LOGIN“Eu não tinha lobo, não tinha valor e fui tola o bastante para acreditar que a Deusa da Lua finalmente havia me abençoado. Mas, em vez disso, os três alfas mais poderosos da alcateia me usaram, me humilharam e me rejeitaram na mesma noite em que tiraram minha inocência.” Elara Voss desapareceu naquela noite, levando consigo um segredo que nenhum deles merecia conhecer. Seis anos depois, ela construiu uma vida tranquila com seu filho em uma nova alcateia — curando os outros durante o dia e protegendo seu coração durante a noite. Mas quando o destino a coloca novamente no caminho de Ryker, Ronan e Rafe Blackthorn, tudo desmorona. Os mesmos trigêmeos que a destruíram agora a olham como se ela ainda pertencesse a eles. Eles querem sua companheira rejeitada de volta. Eles querem seu herdeiro secreto. E estão dispostos a destruir alianças, desafiar o próprio pai e acabar com qualquer um que se coloque entre eles e a família que um dia jogaram fora. Mas Elara já não é a ômega quebrada que eles descartaram. Ela é uma mãe. Uma sobrevivente. E jamais permitirá que eles destruam ela ou seu filho uma segunda vez. Três alfas implacáveis e possessivos. Uma segunda chance que eles não merecem. E um vínculo que se recusa a permanecer quebrado.
View More«Esta noite pertences-nos, pequeno ómega. Tenta não gritar muito alto.»
As palavras ainda me queimavam nos ouvidos enquanto empurrava a pesada porta de carvalho da nossa
pequena cabana, com o ar da noite a agarrar-se à minha pele como uma segunda camada imunda. As
minhas pernas tremiam a cada passo, as coxas doíam, o abdómen latejava com uma mistura nauseante de
prazer persistente e violação crua. Ainda conseguia sentir o cheiro deles em mim — cedro escuro, uísque
fumado e aquele aroma forte e elétrico de tempestade que gritava poder. Os seus aromas tinham-se
enrolado à minha volta como correntes enquanto se revezavam, rosnando promessas que nunca
tencionavam cumprir.
Bati com a porta atrás de mim e encostei-me a ela, com o peito a arfar. Um soluço entrecortado rasgoume a garganta antes que eu conseguisse contê-lo.
«Elara?» A voz da minha mãe cortou a luz fraca do corredor. Ela apareceu na porta da cozinha, a
enxugar as mãos num pano de cozinha, ainda com a bata de curandeira vestida após o longo turno na
clínica. Os seus olhos arregalaram-se no momento em que viu a minha cara. «Deusa, o que te
aconteceu?»
Tentei falar, mas a minha voz falhou. Em vez disso, deslizei pela porta abaixo até ficar sentada no
chão frio de madeira, com os joelhos encostados ao peito. O vestido que me tinham rasgado até
meio do corpo pendia em farrapos vergonhosos. Marcas de dentadas latejavam no meu pescoço e
ombros, marcas que deveriam ter sido sagradas. Marcas de acasalamento. Mas não eram. Não
para eles.
A mãe largou a toalha e correu na minha direção, ajoelhando-se à minha frente. As suas mãos suaves
e firmes, que todos os dias ajudavam a dar à luz cachorrinhos e confortavam omegas aterrorizados,
pairaram hesitantes antes de envolverem as minhas bochechas banhadas em lágrimas. «Fala comigo,
querida. Quem fez isto?»
Engoli em seco, sentindo o sabor do sal e da vergonha. «São os meus companheiros, mãe. A Deusa da
Lua juntou-me aos três.»
O rosto dela empalideceu. «Os trigémeos?»
Acenei com a cabeça, enquanto outro soluço me escapava. Ryker, Ronan e Rafe Blackthorn. Os alfas
dourados da Matilha Nightshade. Os machos mais poderosos, implacáveis e cobiçados de toda a região.
Todas as raparigas da Academia Blackthorn os desejavam. E, de alguma forma, a filha fraca e sem lobo
de uma mãe solteira tinha sido escolhida pela Deusa como a sua companheira predestinada.
Tudo tinha começado esta tarde.Senti aquela atração no momento em que passei por eles no corredor, depois do último sinal. Aquela
sensação inconfundível no peito, a forma como o meu corpo se aqueceu e o meu pulso disparou. Eles
também ficaram paralisados, com as narinas dilatadas e os olhos a escurecerem-se ao reconheceremme. Durante um segundo estúpido e cheio de esperança, pensei que aquilo poderia mudar tudo. Que o
bullying, o isolamento, os sussurros constantes sobre o meu pai desconhecido e o meu lobo
desaparecido iriam finalmente acabar.
Em vez disso, o Ryker — o mais velho, com o queixo bem definido e os olhos mais frios — esboçou
um sorriso malicioso e apontou com o queixo para a casa de campo abandonada atrás da academia.
«Encontra-te connosco lá às oito. Precisamos de… falar sobre o nosso futuro.»
Eu tinha ido. Como uma tola, tinha ido.
Eles já estavam à espera, com as namoradas visivelmente ausentes. O ar no interior do velho edifício
estava pesado com os seus cheiros misturados. Ronan, o irmão do meio, com o charme descontraído e o
sorriso malicioso, foi o primeiro a puxar-me para si, murmurando o quanto estavam surpreendidos por
a Deusa lhes ter oferecido alguém como eu. Rafe, o mais calado e intenso, observava com os olhos
semicerrados enquanto os irmãos lhe tiravam lentamente a dignidade, juntamente com as roupas.
Não tinham sido gentis. Na verdade, nem por isso. Mesmo quando o meu corpo me traiu e respondeu ao
laço de acasalamento, os seus toques transmitiam posse, não carinho. O Ryker tinha-me possuído
primeiro contra a parede, rosnando que uma ómega sem lobo devia estar grata pela atenção deles. O
Ronan riu-se baixinho quando eu gritei, sussurrando elogios obscenos ao meu ouvido. O Rafe foi o
último, silencioso, exceto pelo rugido baixo e possessivo no peito enquanto terminava dentro de mim.
Depois veio a rejeição.
Fechei os olhos com força, lembrando-me da forma como se tinham colocado por cima de mim depois,
enquanto eu tentava cobrir-me com os restos do meu vestido.
«Rejeitamos-te, Elara Voss», disse Ryker, com a voz monótona e definitiva, as palavras a cortarem o
frágil laço de acasalamento como lâminas de prata. «Uma ómega fraca e sem pai não tem lugar como
Luna de Nightshade. Foste uma distração divertida, nada mais.»
Ronan acrescentou com uma risada cruel: «Não te preocupes, querida. Não vamos contar a ninguém o
quanto gemeste alto por nós.»O Rafe não disse nada. Limitou-se a olhar, com algo indecifrável a cintilar nos seus olhos escuros antes
de se virar.
O laço ainda não se tinha rompido por completo; a rejeição precisava dos três para se completar
devidamente, num conjunto de três — mas a dor tinha sido imediata. Como se alguém tivesse enfiado
a mão no meu peito e esmagado o meu coração.
«Elara.» A voz da minha mãe trouxe-me de volta ao presente. Ela estava agora a acariciar-me o cabelo,
com lágrimas a brilhar nos seus olhos. «Eles… forçaram-te?»
Ri-me, mas saiu-me um som abafado e horrível. «No início, eu queria. O laço fez-me querer. Mas eles
nunca me quiseram. Só queriam usar-me antes de me deitarem fora.» Novas lágrimas escorreram-me
pelas bochechas. «Eles têm namoradas, mãe. Toda a gente sabe disso. Eu era apenas… um jogo.»
A mãe puxou-me para os seus braços, apertando-me com força contra o peito. Conseguia sentir o
cheiro ténue de antisséptico da clínica nas suas roupas, misturado com o reconfortante aroma do
sabonete de lavanda que ela usava sempre. Durante um longo momento, os únicos sons eram os meus
soluços entrecortados e o piar distante de uma coruja lá fora.
«Odeio-os», sussurrei contra o ombro dela. «Odeio o que me fizeram sentir. Odeio que essa parte de
mim ainda os queira, mesmo agora.» Admiti-lo teve o sabor de veneno. O laço de companheirismo já
estava a tentar sarar, a tentar puxar-me de volta para eles, apesar de tudo. Isso deixava-me enjoada.
«Estás em choque, meu amor. O vínculo é cruel nesse aspeto.» A mãe embalou-me suavemente, tal como
fazia quando eu era uma cachorrinha e os pesadelos atormentavam o meu sono. «Mas não és fraca. Nunca
deixes que te convençam disso. Não ter um lobo não te torna inferior. Significa apenas que a Deusa tem
um caminho diferente para ti.»
Afastei-me ligeiramente, observando-lhe o rosto. As rugas de cansaço à volta dos olhos pareciam mais
profundas esta noite. Ela trabalhava tanto, longas horas na clínica, voltando para casa para cozinhar,
limpar e criar uma filha que a alcateia mal reconhecia. Tudo porque o meu pai tinha desaparecido antes
de eu nascer.
«Não posso ficar aqui», disse eu, com a voz a ganhar força, mesmo que tremesse. «Não consigo andar por
aqueles corredores sabendo que se estão a rir de mim. Não posso arriscar vê-los com as namoradas, a
fingirem que eu não existo. Por favor, mãe. Vamos embora. Sempre disseste que nos podias levar de volta
para a Matilha Silverveil, a tua antiga casa. A casa da avó ainda lá está, não está?»A mãe hesitou, o seu olhar a desviar-se para a janela, como se pudesse ver as terras da Matilha
Nightshade a estenderem-se para além da nossa rua tranquila. Esta matilha nunca tinha sido gentil
connosco, mas era-nos familiar. Partir significava recomeçar do zero.
«Elara… não é assim tão simples. Silverveil tem os seus próprios problemas. O Alfa Thorne…»
«Por favor, mãe, imploro-te, por favor…», interrompi, com o desespero a apertar-me a garganta.
«Qualquer lugar é melhor do que aqui. Vou arranjar um emprego. Vou ajudar na clínica, como tu. Faço
qualquer coisa, só… por favor. Não consigo enfrentá-los outra vez. A rejeição… sinto como se a minha
alma estivesse a despedaçar-se.»
Ela ficou em silêncio durante muito tempo, com os dedos a traçarem círculos reconfortantes nas minhas
costas. Concentrei-me na sensação, tentando acalmar-me. O chão de madeira estava frio sob as minhas
coxas nuas. Uma corrente de ar entrava por baixo da porta, trazendo o aroma distante de pinheiro da
floresta que fazia fronteira com o nosso bairro. Algures nas proximidades, um lobo da alcateia uivou,
provavelmente um dos guerreiros em patrulha. O som costumava confortar-me. Agora, apenas me
lembrava do poder que nunca teria.
Por fim, a mãe suspirou e deu-me um beijo na testa. «Está bem. Vamos. Tenho algumas poupanças.
Podemos partir no final da semana, assim que eu terminar os meus casos na clínica. A casa de campo da
tua avó em Silverveil pode precisar de reparações, mas é nossa. Ninguém nos pode tirar isso.»
Senti um alívio tão forte que novas lágrimas brotaram-me dos olhos. «Obrigada», sussurrei. «Desculpa
por te estar a afastar de tudo.»
«Não te atrevas a pedir desculpa.» O tom dela tornou-se feroz, os olhos a brilhar com um fogo protetor.
«És a minha filha. A minha única prioridade. Aqueles rapazes podem ser alfas, mas são tolos se pensam
que podem partir-te e sair ilesos. A Deusa vê tudo.»
Eu queria acreditar nela. Mas à medida que a dor entre as minhas pernas voltava a pulsar, lembrando-me
da facilidade com que tinham usado o meu corpo, a dúvida insinuou-se como sombras. E se o laço nunca
se desfizesse completamente? E se eu passasse o resto da minha vida a sentir este vazio?
A mãe ajudou-me a levantar-me, suportando o meu peso enquanto nos dirigíamos para a pequena
casa de banho. Preparou um banho quente, adicionando sais curativos e ervas do seu stock pessoal.
Enquanto a água enchia a banheira, retirou delicadamente o que restava do meu vestido estragado,
com o maxilar a endurecer a cada marca que eles tinham deixado para trás.
«Um dia vão arrepender-se disto», murmurou ela, quase para si própria. «Sejam ou não alfas trigémeos,
a Deusa da Lua não vê com bons olhos a profanação de um laço de companheirismo.»
Mergulhei na água a vapor com um silvo, o calor a acalmar-me e, ao mesmo tempo, a arder na minha
pele sensível. A mãe sentou-se na borda da banheira, lavando-me o cabelo com dedos cuidadosos. O
ritual familiar aliviou algo que me apertava o peito.
«Fala-me de Silverveil», disse eu baixinho, precisando de me concentrar no futuro em vez do pesadelo
que ainda se repetia na minha mente. «Como era quando eras jovem?»
Um sorriso suave tocou-lhe os lábios. «Mais selvagem do que aqui. Mais próximo dos costumes antigos.
A tua avó também era uma curandeira respeitada por lá. A casa da matilha estava sempre cheia de risos e
caos. Mas depois de conhecer o teu pai…» A voz dela foi-se esmorecendo, com a dor a passar-lhe
rapidamente pelo rosto.
Nunca a pressionei sobre ele. A ferida era demasiado antiga, demasiado profunda.
Enquanto ela enxaguava o sabão do meu cabelo, fechei os olhos e tentei imaginar uma vida sem os
trigémeos Blackthorn a pairar sobre ela. Acabaram-se os olhares furtivos nos corredores da academia.
Acabou-se a dúvida sobre por que razão a Deusa me tinha amaldiçoado com três companheiros que não
me viam como nada.
Mas, mesmo enquanto a água arrefecia à minha volta, um sussurro traidor pairava no fundo da minha
mente — Eles também o sentiram. O laço não mente.
Reprimi-o com violência. Eles tinham-me rejeitado. Usaram-me. Humilharam-me. E
preferia morrer a deixá-los partir-me outra vez.
Capítulo 57: O ponto de vista de ElaraO processo clínico nas minhas mãos pertence a um doente que já atendi hoje.Apercebo-me disso quando já vou a meio da leitura: as notas com a minha própria letra, o plano de tratamento que registei há duas horas... depois, coloco-o sobre o balcão, apoio as duas mãos espalmadas na superfície e respiro fundo.Esta é a terceira vez esta semana que recebo o registo de saúde errado."Elara." A voz de Marcus vem da porta, muito baixa e alarmada; tem-me observado toda a semana com o cuidado específico de quem sabe que não deve fazer comentários directos. "Tem um paciente no quarto três.""Eu sei." Pego no prontuário correto. "Obrigada."Afasta-se para me deixar passar e não diz mais nada — o que é a atitude mais útil que poderia tomar e exatamente o que Marcus faz quando avalia a situação corretamente… dá-me o que preciso sem que eu tenha de pedir.Vou pa
Capítulo 56: O ponto de vista de RafeA luz da cozinha acende-se às onze e catorze.Não é a Elara... é a Mira. Reconheço pelo movimento, pelo ritmo da silhueta atrás da cortina. O Elara move-se mais rápido nas cozinhas, com mais determinação. Mira move-se como alguém que passou tempo suficiente em todas as cozinhas onde já esteve para saber onde fica tudo sem ter de olhar.Aprendi a ler a casa no escuro da mesma forma que aprendi a lê-la à luz do dia — com uma precisão que reconheço como devoção ou obsessão, e decidi que a diferença não importa agora.Onze e vinte e três. A porta dos fundos abre-se.Mira pisa a varanda.Tem vestido o seu casaco de malha grosso e roupa de dormir, com duas chávenas nas mãos, olhando para a linha das árvores com a expressão de quem está acordada há algum tempo, ocupada com coisas que não são dormir.Ela ergue uma das chávenas em direção às árvores.
Capítulo 55: O ponto de vista de Elara— Mãe. Deixou-o cair outra vez.Olho para baixo. A ficha está no chão. Não me lembro de a ter deixado cair.— Eu levo. — Agacho-me, pego no papel e levanto-me; Penda observa-me com a expressão que tem mantido durante toda a semana — não a de curiosidade de antes, mas algo mais cauteloso, o olhar de quem decidiu não perguntar por achar que não iria receber uma resposta sincera.Ela tem razão quanto a isso.— Vá fazer a sua pausa mais cedo — diz ela. — Tapo os próximos vinte minutos.— Estou bem...— Elara. — A voz dela é gentil, mas firme. — Vá sentar-se um pouco. Por favor.******A sala de descanso está vazia; Sento-me à secretária, apoio os cotovelos na superfície, pressiono as mãos contra o rosto e respiro — lentamente, da mesma forma que respirava nos primeiros meses em Silverveil, quando a doença da rejeição surgia
Capítulo 54: O ponto de vista de Ryker Chegou a hora da chamada do Kane — são sete da manhã e já estou acordado; estou de pé desde as cinco, analisando a estrutura de resposta jurídica que a Adanna enviou durante a noite, aquela que detalha o que Kane tem permissão legal para fazer em resposta à queixa que apresentei ao Conselho e o que ultrapassa o limite, configurando retaliação passível de ação. Vejo o nome dele no ecrã e deixo-o tocar duas vezes antes de atender, pois atender de imediato revelaria algo que não quero que ele saiba. "Ryker." A sua voz é agradável, daquela forma como as coisas muito perigosas são agradáveis... uma superfície suave, mas com uma pressão latente por baixo. "Recebi a queixa que enviou ao Conselho." "Eu imaginava que receberia." "É minuciosa. Tenho de admitir." Uma pausa — daquelas que não são apenas uma pausa, mas um momento de calibração. "Embora ache a descrição das ações da minha filha um pouco dramática. Uma fotografia, Ryker. Levaste o caso ao C












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