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Capítulo 3

Author: Eve Above Story
Ponto de vista de Ella.

A reação dele, o tom de raiva em sua voz, me surpreendeu ainda mais. Ele não estava rindo ou zombando de mim, nem parecia chateado. Apenas... furioso ou frustrado.

— Eu não entendo! Você me odeia, Alexander. Se sou eu quem vai assumir a culpa, protegendo a sua reputação de qualquer dano, por que você não agarraria essa oportunidade? — Desabafei.

Houve um longo momento de silêncio. Alexander me encarou com seus olhos verdes indecifráveis. Sustentei o olhar, embora não fosse algo a que eu estivesse acostumada.

E então finalmente:

— Nosso contrato estabelece uma cláusula que somente eu posso iniciar uma rejeição mútua. — Ele abriu uma gaveta de sua mesa e tirou uma pasta encadernada em couro que eu conhecia bem demais. Folheou até uma certa página e estendeu-a para mim. — Página três, cláusula B.

Suspirei impaciente, mas peguei o contrato. De fato, a cláusula que ele apontara afirmava que apenas Alexander poderia encerrar nosso "relacionamento". Eu me lembrava vagamente de ter lido isso no momento da assinatura, mas estive sob tanta pressão e ingenuamente esperançosa de que Alexander pudesse eventualmente vir a me amar que não dei muita atenção.

— A única razão pela qual me casei com você — continuou ele, contornando a mesa e dirigindo-se ao pequeno bar no canto —, foi para dar uma boa impressão ao público. Um Alfa que se casa com sua companheira destinada é um ótimo candidato para o posto de Alfa Rei. E agora, com a eleição se aproximando, não posso correr o risco de perder prestígio.

Certo. Então era tudo sobre a próxima eleição para Alfa Rei. Alexander sempre quis o cargo, e agora que o mandato de dez anos do atual Alfa Rei estava chegando ao fim, novos candidatos começariam a fazer campanha em breve.

Alexander era um deles.

— Além disso — Alexander me deu as costas e serviu-se de um copo de bourbon —, seu pai ainda se beneficia do apoio de Ashclaw. A menos que você esteja planejando deixá-lo na mão com uma dívida que ele não pode pagar.

Mordi a parte interna da bochecha. Ele estava se servindo daquela maldita bebida, de costas para mim, falando em um tom como se estivéssemos simplesmente discutindo negócios.

E suponhamos que de certa forma, eram negócios. Talvez nem sempre tivesse sido assim para mim, porque uma vez me apeguei estupidamente à esperança de que meu companheiro destinado se apaixonaria por mim, mas para ele, sempre foi uma transação.

— Vou falar com meu pai. Pagaremos o dinheiro que você deu a ele e ficaremos quites.

— Vá em frente. Você já desperdiçou tempo suficiente do meu dia. Mas não venha chorar para mim e fingir inocência de novo quando ele recusar.

Revirei os olhos e saí abruptamente, sem dizer mais uma palavra.

Poucos minutos depois, eu me encontrava em um dos extensos jardins atrás da mansão. Este jardim em particular, com uma velha cerejeira retorcida no centro e sebes altas, era um dos poucos lugares na mansão onde eu realmente me sentia em paz.

Aqui, cercada pelo perfume adocicado das flores de cerejeira caídas, sentia que podia respirar. Quase ninguém além de mim vinha aqui, os jardineiros raramente cuidavam dele, permitindo que pequenas flores e brotos de grama surgissem entre os caminhos de pedra.

Era o único lugar aqui que parecia meu.

Mas não por muito tempo. Porque eu partiria em breve.

Disquei o número do meu pai e sentei-me no banco de pedra sob a cerejeira.

— Ella. — A voz do meu pai atendeu após o terceiro toque.

— Estava me perguntando quando você ligaria. Com a eleição chegando, eu estava considerando oferecer a Alexander meu endosso público em troca de mais...

— Pai, eu quero me divorciar do Alexander.

— O quê? Por quê?

— Porque minha loba entrou em dormência, e eu morrerei em um ano se ele não me marcar ou me rejeitar.

— Do que você está falando? Nunca ouvi falar de uma doença assim antes.

— Bem, é verdade. Se você quer que sua filha viva, tem que me ajudar a sair deste casamento. Porque Alexander definitivamente não vai me marcar.

Meu pai suspirou.

— Ella... Você sabe o quão importante é esta união. Seja lá o que estiver acontecendo entre vocês dois, você precisa manter a compostura e ser diligente. Eu entendo que o casamento não é fácil às vezes...

— Nós não estamos apenas brigando, pai. Ele me odeia.

— Eu sei que parece assim às vezes, mas você tem que aguentar firme. Stormhollow precisa do apoio de Ashclaw. Não cause problemas que possam impactar nossa alcateia. Pense no legado de sua mãe.

Minha garganta apertou com a menção de minha falecida mãe. Ela morrera quando eu era apenas um bebê, então eu nunca a conheci, mas Stormhollow foi a alcateia dela. Ela era a única herdeira de Stormhollow, mas quando se casara com meu pai, ele assumira o título de Alfa.

Assim funcionavam as coisas em nosso mundo. Homens eram Alfas. Mulheres eram Lunas, suportes para sustentar seus pares masculinos.

E agora... minha vida era menos importante do que o que dois homens queriam.

— Além disso — continuou meu pai —, acabei de comprar um novo anel de diamante para Margaret pelo nosso aniversário de casamento. Não posso perder nossa maior fonte de renda agora. Certamente você entende...

Eu quase ri alto com aquilo. Margaret, minha madrasta e mãe do meu meio-irmão, Brian... Ela sempre amou coisas luxuosas. Meu pai gastaria de bom grado todas as economias da família em presentes para ela.

Para mim, não. Nunca para mim.

Eu era apenas a filha para ser usada, mesmo que isso me matasse.

Quando isso me matasse.

— Você realmente não se importa comigo, não é? — Disparei, ferida e furiosa.

— Estou te dizendo que vou morrer, e você só se importa com o dinheiro.

— Você não vai morrer, querida. Está apenas sendo dramática...

Frustrada demais para continuar ouvindo, desliguei abruptamente antes que ele terminasse. Escondi o rosto nas mãos e respirei fundo pelo nariz, tentando não chorar.

Tinha que haver algo que eu pudesse fazer. Qualquer coisa.

De repente, senti uma mão quente tocar meu ombro. Não precisei olhar para saber que era Lilith, e me inclinei nela, deixando que ela me envolvesse em seus braços.

— Eu não quero morrer. — Sussurrei, com a voz embargada pelo esforço de conter as lágrimas.

— Eu quero viver.

Lilith fungou, e quando olhei para cima, seus olhos estavam vermelhos e inchados. A visão me deu ainda mais vontade de chorar.

— Existe algo que eu possa fazer? — Perguntou ela.

— Eu não sei. Alexander não quer me marcar nem se divorciar, e eu fui estúpida o suficiente para assinar um contrato que me proíbe de rejeitá-lo por conta própria. E meu pai só se importa com o dinheiro. Então, agora, eu estou completamente ferrada.

Lilith emitiu um pequeno som de angústia.

— Tudo o que eu fiz foi dar. —Sussurrei.

— Eu dou, dou e dou, e nunca peço nada em troca. E agora, a única vez que eu não apenas quero ajuda, mas preciso dela... eu apenas recebo culpa, rejeição e sou chutada pelo meu próprio pai e companheiro, as duas pessoas que deveriam me apoiar, não importa o quê.

E agora eu deveria morrer por eles, quando eles nunca sacrificariam uma única coisa por mim.

Ri amargamente.

— Eu fui tão perfeita, e ainda assim nenhum deles vai me ajudar.

— Então pare de ser perfeita.

Olhei para Lilith, encontrando-a me encarando com uma nova intensidade no olhar. Aquilo me pegou de surpresa.

— O quê? — Perguntei, sentando-me mais ereta.

Lilith deu de ombros.

— Faça algo louco, algo que afaste o Alexander. — Ponderou ela. — Se tudo o que você fez foi ser perfeita, então não me admira que ele não queira te rejeitar. Então... faça-o querer isso.

Pisquei enquanto as palavras de Lilith ecoavam. Nunca me passou pela cabeça ser o exato oposto do que Alexander queria, em vez de ser a Luna doce e gentil que era pisoteada e usada, eu poderia ser uma pedra em seu sapato, tornar a vida dele tão miserável que ele não teria outra escolha senão se divorciar de mim.

— Eu seria... livre. — Sussurrei, levantando-me.

— E minha loba retornaria...

Lilith assentiu e levantou-se ao meu lado, pegando minhas mãos nas suas.

— Eu ajudarei de qualquer maneira que puder. Não vou deixar você morrer, Ella. Não enquanto eu estiver aqui.

Com isso, uma lágrima finalmente escapou, mas era de felicidade. Ri com a voz embargada e puxei Lilith para um abraço.

— Obrigada, Lilith. Obrigada.

Lilith inclinou-se em mim e me segurou firme, mais forte do que qualquer um já segurara antes.

— Desculpe interromper este momentinho, mas você tem trabalho a fazer, Ella.

O som da voz de Gabriel me fez eriçar instantaneamente. Afastei-me de Lilith e virei-me para ver tanto o Beta quanto Sophia caminhando em nossa direção. Sophia torceu o nariz e o cobriu delicadamente com um pequeno lenço branco, como se o perfume das cerejeiras a enojasse.

— Esqueceu que o banquete é hoje à noite? — Gabriel inclinou a cabeça.

— Haverá muitos convidados de alto nível presentes. Você tem muito trabalho a fazer se quiser impressioná-los.

Resisti à vontade de revirar os olhos. Certo, o banquete, mais como uma desculpa para Sophia se embebedar e se pendurar no braço de Alexander como sua amante desesperada.

— Escrevi uma lista de algumas comidas que gostaria que fossem preparadas. — Disse Sophia, entregando-me um pedaço de papel com refeições cada vez mais decadentes escritas: amêijoas frescas com manteiga, ovos de codorna, algum tipo de massa de que eu nunca ouvira falar antes.

— E você sabe que meu estômago é sensível, então certifique-se de que tudo seja preparado da maneira certa.

Cerrei a mandíbula. Lilith me deu um cutucão sutil com o cotovelo.

— Faça você. — Eu disse enquanto olhava nos olhos de Gabriel.

— Eu vou tirar uma soneca.

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