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Sangue, Asfalto e Proteção

Author: Nu.Ferreira
last update publish date: 2026-04-27 01:06:01

​O motor do SUV blindado rugia baixo enquanto Vincenzo dirigia pelas ruas sinuosas que levavam da elite de Florença para os bairros mais modestos. O silêncio dentro do carro era denso, carregado pela eletricidade entre os dois. Luna mantinha as mãos entrelaçadas no colo, olhando fixamente pela janela, tentando processar o fato de que o Don estava ao seu lado.

​Vincenzo, porém, não estava relaxado. Seus olhos alternavam entre a estrada e o retrovisor com uma precisão cirúrgica.

​— O que foi? — Luna perguntou, notando a tensão na mandíbula dele.

​— Segure-se — foi tudo o que ele disse.

​De repente, um sedã preto surgiu do nada, cortando a pista e colidindo lateralmente com o SUV. O estrondo do metal batendo fez Luna soltar um grito. Antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo, Vincenzo girou o volante com força, estabilizando o veículo enquanto acelerava fundo.

​— Abaixe-se! Agora! — Vincenzo ordenou, sua voz saindo como um trovão.

​Luna obedeceu, encolhendo-se no espaço para os pés. O som de disparos ecoou logo em seguida. Poc, poc, poc. As balas atingiam o vidro blindado, criando teias de aranha brancas na superfície, mas não atravessavam.

​— São os escorpiões da Calábria — rosnou Vincenzo, mais para si mesmo do que para ela. Ele pegou o rádio no console central. — Vittorio, posição!

​— Estamos dois quilômetros atrás, irmão! Aguente firme! — a voz de Vittorio veio através do rádio, acompanhada pelo som de pneus cantando.

​Vincenzo não esperou. Ele fez uma manobra brusca, entrando em um beco estreito e saindo do outro lado em alta velocidade, jogando o SUV em uma avenida movimentada para dificultar a mira dos inimigos. Luna sentia o coração na garganta, o cheiro de borracha queimada e a adrenalina pura inundando seus sentidos.

​— Você está bem? — Vincenzo perguntou, sem desviar os olhos da estrada. Ele dirigia com uma mão, enquanto a outra buscava a pistola personalizada em seu coldre de cintura.

​— Eu... eu acho que sim — Luna respondeu, a voz trêmula. Ela olhou para cima e viu a expressão de Vincenzo. Ele não parecia assustado; ele parecia um predador em seu elemento natural. Havia uma chama de fúria e prazer sombrio em seus olhos.

​O sedã inimigo emparelhou novamente. Um homem saiu pela janela traseira com uma submetralhadora. Vincenzo deu um solavanco no volante, batendo a traseira do SUV contra a frente do carro adversário, fazendo-o rodar na pista. No momento exato em que o carro deles parou por um segundo, Vincenzo baixou minimamente o vidro e disparou três vezes.

​O som foi ensurdecedor. Os pneus do carro inimigo estouraram, e o veículo capotou, colidindo contra um poste em uma explosão de faíscas.

​Vincenzo não parou para olhar. Ele acelerou, saindo da zona de perigo enquanto os carros de Vittorio e Giovanni surgiam no horizonte para finalizar o serviço.

​Alguns minutos depois, ele encostou em uma rua escura, longe da confusão. O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pelo estalo do motor quente. Luna estava trêmula, a respiração errática. Vincenzo desligou o carro e se virou para ela.

​Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele a puxou para perto, segurando seu rosto com as duas mãos. Seus olhos percorreram cada centímetro dela, verificando se havia algum ferimento.

​— Olhe para mim — ele exigiu, a voz rouca. — Você está ferida?

​— Não... eu estou bem — Luna sussurrou, as lágrimas finalmente caindo. — Por que fizeram isso?

​— Porque eu tenho inimigos, Luna. E agora que você está comigo, eles acham que você é um alvo — ele se aproximou, a testa encostada na dela. A possessividade em seu toque era quase palpável. — Mas eles cometeram o último erro da vida deles. Ninguém toca no que me pertence.

​Luna sentiu um arrepio que não era de medo. Pela primeira vez, o perigo que Vincenzo representava parecia a única coisa que poderia protegê-la do mundo. Mas o preço dessa proteção estava ficando cada vez mais claro.

​— Eu preciso ir para casa — ela disse, lembrando-se de Mila. — Eles podem ir atrás da minha irmã!

​Vincenzo soltou o rosto dela, mas seus olhos continuaram fixos nos dela.

— Sua irmã e sua tia já estão sendo levadas para um dos meus hotéis seguros. Você não volta para aquela casa, Luna. Nunca mais.

​O dilema de Luna se aprofundava: ela estava livre de José, mas acabara de se tornar a prioridade máxima do homem mais perigoso da Itália.

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