Compartir

4. A propriedade Mints

last update Fecha de publicación: 2024-10-09 08:02:26

JULIE

DOR.

Tudo simplesmente doía. Era como se um incêndio tivesse começado no fundo do meu estômago, espalhando-se rapidamente por cada centímetro do meu corpo. Embora as feridas que Scott me causou já estivessem quase todas secas, a dor física não era nada comparada à sensação constante que me sufocava.

Quando o sinal da minha escola tocou, pulei da minha cadeira e agarrei a mochila, que já estava pronta. Eu sempre me preparo minutos antes do final da aula, com os dedos firmemente enrolados na alça da mochila. Conhecia cada detalhe dos horários dali, sabia exatamente quanto tempo as alunas demoravam para sair, o tempo das conversas no corredor, até as pausas para o banheiro. Mas, às vezes, o timing falhava e esses erros nunca terminavam bem.

Com passos rápidos, segui em direção à liberdade representada pelas grandes portas duplas. Pegaria o ônibus para Rupert City, de onde andaria até Mints. O ônibus não passava por lá, e eu não tinha dinheiro para um táxi, então andar era minha única opção. Seguro a respiração até alcançar o ônibus, apenas para soltá-la em um longo suspiro de descanso assim que senti no banco de couro.

Eles não me pegaram.

Me abaixei no assento, torcendo para que ninguém percebesse que eu estava ali. A cada fechamento das portas do ônibus, um peso caía de mim, mesmo a segurança da cidade parecia insuficiente.

As ruas lamacentas e cheias de casas destruídas foram desaparecendo conforme nos aproximávamos da Cidade. Os prédios altos da cidade projetavam sombras sobre nossa pequena cidade, como se não tivéssemos importância para eles. Para aqueles cidadãos ricos, eram apenas sombras de um mundo que preferiam ignorar, comprando os poucos terrenos que restavam para erguer novas construções.

Ao descer do ônibus, agradeci discretamente ao motorista e ignorei os olhares imediatos de desprezo que recebia das pessoas ao redor. New City jamais nos acolheria. Mas nada importa agora, pois o cartão dourado na minha mão era minha chave para a liberdade. Começo a caminhar em direção à propriedade Mints, terminando as pernas começarem a arder depois de alguns minutos.

Quando cheguei ao portão de aço imponente da mansão , pressionei o botão dourado, onde esperava que o porteiro atendesse, e quase soltei um grito quando uma voz rouca e entediada ecoou pelo alto-falante.

— Saia do local. O Sr. Salvatore não está interessado em entrevistas, nem em doações para sua instituição de caridade, e muito menos em biscoitos de escoteiras.

Engoli em seco, tentando parecer confiante.

— Estou aqui para um trabalho. Tenho um cartão e tudo — respondi, segurando nervosamente a carta dourada diante da câmera, mesmo que ele não tivesse pedido para ver.

Uma breve pausa, então um clique alto e o portão começou a abrir, revelando uma mansão colossal. Cada detalhe da propriedade gritava riqueza as fontes, os arbustos meticulosamente podados, os empregados cuidando do jardim. Caminhei até a entrada, e a ansiedade só aumentava à medida que me aproximava.

Uma mulher de alta, com os cabelos presos em um coque e uma expressão gelada, abriu a porta.

— Me dê o cartão — estendendo a mão. Tenti conter o nervosismo ao entregar o cartão, e ela começou a examiná-lo meticulosamente.

— Nome?

— Julie Cooper — respondo, entrelaçando as mãos para controlar o nervosismo.

— Quem te deu isso? — Ela perguntou, lançando um olhar desconfiado por trás dos óculos.

— Hum... um velho, ele só me deu. Ele foi muito gentil, um homem impressionante... — Parei quando ela levantou um dedo, interrompendo minha fala.

— Esse é o Sr. Giovani, e ele não precisa dos seus elogios. Aqui todos recebem cheques generosos. — Ela virou-se e começou a andar pelo corredor. — Agora, siga-me.

Sra. Carmen, como ela se apresentou mais tarde, tinha uma postura rígida e um olhar severo. Caminhei pelo que parecia ser um castelo, com móveis tão luxuosos que deviam valer mais do que tudo o que eu possuía.

Quando finalmente paramos, ela me mostrou uma área reservada para os empregados, onde várias outras empregadas passavam apressadas, lançando-me olhares curiosos.

— Em geral, não contratamos garotas jovens por causa de escândalos passados. Espero que você corresponda às expectativas do Sr. Giovani — ela afirmou, enquanto eu ficava intrigada com o que ela queria dizer com “escândalos”.

Me levou até um pequeno escritório e começou a digitar meu registro no computador.

— Você estuda na escola particular Corli Dickso? — Disse sem tirar os olhos da tela.

Fiquei em silêncio, sabendo que contar sobre minha escola em Rimelford seria um erro.

— Estudo em uma cidade pequena... Rimelford.

Ela soltou uma bufada antes de voltar ao computador.

— A família Agosti é muito generosa com estudantes esforçados. Terá seu próprio alojamento aqui e entrada gratuita para a escola Corli — declarou.

Pisquei, surpresa demais para responder. Eu teria meu próprio alojamento? Frequentaria uma escola de elite? Era como um sonho.

Ela me entregou meu uniforme e um papel com meu horário de trabalho. Meus turnos começariam às 4 da tarde e iriam até tarde da noite, com dias ainda mais longos nos fins de semana. Peguei tudo que ela me entregou, mal acreditando em como minha vida estava prestes a mudar.

—Sra. Carmem, muito obrigada. Estou realmente grata...

Ela revirou os olhos, como se a minha gratidão fosse irrelevante.

— Só estou cumprindo o meu trabalho — murmurou. Ela me levou até um quarto impecável, onde eu ficaria.

— Uau, é lindo — disse baixinho, encantada com o espaço.

Ela me observou com um olhar cético, quase debochado, provavelmente achando estranho que eu ficasse tão feliz com um quarto simples.

— Traga todos os seus pertences amanhã e peça aos seus pais para assinarem este termo de consentimento — ela disse, entregando um papel amarelo.

Olhei para o papel e equilibrei a cabeça.

— Eu... eu não tenho pais, Sra. Carmem.

Ela hesitou por um momento, mas uma chamada em seu walkie-talkie interrompeu nossa conversa.

— A Família Salvatore chegou de Dubai, está entrando na propriedade Mints.

A expressão dela mudou rapidamente, e ela me dispensou, dizendo:

— Saia pelos fundos. Vamos resolver o formulário de registro mais tarde.

Antes que eu pudesse perguntar onde era a saída dos fundos, ela já havia partido apressada, me deixando sozinha para descobrir meu caminho naquele lugar desconhecido.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • A obsessão dos príncipes da máfia   91. Último capítulo

    MELISSAOlho para minhas roupas. Eu estava usando jeans e um suéter grosso.— Você mudou de ideia? — Ele ri.— Não, eu... eu só preciso me preparar. — Eu digo.Olho para o moletom preto dele, que era muito mais claro que meu suéter quente, e o pego, sentindo seus olhos queimando minha pele.— Eu já volto. — Digo, indo até o banheiro para me trocar.Tiro meu jeans e suéter, vestindo o longo moletom com capuz que ia até meu joelho. Era longo o suficiente para que eu não mostrasse nada a ninguém, e cheirava a colônia dele.Prendo meu cabelo em um rabo de cavalo alto antes de sair com minhas roupas nas mãos, colocando-as em uma cadeira.— Cazzo. — Ele murmura. Sua voz estava rouca, enviando arrepios pelo meu corpo enquanto ele se aproximava de mim.Movo minha mão em seu peito nu quando ele está prestes a se inclinar para um beijo. — Estamos aqui para aprender, não para beijar. — Eu rio, observando seu rosto ficar desapontado.— Que pena. — Ele diz enquanto eu caminho até o tatame, indo a

  • A obsessão dos príncipes da máfia   90. Penúltimo

    MELISSAQuando Richard chegou em casa ontem à noite, eu já estava em sono profundo e, quando acordei de manhã, ele não estava mais lá, provavelmente no trabalho.Suspiro, já sentindo falta da presença dele. Eu entendia que o trabalho era importante, mas sentia falta de sair com ele.Tudo estava tão estranho ultimamente, tudo que eu pensava era no que ele estava fazendo, onde ele estava, se ele tinha comido, se o trabalho estava sendo muito difícil para ele.Todos os meus pensamentos giravam em torno dele, e meu coração doía a cada minuto que eu não podia estar com ele. Só a companhia dele me fazia feliz.Eu me arrumo para o dia, tomo café da manhã e vou para a biblioteca como de costume. Foi difícil focar no meu livro, considerando que Carlo estava ouvindo música alta. Ele e alguns outros homens, eu presumi, estavam treinando, mas a música ainda podia ser ouvida claramente.Eu gemo de irritação quando a música fica ainda mais alta, fechando meu livro com força enquanto vou para a sala

  • A obsessão dos príncipes da máfia   89. Um mafioso que ler romances

    MELISSA— Então, o que você e Carlo estavam fazendo a noite toda ontem? — pergunto curiosamente a Madison enquanto estou deitada na cama, mordendo uma maçã.— Não queria falar disso. — suspira, sentando-se ao meu lado. Franzo as sobrancelhas.— Por quê? Não foi bem? — pergunto.— Bem, nós dois concordamos que não queríamos um relacionamento. — Ela diz e eu olho para ela chocada. Eu realmente pensei que eles entrariam em um relacionamento com a maneira como eles estavam se olhando.— Mas nós fizemos sexo. — Ela diz, e eu paro a grande mordida que eu ia dar na minha maçã.— Vocês entraram escondidos na casa então? — eu digo, ainda tentando processar isso. Era estranho pensar nisso, principalmente porque eu via Carlo como um irmão irritante.— Não, fizemos no banco de trás do carro dele. — Ela ri nervosamente, seu rosto ficando vermelho.— Não é de se espantar que vocês tenham desaparecido em um momento. — Eu digo a mim mesma, juntando as peças agora. Eles estavam se pegando em algum mom

  • A obsessão dos príncipes da máfia   88. traidora

    MELISSAO rosto do homem empalidece. Suas mãos se movem para cima em derrota, virando-se rapidamente para ir embora.Nem me incomodo em me virar, pois estou prestes a continuar andando para frente. Eu falho quando a mão de Richard envolve minha cintura, me puxando de volta para seu peito.— Por que você continua me evitando? — Ele pergunta, com a voz baixa.Eu já podia sentir os olhos assassinos de todas as mulheres em mim. Preciso tentar evitá-lo.— O que você quer? — Faço uma careta, ignorando sua pergunta enquanto tento sair de seus braços.— Você poderia me ouvir por um segundo? — Ele me encara, me virando para que eu pudesse ficar de frente para ele.— Por quê? Para que você possa apontar todas as mulheres aqui com quem você dormiu? — Eu digo, olhando para o rosto dele. Parecia que eu não o via há muito tempo, mesmo que tenha sido apenas um dia.— Você sabe que eu não faço mais isso, Mel. Desde que te conheci, não toquei ou olhei para nenhuma outra mulher do jeito que olho para v

  • A obsessão dos príncipes da máfia   87. Festa na piscina

    MELISSA — Vejo vocês amanhã. Espero que Richard me deixe ir. — Eu digo, sabendo que ele já está bravo comigo.— Ele definitivamente vai deixar você ir, ele vai todo ano com Carlo. — Sorrio enquanto ambos acenam.Aceno de volta antes de me virar hesitante, me deparando com o olhar mortal e furioso mais uma vez.Vou até ele com um sorriso, esperando que isso o deixe menos irritado.— O que você estava fazendo? Por que não me disse para onde estava indo? — Richard diz enquanto caminho até ele, minha sacola de compras na mão. Seus olhos se movem para cima e para baixo no meu corpo, terminando de volta no meu rosto.— Eu não queria te incomodar. — Digo, dando uma desculpa.— E se alguém te machucar? Você sabe o quão fácil é simplesmente pegar você? — Ele diz, saindo do carro e caminhando direto para mim. Seu corpo alto se eleva sobre mim enquanto ele me olha, seu cabelo escuro levemente bagunçado.Reviro os olhos, cruzando as mãos sobre o peito. — Isso é um pouco dramático, não é? — digo

  • A obsessão dos príncipes da máfia   86. Saída de meninas

    MELISSAAcordo na manhã seguinte, meu corpo dolorido. Viro-me para o lado, minhas sobrancelhas franzidas quando percebo que ele tinha ido embora.— Estou bem aqui, principessa. — Ouço sua voz rouca dizer, e viro minha cabeça para encontrá-lo saindo do banheiro, seu cabelo molhado. Ele não estava usando camisa, apenas calça de moletom preta.Rapidamente cubro a parte superior do meu corpo com o edredom, observando enquanto ele se inclina sobre mim, beijando minha bochecha.— Não seja tímida, eu já vi tudo. — Ele sorri e eu queimo vermelha com suas palavras.— Eu fiz você se atrasar para o trabalho? — murmuro, percebendo que era quase meio-dia.— Eles sobreviverão sem mim por algumas horas. — diz enquanto veste uma camisa preta.Suspiro, notando o copo de água na mesa de cabeceira ao meu lado. Estendo a mão, pego o copo e bebo a água fria.— Você está dolorida? — ele pergunta de repente, e eu quase engasgo com a água.Eu aceno com a cabeça, perturbada.— Descanse na cama hoje, volto mai

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status