Masuk— Tudo bem. Faça o que você quiser. Você sempre faz, de qualquer maneira. — Disse eu, baixinho.Sem dizer mais nenhuma palavra, passei por todos eles e saí do quarto. Senti os olhares deles queimando em minhas costas enquanto eu me retirava, mas não olhei para trás. Eu estava cansada demais para lutar. Cansada demais para me importar.---Ponto de vista de Alexander.Assisti a Ella se afastar, com os ombros erguidos e o queixo empinado, apesar de tudo. Havia algo na maneira como ela lidou com a situação que me deixou inquieto. Frustrado, até.Uma parte de mim tinha ficado curiosa para ver como ela reagiria. Ela ficaria com ciúmes? Lutaria mais pela minha atenção? Mostraria algum sinal de que o nosso casamento significava algo para ela?Mas ela tinha ficado tão calma no final. Tão resignada. Como se já esperasse que eu não ficasse do lado dela, e simplesmente não se importasse o suficiente para lutar por isso.Aquilo só confirmava o que o Gabriel tinha me dito: que ela não queria
Ella & Alexander.Ponto de vista de Ella.Enquanto eu encarava os pedaços quebrados da caixinha de música da minha mãe espalhados pelo chão, algo dentro de mim se rompeu.Eu sequer cheguei a conhecer a minha mãe, que tinha morrido quando eu era um bebê.E aquela caixinha de música era a única coisa dela que eu possuía — a única ligação com ela que eu jamais teria.E agora estava destruída.— Que porra há de errado com você? Eu disse para não tocar nisso! — Gritei com a Sarah, levantando-me de um salto.Os olhos de Sarah se arregalaram.— Sinto muito, Luna. Foi um acidente...— Um acidente? Você me ignorou de propósito quando eu te disse para deixar isso em paz! — Eu tremia de raiva, com as mãos cerradas em punhos ao lado do corpo. — Essa era a caixinha de música da minha mãe. A única coisa que me restava dela, e você a destruiu!— Luna, é só uma velharia boba...— Fora! Saia do meu quarto agora mesmo! — Gritei, sem querer ouvir o resto.Sarah não se moveu, o que foi uma d
— Ah, eu não sabia que a Luna tinha visitas. — Disse ela. Então colocou os lençóis limpos na ponta da minha cama, com toda a cara de quem não tinha a menor intenção de ser a pessoa a se retirar dali.— Eu já vou indo. — Disse Liam, levantando-se. Ele apertou minha mão de leve. — Conversamos mais tarde, tudo bem?Assenti, embora duvidasse que ainda houvesse muito a ser dito. Liam era um bom amigo, mas não entendia. Nunca entenderia.Depois que o Liam saiu, Sarah moveu-se apressadamente para afofar meus travesseiros antes mesmo que eu pudesse me sentar direito. O movimento brusco sacudiu minha cabeça, fazendo-me encolher quando a dor disparou pelo meu crânio, bem onde eu tinha batido contra o azulejo na outra noite.— Cuidado. — Murmurei.— Desculpe. — Sarah deu uma risadinha. — É que você parece tão frágil deitada aí. Como se fosse quebrar se eu respirar perto de você do jeito errado.Engoli a seco a minha primeira resposta, que envolveria vários palavrões bem coloridos sobre
Ponto de vista de Ella.Os dias se passaram como um borrão depois que o Alexander voltou de viagem. Eu passava a maior parte do tempo na cama, dormindo de forma sobressaltada ou encarando o jardim lá fora pela janela. O curativo na minha cabeça tinha sido trocado por um menor, mas as dores de cabeça continuavam bastante persistentes.Alexander mal falava comigo agora. Ele vinha deitar tarde, muito depois de eu já ter fingido pegar no sono, e saía bem cedo pela manhã, antes de eu acordar. Quando nossos caminhos se cruzavam pela casa, apenas trocávamos olhares furiosos e seguíamos direções opostas.Era melhor assim, era mais fácil.Eu não precisava mais fingir que poderia existir algo entre nós. Não precisava ficar me perguntando se aqueles momentos no hospital ou a forma como ele tinha olhado para mim por alguns breves segundos significavam alguma coisa.Gabriel tinha deixado cristalino o que o Alexander realmente pensava de mim: fraca, manipuladora, patética. Ele não se importava
— Diga "sim, Alfa". — Dei mais um passo à frente, deixando minhas presas despontarem como um aviso.O pomo de adão de Gabriel subiu e desceu.— Sim, Alfa.— Ótimo. Agora, você vai consertar essa bagunça. Vai entrar em contato com o Kieran e implorar pelo perdão dele. Depois, vai falar com todos os nossos outros parceiros comerciais e garantir que não encheu a cabeça deles de mentiras também.— Sim, Alfa.Saí do escritório do Gabriel antes que fizesse algo de que me arrependeria, como arrancar a garganta dele. Meu Beta estava andando em uma linha muito tênue ultimamente, e eu estava ficando cansado de sua insubordinação.Mas eu odiava o fato de ele estar parcialmente certo.Eu estava me apaixonando pela Ella. Rápido, intensamente e muito mais profundamente do que jamais quis admitir.E doia pensar que ela tinha dito que não queria que eu a marcasse. O que mais ela teria dito?Mas eu não podia confiar em uma única palavra que saísse da boca do Gabriel, então decidi ir direto fal
Ponto de vista de Alexander.O território da alcateia em questão ficava a três horas de viagem para o norte, por estradas de montanha sinuosas que atrasaram todo o trajeto. O Alfa, um homem mais velho e severo chamado Kieran, me recebeu na sede da alcateia com uma expressão fechada que seria capaz de congelar o próprio inferno.— Alexander. Não esperava que você viesse pessoalmente. — Disse ele, claramente sem paciência para futilidades.— Quando meu Beta me diz que há uma disputa sobre um contrato comercial, eu mesmo cuido disso. — Respondi, saindo do carro.A expressão do Alfa escureceu ainda mais.— Seu Beta, sim. Um homem interessante. Muito direto sobre as intenções da sua alcateia.Algo frio se instalou no meu estômago.— O que você quer dizer com isso?— Venha. Vamos conversar no meu escritório.Fomos até o escritório do Alfa, onde ele começou imediatamente o seu desabafo.De acordo com Kieran, Gabriel tinha entrado em contato com ele dois dias atrás, alegando que a A
Ponto de vista de Ella.A reação dele, o tom de raiva em sua voz, me surpreendeu ainda mais. Ele não estava rindo ou zombando de mim, nem parecia chateado. Apenas... furioso ou frustrado.— Eu não entendo! Você me odeia, Alexander. Se sou eu quem vai assumir a culpa, protegendo a sua reputação de
Ponto de vista de Ella.Invadi o escritório espaçoso, e o aroma de livros antigos, mogno e couro imediatamente me envolveu. Mas havia outros dois cheiros ali também: bourbon e fumaça de lenha, o perfume de Alexander, meu companheiro e marido — por enquanto. E algo mais doce, floral.Sophia.Vi o
Ponto de vista de Ella.— Luna, você... tem apenas um ano de vida. — A Dra. Evelyn retirou os óculos lentamente, mantendo o olhar fixo no chão. — Sua loba entrou em estado de dormência.Eu não conseguia processar as palavras dela.— Minha loba... está dormente? — Balbuciei. — Certamente deve ha
Meu pai.Eu não o via pessoalmente há meses, mas ele não me abraçou nem sorriu como um pai normal faria. Em vez disso, ele agarrou meu pulso e me puxou levemente para o lado.— O que você está vestindo, Ella? — Ele sibilou. — Esse tipo de vestido não combina com uma Luna.Quando ele começou a ti