FAZER LOGIN. SARAH
Permaneci deitada, tentando compreender aquele sonho perturbador. Os intensos olhos vermelhos do lobo negro não saíam da minha mente, como se estivessem gravados em minha alma. Nunca havia visto um lobo de perto, apenas em documentários na televisão, mas aquele... aquele não parecia um animal comum. Havia algo nele que despertava em mim um misto de medo e fascínio. Por que ele não me atacou? O que significava aquele olhar fixo em minha direção? As dúvidas começaram a se acumular dentro de mim como uma tempestade, intensificando minha confusão. Seria aquele sonho um presságio? Meu coração batia acelerado apenas ao considerar essa possibilidade. Tentei afastar esses pensamentos, mas era uma tarefa impossível. Era como se algo dentro de mim já soubesse que o encontro na floresta e o sonho estavam conectados de uma maneira que eu ainda não conseguia compreender. Suspirei profundamente e me forcei a sair da cama. Caminhei em direção à suíte, determinada a tomar um banho e tentar dissipar aquela sensação estranha. Assim que a água quente começou a escorrer pelo meu corpo, uma sensação momentânea de alívio me envolveu. Fechei os olhos, permitindo que o calor relaxasse meus músculos tensos. No entanto, de repente, a voz do sonho ecoou em minha mente, baixa e arrastada, fazendo meu corpo inteiro estremecer. Meu coração disparou e um arrepio percorreu minha espinha. Abri os olhos, tomada de susto, e desliguei o chuveiro num impulso. O medo e a excitação se entrelaçavam dentro de mim de maneira inexplicável. Enrolei-me na toalha, tentando recuperar o controle da minha respiração. Aquilo definitivamente não era normal. Nada daquilo era normal. Após me preparar, organizei meu quarto de forma mecânica, ainda imersa em meus pensamentos. Desci as escadas e segui diretamente para a sala de jantar. O aroma de café fresco e pão quentinho invadiu o ambiente, trazendo um pouco de normalidade àquela manhã peculiar. A mesa estava abundantemente disposta, como sempre: pães, bolo, torradas, sucos. Minha mãe sempre se excedia no café da manhã. Ao me aproximar, percebi que Caleb já estava sentado, tomando café ao lado dela. Ele me lançou um olhar rápido, acompanhado de um sorriso discreto. Sarah: Bom dia, mãe. Bom dia, Caleb. Como vocês estão? Minha mãe olhou para mim com um sorriso carinhoso. Salomé: Bom dia, minha filha. Seu pai teve que sair bem cedo. Ele recebeu uma ligação urgente e precisou ir — comentou ela, mexendo distraidamente na xícara de café. — Sente-se, ainda faltam quinze minutos para vocês irem embora. Sarah: Meu pai raramente tem disponibilidade para compartilhar um café, almoço ou jantar comigo; isso já se tornou algo rotineiro. Minha mãe me observa com tristeza, mas opta por não dizer nada. Sentei-me ao lado de Caleb, servindo-me um pedaço de bolo e um copo de suco. Tentei me alimentar, mas meu apetite não era o habitual. A lembrança do sonho ainda persistia em minha mente, como uma sombra. Após terminar, limpei a boca com um guardanapo e levantei-me para abraçar minha mãe. Sarah: Fique com Deus, mãe. Cuide-se, tá bom? — disse, dando um beijo suave na testa dela. Ela sorriu e segurou minha mão delicadamente. Salomé: Você também, minha filha. Tenham cuidado na moto. Virei para Caleb, tentando aparentar mais tranquilidade do que realmente sentia. Sarah: Vamos, Caleb. Precisamos sair antes que nos atrasemos. Ele assentiu e se levantou, pegando as chaves do carro. Mas, antes de sairmos, senti um arrepio na nuca, como se estivesse sendo observada. Engoli em seco e, por um momento, tive a sensação de que o olhar daquele lobo ainda estava sobre mim. O trajeto até a faculdade transcorreu de forma tranquila. Não conversei muito com Caleb, não por falta de vontade, mas porque não conseguia afastar da mente aquele sonho e a imagem do lobo na floresta. Cheguei à faculdade mais rápido do que o habitual, o que está me deixando um pouco desestabilizada. Preciso manter o foco. Agradeço pela carona e desço da moto, dirigindo-me diretamente ao hall de entrada da faculdade para aguardar a chegada das meninas. Estava constantemente ouvindo a voz do lobo me chamando e levei um susto quando alguém colocou a mão em meu ombro. Era a Vitória. Vitória: Você está bem, Sarah? Você está estranha e assustada. Daiana: E sem contar a sua aparência, que está horrível. Sarah: Estou ótima! Apenas fiquei até tarde estudando para as provas e quase não dormi. Mas vamos entrar, pois já vai começar. Entramos na sala e, na verdade, não consegui prestar atenção nas aulas. Era como se todos os lugares que olhasse estivessem inundados por aqueles olhos vermelhos. Devo estar ficando louca, não há outra explicação. Ao final das aulas, fomos à sorveteria, como sempre fazíamos. Daiana: O que está acontecendo, Sarah? Você é sempre a mais inteligente da turma. O professor fez várias perguntas hoje e você não respondeu a nenhuma. Vitória: Você está se sentindo bem, amiga? Percebi que você está um pouco abatida. Sarah: Acho que estou precisando de umas férias; apenas isso. A faculdade está me causando um desgaste emocional maior do que eu imaginava. Daiana: Que tal irmos a uma balada hoje à noite? Você precisa se distrair e aproveitar para dar uns beijos. Sarah: Desculpem, meninas, mas não serei uma boa companhia. Nesse momento, ouço a buzina da moto do Caleb. Daiana: Você poderia me ajudar com o Caleb, não é, Sarah? Sarah: Acredito que a ideia de você e o Caleb juntos não seria a melhor. Daiana: Qual é o problema? Entendi, você está interessada nele, por isso não quer que ele se aproxime das amigas, com medo de que prefira a gente a uma garota que nem sequer sabe beijar. Sarah: Saber ou não beijar é um problema meu e não tenho a obrigação de prestar contas a ninguém. Sinto-me bem assim, muito melhor do que ser chamada de fácil pelos garotos da faculdade. Peguei minha mochila e fui em direção ao Caleb. Definitivamente, não dá para ter amizade com essas meninas. Caleb: Que cara é essa, Sarah? Sarah: O mesmo de sempre, Caleb. Preciso que você me leve de volta àquela floresta. Caleb: Você ficou louca, Sarah? Você acha que não percebi que, desde ontem, você está estranha depois da sua ida à floresta? Não sei o que você viu lá, mas não vou te levar novamente. Sarah: Se você não me levar, eu vou sozinha, Caleb. A escolha é sua.---Capítulo Final – O Legado de AlcatéiaAnos depois...A lua cheia iluminava a floresta, como se o próprio céu estivesse observando, atento ao que acontecia ali. Sarah e Dário, agora alfas de Alcatéia Satomi, estavam em perfeita sintonia. Sentiam-se conectados à natureza de uma maneira profunda, como se a própria terra os tivesse escolhido. Estavam livres, mais livres do que nunca, e a floresta era o palco perfeito para o que estava por vir.De repente, sem palavras, eles se transformaram. O som de ossos quebrando e músculos se moldando ecoou pela floresta, mas para os lobos, não havia dor, apenas uma sensação de poder e liberdade. Corriam lado a lado, os corpos atléticos movendo-se rapidamente, a noite fresca batendo contra seus pelos. Seus instintos estavam apurados, os sentidos ampliados. Eles eram a personificação da alcatéia, correndo juntos como se fossem uma única entidade, um único ser.O vento cortava suas peles, e as árvores passavam em um borrão. Não havia mais medo, não
Salomé e Sarah – O Encontro TransformadorA floresta estava silenciosa, envolta pela escuridão da noite, com a luz da lua filtrando através das árvores, criando sombras que dançavam ao vento. O coração de Salomé batia forte em seu peito enquanto ela se aproximava de Sarah. Algo dentro dela dizia que este momento mudaria tudo, que as palavras que ela precisava dizer eram mais fortes do que qualquer medo ou dúvida que ela tivesse até agora. Ela não sabia ao certo o que estava prestes a encontrar, mas sabia que tinha que estar ali.Sarah estava à frente dela, com os olhos brilhando como se já soubesse o que Salomé queria dizer, mas ainda assim, um misto de desconfiança e dor marcava seu rosto. Ela estava mais forte do que antes, mais firme, mas havia algo vulnerável ali, algo que Salomé reconhecia como a menina que ela sempre viu, a filha que ela pensou ter perdido.Salomé olhou nos olhos de Sarah, sem hesitar, sem deixar que a dureza de suas palavras a fizesse recuar. Ela já havia passa
Luiz – A Verdade no FimMeses se passaram desde aquele confronto na floresta, e as lembranças ainda me assombram. O que eu fiz... não pode ser desfeito. Sarah, agora livre para ser quem realmente é, não me deve mais nada. Ela tem o direito de seguir seu caminho, de viver sem o peso das mentiras que eu impus a ela por todos esses anos.Eu observei, à distância, como ela encontrou sua força. Como Dário a acolheu em sua verdadeira natureza, e como ela se tornou algo mais. Algo que eu criei, mas que agora não posso controlar. Às vezes, ouço os uivos ao longe, sei que ela está lá, nos bosques, em sua liberdade. Mas não sou mais parte disso. Eu a deixei ir. E talvez isso seja o único remorso que eu consiga viver com.Sentado na sala, a fumaça do cigarro dançando no ar, Salomé entrou, seu olhar procurando algo, talvez uma explicação que ela soubesse que nunca viria. Ela sempre teve um jeito de saber quando algo não estava certo, mas nunca quis ver. Agora, não havia mais como esconder.— Luiz
SARAHA floresta estava quieta naquela manhã. O tipo de silêncio que não era ausência de som, mas sim presença de algo mais profundo — um tipo de respeito, talvez. A terra ainda guardava as cicatrizes da batalha, mas a vida insistia em brotar entre os escombros.Caminhei por entre as árvores, meus pés descalços tocando o chão úmido. Não tinha pressa. Fazia meses desde que tudo aconteceu — desde que eu me transformei pela primeira vez, desde que Luiz fugiu sangrando, desde que eu decidi não matá-lo.Muita coisa mudou desde então. Inclusive eu.Eu me tornara parte da alcateia, mas ainda me sentia à margem às vezes. Como se estivesse em constante adaptação. Uma loba entre lobos, sim, mas marcada por uma origem que me fazia diferente.Foi quando senti o cheiro dele.Dário.Meu corpo respondeu antes mesmo que eu pensasse. Era como se ele estivesse gravado em mim, de um jeito que nem o tempo apagava. Segui o rastro, sem me esconder. Eu queria que ele soubesse que eu estava ali.Encontrei-o
DÁRIOO caos ainda rugia ao meu redor, mas tudo o que eu via era Luiz e Sarah—ou melhor, a loba que Sarah havia se tornado. A verdade havia sido dita, um veneno destilado nos ouvidos dela, e agora ela não era mais a mesma. A dor, a raiva, a revelação brutal de sua origem a tinham transformado em algo novo, algo poderoso.E Luiz não estava pronto para isso.Eu vi quando ela saltou. Suas presas encontraram a carne de Luiz antes que ele pudesse apertar o gatilho. Um grito estrangulado rasgou sua garganta enquanto ela o derrubava, sua mandíbula fechando ao redor do ombro dele, rasgando músculo e tendão. Ele tentou lutar, tentou erguer a arma, mas eu não ia deixar.Com um rosnado feroz, me lancei sobre eles. Minha garra acertou o pulso de Luiz com um estalo seco, e a arma caiu no chão. Ele gritou, mas sua voz foi abafada pelo rugido de Sarah. Seus olhos estavam selvagens, brilhando com um ódio que eu nunca tinha visto antes. A floresta parecia prendê-lo no lugar, como se a própria terra qu
SARAH O caos consumia a floresta. Gritos, uivos e o estrondo de corpos se chocando preenchiam o ar. O cheiro de sangue fresco misturava-se ao perfume úmido da terra, enquanto sombras lupinas moviam-se em um balé mortal. Eu tentava me manter firme, mas tudo ao meu redor girava. Dário e os outros lutavam ferozmente, investindo contra os invasores com presas e garras. O som de carne rasgando e ossos quebrando se misturava ao ar noturno.Eu mal conseguia acompanhar. Os lobos atacavam em frenesi, corpos se enroscavam e se desfaziam em um borrão de movimento e brutalidade. Vi Nyra desviar de um golpe e contra-atacar com precisão mortal, vi Dário cravar os dentes na garganta de um inimigo e jogá-lo longe, o corpo sem vida caindo pesadamente no chão.Meu coração martelava dentro do peito. Um rugido cortou a noite, e meu olhar foi atraído para a esquerda. Castiel. Ele lutava sozinho contra dois caçadores. Eu o vi avançar, desviar, contra-atacar—mas foi um instante de distração, uma fração







