FAZER LOGINA voz de Ethan era magnética, carregada de uma autoridade que parecia preencher cada centímetro cúbico daquela sala luxuosa. Nyla parou instantaneamente, as costas retas, o coração batendo contra as costelas como um animal enjaulado. Sem se virar, ela forçou a voz a sair estável:
— Sr. Brooks... precisa de mais alguma coisa?
— Já que você está aqui para ganhar dinheiro — ele disse, cada palavra saindo com uma lentidão calculada —, por que a pressa em partir?
Um estalo seco ecoou no quarto. Ethan jogara um maço grosso de notas sobre a mesa de centro. Ele inclinou a cabeça, observando-a como quem assiste a um espetáculo de entretenimento barato.
— Beba esta garrafa — ele ordenou, apontando para a vodca — e o dinheiro é seu.
O ar pareceu faltar nos pulmões de Nyla. Ela engoliu em seco, sentindo um tremor percorrer sua espinha.
— Sr. Brooks... me desculpe. Eu sou alérgica a álcool.
Ethan Brooks soltou uma risada curta e gélida, um som desprovido de qualquer calor humano.
— Sério? — Ele deu de ombros, a indiferença cortando mais que uma lâmina. — Não me lembro disso.
Não me lembro.
As palavras ecoaram na mente de Nyla como um insulto. Ela era severamente alérgica. Seis anos atrás, bastava um gole de vinho de frutas para que manchas vermelhas cobrissem seu corpo. Naquela época, Ethan entrara em pânico, levando-a ao hospital nos braços e passando a noite em claro, massageando o braço dela para que o soro fluísse melhor. Ele prometera, com os olhos úmidos de preocupação, que nunca deixaria uma gota de álcool tocar os lábios dela.
Sim, ele se lembrava. Mas o Ethan que a amava estava morto. O homem à sua frente queria apenas vê-la sofrer.
Nyla sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos, mas as sufocou. Enxugou o rosto rapidamente e virou-se, forçando um sorriso pálido e comercial que não chegava aos olhos.
— Está bem. Eu bebo. Espero que o Sr. Brooks seja um homem de palavra.
Ela olhou para a garrafa de vodca. Cinquenta e seis graus. Beber aquilo pura, naquelas condições, era flertar com uma parada hospitalar ou uma perfuração gástrica. Mas então ela pensou na pequena Charlote, esperando em casa, precisando da escola, precisando de um futuro.
Nyla fixou o olhar no dinheiro.
— Isso vale trinta mil? — perguntou, a voz quase sumindo.
Os olhos escuros de Ethan a perfuraram.
— Trinta e cinco mil por uma garrafa? Você deveria se considerar sortuda. Ganhou na loteria, Nyla.
— É verdade. É um lucro e tanto.
A mensalidade estava garantida. Com a mão trêmula, ela estendeu o braço para alcançar o gargalo da garrafa. Antes que pudesse abri-la, Ronan interveio, pressionando a mão sobre a garrafa.
— Ethan! Isso já passou dos limites. Ela pode morrer!
Ronan não suportava o que via. Ele fora colega de turma dos dois na Universidade Imperial e lembrava-se de como eles eram. Ele não conseguia acreditar que toda aquela ternura de seis anos atrás tivesse se transformado em um desejo de morte.
— Ela disse que quer beber, Ronan — interrompeu Levi, com um sorriso de escárnio. — Desde quando você se tornou o protetor dos oprimidos? Deixe-a. Se ela quer o dinheiro, que pague o preço. Afinal, por causa dela, o Ethan perdeu três anos de vida.
Nyla sentiu o rosto queimar de vergonha, mas manteve o sorriso trágico.
— Tudo bem, Sr. Ronan. Eu bebo. É aniversário do Sr. Brooks... eu não ousaria estragar o humor do aniversariante.
Com um movimento decidido, ela abriu a garrafa, o cheiro forte do álcool subindo e fazendo seu estômago revirar antes mesmo do primeiro gole.
As lágrimas já corriam livres, mas Nyla não hesitou. Ela agarrou a garrafa e virou-a, bebendo diretamente do gargalo. O líquido forte desceu por sua garganta como vidro derretido, queimando cada centímetro de pele e arrancando soluços involuntários.
— Cof... cof, cof! — Ela se engasgou, o álcool sendo agressivo demais para seu organismo debilitado.
Em questão de segundos, a pele de seu rosto e pescoço foi tomada por um vermelho vivo e assustador. A reação alérgica era imediata e violenta.
— Chega! — Ronan não aguentou mais e arrancou a garrafa da mão dela. — Eu a chamei aqui hoje. Se ela tiver que beber mais, eu bebo por ela!
Nyla sentia o mundo girar, mas sua consciência permanecia cruelmente lúcida. Ela limpou o canto da boca com as costas da mão, olhou para a silhueta de Ethan na penumbra e forçou um sussurro:
— Sr. Brooks... feliz aniversário.
Ele continuava imóvel. Indiferente. Um estranho esculpido em gelo que não guardava qualquer vestígio do rapaz de camisa branca barata que, seis anos antes, a protegia do mundo. Agora, envolto em tecidos caros e uma aura de poder inalcançável, ele parecia pertencer a outra dimensão.
Ethan não disse uma palavra, um sinal tácito de que ela estava liberada.
Levi pegou o maço de dinheiro e o atirou em direção a ela. Nyla, tonta e fraca, não conseguiu segurá-lo; as notas se espalharam pelo chão, cobrindo seus pés.
— Ganhar dinheiro não é fácil, Senhorita Green — desdenhou Levi. — Dê graças a Deus por ser aniversário do Presidente Brooks. Ele está de bom humor e resolveu lhe dar um desconto.
Nyla assentiu, humilhada. Ela se agachou e, com as mãos já cobertas por erupções cutâneas, começou a recolher as notas uma a uma.
— Obrigada, Presidente Brooks. Obrigada, Presidente Levi. Obrigada, Sr. Ronan.
Quando ela estendeu a mão para pegar a última nota, um sapato de couro impecável, feito à mão, pisou sobre o papel.
Nyla olhou para cima. Ethan a observava de sua posição elevada, tratando-a como se fosse um grão de poeira incomodando sua visão. Ela tentou puxar a nota, mas ele não moveu o pé. Uma lágrima solitária caiu sobre o couro brilhante do sapato dele.
— Sr. Brooks... por favor — ela implorou com a voz rouca. — Me poupe.
— Você se sente injustiçada, Nyla Green? — A pergunta dele foi um sussurro letal.
— Não... eu não tenho esse direito.
Ethan curvou os lábios em um sorriso gélido.
— Durante três anos... mil e noventa e cinco dias naquela cela, eu vivi exatamente assim, lutando para respirar, como você está agora. O que aconteceu aqui hoje? Considere apenas um pequeno juro pelo tempo que você me roubou.
Ele finalmente retirou o pé, deixando-a recolher o que restava de sua dignidade em forma de papel-moeda.
Kezia sentiu-se inexplicavelmente culpada.Mas então ela pensou novamente: por que deveria se sentir culpada? Era Levi quem estava aprontando lá fora.Sua culpa inicial rapidamente se transformou em confiança, e ela admitiu francamente: "Sim, estou me mudando para me preparar para a vida após o divórcio. O cartão de crédito do Sr. Levi é para a Sra. Levi, não para alguém chamada Kezia. As coisas chegaram a esse ponto, é natural que eu faça planos para mim mesma, não é?"Levi riu em vez de se irritar: "Isso é normal. Você só saberá o que é sofrer depois de sair e experimentar por si mesma."Kezia ficou sem palavras.Levi gentilmente a lembrou: "Há muitos sublocatários na capital, tome cuidado para não ser enganada. Sugiro que leve sua melhor amiga com você quando for procurar um lugar, ela deve ter mais experiência em aluguel do que você."Muito obrigada.O afeto persistente em seu coração era como um tapa estrondoso em seu rosto.Vendo que ela permaneceu em silêncio...Levi achou que
A festa regada a bebidas alcoólicas no Centro Internacional de Convenções acaba de terminar.Warne entrou no carro e seu celular tocou. Era um número criptografado do país.A chamada foi atendida e uma voz grave e autoritária de um homem de meia-idade veio do outro lado da linha."Awan, amanhã é véspera de Ano Novo, e seu padrinho preparou um grande presente para você."Warne sorriu e perguntou: "Que grande presente o patriarca preparou?""Vou manter sua inimiga, Mercia, viva até que você retorne para lidar com ela."Warne fez uma pausa e, em seguida, esboçou um sorriso forçado: "Então, obrigado pelo generoso presente, Patriarca."Encerrou a chamada.Warne atirou o celular no painel de controle, rangendo os dentes e praguejando: "Seu velho desgraçado!"Ele não acreditava que o velho tivesse capturado Mercia para lhe dar um presente de Ano Novo.Mas por que esse velho arriscaria alertar o inimigo para fazer isso?Com um toque no acelerador, o Hummer preto disparou pela noite.Aqui na c
Fotos da cama??Essas três palavras representam um completo desrespeito ao campo minado da dança de Ethan.As pupilas escuras do homem se contraíram, uma onda de raiva inquieta e ardente crescendo em seu peito, expandindo-se cada vez mais.O súbito desaparecimento de Mercia já o havia perturbado bastante, e então Nyla o abandonou e retornou à Cidade do Sul. As emoções de Ethan estiveram instáveis o dia todo.Sua mão, que estava apoiada no joelho, tremia levemente e incontrolavelmente logo abaixo das pálpebras.Ethan fechou os olhos, reprimindo à força o desconforto físico... Ele não continuou a discutir com os trolls e chamou Nyla diretamente.Tentei ligar várias vezes, mas ainda não consegui falar com Nyla.Com um suspiro, ele finalmente se resignou ao seu destino e não teve escolha a não ser ligar para Marlon, de quem geralmente detestava mais do que qualquer outra pessoa.O telefone tocou por um longo tempo antes de ser atendido.Marlon atendera a chamada e disse "Alô" antes mesmo
Ela estava prestes a discutir com ele quando Sofie congelou ao ver o rosto dele se voltar para ela. O velho tem uma aparência bastante rude. Mas a pessoa à minha frente tinha uma aparência perversa e indisciplinada, e não parecia ser uma boa pessoa. Seus olhos se encontraram. Sofie estava um tanto perplexa; a pessoa à sua frente tinha um olhar muito agressivo. Sentindo-se um pouco desconfortável sob o olhar dela, ela tossiu levemente: "Desculpe, eu te confundi com outra pessoa. Pensei que você fosse algum tipo de fera." O homem torceu os lábios: "Seu monstro? Essa jovem está me insultando?" Sofie olhou algumas vezes para a pessoa à sua frente: "Não, nunca te vi antes. É raro ver rostos desconhecidos na Cidade do Sul." O homem erguel sua taça de champanhe e disse lentamente: "Em uma grande floresta, não é surpreendente ver rostos desconhecidos." Todos que vêm a este lugar estão aqui para fazer negócios; todos eles têm contatos. Sofie perguntou casualmente: "Qual
O telefone tocou por um longo tempo, mas ninguém atendeu.A pequena Charlotte segurava o telefone grande em suas mãozinhas, às vezes levando-o ao ouvido, às vezes afastando-o, franzindo a testa enquanto olhava para a tela e exclamava: "Por que o papai não atende o telefone?!"Nyla olhou fixamente para o nada.Será que ela o deixou e voltou para a Cidade do Sul, e ele está de mau humor?O que podia estar oculto de antemão era o frio do início do inverno.Ela é quem deveria estar com raiva.O olhar profundo do Velho Menfis percorreu Nyla, captando um leve incômodo em sua expressão. Ele deu uma risadinha e perguntou: "Você brigou com aquele garoto?""Não."Nyla não ousava dizer muita coisa, com medo de que o Velho Menfis descobrisse sobre o pingente de jade, e ainda mais com medo de que o Velho Menfis descobrisse que Mercia fora quem a levara para a família Green.Ela poderia perdoar Ethan por esconder a verdade.Mas o Sr. Menfis...É mesmo? Se Mercia foi realmente quem a tirou da famí
O coração de Nyla apertou. "Foi Mercia quem me tirou da família Menfis naquela época?"Ela fez a pergunta sem rodeios.Ethan não ocultou mais nada: "Mercia e a família Green não tinham nenhuma ligação ou atrito direto com a família Menfis. Nunca ficou totalmente provado quem orquestrou sua remoção da família Menfis, mas foi de fato Mercia quem a entregou aos cuidados da família Green."Se ela não tivesse sido levada para a família Green naquela época, talvez a família Menfis a tivesse localizado muito mais rapidamente.Ela jamais teria passado pelas dificuldades como Nyla Green, e não teria vivido uma trajetória marcada por tantas adversidades familiares.Se não fosse por essa reviravolta do destino, ela teria crescido cercada de proteção como a única herdeira da família Menfis, desfrutando da posição de privilégio na Cidade do Sul.Mas, de outra forma... Nyla jamais teria conhecido Ethan, tampouco se apaixonaria por ele.Nyla fungou, com os olhos levemente avermelhados. "Depois que v







