INICIAR SESIÓNO som seco da porta se fechando atrás de si reverberou nos ouvidos de Sophia como uma sentença. Não uma sentença de prisão, que ao menos seria clara e previsível, mas algo mais cruel, mais íntimo, mais silenciosamente devastador. Era o peso sufocante de um desejo que ela não ousava nomear, pelo menos, não ali. Não naqueles corredores gelados e austeros da antiga faculdade de Oxford, entre colunas centenárias e citações jurídicas gravadas em placas de bronze. Não sob a vigilância implícita de olhares curiosos e regras inquebráveis.Cada passo que dava pelo corredor polido parecia ecoar alto demais, os saltos de seus sapatos ressoando como estalos, denunciando a tensão em seu corpo. A cada clique de salto, seu peito queimava mais, como se uma fornalha tivesse sido
O som dos últimos passos no corredor cessou como o apagar súbito de uma vela. Tudo ficou em silêncio. Um silêncio pesado, sufocante, que se arrastava pela sala vazia como um animal faminto. E Pietro Vincenzo Ferrara permaneceu ali, imóvel, de costas para a porta, com os dedos cravados na borda da mesa como garras prestes a destruir madeira.A rigidez em seu corpo era quase violenta, o maxilar travado, os ombros tensos, o peito subindo e descendo com dificuldade. Seus olhos estavam fixos onde ela esteve minutos antes.O nome ressoou dentro dele como um trovão surdo, como uma droga pesada percorrendo a corrente sanguínea. Aquela calça justa, aquele decote que mostrava o vão de seus seios, aqueles olhos verdes, aquela boca que mordia o lábio inferior no exato segundo em que ela
A manhã começava com o céu encoberto de Oxford tingido em tons de chumbo. A garoa fina escorria pelos paralelepípedos úmidos das ruas, como se o tempo em si compartilhasse da tensão que crescia dentro de Pietro Vincenzo Ferrara. O casaco escuro balançava levemente enquanto ele caminhava com passos longos e firmes rumo à universidade, mas por dentro, o professor não carregava nem metade da segurança que transparecia.Aquela não era uma manhã comum.Não depois do que aconteceu com Sophia Jones.Ele cruzou os portões do Departamento de Direito Penal sem sequer notar os cumprimentos dos colegas. A pasta de couro estava presa sob o braço, os cabelos ainda ligeiramente úmidos do banho rápido
Pietro vestiu a primeira camisa limpa que encontrou, ainda tentando recuperar a dignidade perdida nos minutos anteriores. Secou os cabelos de qualquer jeito, pegou uma calça jeans e respirou fundo antes de enfrentar a tempestade, também conhecida como sua mãe.Com os cabelos ainda úmidos, ele os secou como deu com a toalha e vestiu uma calça jeans qualquer, ajeitando a gola com uma pressa displicente. Respirou fundo. Estava prestes a enfrentar algo ainda mais perigoso do que o desejo crescente por uma ruiva proibida: a própria mãe.Quando voltou à sala, o cenário estava montado como se fosse uma cena de teatro italiano: sua mãe estava sentada no sofá, ereta e composta, com as pernas cruzadas e um ar de quem já sabia que venceria qualquer discussão. A sacola
A noite caía sobre Oxford como um véu silencioso, tingindo o céu de um azul profundo salpicado por estrelas tímidas. A cidade parecia respirar mais devagar, envolta no sussurro do vento e no leve farfalhar das árvores antigas. Pietro Ferrara, porém, estava longe de qualquer paz.Ele entrou em seu apartamento com os ombros tensos e os passos largos, como se cada músculo de seu corpo carregasse o peso do autocontrole. Jogou a pasta de couro sobre a mesa, afrouxou o colarinho da camisa branca e soltou um longo suspiro, deixando-se cair no sofá como quem havia acabado de sair de uma batalha.E, de certa forma, havia mesmo.Durante toda a aula, lutou contra os próprios instintos. Fingiu frieza, encarnou o professor sério, profissional, im
Pietro saía da universidade ao lado de Paulo, como se estivesse fugindo de um incêndio a expressão carregada, o paletó aberto, a gravata um pouco frouxa, e uma sombra nos olhos que não vinha do clima nublado.— Eu preciso de café. Forte — murmurou Pietro, com um suspiro tenso. — E talvez de terapia.— Para isso, só há uma solução: espresso duplo e uma garçonete bonita. Vamos.Os dois seguiram a pé pela Broad Street, atravessando a calçada movimentada até uma cafeteria charmosa, de fachada em madeira escura e toldos verdes. Era um refúgio discreto e acolhedor, quase um segredo bem guardado entre professores e estudantes de gosto refinado. Lá dentro, as paredes de t







