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Capítulo 2

last update Date de publication: 2026-03-16 11:47:59

Seis Anos depois..

No coração do pulsante distrito comercial de Ulares, um gigantesco telão de LED dominava a paisagem, exibindo uma entrevista que parava o trânsito.

— "Recentemente, o SY Group estreou na Bolsa de Valores de Nova York. Em apenas seis anos, o que era uma startup transformou-se em um conglomerado global."

O nome Ethan Brooks não era mais apenas o de um ex-estudante talentoso; era uma lenda viva. Capa da revista Time, estrategista implacável e o CEO que o mundo observava com reverência e temor. A entrevistadora, visivelmente entusiasmada, tentava decifrar o enigma: como um homem, sozinho, ergueu um império em tão pouco tempo?

Nyla Green acabara de sair do prédio da IFC. Com o currículo amassado na mão e os ombros pesados pelo desânimo, ela estancou diante da tela.

Lá estava ele.

Ethan vestia um terno cinza de corte impecável, com uma gravata prateada sobre a camisa preta. A pele pálida realçava traços que o tempo tornou ainda mais profundos e gélidos. Suas mãos — aquelas mãos que um dia a envolveram com ternura — repousavam casualmente no colo, exibindo juntas bem definidas e uma calma perturbadora. Ele exalava o carisma de quem não apenas governa o mercado, mas o domina.

Quando questionado sobre o segredo de seu sucesso, a resposta foi curta, seca e cortante:

— "O ódio."

O estúdio mergulhou em um silêncio desconfortável. Tentando quebrar o gelo e buscando um furo jornalístico, a apresentadora arriscou uma pergunta perigosa:

— "Circulam boatos de que o senhor foi preso há seis anos porque seu primeiro amor o traiu. Estou curiosa... esses boatos têm fundo de verdade?"

A temperatura no local pareceu cair para zero absoluto.

Ethan continuou sentado, a expressão marmórea, sem que uma única ruga de preocupação surgisse em seu rosto. Contudo, em seus olhos, brilhou uma intenção fria e assassina. Ele abotoou o paletó com uma elegância lenta, levantou-se e lançou um olhar enigmático para a câmera:

— "Às vezes, a curiosidade é o caminho mais rápido para o arrependimento."

Diante do telão, Nyla sentiu as costas enrijecerem. Seu rosto estava tão pálido quanto o papel em sua mão.

Seis anos. O tempo transformara Ethan em um líder inalcançável. Para o público, o passado dele era apenas um toque de mistério que o tornava mais fascinante. Para os espectadores, o comentário era um só: "O primeiro amor de Ethan Brooks deve ser uma idiota cega. Ela vai se arrepender até o fim dos seus dias."

Nyla soltou uma risada amarga e solitária. Ela se arrependia. Cada hora, cada minuto dos últimos seis anos foram marcados pelo remorso. Mas agora, eles habitavam galáxias diferentes.

Ela acabara de ser demitida da TV de Ulares sob a justificativa de que "ofendera alguém importante". Desde então, todas as portas se fecharam. Não era difícil adivinhar quem movia os fios nos bastidores; o ódio de Ethan era uma rede que a cercava por todos os lados. Era a retribuição que ela aceitava carregar.

No entanto, o mundo real não perdoava. Sua pequena Charlote estava prestes a começar a escola, e Nyla não tinha sequer os cinco mil reais da mensalidade, muito menos o aluguel do final do mês.

Dinheiro. Essa era a única palavra que ecoava em sua mente.

Ela abriu a bolsa e retirou o cartão que sua melhor amiga lhe entregara: Gerente Liviai, Boate Fusheng.

Por muito tempo, ela se apegou a uma dignidade que não podia mais sustentar. De que adiantava o orgulho de ser a "filha mais velha da família Green" ou uma ex-apresentadora de TV se não podia alimentar a própria filha? Naquele momento, sua dignidade não valia um centavo.

20h, Boate Fusheng. Sala VIP de Luxo 888.

— Que diabos aquela apresentadora tinha na cabeça hoje? — esbravejou Levi, atirando-se no sofá de couro. — De todas as perguntas do mundo, ela tinha que desenterrar o "azarado" primeiro amor do Ethan? Ronan, precisamos dar um jeito nisso!

Ronan, servindo-se de um uísque, respondeu com um sorriso frio: — Já cuidei disso. Ela foi demitida hoje mesmo. Hoje é o aniversário do Ethan, ele chega a qualquer momento, então vamos enterrar esse assunto. Ninguém aqui tem coragem de pisar nesse campo minado.

Pouco depois, a porta se abriu. Ethan Brooks entrou, acompanhado por dois guarda-costas que pareciam sombras imponentes. Levi levantou-se prontamente, tentando quebrar o gelo: — Hoje é seu dia, Ethan! Sorria um pouco. Preparamos esta sala especialmente para você. Surpreso?

Ethan percorreu o ambiente decorado com balões e fitas com um olhar severo e desinteressado. Sentou-se, cruzando as pernas longas com uma elegância natural. — É apenas um aniversário — disse ele, a voz gélida. — Nada de especial.

— Você é jovem demais para ser tão amargo — provocou Ronan. — Ethan, eu realmente tenho uma surpresa para você esta noite. Algo... especial.

Antes que ele pudesse concluir, a campainha soou.

— "Olá, sou a musicista que o Sr. Ronan solicitou. Posso entrar?"

Ronan, vitorioso. — Falando no diabo... a surpresa chegou. Entre!

A porta se abriu com um clique suave. Nyla Green entrou, segurando firmemente o estojo de um violino. A iluminação era baixa, banhada em tons de âmbar e neon, mas quando ela ergueu os olhos, o mundo pareceu parar.

Seu olhar colidiu com o dele.

Naquele instante, o sangue de Nyla pareceu virar gelo em suas veias. Seus pés tornaram-se chumbo, pregados ao carpete luxuoso. Ela ficou ali, imóvel, encarando aqueles olhos negros — profundos, impenetráveis e desprovidos de qualquer calor.

O silêncio foi quebrado pela risada incrédula de Levi. — Mas vejam só... se não é Nyla Green, a orgulhosa primogênita da família Green! O que aconteceu com a carreira na TV? Agora você virou atração de bordel?

No canto da sala, Ethan Brooks permanecia imóvel. Ele observava a humilhação de Nyla com a indiferença de um estranho assistindo a uma peça medíocre. Seu rosto não exibia ódio, nem mágoa, nem alegria. Apenas um vazio absoluto, como se ela fosse uma completa desconhecida.

Seis anos. Nyla nunca imaginou que o reencontro seria assim: ele, o soberano daquele império; ela, a mão de obra barata contratada para entretê-lo.

Engolindo o próprio orgulho, Nyla forçou um sorriso pálido e irônico. — O Sr. Levi está aqui para gastar dinheiro, e eu estou aqui para ganhá-lo. Se minha presença estraga a diversão de vocês... peço desculpas. Vou embora agora mesmo.

Ela baixou a cabeça, curvando-se em um ângulo rígido de noventa graus — um gesto de submissão que nunca teria feito no passado. No momento em que ela apertou o violino contra o peito e girou os calcanhares para fugir daquele pesadelo...

Uma voz vinda da penumbra, profunda e autoritária, cortou o ar:

— Pare.

 

 

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