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Capítulo 8 O resgate

Autor: Charlene C.
last update Fecha de publicación: 2026-08-14 11:01:01
Kivia

Acordei com uma dor no corpo inteiro, como se agulhas perfurassem cada parte de mim. Estava de cabeça para baixo, balançando presa a uma árvore.

— Olha quem resolveu dar o ar da graça. — A voz conhecida me fez estremecer.

Tentei abrir os olhos, mas estavam tão inchados que não consegui.

— O que você fez, Kivia? Eu sei que tudo o que está acontecendo naquela casa tem o seu dedo.

Balancei a cabeça em negativa. Se eu contasse o que realmente fiz, minha morte seria terrivelmente dolo
Charlene C.

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    Kivia O silêncio dos meus pais me fez imaginar que ele não tivesse resistido.— Tudo bem, pai. Eu vi o renegado atacando-o. Quando chegaram, ele já estava morto? Ou conseguiu ao menos se despedir da nossa filha? Meu pai fez um gesto com a mão para que eu não falasse mais. Parecia reunir coragem para dizer alguma coisa com sua expressão fechada e testa franzida. Um frio tomou conta do meu estômago, mas, se havia aprendido algo como escrava, era a mascarar minhas emoções.— Filha, ele não morreu. Mikael está vivo e bem. É ele quem cria Naissa.Respirei aliviada. Minha mãe segurou o braço do meu pai, em um claro sinal de advertência.— Mãe, está tudo bem... Pode me contar a verdade. Vai me fazer mais mal ficar criando histórias na minha cabeça, não é mesmo?— Mas... seu psiquiatra acha melhor irmos atualizando você aos poucos. Pode ser ruim inundá-la de informações depois de tudo o que sofreu, minha filha.Meu coração errou uma batida.— Ele se uniu a outra fêmea, Kivia — meu pai fal

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    Kivia — Kivia, você precisa se ajudar. Não vai sair deste hospital tão cedo se não ganhar peso. Minha guerra diária com a enfermeira havia começado. Não era como se eu não quisesse comer. Eu simplesmente não conseguia ingerir a quantidade que ela queria. A médica Jamile entrou no quarto com a prancheta nas mãos e percebeu imediatamente que havia algo errado. — Como estão as coisas hoje? — Ela não quer comer de jeito nenhum — respondeu a enfermeira. Permaneci calada. Era um reflexo de um tempo em que me defender significava, no mínimo, ganhar uma bofetada. — Kivia? Olhei para Jamile. Eu precisava me livrar daqueles hábitos adquiridos durante a escravidão. Soltei o ar que nem havia percebido que estava prendendo. — Meu estômago não aguenta comer muito. Ela está tentando me forçar, mas a única coisa que vai conseguir é fazer com que eu coloque para fora tudo o que consegui comer. Jamile se virou furiosa para a enfermeira e, para minha surpresa, deu-lhe uma bofetada no rosto.

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    Kivia Alguns minutos depois, Jamile voltou puxando uma mochila preta de rodinhas. — Luna Artemísia providenciou algumas coisas para você. Colocou a mochila sobre uma cadeira e começou a retirar os objetos. — Roupas novas, um celular... Ela tirou um conjunto de moletom cinza-claro. — E isso aqui. Um cartão preto apareceu entre seus dedos. — Dez milhões. Pisquei boquiaberta, minha audição também deve ter começado a falhar. — Dez milhões? — Um presente da Luna Artemísia.- Falou tranquila, enfiando o casaco em minha cabeça como se fosse uma filhotinha. Balancei a cabeça imediatamente. — Não. É demais. Eu já estou indo para minha alcateia. Jamile me encarou com seriedade. — Uma fêmea sem dinheiro é uma fêmea vulnerável. Fiquei em silêncio. — Você pode ser filha de um Alfa, Kivia. Mas nunca mais dependerá de alguém para ter o básico, daqui para frente todas as decisões que tomar serão por sua vontade. Olhei para o cartão. Dez milhões. Era mais dinheiro d

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    Kivia A primeira coisa que senti foi o cheiro forte de antisséptico. Meu corpo inteiro entrou em alerta. Eu estava acostumada com o cheiro de sujeira do quarto das escravas, só me limpava quando queriam me usar. O cheiro de remédio passou a ser estranho, na verdade alguém cuidando de mim parecia que significava que me usariam outra vez. Tentei abrir os olhos, mas meu corpo parecia não me obedecer. A dor veio primeiro. Uma dor profunda, espalhada por todos os lugares, cada parte do meu corpo carrega alguma lembrança dos últimos anos. Eu não sabia dizer o que estava quebrado ou o que ainda funcionava. Só sabia que meu corpo não parecia mais pertencer a mim. Movi os dedos devagar, esperando que alguém estivesse me vigiando como tantas vezes a maldita Regina fez. Mas não havia nada. Nenhuma corda. Nenhuma voz ordenando que eu levantasse. Nenhum castigo esperando pelo menor erro. Abri os olhos lentamente. O teto branco foi a primeira coisa que vi. Um quarto.

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    Kivia Acordei com uma dor no corpo inteiro, como se agulhas perfurassem cada parte de mim. Estava de cabeça para baixo, balançando presa a uma árvore. — Olha quem resolveu dar o ar da graça. — A voz conhecida me fez estremecer. Tentei abrir os olhos, mas estavam tão inchados que não consegui. — O que você fez, Kivia? Eu sei que tudo o que está acontecendo naquela casa tem o seu dedo. Balancei a cabeça em negativa. Se eu contasse o que realmente fiz, minha morte seria terrivelmente dolorosa. — Então por que fugiu? — Eu sou uma escrava. Vi que ela não acordava e toquei nela para saber se ainda dava para socorrer mas já estava morta! Quando tive a oportunidade, peguei a chave e fugi. O senhor sabe que eu não teria forças para enfrentar Regina. Falei chorando, fazendo o melhor espetáculo que conseguia. Com a dor desgraçada que percorria meu corpo, nem era tão difícil fingir. Vi uma sombra de dúvida passar pelo olhar dele. — Senhor, encontramos um dos nossos guerreiros m

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