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####CAPÍTULO 03

last update Data de publicação: 2026-02-02 01:50:45

GIO e PAUL

PAUL

O vinho desceu fácil demais, ela ria alto e gesticulava, contando como escapou da limousine, levantando o vestido no meio do estacionamento como se estivesse fugindo de um incêndio em plena festa de verão. e esse clima me contagiou.

— A cada taça que esvaziava, a tensão que a acompanhava parecia evaporar, substituída por uma euforia quase infantil, quase perigosa.

— Está quente, essa camisa está me incomodando...

Antes que eu pudesse responder, ela começou a desabotoar os botões da minha camisa, que ela vestia e o tecido escorregou por seu corpo, revelando novamente a lingerie branca que contrastava com a pele levemente corada pelo vinho.

— Aproximou-se como se estivesse perfeitamente confortável naquela situação absurda e sentou-se no meu colo, deixando-me completamente sem eixo, seus olhos brilhavam, as bochechas estavam rosadas, e o sorriso era de quem havia acabado de vencer uma guerra pessoal.

Ela inclinou-se até meu ouvido e sussurrou:

— Eu quero ser sua, já que eu ia perder a virgindade hoje, vou perder com o meu cavaleiro andante, você me salvou, é meu herói.

O beijo veio antes da minha resposta, minhas mãos encontraram sua cintura quase por instinto.

— Eu não sei se consigo te carregar no colo — murmurei, meio rindo, meio rendido, estou muito bêbado, digo rindo da pergunta dela

Ela riu contra minha boca.

— Não precisa, onde é o seu quarto? Me leva pra lá e agora.

Levei-a para meu quarto e no caminho, ela já abria os botões da minha camisa com uma urgência que misturava coragem e curiosidade.

— Você é um homem lindo, e esses teus olhos são azuis ou cinza? eles parecem prata líquida.

— Depende da emoção que eu estiver sentindo.

— E qual é a sua emoção agora?

— Fazer a vontade de uma noiva em fuga, que é muito fogosa.

A Gio riu baixo, quando a deitei na cama, caiu rindo também, os cabelos espalhando-se pelo travesseiro como um manto solto, o riso virou respiração ofegante e gemidos, e depois silêncio concentrado, ela me beijou com fome , e não havia vergonha nela, apenas decisão.

E sem pressa descontrolada, apenas entrega consciente, nos entregamos ao desejo.

— Eu fui paciente, como nunca fui antes, pois todas minhas parceiras eram experientes, mas a Gio, era um vulcão em erupção.

E o que começou como fuga tornou-se escolha, a tarde dissolveu-se em calor, vinho, descoberta e cuidado, nos amamos como se não houvesse amanhã, a luz atravessava as cortinas enquanto o mundo lá fora continuava ignorando o pequeno terremoto que acontecia aqui dentro.

— Quando o cansaço finalmente me venceu, puxei-a para junto de mim, a abracei, não querendo que ela partisse, o perfume dos cabelos dela ficou preso à minha pele enquanto eu antes de adormecer disse, fica comigo...

GIO

Eu acordei antes dele, a luz da madrugada ainda era tímida, filtrando-se pelas frestas da cortina, desenhando sombras suaves sobre o quarto.

— Paul dormia profundamente, a respiração lenta, o braço pesado repousando onde antes meu corpo estava.

Fiquei alguns segundos observando-o, ele é lindo, pena que não posso ficar, ele é meu salvador.

— O homem que, sem me conhecer, escolheu acreditar em mim, largou tudo para me ajudar.

Deslizei com cuidado para fora da cama, vestindo novamente a camisa dele, que ainda carregava o calor do corpo dele e um perfume que eu sabia que não esqueceria.

Caminhei pela sala em silêncio e peguei o telefone do apartamento, e

disquei o número que eu sabia de cor. A única pessoa que poderia me ajudar.

— Tia… preciso de sua ajuda, como está as coisas por aí?

Do outro lado, silêncio, depois, uma respiração que misturava alívio e tensão.

— Bambina… graças a Deus, onde você está?

— Não há tempo para explicar, por favor vá até meu quarto, pegue meus documentos, minhas roupas, e jóias, o dinheiro que está escondido na gaveta do guarda-roupa.

— Não deixe papai nem mamãe perceberem. Coloque tudo em uma das suas malas como se fosse seu.

— Eu trouxe duas malas, deixo minhas coisas no seu quarto e levo as suas comigo, eles não vão desconfiar.

Mas depois você vai me explicar como conseguiu fugir, teus pais fizeram um show na igreja, o noivo teve um infarto, foi levado para o hospital.

— Depois a senhora me conta tudo, vou embora com a senhora, compre minha passagem para viajar com você amanhã.

Veja se tem vaga no mesmo voo, Não fico aqui nem mais um minuto.

— Você tem certeza disso, Gio?

Olhei para o quarto, para a cama desarrumada. o vestido abandonado na sala.

— Tenho, por favor, uma roupa fora da mala, para eu vestir no aeroporto..

— E não esqueça os documentos, tia, meu passaporte está junto com o dinheiro.

— Nos encontramos no aeroporto, obrigada titia.

E desliguei.

Voltei ao quarto devagar, me aproximei da cama e observei-o por mais alguns segundos, guardando a imagem, não podia me permitir sentir mais do que já estava sentindo. Sentei-me na escrivaninha e escrevi o bilhete.

“Obrigada por me salvar do dragão, meu cavaleiro, agora a sua ex-donzela vai enfrentar o mundo sozinha. Seu papel você já cumpriu, seja feliz, a noite foi maravilhosa, nunca vou te esquecer.”

"PS: Doe meu vestido e esse anel de noivado."

Gio

Deixei o papel sobre a mesa de cabeceira,

acariciei de leve o rosto dele. Depois peguei meus saltos nas mãos, respirei fundo e saí.

Sem olhar para trás.

E foi assim que a minha liberdade começou.

PAUL

A dor de cabeça chegou antes mesmo de eu abrir os olhos. — Era como se alguém estivesse martelando dentro do meu crânio, lembrando-me de que vinho demais e decisões impulsivas nunca foram uma combinação elegante.

— Estiquei o braço instintivamente para o lado da cama, esperando encontrar pele quente, cabelo espalhado, talvez uma risada tardia, encontrei apenas um lençol frio.

Abri os olhos lentamente, a dor era latejante a luz da manhã já invadia o quarto sem pedir licença, iluminando o espaço vazio ao meu lado como uma provocação silenciosa.

— Sentei-me devagar, passando a mão pelo rosto, tentando organizar as lembranças.

O vestido jogado na sala, a camisa espalhada no chão, as gargalhadas dela ecoando pelo apartamento.

— GiO…, ela foi real.

O nome saiu baixo, quase um teste de realidade,

levantei-me e caminhei pelo quarto, depois pela sala, ainda com a cabeça pesada.

— A cobertura estava silenciosa demais, nenhum salto batendo no piso, nem a voz atrevida pedindo mais vinho.

Ou a noiva fugitiva que me ordenou celebrar sua liberdade. — Foi então que vi o bilhete sobre a mesa de cabeceira, peguei o papel, li e reli.

“Obrigada por me salvar do dragão, meu cavaleiro, agora a sua ex-donzela vai enfrentar o mundo sozinha. Seu papel você já cumpriu, seja feliz, a noite foi maravilhosa, nunca vou te esquecer.”

"PS: Doe meu vestido e esse anel de noivado."

Gio

Soltei uma risada curta, misturada com incredulidade e uma pontada estranha que eu preferi não nomear. — Ela tinha ido embora...

— Sem drama, apenas um agradecimento e a promessa de enfrentar o mundo sozinha.

Passei a mão pelos cabelos e foi nesse momento que meu telefone começou a tocar, vibrando sobre a mesa da sala como um lembrete brutal de que o mundo real continuava existindo.

Marcello.

— Carcamano, você está dormindo? — a voz dele veio alta demais para minha dor de cabeça. — São nove horas da manhã. Você ainda não apareceu na empresa.

Olhei para o relógio.

— Nove horas!

— Sim, nove, e você deve ter festejado muito, pois esqueceu a reunião de hoje.

— Foi tão bom assim o almoço e a noite?

Fechei os olhos por um segundo.

— Meu Deus… eu bebi demais ontem.

— Então foi bom mesmo.

— Você não faz ideia, foi o melhor dia da minha vida.

Ele riu do outro lado da linha.

— Vai ter que me contar tudo, mas antes disso, lembra que às dez você tem reunião para fechar a compra da vinícola?

Eu consegui desmarcar ontem porque o corretor disse que o proprietário estava ocupado com o casamento.

— Mas parece que não houve casamento nenhum, foi cancelado.

Fiquei imóvel.

— Cancelado, como assim?

— Sim, a cidade inteira está comentando, a noiva fugiu acredita?

O silêncio se instalou entre nós.

— Você está brincando comigo?!

— Não estou, dizem que foi um escândalo, o noivo ficou possesso, e teve um infarto , e você passou a tarde e a noite com uma noiva.

— Não me diga que era a mesma pessoa?

Apertei o bilhete entre os dedos.

Não poderia ser, seria coincidência demais.

Passei a noite com uma donzela desesperada, acordei com uma dor de cabeça monumental e apenas um bilhete me agradecendo por tê-la salvo do dragão.

— E agora descubro que o casamento foi cancelado.

— Marcello…

— O quê?

— Ela foi embora.

— Como assim , foi embora?

— Foi embora, sumiu, deixou apenas um bilhete dizendo que ia se salvar sozinha, me agradeceu por a ter salvo do dragão.

Do outro lado da linha houve um breve silêncio, seguido de uma risada incrédula.

— Você passa a noite com uma noiva fugitiva, perde a reunião mais importante do mês e ainda deixa ela escapar?

Bravo, Paul, realmente bravo, espero que tenha sido bom.

— Cala a boca, Marcello, e foi sim, foi a melhor noite de minha vida.

Olhei novamente para o papel.

“Eu nunca vou te esquecer.”

Engraçado.

Eu também não tinha a menor intenção de esquecer.

— Chegue aqui antes das dez — Marcello insistiu. — Se a vinícola ainda estiver à venda, você vai fechar negócio hoje, e, por favor, tente parecer um empresário respeitável, não um cavaleiro medieval de ressaca.

Desliguei.

Fiquei alguns segundos parado no meio da sala, segurando o bilhete, sentindo algo que não era apenas frustração.

Era curiosidade, era incômodo essa sensação de que aquela história não tinha terminado, apenas começava...

Eu não sabia o sobrenome dela, nem para onde tinha ido.

— Mas sabia de uma coisa: aquela mulher tinha entrado no meu carro como um furacão e saído da minha vida como um segredo.

E, de algum modo, eu tinha a estranha impressão de que aquilo ainda não era o fim.

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Último capítulo

  • APENAS UMA NOITE    ####EPILOGO

    FLORESCER DE UMA NOVA GERAÇÃODezesseis anos.Às vezes, eu ainda me surpreendo profundamente quando paro para pensar em tudo o que acontece desde o dia em que fujo daquela igreja na Itália, vestida de noiva e tomada pelo desespero, e entro no carro de um completo desconhecido que, contra todas as probabilidades, acaba se tornando o grande e único amor da minha vida.Hoje, a nossa mansão na Toscana se mostra um pouco mais silenciosa do que costuma ser nos tempos passados. Não porque tenha menos gente circulando pelos corredores, mas porque os nossos filhos crescem e começam a trilhar os seus próprios caminhos no mundo. O Felipo agora está na universidade e se prepara com muita dedicação para assumir parte dos negócios de exportação da família. Os trigêmeos já estão terminando o High School e discutem todas as noites, ao redor da mesa de jantar, qual carreira desejam seguir. O Francesco fala com entusiasmo em cursar administração; a Luísa sonha acordada em

  • APENAS UMA NOITE    ####CAPÍTULO 94

    A FAMÍLIA QUE ESCOLHEMOSCinco anos haviam se passado desde o meu casamento com Paul, e às vezes eu ainda me pegava observando nossa vida com uma sensação de gratidão difícil de explicar. Tudo aquilo que parecia impossível quando fugi da Toscana havia se transformado em realidade. Nossas vinícolas prosperavam, e o método artesanal que eu tanto defendia agora era utilizado em todas as propriedades da família. Paul continuava administrando os grandes negócios do grupo, mas a produção das vinícolas ficou sob meus cuidados e os de tio Giuseppe. Meu irmão tornou-se nosso sócio na Itália e administrava pessoalmente as propriedades da Toscana, algo que fazia com orgulho e competência.Nossa família também cresceu e se fortaleceu. Os trigêmeos eram uma verdadeira força da natureza. Francesco, Luísa e Lucrécia enchiam a casa de alegria, bagunça e risadas do amanhecer até a hora de dormir. Já Felipo, que estava com quase oito anos, acreditava sinceramente que era responsável

  • APENAS UMA NOITE    ####CAPÍTULO 93

    Nesse meio tempo, a Sabine é julgada perante o tribunal italiano e condenada a longos anos de prisão pelo crime de tentativa de sequestro internacional e invasão. As notícias do escândalo tomam conta de todas as redes sociais e portais do mundo. Durante semanas seguidas, jornais influentes, programas de televisão de grande audiência e colunas da alta sociedade discutem os detalhes sórdidos do crime que ela comete na nossa propriedade.E, pela primeira vez na história desse folhetim público, ninguém ousa culpar a Gioconda por nada. Ninguém questiona a minha reputação de mãe, ninguém inventa mentiras sobre o meu passado e ninguém cria teorias da conspiração. As pessoas finalmente enxergam a psicopatia e a maldade real de quem a Sabine sempre é por trás das aparências. A verdade vence o jogo de forma esmagadora.Por outro lado, os meus pais biológicos continuam tentando uma reaproximação forçada conosco. Eles telefonam de números diferentes, mandam

  • APENAS UMA NOITE    ####CAPÍTULO 92

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  • APENAS UMA NOITE    ####CAPÍTULO 91

    ESCUDO DO AMORAssim que tenho a certeza absoluta de que o Felipo está perfeitamente seguro e bem protegido, respiro fundo pela primeira vez desde que recebo aquele telefonema desesperado. O meu filho ainda está visivelmente assustado no colo do tio Pepe, a minha cunhada continua chorando copiosamente no sofá da sala e o meu cunhado Valentino parece pronto para sair da propriedade e procurar a Sabine com as próprias mãos para fazer justiça.Levanto uma das mãos, gesticulando para pedir serenidade a todos eles.— Não contém absolutamente nada sobre essa invasão e sobre o susto para a Gioconda — ordeno, com o olhar fixo neles.Os dois me olham imediatamente, com expressões de dúvida.— Mas Paul... ela é a mãe, precisa saber... — Valentino tenta intervir.— Não — balanço a cabeça de forma negativa, cortando qualquer possibilidade de debate. — Ela acaba dando à luz os nossos trigêmeos. O corpo dela está frágil, ela está se

  • APENAS UMA NOITE    ####CAPÍTULO 90

    ÚLTIMO ATO DA INSÂNIAEnquanto permaneço no quarto do hospital desfrutando daquela paz inédita, Paul cumpre a sua palavra e segue direto para a sede da empresa para assinar os documentos de exportação. O clima na mansão, na Toscana, é de aparente tranquilidade, mas nos arredores da propriedade, o perigo ronda silenciosamente.Sabine não aceita a derrota. Consumida por um ódio doentio e obsessivo, ela arquiteta um plano desesperado. Usando roupas simples, um lenço amarrado na cabeça e o uniforme característico das trabalhadoras da vinícola que descobre em um varal da região, ela consegue se misturar ao fluxo de funcionários que entram e saem para o manejo diário das videiras. A sua presença passa despercebida pela segurança periférica, que está acostumada com a movimentação intensa da colheita.No jardim da frente, o pequeno Felipo brinca alegremente com os primos, os filhos de Valentino. A cunhada de Gioconda supervisiona a brincadeira das crianças sob o

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