MasukPOV: DanielParte 2: A Noite no AviãoAs luzes da cabine foram apagando fileira por fileira, devagar, e o zumbido constante dos motores tomou o lugar das conversas. Um por um, os jogadores lá na frente foram desligando, abraçados a travesseiros de viagem e a uma exaustão que a gente carregava de um mês inteiro de Copa.Liah foi uma das primeiras. Dormiu com a cabeça no ombro de Christian e a mão ainda presa na dele, o cansaço da gravidez e da viagem vencendo qualquer vontade de conversa.Christian ajeitou a manta nela com um cuidado que eu nunca tinha visto nele em campo, recostou a cabeça no encosto e fechou os olhos. Não se mexeu mais. Eu teria jurado que ele tinha dormido, mas a essa altura eu já sabia que com o Christian não dava pra jurar nada.Ao meu lado, Thiago tinha puxado a manta do avião até o peito. O braço dele ocupava o apoio que dividíamos, a um centímetro do meu, e nenhum dos dois fazia questão de corrigir a distância.A cada uma hora ele se levantava sem fazer barulh
POV: DanielParte 1 - Com Quem Você Tá Falando?A fila de embarque andava devagar, arrastada pelo cansaço de quem tinha dormido pouco e comemorado muito, e eu fui avançando pelo corredor da aeronave fretada com a mochila no ombro e o sorriso de campeão colado no rosto, desses que a gente aprende a vestir antes de descobrir que não sai fácil.Na terceira fileira, uma cabeça conhecida se virou na minha direção antes mesmo de eu chegar.— Capitão! — Diego se levantou do assento com os braços abertos, a credencial de comentarista ainda pendurada no pescoço. — Vem cá, cara.O abraço dele foi daqueles de vestiário, apertado, com tapa nas costas e tudo, de quem não jogou um minuto naquela Copa e mesmo assim carregava a taça junto.— Hexa, cara — ele disse no meu ouvido. — Eu gritei tanto naquele estúdio que me pediram pra baixar a voz no ar. No ar, Daniel!— Imagino o prejuízo pra audiência.— Prejuízo nenhum. Foi o melhor trecho da transmissão. — Ele me soltou, mas manteve a mão no meu ombr
POV: DanielParte 4 - Café da Manhã de CampeãoAcordei a luz da manhã já forte demais invadindo o quarto antes mesmo de abrir os olhos direito, por causa da cortina mal fechada da noite anterior.Por alguns segundos fiquei parado, os olhos ainda fechados, tentando entender onde estava. Então senti o lençol amarrotado, o cheiro de sabonete misturado ao de Thiago, o corpo dolorido de um jeito bom, e a lembrança da noite voltou inteira, acendendo um sorriso bobo no meu rosto antes mesmo de eu abrir os olhos.Thiago estava sentado na beirada da cama, já vestido com uma camiseta qualquer, o celular na mão, encerrando uma ligação com o serviço de quarto do hotel.Fiquei observando em silêncio, sem que ele percebesse, o jeito concentrado dele, a ruga leve entre as sobrancelhas, o cabelo ainda úmido num caos adorável. Meu coração deu uma pequena cambalhota; era ridículo como eu, campeão do mundo, ainda me derretia só de olhar aquele homem.— Pedi de tudo um pouco — falou, virando pra mim com
POV: ThiagoParte 3 - Debaixo D'águaFicamos deitados mais alguns minutos, recuperando o fôlego, até o calor residual do corpo começar a incomodar de verdade — suor, nossos perfumes misturados e o cheiro do nosso desejo satisfeito pedindo por um banho sem adiar mais.Eu ainda sentia o corpo leve, meio desconectado, como se tivesse flutuado por algum tempo e só agora estivesse voltando devagar ao chão. Virei o rosto no travesseiro e fiquei olhando o perfil dele, o peito subindo e descendo, os cílios longos descansando sobre a pele corada.— Banho — falei, me levantando com um gemido de protesto dos próprios músculos cansados. — Antes que a gente grude de vez nesse lençol.Sentei na beirada da cama por um instante, esfregando o rosto com as mãos, rindo sozinho da minha própria exaustão. Uma parte de mim queria voltar a deitar e nunca mais sair dali; outra, bem maior, queria a água quente e a companhia dele nela.— Só se for comigo — Daniel estendeu a mão, um sorriso preguiçoso no rosto
POV: ThiagoParte 2 - Comemoração ParticularDaniel não respondeu com palavra nenhuma. Segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou com uma urgência que carregava tudo que a gente tinha represado o dia inteiro — a tensão da final, o medo contido na beira do campo, a felicidade que não tinha espaço pra se expressar diante de câmera nenhuma.Senti o tremor leve nos dedos dele contra a minha pele, e entendi que ele também estava tentando segurar o mundo inteiro dentro daquele gesto. Meu peito apertou de um jeito bom, quase doloroso. Durante horas eu havia sido o médico, o profissional, o homem que não podia deixar nada transparecer — e agora, finalmente, eu podia ser só dele.Retribuí o beijo com a mesma fome, as mãos encontrando a cintura dele, puxando ele contra o meu corpo sem nenhuma cautela sobrando. O gosto de champanhe ainda estava na boca dele, misturado a alguma coisa mais quente, mais nossa, que nenhuma comemoração oficial jamais conseguiria replicar.Pensei, por um segundo,
POV: ThiagoParte 1 - O Gol E O OlharO caos que tomou conta do gramado depois do apito final não tinha comparação com nada que eu já tivesse presenciado em anos de trabalho no futebol profissional. Corri pro meio de campo assim que o gol saiu, a maleta médica batendo contra o quadril, os olhos fixos só em Christian.Ele tinha caído de joelhos, o corpo cedendo ao limite que vinha empurrando havia tempo demais, a perna que eu já sabia estar no limite desde o intervalo da prorrogação finalmente cobrando o preço de tanta teimosia, e cheguei o mais rápido que consegui, abrindo caminho entre companheiros que já se amontoavam em cima dele numa pilha só de gritos e lágrimas.— Deixa eu ver essa perna — falei, firme, afastando dois jogadores que insistiam em abraçar o capitão machucado sem pensar no risco de piorar qualquer coisa.Christian recusou a maca que um dos auxiliares trouxe correndo, insistindo em se levantar pelas próprias pernas, e discuti com ele ali mesmo, no meio do gramado, a







