FAZER LOGINEmma
O que está acontecendo comigo? Ian Novack sabe me deixar louca.
Como se a amizade que dizemos ter, fosse algo tão importante e vital para a minha vida!
Ele estava a poucos centímetros de mim, encarando minha nuca, causando arrepios pelo meu corpo todo e outras reações idiotas que desejei rejeitar a todo custo.
Meu chefe é charmoso, e ver suas fotos me deixa boba.
Eu senti que ele estava a poucos passos de mim e seu perfume sutil me deixou de quatro, no chão. Mas não como foi na última vez.
Ele está frustrado, assim como eu. Por isso decidi acabar de vez com nossa brincadeira. Eu fui culpada por ter a começado, então terminei com ela.
Saio atrasada do trabalho, já imaginando que perderei o metrô para chegar cedo em casa. Assim que ponho os pés para fora do prédio, Ian sai com uma expressão nada legal.
Meu coração quase salta pela boca e o desejo de ir até ele, vem até mim.
Não é como se tivesse sido semanas ou meses de conversa, mas o pouco que falamos um com outro foi suficiente para me abalar por esse “término” idiota.
Faço todo o caminho até a estação, pensando no que ele fará, se é por minha causa o seu mau humor e se, em algum momento, nós nos esbarraremos outra vez ou ele insistirá em continuar mantendo contato.
Depois do que que lhe enviei, não obtive respostas. Não deveria estar desejando isso, mas mentiria se dissesse que não estou.
***
Apesar de ter passado o dia todo sentada, meu corpo está cansado, insistindo para entrar na banheira e ficar lá até o outro dia. No entanto, Bia, como uma fiel e pontual amiga, b**e em minha porta com o maior sorriso do mundo e com uma empolgação fora do comum.
Apesar de sermos vizinhas e de ela estar ao meu lado durante todos os cincos anos em que moro em Nova York, ainda me impressiono com a ideia de que somos amigas. Ela é linda e confiante. Mas, também... Pudera! A mulher tem um metro e setenta de altura, cabelos naturalmente ruivos, corpo esbelto e autoconfiança. Tudo que falta em mim.
Claro... Eu não sou horrorosa, nem acredito em um conceito ou tipologia. Minha magreza é um mistério, já que sempre como o mais variado cardápio de gorduras, e meus cabelos são pretos, lisos, naturais e bem tratados em casa. Só não gosto de sair para comprar roupas. Algo que Bia não deixa de lado e sempre me passa na cara.
— Sabe, Emma? Você deveria me dar uma porcentagem do seu salário. — Senta-se em meu sofá, esperando-me. — É uma das pessoas mais inteligentes que conheço, se não for a mais, é bonita e tem dinheiro para dar e vender. Sei quanto ganha um engenheiro na sua área. Eu pesquisei.
— Quer dinheiro emprestado? Eu já te ofereci. Foi você quem não...
— É brincadeira, sua ridícula. — Revira os olhos e deixa o sorriso voltar, iluminando seu rosto cheio de sardas. — Na verdade, estou meio que em um trabalho.
Paro o que estou fazendo para prestar atenção no que ela irá dizer. Essa é mais do que uma novidade, é um milagre. Claro que Bia é esforçada e tenta, de diversas formas, arrumar um dinheiro por si só, porém devo admitir que não consegue, de jeito algum, deixar para trás a boa vida de uma filha de magnata.
— Trabalho? — Levanto as sobrancelhas. — Você?
— Posso saber que surpresa é essa? — Questionou ofendida. — Sempre trabalhei. Fui personal trainer em uma das lojas da GUCCI e até para aquela mulher que dava dicas de moda.
— Você durou mais ou menos quanto tempo em cada uma dessas atuações? — Perguntei, tirando sarro dela. — Bia, você realmente se esforça para ficar no trabalho, mas sempre diz que ficou chato depois de duas semanas.
— Não pode me culpar pela última vez. A mulher poderia trabalhar na loja mais chique da cidade, mas as roupas... Meu deus! Eram horrorosas. — Faz cara feia.
— O que é dessa vez? — Visto-me em frente ao espelho. Pelo que conheço dela, contará uma longa história que durará todo o percurso da corrida. — Contadora do seu pai? Porque sempre diz que quer ser independente, só que não sai do apartamento que ele te deu e não para de comprar no cartão ilimitado. Bia, você não... — Ela j**a uma das almofadas em mim. Nem esperava que fosse usar tanta força. — Ok. Vou levar a sério.
— Uma das minhas antigas amigas da loja me levou a uma agência. E lá, eu... — Viro-me para a olhar com desconfiança. Eu bem sei quem é essa amiga, e imagino que não deve ser boa coisa. — O que foi? Por que está me olhando como se fosse me dar uma bronca?
— Que amiga foi essa? — Perguntei com calma, aproximando-me dela.
— Sei que Victória não é a pessoa mais confiável, mas...
— “Confiável” não deveria estar na mesma frase que o nome dessa mulher. — Falei entre os dentes. — Você se esqueceu que quase foi presa porque ela colocou drogas na sua bolsa? Sem falar da joia cara que fez todos pensarem que você roubou.
— Eu não me esqueci disso, mas a perdoei. Além do mais, fui bem recebida e aceita, enquanto ela foi rejeitada. — Contou com muita alegria. — Meu primeiro cliente é lindo de morrer e tenho que...
— Beatriz Alencar, do que está falando?
Preocupar-me com ela já faz parte do combo. Realmente, eu a tenho como uma irmã e não quero vê-la metida com coisas erradas. Seu pai até me liga para perguntar como ela está, já que a garota insiste em não falar com ele, mesmo que ele o banque.
— É algo sério e seguro, Emma; nada demais. — Nem se importa com minha cara feia, só sorri e se prepara para contar a longa história. — Eu não estava confiante para falar a verdade e tinha as minhas ressalvas, mas depois que a mulher me explicou tudo, passei a dar credibilidade a esse trabalho. Funciona assim: eu sempre vou estar disponível para sair com caras ricos para onde eles quiserem me levar. — A forma calma e empolgada como ela falou essa frase, assustou-me e me paralisou.
Eu já sabia que minha amiga era maluquinha, só que isso é loucura, uma maluquice digna de Beatriz.
— Não me olhe com essa cara! Eu não vou ser prostituta, apenas sair com eles como uma acompanhante.
— Vou ligar para o seu pai e pedir para que ele te interne. — Estou furiosa. — Ficou louca? Esse é um modo de punir sua família ou a mim?
— Nem ouse ligar para o meu pai! Se ligar, a nossa amizade acaba agora. — Reclamou, levantando-se. — Eu estava empolgada para te contar, mas devia ter adivinhado que alguém tão sem graça como você, não entenderia a real situação.
— Real situação? — Debochei. — É loucura, Bia. Sair com homens ricos por dinheiro? Eu já ouvi falar nisso. Está se iludindo se pensa que vai ficar só na amizade.
— Está me ofendendo. — Afirmou brava.
— Desculpe! Mas, o que quer que eu pense quando fala que será uma acompanhante? — Nós duas estamos alteradas.
Minha cabeça já ameaçava doer por conta de Ian; e agora, com essa conversa com Bia, ela nem ameaça mais e parte logo para o ataque.
— Quer saber? Não vou mais sair com você. Já me colocou muita preocupação e está agindo como uma mimada sem juízo.
— Quer saber, Emma? Você está sendo tão sem juízo quanto eu. — Provocou-me, levantando o nariz e vindo em minha direção. — Mente para si mesma e acha que esconde sua insegurança em relação aos homens, mas a sua recusa em se revelar para o homem que gosta e com quem conversa é a prova disso. Sempre foi assim, até mesmo com a nossa amizade, quando se recusava a aceitar ser minha amiga.
Quando Bia fica com raiva, fala muitas besteiras, como agora. Eu deveria estar acostumada com suas piadas e deboche, só que ela acabou de tocar em uma ferida ainda aberta.
— Não é porque ele é seu chefe. Não é porque não gosta de fazer compras, que se veste assim; é porque se vê desse modo e gosta de não ser atraente ou chamativa, pois tem medo de ser usada e traída, como foi no passado.
— É algo sério e seguro, Emma; nada demais. — Nem se importa com minha cara feia, só sorri e se prepara para contar a longa história. — Eu não estava confiante para falar a verdade e tinha as minhas ressalvas, mas depois que a mulher me explicou tudo, passei a dar credibilidade a esse trabalho. Funciona assim: eu sempre vou estar disponível para sair com caras ricos para onde eles quiserem me levar. — A forma calma e empolgada como ela falou essa frase, assustou-me e me paralisou.
Eu já sabia que minha amiga era maluquinha, só que isso é loucura, uma maluquice digna de Beatriz.
— Não me olhe com essa cara! Eu não vou ser prostituta, apenas sair com eles como uma acompanhante.
— Vou ligar para o seu pai e pedir para que ele te interne. — Estou furiosa. — Ficou louca? Esse é um modo de punir sua família ou a mim?
— Nem ouse ligar para o meu pai! Se ligar, a nossa amizade acaba agora. — Reclamou, levantando-se. — Eu estava empolgada para te contar, mas devia ter adivinhado que alguém tão sem graça como você, não entenderia a real situação.
— Real situação? — Debochei. — É loucura, Bia. Sair com homens ricos por dinheiro? Eu já ouvi falar nisso. Está se iludindo se pensa que vai ficar só na amizade.
— Está me ofendendo. — Afirmou brava.
— Desculpe! Mas, o que quer que eu pense quando fala que será uma acompanhante? — Nós duas estamos alteradas.
Minha cabeça já ameaçava doer por conta de Ian; e agora, com essa conversa com Bia, ela nem ameaça mais e parte logo para o ataque.
— Quer saber? Não vou mais sair com você. Já me colocou muita preocupação e está agindo como uma mimada sem juízo.
— Quer saber, Emma? Você está sendo tão sem juízo quanto eu. — Provocou-me, levantando o nariz e vindo em minha direção. — Mente para si mesma e acha que esconde sua insegurança em relação aos homens, mas a sua recusa em se revelar para o homem que gosta e com quem conversa é a prova disso. Sempre foi assim, até mesmo com a nossa amizade, quando se recusava a aceitar ser minha amiga.
Quando Bia fica com raiva, fala muitas besteiras, como agora. Eu deveria estar acostumada com suas piadas e deboche, só que ela acabou de tocar em uma ferida ainda aberta.
— Não é porque ele é seu chefe. Não é porque não gosta de fazer compras, que se veste assim; é porque se vê desse modo e gosta de não ser atraente ou chamativa, pois tem medo de ser usada e traída, como foi no passado.
Emma jamais poderia imaginar que sua vida tomaria um rumo tão doce. Tudo parecia um sonho do qual ela não queria acordar. Sua menina já estava tão crescida, e Noah… Noah era o pai que ela sempre desejou para Aurora. Era impossível conter o orgulho que sentia ao vê-los juntos. Depois de tudo o que passaram — principalmente após os horrores com Patrick — ela havia se tornado mais cuidadosa, mais atenta. Não que fosse culpa dela. Patrick sempre fora um monstro, mesmo agora, atrás das grades, parecendo mais um gato acuado do que o predador cruel de antes.A família Novack a acolhera com um carinho inesperado. Samanta adorava a nova neta, tratava Aurora como uma princesa. Já Harvey, mesmo surpreso com o título de avô, se mostrou encantado com a chegada da pequena — um presente inesperado que derreteu qualquer dureza remanescente em seu coração.Dois anos haviam se passado. Agora, com um novo bebê nos braços, Emma se encontrava sentada numa cadeira confortável na varanda da nova casa — uma
Jamais imaginei que encontraria alguém que me amasse dessa forma — intensa, protetora, quase feroz. Alguém disposto a proteger a mim e à minha filha com unhas e dentes, mesmo contra o próprio pai dela… um homem que deveria, no mínimo, ser capaz de amar a própria filha. Fiz más escolhas no passado, e sim, me arrependo de algumas. Mas se essas escolhas me trouxeram até este momento, com a Aurora nos meus braços, vestida como uma pequena princesa enquanto eu estou de noiva, então talvez tudo tenha valido a pena.Depois daquele sequestro que quase destruiu o pouco de paz que eu ainda tinha, a família Novack nos acolheu como se já fôssemos deles. Não houve julgamentos. Nenhuma hesitação. No instante em que Aurora atravessou aquela porta, ainda atordoada, assustada, marcada por tudo o que passou com aquele traste… eles a amaram. E, aos poucos, ela também os amou. Um por um. Principalmente Harvey, que a olhava como se ela fosse realmente sua neta de sangue. E, de alguma forma, eu sentia que
— Se dependesse de mim, nenhum dos meus filhos correria perigo — disse Samanta, ajeitando os últimos detalhes sobre a mesa. As malas cheias de dólares estavam posicionadas no centro da sala, enquanto todos os membros da família Novack se reuniam ao redor, tensos, como peças de um jogo prestes a ser movidas.Harvey foi o primeiro a desviar o olhar. A angústia em seu peito crescia por não poder contar nada à esposa. Ele sabia que, se ela descobrisse, faria qualquer loucura para se envolver, e convencê-la do contrário seria quase impossível. Ele estava morrendo de medo. Aquela era sua família, mesmo que não conhecesse pessoalmente a menina — ainda assim, desejava com toda a força que ela saísse ilesa daquilo tudo.Emma andava de um lado para o outro, descalça, os pés já doendo pelo atrito com o piso frio. A cabeça fervilhava com mil pensamentos, cenários catastróficos que insistiam em tomar forma. Ela mal prestava atenção na conversa entre Noah e Samanta, apenas ouvia vozes distantes, mi
Aquela não era uma família qualquer. E Patrick descobriria isso muito em breve. Não era a primeira vez que algo parecido acontecia — e Samanta havia jurado que seria a última. Desde então, tomou todas as precauções possíveis para que ninguém da sua família voltasse a cair nas mãos de um lunático.Ela mal conhecia Emma e a pequena Aurora, mas já as carregava no coração como se fossem suas. Havia algo naquela mulher ferida e naquela menina inocente que tocava sua alma. Talvez fosse o modo como Emma despertara em Noah um amor tão verdadeiro. Ou talvez fosse a forma como aquela criança, com seus olhos curiosos e frágeis, havia trazido luz para dentro daquela casa que antes parecia grande demais para um homem tão solitário.Samanta viu a mudança em seu filho — e que mudança. Noah havia amadurecido. Tornara-se responsável, protetor, e finalmente parecia inteiro. Tudo por causa daquelas duas. E em apenas alguns minutos ao lado de Aurora, Samanta sentiu um amor arrebatador, como se aquela men
Eu faria qualquer coisa para ter minha Aurora de volta. Qualquer coisa. Ela era o fio que ainda me mantinha viva neste mundo, o respiro que separava minha alma da rendição. Meu raio de luz em meio a toda a escuridão que Patrick deixou. Foi por ela que tomei coragem, ainda que minha coragem tenha sido fugir. Quando descobri que estava grávida, achei que não sobreviveria, mas bastou senti-la nos meus braços para entender o que era o amor. O verdadeiro.Agora, eu não sabia onde ela estava. Nem com quem. E isso estava me matando aos poucos. Patrick nunca suportou crianças. E eu sabia — no fundo, eu sempre soube — que tudo isso era apenas para me atingir. Ele achou o meu ponto fraco e cravou as garras nele. E eu estava aqui, vazia. Perdida.Não queria culpar Rosa. Ela não tinha má intenção, estava claro em seu rosto arrasado. Mas foi dela a responsabilidade de proteger minha filha. E ela falhou. Deixou Aurora nas mãos do pior homem do mundo. Mesmo sem conhecer Patrick, ela deveria ter sent
Ninguém jamais poderia imaginar que algo assim pudesse acontecer. Tudo parecia estar sob controle. A segurança funcionava, a rotina seguia seu curso, e tanto Emma quanto Aurora estavam protegidas — ou ao menos, era o que todos acreditavam. Mas Patrick... Patrick sempre encontrava um jeito de atravessar a linha, de atazanar a vida de Emma como uma sombra que nunca a abandonava.Ele nem gostava da criança. Não queria saber da existência de Aurora, nunca a reconheceu como filha. Mas por algum motivo cruel, a ideia de tirar a pequena de Emma o fazia sorrir. Para ele, aquilo não era se reconectar com a filha. Era tortura. Um golpe cirúrgico no único ponto que ainda restava vulnerável em Emma: o amor de mãe.A lembrança daquele dia no shopping era como um punhal cravado em sua mente. Rosa, a babá de Aurora, estava atenta, como sempre. Inteligente, cuidadosa, dedicada à menina. Mas até os mais preparados têm seus momentos de distração.Patrick apareceu do nada, com o rosto limpo e o sorriso







