazendo um semblante mais calmo.

​— Luna, está tudo bem! — Julia correu para o lado da amiga, lançando um olhar de aviso para o primo, pedindo que ele se afastasse um pouco. — Eu liguei para sua tia. Eu disse que você ficaria até mais tarde para me ajudar com os preparativos do leilão. Ela disse que o seu tio saiu para um bar e não volta tão cedo. Está tudo sob controle.

​Luna respirou fundo, sentindo o ar finalmente entrar nos pulmões. O tremor em suas mãos começou a diminuir enquanto ela se apoiava em Julia.

​Nesse momento, Luna levantou o rosto e seus olhos encontraram os de Vincenzo novamente. Ele ainda a vigiava, a postura possessiva e a expressão fechada, mas havia uma faísca de algo magnético no modo como ele a olhava. Seu coração, já acelerado pelo susto, errou uma batida por um motivo completamente diferente. Era uma atração perigosa, um calor que ela nunca sentira antes.

​— Eu preciso voltar — Luna sussurrou, desviando o olhar, lutando contra a confusão de sentimentos. — A Mila precisa de mim. Minha tia também.

​— Vincenzo vai mandar Luca e Giovanni te levarem — Julia disse, tentando confortá-la.

​Vincenzo se levantou, sua estatura de 1,90m preenchendo o quarto e fazendo Luna se sentir pequena e protegida ao mesmo tempo.

​— Luca não — Vincenzo corrigiu, sua voz carregada de uma possessividade que não admitia réplicas. — Eu mesmo vou levá-la.

​Luna olhou para ele, surpresa. O Don Medici, o homem que comandava metade da economia subterrânea da Itália, queria levá-la para casa em um bairro humilde?

​— Não precisa, senhor Medici... — Luna começou.

​— Vincenzo — ele a interrompeu, dando um passo em direção a ela. — Chame-me de Vincenzo. E não foi um pedido, Luna. Vamos.

​Ela sabia que não adiantava discutir. Enquanto caminhava para a saída ao lado dele, Luna sentia o peso do olhar de Vincenzo em suas costas. Ela estava prestes a voltar para a sua realidade difícil, mas agora, o homem mais perigoso da Itália estava ao seu lado, e ela não sabia se o maior perigo era o que a esperava em casa ou o homem que abria a porta do carro para ela.

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