INICIAR SESIÓNSeis Anos depois..
No coração do pulsante distrito comercial de Ulares, um gigantesco telão de LED dominava a paisagem, exibindo uma entrevista que parava o trânsito.
— "Recentemente, o SY Group estreou na Bolsa de Valores de Nova York. Em apenas seis anos, o que era uma startup transformou-se em um conglomerado global."
O nome Ethan Brooks não era mais apenas o de um ex-estudante talentoso; era uma lenda viva. Capa da revista Time, estrategista implacável e o CEO que o mundo observava com reverência e temor. A entrevistadora, visivelmente entusiasmada, tentava decifrar o enigma: como um homem, sozinho, ergueu um império em tão pouco tempo?
Nyla Green acabara de sair do prédio da IFC. Com o currículo amassado na mão e os ombros pesados pelo desânimo, ela estancou diante da tela.
Lá estava ele.
Ethan vestia um terno cinza de corte impecável, com uma gravata prateada sobre a camisa preta. A pele pálida realçava traços que o tempo tornou ainda mais profundos e gélidos. Suas mãos — aquelas mãos que um dia a envolveram com ternura — repousavam casualmente no colo, exibindo juntas bem definidas e uma calma perturbadora. Ele exalava o carisma de quem não apenas governa o mercado, mas o domina.
Quando questionado sobre o segredo de seu sucesso, a resposta foi curta, seca e cortante:
— "O ódio."
O estúdio mergulhou em um silêncio desconfortável. Tentando quebrar o gelo e buscando um furo jornalístico, a apresentadora arriscou uma pergunta perigosa:
— "Circulam boatos de que o senhor foi preso há seis anos porque seu primeiro amor o traiu. Estou curiosa... esses boatos têm fundo de verdade?"
A temperatura no local pareceu cair para zero absoluto.
Ethan continuou sentado, a expressão marmórea, sem que uma única ruga de preocupação surgisse em seu rosto. Contudo, em seus olhos, brilhou uma intenção fria e assassina. Ele abotoou o paletó com uma elegância lenta, levantou-se e lançou um olhar enigmático para a câmera:
— "Às vezes, a curiosidade é o caminho mais rápido para o arrependimento."
Diante do telão, Nyla sentiu as costas enrijecerem. Seu rosto estava tão pálido quanto o papel em sua mão.
Seis anos. O tempo transformara Ethan em um líder inalcançável. Para o público, o passado dele era apenas um toque de mistério que o tornava mais fascinante. Para os espectadores, o comentário era um só: "O primeiro amor de Ethan Brooks deve ser uma idiota cega. Ela vai se arrepender até o fim dos seus dias."
Nyla soltou uma risada amarga e solitária. Ela se arrependia. Cada hora, cada minuto dos últimos seis anos foram marcados pelo remorso. Mas agora, eles habitavam galáxias diferentes.
Ela acabara de ser demitida da TV de Ulares sob a justificativa de que "ofendera alguém importante". Desde então, todas as portas se fecharam. Não era difícil adivinhar quem movia os fios nos bastidores; o ódio de Ethan era uma rede que a cercava por todos os lados. Era a retribuição que ela aceitava carregar.
No entanto, o mundo real não perdoava. Sua pequena Charlote estava prestes a começar a escola, e Nyla não tinha sequer os cinco mil reais da mensalidade, muito menos o aluguel do final do mês.
Dinheiro. Essa era a única palavra que ecoava em sua mente.
Ela abriu a bolsa e retirou o cartão que sua melhor amiga lhe entregara: Gerente Liviai, Boate Fusheng.
Por muito tempo, ela se apegou a uma dignidade que não podia mais sustentar. De que adiantava o orgulho de ser a "filha mais velha da família Green" ou uma ex-apresentadora de TV se não podia alimentar a própria filha? Naquele momento, sua dignidade não valia um centavo.
20h, Boate Fusheng. Sala VIP de Luxo 888.
— Que diabos aquela apresentadora tinha na cabeça hoje? — esbravejou Levi, atirando-se no sofá de couro. — De todas as perguntas do mundo, ela tinha que desenterrar o "azarado" primeiro amor do Ethan? Ronan, precisamos dar um jeito nisso!
Ronan, servindo-se de um uísque, respondeu com um sorriso frio: — Já cuidei disso. Ela foi demitida hoje mesmo. Hoje é o aniversário do Ethan, ele chega a qualquer momento, então vamos enterrar esse assunto. Ninguém aqui tem coragem de pisar nesse campo minado.
Pouco depois, a porta se abriu. Ethan Brooks entrou, acompanhado por dois guarda-costas que pareciam sombras imponentes. Levi levantou-se prontamente, tentando quebrar o gelo: — Hoje é seu dia, Ethan! Sorria um pouco. Preparamos esta sala especialmente para você. Surpreso?
Ethan percorreu o ambiente decorado com balões e fitas com um olhar severo e desinteressado. Sentou-se, cruzando as pernas longas com uma elegância natural. — É apenas um aniversário — disse ele, a voz gélida. — Nada de especial.
— Você é jovem demais para ser tão amargo — provocou Ronan. — Ethan, eu realmente tenho uma surpresa para você esta noite. Algo... especial.
Antes que ele pudesse concluir, a campainha soou.
— "Olá, sou a musicista que o Sr. Ronan solicitou. Posso entrar?"
Ronan, vitorioso. — Falando no diabo... a surpresa chegou. Entre!
A porta se abriu com um clique suave. Nyla Green entrou, segurando firmemente o estojo de um violino. A iluminação era baixa, banhada em tons de âmbar e neon, mas quando ela ergueu os olhos, o mundo pareceu parar.
Seu olhar colidiu com o dele.
Naquele instante, o sangue de Nyla pareceu virar gelo em suas veias. Seus pés tornaram-se chumbo, pregados ao carpete luxuoso. Ela ficou ali, imóvel, encarando aqueles olhos negros — profundos, impenetráveis e desprovidos de qualquer calor.
O silêncio foi quebrado pela risada incrédula de Levi. — Mas vejam só... se não é Nyla Green, a orgulhosa primogênita da família Green! O que aconteceu com a carreira na TV? Agora você virou atração de bordel?
No canto da sala, Ethan Brooks permanecia imóvel. Ele observava a humilhação de Nyla com a indiferença de um estranho assistindo a uma peça medíocre. Seu rosto não exibia ódio, nem mágoa, nem alegria. Apenas um vazio absoluto, como se ela fosse uma completa desconhecida.
Seis anos. Nyla nunca imaginou que o reencontro seria assim: ele, o soberano daquele império; ela, a mão de obra barata contratada para entretê-lo.
Engolindo o próprio orgulho, Nyla forçou um sorriso pálido e irônico. — O Sr. Levi está aqui para gastar dinheiro, e eu estou aqui para ganhá-lo. Se minha presença estraga a diversão de vocês... peço desculpas. Vou embora agora mesmo.
Ela baixou a cabeça, curvando-se em um ângulo rígido de noventa graus — um gesto de submissão que nunca teria feito no passado. No momento em que ela apertou o violino contra o peito e girou os calcanhares para fugir daquele pesadelo...
Uma voz vinda da penumbra, profunda e autoritária, cortou o ar:
— Pare.
Pressões FamiliaresAssim que Levi deixou o ambiente, Kezia recebeu uma chamada telefônica vinda de sua família.Era a voz da mãe de Kezia ao telefone: "Kezia, as festividades de fim de ano estão se aproximando. O que acha de você e do Levi virem almoçar conosco na véspera? Ele comentou que gostou daquela preparação especial de abóbora quando esteve aqui, lembra? Este ano, seu pai trouxe algumas cultivadas diretamente na propriedade do interior. Testei a receita e ficou excelente. Tenho certeza de que ele apreciará. Traga-o para o almoço. À tarde, vocês podem seguir para a residência principal dos Sterling para passar a data com o avô dele."A mãe de Kezia falava sem pausas.Kezia ouvia o diálogo em silêncio, sentindo-se distante daquela animação.Diante da falta de resposta, a mãe de Kezia insistiu do outro lado: "Kezia, você está me ouvindo?"Kezia sentia uma mistura de entorpecimento e desilusão diante daquela dinâmica."Mãe, o Levi esteve na nossa casa pouquíssimas vezes. Quando m
A Ilusão do PassadoO tom de Levi era frio e categórico, desprovido de qualquer calor, e seu olhar para ela transmitia uma desconfiança profunda. A cobrança que fazia não era motivada por carinho ou ciúme genuíno, mas por um hábito de controle e escrutínio constante.Superficialmente, Levi mantinha uma postura descontraída, capaz de interagir e brincar com qualquer pessoa. Por dentro, porém, carregava uma distância inabalável.Não importava o quanto tentassem aproximar-se dele, a resposta era sempre a mesma reserva fria.Durante o primeiro ano de casamento, no aniversário de Kezia, Levi encomendou uma estrutura comemorativa grandiosa para a ocasião. Naquela noite, posicionou-se atrás dela, abraçou-a pela cintura e sussurrou em seu ouvido: "Feliz aniversário, Sra. Sterling."Um homem como Levi possuía presença e recursos. Se ele decidisse tomar a iniciativa para criar um ambiente envolvente, poucas pessoas deixariam de se impressionar.Kezia era uma mulher comum, e Levi correspondia ex
A caminho da instituição de repouso, Nyla acompanhava os tópicos mais comentados nas redes sociais em seu celular.#A renomada modelo Diana retorna ao país e anuncia a abertura de seu estúdio próprio##Rumores apontam reconciliação com antigo relacionamento de perfil reservado#Ao notar a repercussão, Nyla clicou por curiosidade. A maioria dos comentários vinha de seguidores fiéis de Diana celebrando o retorno, mas, ao avançar pelos fóruns de discussão, o foco mudava rapidamente para a identidade do homem mencionado nas especulações."Não é possível! Ela sempre foi focada na carreira internacional, por que priorizar relacionamento agora?!""Apenas especulação! Ela retornou porque o contrato com a agência de Nova York encerrou e há novas oportunidades no mercado interno. Nada de romance!""Mas os boatos dizem que o homem pertence a uma linhagem extremamente influente!""Parece ser uma figura do passado dela. Na época em que assinou aquele contrato de cinco anos no exterior, ela preciso
A princípio, Ethan supôs que Nyla estivesse se referindo a algum incômodo ou reação alérgica na pele decorrente do drink que consumira.As pontas dos dedos dele, levemente marcadas pela rotina, roçaram com cuidado a cintura dela, provocando um leve tremor na jovem.Ele se aproximou e perguntou em voz baixa, preocupado: "O incômodo está muito forte? Quer que eu te leve ao médico para checar?"Segurou as mãos dela com delicadeza para evitar que ela machucasse a própria pele, temendo qualquer irritação maior.Nyla fez uma pequena resistência, esclarecendo com tom suave: "Não é nenhum sintoma alérgico...""Hum? Então o que é?"No instante em que a indagação saiu de sua boca, Ethan compreendeu a intenção dela.Surpreendeu-se ligeiramente, pois não esperava uma postura tão receptiva e afetuosa da parte de Nyla naquela noite.Ele a encarou fixamente por alguns segundos. Ao cruzarem os olhares, ambos sustentaram uma respiração pausada.O efeito da bebida deixava a cabeça de Nyla um pouco leve
Ethan passou o braço pela cintura de Nyla e usou a outra mão para puxar o casaco dela para mais perto, dizendo: "O vento está muito gelado aqui fora, vá me esperar dentro do carro."Ela costumava enfrentar desconfortos severos durante o período menstrual. Se não evitasse o frio ou bebidas geladas nos dias anteriores, o mal-estar só se intensificaria.Nyla olhava com evidente preocupação para Kezia, que continuava alterada pelo álcool na calçada.Ethan observou a cena e garantiu: "Eu resolvo a situação dela para você."Enquanto falava, um veículo escuro de grande porte aproximou-se e parou junto ao meio-fio. Levi desembarcou em seguida.Antes que Nyla dissesse qualquer coisa, Ethan deu um toque suave em suas costas e dirigiu-se a Levi: "A sua esposa está aos seus cuidados. Estamos de saída."Ele não tinha qualquer intenção de prolongar a presença ali diante do estado de Kezia.Levi apenas assentiu em silêncio.Nyla deu dois passos em direção ao carro, mas parou, virou-se e encarou o ho
Nyla olhou para ela e, ao sorrir, sentiu uma estranha pontada de compaixão. Apenas balançou a cabeça em silêncio.Kezia exibiu um sorriso radiante, mas havia um toque inegável de melancolia em seus olhos.Ela ergueu o copo e continuou: "Aquele idiota nunca se importa com o quanto eu gasto! Nyla, às vezes penso se não deveria apenas desistir de tudo e aceitar as coisas como são... Mas minha terapeuta diz que isso é um padrão disfuncional. Eu achava que não seria afetada, mas acabei desenvolvendo uma fixação idêntica à da minha mãe!"Apesar do sorriso nos lábios, lágrimas silenciosas começaram a escorrer pelo rosto de Kezia.Nyla estendeu a mão com carinho e enxugou as lágrimas da amiga: "Kezia, quer você escolha o divórcio ou decida permanecer, estarei ao seu lado apoiando o que te fizer bem."Se Kezia hesitava em dar o passo definitivo, ela tinha suas próprias razões. Nyla jamais a pressionaria cegamente a adotar uma postura rígida de independência. Neste mundo, cada pessoa carrega se







