FAZER LOGINNicolas tremeu as pernas o fitá-la daquele jeito, o olhar sedutor e atrevido tinha tomado o lugar da frágil mulher de agora há pouco. Nicolas entreabriu os lábios para respirar melhor. Aquela mulher o deixava sem ar. Um pouco hesitante Emelly pôs sua mão na dele e no mesmo momento o sentiu apertá-la como se passasse coragem e confiança. Ela entendeu e deu um sorriso tímido.
Eles passaram por alguns amigos de Emelly que ficaram sem entender, Nicolly levantou uma sobrancelha surpresa com aquela visão, Raissa apenas sorriu maliciosa e agarrou Joe para voltarem a dançar livremente pelo salão lotado daquela boate.
Passaram por Rafael, que quase cai da cadeira e torce o pescoço para olhar, confirmar, ter certeza de que aquele era mesmo seu amigo, que agora estava com a rosada da noite passada. Os dois saíram da boate logo em seguida, por sorte não havia muita agitação naquela sexta-feira.
Nicolas passou por Sasha que, assim como os outros presentes, olharam surpresos para o casal. Saíram na rua e Emelly não conseguia mais ver nada além dos cabelos negros de Nicolas caídos sobre o ombro largo. Emelly sentiu-se tentada a tocá-los, o mesmo pensamento que se passou na noite anterior. “Quero tocá-los, só para ter certeza se são tão macios quanto aparentam”. Queria senti-los sobre a palma de sua mão, desejava poder puxá-los quando sentisse prazer... chega!
Emelly piscou, acordando para a vida. Olhou à sua volta como se tivesse se perdido no tempo. Estavam na calçada, esperando para atravessar a rua. Ela engoliu a seco e levou a mão livre até seu peito para respirar melhor. Aquele homem a deixava quase sem fôlego de tanto medo, medo de se perder naquele corpo escultural; de se aprisionar naquela imensidão negra de seus olhos.
— Venha. — Nicolas olhou para trás dando um sorriso de canto, o coração de Emelly bateu tão rápido que, por um momento, pensou que iria morrer de tanta aflição. O encarava com espanto e, ao mesmo tempo, cheia de segundas intenções.
Nicolas não sabia se ele era o leão levando sua vítima para a toca, ou se estava sendo seduzido pela leoa que o levaria para a morte. Emelly era uma mistura de anjo e demônio. Tímida e meiga, deixando-o até hesitante em tocar em sua pele sensível e aromática e ela simplesmente se desfazer por entre seus dedos. Mas, ao mesmo tempo, Emelly era sensual e libidinosa, erótica.
Ele queria poder venerá-la dentro de quatro paredes.
Assim que acordou de seus pensamentos pervertidos, ele olhou para frente, segurou com mais firmeza a mão dela e começou a atravessar a rua. Emelly ainda mantinha sua mão sobre o peito que, estava doendo, mas batia cheio de vida.
Deu um sorrisinho tímido e logo que olhou para a mão que Nicolas segurava, corou imediatamente e abaixou a cabeça, mas não tirou o sorriso do rosto. Nicolas sentia todas as contrações elétricas que percorria do seu corpo para o dela.
Era intensa e devassa, despertava nele o desejo masculino mais curioso entre todos. Desejava levá-la para qualquer lugar escuro e fazê-la sua, mas não podia, e nem deveria. Ele dobrou a esquina e andou mais alguns metros em busca de algum lugar que pudesse ficar com ela. Abriu um largo sorriso ao encontrar uma cafeteria ainda aberta àquela hora da madrugada. Suspirou agradecido, já estava ficando difícil sentir seu toque e não poder fazer nada.
Entrou na cafeteria ainda segurando a mão dela, Emelly só levantou a cabeça quando ouviu um sininho tocar, chamando atenção para a porta do estabelecimento quase vazio. Ela foi puxada de novo e continuou seguindo caminho atrás do moreno.
Emelly deu uma breve estudada pelo local enquanto era puxada por Nicolas para uma das mesas. A cafeteria era bem elegante, havia algumas mesas com quatro cadeiras, outras com duas. Sofás para grupos maiores, e era um desses que se encontrava um grupo de mulheres.
Ao passar pela mesa, uma das mulheres sorriu para Nicolas enquanto outras tentaram inutilmente chamar sua atenção. Emelly fechou a cara e colou seu corpo no braço dele, olhando feio para elas. Sem pensar no que fazia, Emelly empurrou o corpo de Nicolas para ir mais rápido e ele sentiu vontade de sorrir, mas se conteve. Ele achou uma boa mesa, bem distante das mulheres, e no canto onde já não tinha mais ninguém, soltou a mão da garota que estava de cabeça baixa, pensativa. Guiou-a para sentar-se e em seguida sentou-se em sua frente.
Naquele ambiente claro e aconchegante para Nicolas, ele pôde analisar melhor os traços de Emelly e, mas uma vez, constatou sua visão nas escuras; Emelly era uma mulher deslumbrante, magnífica, bela, sensual, desejável, convidativa e totalmente irresistível. Ele segurou um gemido ao encarar os lábios finos que ela mordia com força. Nicolas se ajeitou na cadeira e olhou em volta com os olhos arregalados, ele estava tentando se controlar o máximo que podia, afinal, ele queria agradá-la. Emelly não conseguia olhar nos olhos dele, estava com vergonha de ter sido salva por ele. Ou então, simplesmente poderia não aguentar olhar naqueles ônix encantadores e voar no pescoço dele, puxar-lhe os cabelos e beijar seus lábios grossos e apetitosos.
— Você está bem? — Ele perguntou. Os olhos dele brilhavam intensamente, pareciam enxergar algo a mais que os de Emelly. — Emelly? — A voz rouca fizeram os pelos de Emelly arrepiarem de imediato, ela tremeu e abaixou a cabeça novamente, vermelha de vergonha.
— Hm... — murmurou. Tremendo. Levantou o rosto para olhá-lo com determinação, já era bastante coincidência encontrá-lo quando sabia que não ia mais vê-lo.
— Está com frio? — Emelly arregalou os olhos, cada vez que aquele homem mexia seus lábios, ela sentia seu coração bater mais forte que o normal e algo se contraírem em seu ventre; esperançoso, ansioso.
— Sim... — respondeu no fio de voz. Nicolas se arrepiou também, era tanto charme, doçura, perfeição para um rostinho só.
Nicolas sorriu mostrando todos os dentes de sua boca atraente por demais. Emelly franziu os olhos. O Santinelli levantou da cadeira e segurou a barra do seu suéter e o puxou para cima, tirando-o rapidamente. Emelly corou ainda mais e tentou desviar o olhar, mas era impossível. Nicolas usava uma camisa branca por baixo, as mangas iam até o cotovelo, e estava aberta até certo canto, expondo o peito másculo. Teve certeza de que, naquele momento, ela estava tão excitada quanto na noite anterior.
— Vista. — Ele ordenou. Sua voz rouca, e ao mesmo tempo dura, a intimidava. Ela olhou para o suéter, pensou talvez em não aceitar, mas ele estava deixando-a louca da vida, e também estava com frio. O vestido decotado não ajudaria por muito tempo. Pegou de sua mão e o vestiu com cuidado. O cheiro dele a levou para o espaço.
— Hm... — Ela abriu os olhos encarando-o. — Desculpe!
— Não tem porque pedir desculpas. — Ele avisou debruçando-se sobre a mesa e entrelaçando seus dedos. Emelly abaixou suas mãos para a coxa, enquanto o olhava diretamente.
— Quem é ele? — Nicolas quase perdeu a voz. — É seu namorado? Aquele que…?
— Céus... Não! — respondeu ligeira. Nicolas poderia até corrigi-la, ele perguntou sobre Bruno, o homem que dançava com ela animadamente esfregando-se até o último fio de cabelo, não sobre Fernando, como ela entendeu. — Podemos, por favor, não falar dele?
— Tudo bem... — Nicolas dobrou um pouco sua cabeça, hipnotizado pela beleza daquela mulher.
— Quantos anos você tem? — perguntou no sussurro e Emelly fechou a cara imediatamente.
— Nunca lhe falaram que é falta de educação perguntar a idade de uma mulher? — indagou quase gritando e, extremamente, irritada. Apoiou-se na mesa com os cotovelos e virou o rosto, corada.
— Hm... — Nicolas se assustou, ela tinha passado de tímida para agressiva, sério isso? — Nem seu sobrenome eu posso saber?
— Eu não digo essas coisas para qualquer estranho.
— Eu acabei de salvar você de um louco, acho que já não sou mais qualquer estranho.
— Você sempre tem um joguinho de palavras para dizer, não é? — Bufou ainda mais irritada. — Ontem: “aí, você se jogou em cima de mim.” — Imitava a voz dele. — Hoje: “eu acabei de salvar você de um louco” e blá, blá, blá. — Ela falava rápido fazendo-o movimentos com as mãos, Nicolas riu quase derretendo na cadeira.
“Que menina adorável”, ele pensou.
— Qual é?
— Eu perguntei por que quero conhecer você. — avisou assim que ela terminou seu falatório.
— E quem foi que disse que eu quero conhecer você? — Ela disparou. Nicolas ficou sério, seu olhar passou de paixão para uma passageira irritação. Emelly percebeu isso engolindo a seco.
Quando as modelos estavam totalmente prontas, Emelly pediu para que todas sorriram, e que quando chegassem em Austrália, uma grande surpresa as esperavam, uma boa e outra ruim, deixou todas ansiosas, vibradas, e apaixonadas ainda mais. Emelly pegou o noivo e a filha saindo dos bastidores e foram sentar em seus lugares, porque a noite era das joias do império Parsos, os tecidos formosos dos Santinelli, a textura das cores da maquiagem de Renato, e claro, os modelos desenhados e usados de Guilder.Quando a música começou a soar no interior, Eva apareceu com um sorriso no rosto, o vestido solto por todo corpo com alcinhas finas, a maquiagem leve e o cabelo amarrado no topo como uma tranca congelada, o sorriso de orelha a orelha. Luara levantou da cadeira batendo palmas sem parar, Eva havia feito à menina prometer que bateria palmas quando entrassem, e assim como apostado, ela estava, e todas que entrava ela fazia o mesmo, animada, feliz com tudo aquilo.As cores, as pessoas, e todas as mo
Emelly entrou no apartamento olhando ao redor, Luara ainda estava em seu colo, olhou para a cozinha ouvindo socos serem desferidos, tinha que ajudar Nicolas, mas primeiro esconderia Luara... Luara não podia ficar sozinha, Emelly olhou para a porta aberta, ambos lutavam no chão, olhou de volta para o apartamento correndo para perto das janelas e encarou as portas do quarto de Nicolas, correu até ali entrando, olhou ao redor procurando algum esconderijo e ouviu o barulho de garrafas quebrando, eles estavam dentro do apartamento.— Mas que droga! — Emelly correu até a cama e colocou Luara em pé — Querida, eu quero que fique aqui, escondida, entendeu? — Luara não expressou nada, seus olhos estavam cheios de lágrimas, segurou os ombros de Emelly e fez um bico enorme — Querida não chore, eu preciso ajudar o papai. — Emelly tentou ir, mas Luara ainda a segurava — nada vai acontecer com você, fique aqui, não saia daqui.Luara a soltou por dois segundos e Emelly se afastou, saiu do quarto fecha
Na volta para o apartamento de Nicolas, Emelly passou pela academia de Maria, visitou-a com um sorriso enorme, prometeu voltar é claro, e disse que o tempo era curto para tudo que queria contar. Trocaram e-mails e celulares, e com um aceno, Emelly voltou para o carro e seguiu para o apartamento do Santinelli. Uma mensagem tinha chegado ao celular, afirmando que a família já estava quase reunida, faltava apenas a mãe naquela casa. Emelly se apressou e chegou logo. Deu as chaves para o manobrista e subiu correndo para o apartamento. Ao sair do elevador, sentiu-se nostálgica, lembrou-se da chave de Nicolas na bolsa e abaixou a cabeça para busca-la, parou em frente à mesma e girou a chave para abrir, porém... Uma voz familiar a deixou paralisada, e mesmo sem olhar na direção, ela sussurrou a pessoa que rezou para que nunca mais encontrasse...— Fernando?— Emelly...— A voz ele podia lhe causar arrepios por todo corpo, não entendia como, ou o porquê daquele homem ir parar justamente em um
— Eu não preciso da ajuda de vocês há muito tempo. Desde quando me mudei para aquele apartamento com Nicolly e Raissa que se tornou a minha família. — Vanessa abaixou a cabeça — Não tente me colocar como a mulher mais monstruosa de todo o universo, porque não sou, e nunca serei.— Eu entendo, agora, o que foi tudo isso. O porquê de nunca ter nos dito sobre Luara, ou qualquer coisa da sua vida — Mario falou ainda sentado em sua cadeira, de cabeça baixa e, pensativo. — Isso tudo foi um castigo, um castigo que tínhamos que passar pelo mal que fizemos.— Eu não quero esse castigo. — Vanessa voltou a falar, Mario a olhou, calando-a na mesma hora.— Não se trata do que nós querermos ou não, ele foi dado pela nossa filha, uma filha que não demos tanto valor, ou atenção como ela merecia. — Emelly sorriu. Pelo menos um deles já havia entendido. — Mas Emelly, com essa distância ou não, com o castigo ou não, eu quero lembra-la que ainda é a nossa única filha, e que um dia, irá herdar tudo isso. T
— Me desculpem por ter saído dessa forma, na verdade, somente eu precisava ir, mas arrastei Nicolas porque também não poderia ir sozinha — Mario olhava de Nicolas e Emelly para a pequena entre eles, Luara só sabia rir olhando rosto por rosto, corando a cada pessoa. — houve um problema na minha agência em Austrália. Emanuel foi esfaqueado por um psicopata. E Nicolly e Luara ficaram sozinhas.— Quem é Luara? Ela? — Guilherme sorriu malicioso — Ah meu Deus, vocês tem uma filha. — riu novamente dando a volta na mesa, ansioso para chegar perto da pequena, no entanto, Nicolas deu um passo à frente, o impedindo — oh, que foi maluco?— Não ensine a mesma coisa que você ensina para o diabo loiro.— Nicolas! — Rafael ficou de pé, emburrado. — Qual é? É meu filho.— Deixa comigo — Guilherme empurrou o irmão para o lado e abaixou perto de Luara — eu sou o Tio Guilherme, o irmão mais velho e mais bonito do seu pai. — Luara olhou para Emelly e correu até o homem o abraçando forte. Guilherme não ente
Ao entrarem, Luara deu as mãos para os pais e ficou entre eles, pulando quando queria, sorrindo para todos que assistiam a pequena família adentrarem o lugar. Não havia como se confundir ou tempo para perguntar a alguém quem era a pequena entre Nicolas Santinelli e Emelly Parsos, a filha do grande império e herdeira de tudo aquilo que tinha em seu sobrenome forte, cheio de poder e dinheiro, ao olharem para os olhos verdes como os de Emelly, os cabelos negros como os de Nicolas, e a pele tão clara como a de ambos, os sorrisos iam aparecendo, assim como a confusão por todo lugar.O elevador abriu no andar da reunião e assim que a secretaria ficou de pé, se assustou com a pequena e seu sorriso gentil. No entanto, a imagem da garota foi coberta pela de Emy, que cruzou os braços olhando de um para o outro e então ficou a pequena sorridente.— E vocês ainda tentaram esconder de mim? Nicolas, eu achei que fosse sua melhor amiga, sabia? — Emelly quem sorriu e se aproximou de Emy trazendo sua f







