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Capítulo 3 – As Cláusulas de Um Acordo Impossível

Penulis: Kelly Andretto
last update Tanggal publikasi: 2026-08-06 23:13:10

Helena passou a noite inteira sem conseguir dormir.

O contrato estava sobre a mesa da sala, aberto na mesma página havia horas.

Ela já tinha lido cada cláusula tantas vezes que algumas palavras pareciam perder o significado.

Casamento.

Contrato.

Prazo.

Condições.

Tudo parecia absurdo.

E, ainda assim, era a primeira oportunidade real de salvar a Montenegro.

Ela caminhou até a janela do apartamento e observou as luzes da cidade.

Milhares de pessoas vivendo suas próprias histórias.

Tomando decisões.

Errando.

Recomeçando.

E ela estava diante da escolha mais difícil da sua vida.

Aceitar um casamento falso com um homem que mal conhecia ou assistir a empresa do pai desaparecer.

Helena fechou os olhos.

A lembrança do pai voltou imediatamente.

A voz dele.

O jeito como acreditava nela.

Ela não podia permitir que tudo pelo que ele trabalhou fosse perdido.

O celular vibrou sobre a mesa.

Era uma mensagem de Ricardo.

"Precisamos de uma resposta até amanhã. O banco não vai esperar."

A realidade voltou como um golpe.

Não havia tempo.

---

Na manhã seguinte, Helena chegou cedo à Montenegro.

Como sempre.

Mas naquele dia tudo parecia diferente.

Os corredores pareciam mais silenciosos.

As pessoas pareciam esperar uma notícia.

Ela entrou em sua sala e encontrou Ricardo sentado.

— Você conseguiu alguma alternativa? — ele perguntou.

Helena colocou a bolsa sobre a mesa.

Por alguns segundos, ficou em silêncio.

Depois respondeu:

— Talvez.

Ricardo franziu a testa.

— Talvez?

Ela respirou fundo.

— Recebi uma proposta.

O olhar dele mudou.

— De quem?

— Dante Valenti.

O nome foi suficiente para fazê-lo ficar sério.

— A Valenti Corporation?

Helena confirmou.

— Sim.

Ricardo levantou-se.

— Isso é grande.

— Grande demais.

Ela entregou uma cópia do contrato para ele.

Enquanto ele lia, Helena observava sua reação.

Primeiro surpresa.

Depois confusão.

E, por fim, preocupação.

— Helena...

Ela já sabia o que ele iria dizer.

— Eu sei.

— Isso é um casamento por contrato.

— Eu sei.

— Você tem certeza do que está fazendo?

A pergunta ficou no ar.

Ela não tinha.

Mas precisava parecer que tinha.

— Não.

Ricardo ficou surpreso com a honestidade.

— Mas sei o que acontece se eu não fizer nada.

Ele baixou o documento.

— Você está pensando em aceitar?

Helena olhou para a fotografia do pai sobre a estante.

— Estou pensando em salvar o que ele construiu.

---

Naquela tarde, Helena voltou à Valenti Corporation.

Desta vez, não estava indo para descobrir a proposta.

Ela já conhecia.

Estava indo negociar seus próprios termos.

Quando entrou no escritório de Dante, ele percebeu imediatamente que ela havia tomado uma decisão.

— Você voltou.

— Voltei.

Ele indicou a cadeira.

— Então imagino que tenha uma resposta.

Helena sentou-se.

Colocou o contrato sobre a mesa.

— Tenho algumas condições.

Uma pequena expressão de surpresa apareceu no rosto dele.

Quase imperceptível.

— Estou ouvindo.

— Primeiro: a Montenegro continua sob minha administração.

— Concordo.

— Segundo: nenhum membro da sua família terá autoridade para interferir nas minhas decisões profissionais.

Dante analisou aquela exigência.

— Você sabe que minha família não costuma aceitar imposições.

— Então talvez esse seja o momento de aprenderem.

Por alguns segundos, houve silêncio.

Dante encarou Helena.

Ela não estava implorando.

Não estava tentando convencer.

Estava negociando.

E isso despertou seu interesse.

— Continue.

— Terceiro: nossa vida pessoal será separada do acordo empresarial.

Ele arqueou levemente a sobrancelha.

— Explique.

— Não quero que esse casamento seja usado para controlar minha vida.

— Você acredita que eu faria isso?

Helena sustentou o olhar dele.

— Eu ainda não conheço você o suficiente para acreditar em qualquer coisa.

A resposta deveria incomodá-lo.

Mas, estranhamente, ele respeitou.

Dante pegou a caneta.

— Mais alguma coisa?

Ela pensou por um momento.

— Sim.

Ele aguardou.

— Se um dia esse contrato terminar, ninguém poderá usar isso contra mim ou contra a minha empresa.

Dante assinou a primeira página.

— Aceito.

Helena observou.

Não esperava que fosse tão fácil.

— Por que você está fazendo isso?

A pergunta saiu antes que pudesse impedir.

Dante levantou os olhos.

— Já respondi.

— Não completamente.

Ele ficou em silêncio.

Por um instante, ela teve a sensação de que ele quase revelaria algo.

Mas a expressão dele voltou a ser fechada.

— Algumas alianças são necessárias.

Helena não gostou da resposta.

Porque parecia incompleta.

Mas também sabia que todos guardavam segredos.

Inclusive ela.

Pegou a caneta.

Sua mão hesitou por alguns segundos.

Aquele simples movimento mudaria sua vida.

Quando assinasse, não seria mais apenas a herdeira da Montenegro tentando salvar uma empresa.

Seria a futura esposa de Dante Valenti.

Um homem que parecia esconder mais do que revelava.

Ela assinou.

O som da caneta tocando o papel pareceu mais alto do que deveria.

Dante pegou o documento.

O acordo estava oficialmente fechado.

— A partir de agora, começaremos os preparativos.

Helena levantou-se.

— Preparativos?

— O anúncio público.

Ela parou.

— Já?

Dante fechou a pasta.

— Quanto mais tempo demorarmos, mais perguntas surgirão.

Ela respirou fundo.

Era isso.

A partir daquele momento, sua vida deixaria de pertencer apenas a ela.

---

Na manhã seguinte, os principais veículos de comunicação receberam a notícia:

"Dante Valenti anuncia casamento com Helena Montenegro."

Em poucas horas, o nome dos dois estava em todos os lugares.

Helena observava a manchete na tela do celular.

Uma sensação estranha tomou conta dela.

Medo.

Ansiedade.

Dúvida.

Mas também uma pequena esperança.

Talvez aquele acordo fosse a única saída.

Talvez fosse apenas um contrato.

Talvez nada além disso.

Ela ainda não sabia que alguns contratos eram feitos para unir pessoas que jamais deveriam se encontrar.

E que alguns sentimentos nasceriam justamente onde ninguém esperava.

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