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CAPÍTULO 53

Autor: Alan Rios
last update Fecha de publicación: 2026-06-28 00:35:33

“E ouviu você chamar outra mulher de amor.”

A mensagem ficou na tela como uma mão gelada entrando pelo meu peito. Não era só ameaça. Era invasão. Era alguém enfiado dentro daquela noite que, por algumas horas, tinha sido nossa. Suja de medo, cheia de culpa, errada em vários sentidos, mas nossa.

Agora nem isso parecia protegido.

Mauro pegou o celular da minha mão antes que eu derrubasse. Leu a mensagem uma vez, depois outra. O rosto dele mudou. Primeiro veio a raiva. Depois uma vergonha estranha
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  • A única mulher imune ao perfume do bilionário   CAPÍTULO 120

    A antiga torre da Noir estava quase vazia.Não abandonada, não destruída, não cinematográfica o bastante para satisfazer quem gosta de ruína bonita. Apenas esvaziada. O letreiro luminoso tinha sido retirado, as vitrines estavam cobertas por tapumes discretos, e o hall principal, onde antes o cheiro da marca tentava convencer todo mundo de que luxo era destino, agora cheirava a pano úmido e tinta fresca.O lugar onde tudo começou errado. Eu sabia exatamente qual era. Não fui ao laboratório, nem à presidência, nem à sala de conselho. Fui à antessala do andar executivo, aquela em que Mauro me observou pela primeira vez tentando entender por que eu não reagia ao perfume dele. Na época, eu era funcionária comum demais para aquele andar, e ele era arrogante demais para admitir que não saber me controlar tinha virado curiosidade antes de virar desejo.A porta estava aberta. Mauro estava lá dentro. Sem terno. Sem gravata. Sem perfume perceptível. Usava camisa escura simples, mangas dobradas,

  • A única mulher imune ao perfume do bilionário   CAPÍTULO 119

    Os flashes explodiram antes que eu conseguisse decidir se voltava para dentro.Do lado de fora da Noir, havia repórteres, curiosos, funcionários fingindo que não eram curiosos, seguranças tentando parecer úteis e celulares levantados em todos os ângulos. Meu nome vinha de bocas diferentes ao mesmo tempo, cada uma tentando me puxar para uma versão mais vendável de mim.— Nathalia, você era amante de Mauro Ventura?— Você sabia do perfume?— É verdade que você é imune?— Você derrubou a Noir por vingança?A última pergunta quase me fez rir. Vingança. Como se eu tivesse acordado um dia, colocado uma roupa qualquer e decidido destruir um império entre o almoço e o expediente. Como se não tivesse sido o império a me escolher primeiro, me cercar, me cheirar, me catalogar e depois se ofender porque eu ainda respirava sem pedir autorização.Parei no primeiro degrau da entrada. Um segurança tentou abrir caminho, mas levantei a mão. Não para dar entrevista bonita. Só para não sair correndo como

  • A única mulher imune ao perfume do bilionário   CAPÍTULO 118

    “A amante que derrubou o império Ventura.”A legenda ficou na tela do celular de Larissa como uma cusparada elegante. Eu li uma vez, depois outra, esperando sentir raiva do tamanho certo, mas o que veio primeiro foi cansaço. Um cansaço antigo, quase sem surpresa. Depois de tudo que eu tinha dito, depois de maleta com meu nome, crachá falso, mulheres dopadas, Helena viva, Mauro criança usado como parâmetro e Marisa tentando transformar trauma em método, o mundo lá fora tinha encontrado a palavra mais fácil.Amante.Claro.Era mais simples do que imune. Mais vendável do que vítima. Mais picante do que testemunha. Mais confortável do que admitir que uma empresa inteira tinha tratado mulheres como matéria-prima.Larissa percebeu minha cara e abaixou o celular.— Eu não devia ter mostrado.— Devia. Melhor ver a facada vindo do que fingir que é brisa.Mauro pegou o celular da mão dela antes que eu impedisse. Leu a manchete, e a expressão dele mudou. Não foi culpa bonita, nem tristeza polida

  • A única mulher imune ao perfume do bilionário   CAPÍTULO 117

    O vidro quebrou dentro da caixa de contenção.Não houve explosão, nem luz bonita, nem aquele tipo de silêncio sagrado que as pessoas inventam depois para transformar escolha difícil em cena perfeita. Houve um estalo seco, pequeno demais para o tamanho daquilo tudo. A última fração estável do Relux se espalhou no fundo metálico da caixa, azul por dois segundos, depois escura, feia, quase comum.Marisa gritou como se tivéssemos quebrado um osso dela.— Suas idiotas!Foi a primeira vez que ela nos chamou de alguma coisa sem disfarce técnico. Não éramos origem, imune, resposta resistente ou linhagem afetiva. Éramos idiotas. Duas mulheres que tinham feito a ciência dela sangrar fora do vocabulário bonito.Helena soltou o caco antes de se cortar. Eu também. Beatriz fechou a tampa da caixa de contenção com força, e o técnico externo travou o lacre. Tudo muito rápido, muito prático, quase ofensivo para Marisa, que parecia esperar um ritual mais digno para o fim da própria obsessão.Mauro cont

  • A única mulher imune ao perfume do bilionário   CAPÍTULO 116

    A ampola azul estava na mão de Mauro.Por alguns segundos, o auditório inteiro virou uma única respiração presa. Era pequena demais para carregar tanto estrago. Um vidro fino, quase bonito, com um líquido azul que parecia refletir a luz antes mesmo de ser iluminado. Se alguém entrasse naquele momento sem saber de nada, talvez achasse que era uma amostra de perfume de luxo, uma promessa de campanha, um produto. Era assim que a Noir tinha sobrevivido por tanto tempo: fazendo horror parecer embalagem.Mauro olhava para a ampola como se ela tivesse brotado da pele dele.— Eu não coloquei isso no bolso.Marisa sorriu.— Eu sei.Beatriz fez sinal para os seguranças, mas ninguém se moveu depressa. Não porque faltasse ordem, mas porque todos entenderam o risco de um gesto errado. Mauro segurava a última fração estável. Se alguém avançasse, se ele se assustasse, se a ampola caísse, ninguém ali sabia o que podia ser liberado. Talvez nada. Talvez tudo. O desconhecido era uma forma eficiente de c

  • A única mulher imune ao perfume do bilionário   CAPÍTULO 115

    A última fração estável estava com Marisa.O vídeo terminou, mas a imagem dela colocando a ampola azul no bolso do jaleco continuou na minha cabeça. A mulher tinha sido contida, cercada, exposta, gravada e, ainda assim, saíra da sala com a única coisa que podia manter o Relux vivo. Era quase admirável, se não fosse doentio.Beatriz viu o vídeo duas vezes, sem piscar. Na terceira, entregou o celular a um dos seguranças.— Revistem Marisa agora.— Tarde — Marisa disse, ainda com os pulsos presos. — Vocês deviam ter aprendido que o corpo nunca é o esconderijo mais interessante.Larissa fechou os olhos.— Eu odeio quando vilão fala bonito. Dá vontade de jogar uma cadeira.Dois seguranças revistaram o jaleco de Marisa ali mesmo, diante de todos. Encontraram luvas, um cartão de acesso, um aplicador vazio, mas nenhuma ampola. Eu olhei para Mauro. Ele entendeu antes que alguém dissesse. Marisa tinha mostrado a ampola à câmera sabendo que o vídeo chegaria até mim. Se não estava mais com ela, e

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