Beranda / Romance / ATÉ QUE O CONTRATO NOS SEPARE / Capítulo 4 – O Peso de Uma Promessa

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Capítulo 4 – O Peso de Uma Promessa

Penulis: Kelly Andretto
last update Tanggal publikasi: 2026-08-06 23:13:50

A notícia do casamento tomou proporções maiores do que Helena imaginava.

Em menos de vinte e quatro horas, seu nome estava em todos os portais de notícias empresariais.

"Herdeira da Montenegro se casa com o bilionário Dante Valenti."

"Uma aliança inesperada entre dois grandes nomes do mercado."

"O casamento que pode mudar o futuro de duas empresas."

Helena leu as manchetes em silêncio enquanto estava sentada no banco traseiro do carro.

Cada palavra parecia transformar sua vida em algo que já não pertencia apenas a ela.

O motorista seguia pelas ruas movimentadas da cidade, enquanto fotógrafos tentavam acompanhar o trajeto.

Ela sabia que aquilo era apenas o começo.

O acordo precisava parecer real.

E, para isso, todos os detalhes seriam observados.

Inclusive ela.

— Está arrependida?

A pergunta veio do banco da frente.

Helena levantou o olhar para o motorista pelo espelho.

— Por que pergunta?

Ele sorriu discretamente.

— Porque a maioria das pessoas ficaria assustada com tudo isso.

Ela voltou a olhar pela janela.

— Eu estou assustada.

A sinceridade surpreendeu até ela mesma.

Mas medo e desistência eram coisas diferentes.

— Só não tenho o luxo de fugir.

O carro parou diante da Montenegro.

Helena respirou fundo antes de sair.

Assim que entrou na empresa, percebeu que todos já sabiam.

Funcionários conversavam em voz baixa.

Alguns pareciam surpresos.

Outros, aliviados.

Dona Célia foi a primeira a se aproximar.

— Helena...

Ela segurou as mãos da jovem.

— Seu pai ficaria orgulhoso de ver você lutando assim.

Aquelas palavras tocaram em um lugar que Helena tentava proteger.

Ela sorriu.

— Eu espero que sim.

Mas, no fundo, ainda se perguntava se ele entenderia aquela decisão.

Se ele aceitaria que sua filha precisou transformar a própria vida em uma negociação para salvar o legado dele.

---

Horas depois, Helena estava em uma reunião com os principais diretores da empresa.

O ambiente era tenso.

Todos queriam saber o que aconteceria.

— A parceria com a Valenti garante estabilidade financeira pelos próximos anos — explicou Ricardo.

Um dos diretores cruzou os braços.

— Mas ainda é um casamento.

O comentário deixou o ambiente silencioso.

Helena ergueu o olhar.

— É uma decisão minha.

O homem pareceu desconfortável.

— Não estou questionando sua capacidade, Helena. Apenas sabemos que a família Valenti é poderosa.

Ela sabia exatamente o que ele queria dizer.

Pessoas poderosas sempre vinham acompanhadas de interesses.

— A Montenegro continuará sendo administrada por mim.

Sua voz saiu firme.

— Essa foi uma das condições do acordo.

Ninguém respondeu.

Porque naquele momento todos perceberam uma coisa:

Helena poderia estar entrando em uma aliança com Dante Valenti, mas não estava entregando o controle da própria vida.

---

No fim da tarde, ela recebeu uma mensagem.

Dante Valenti: Precisamos conversar sobre os próximos passos.

Poucas palavras.

Diretas.

Como ele.

Helena respondeu:

Onde?

A resposta veio segundos depois.

Minha residência. Às oito.

Ela ficou olhando para a tela.

Sua residência.

Não empresa.

Não escritório.

Pela primeira vez, entraria no espaço pessoal de Dante.

E isso despertou uma curiosidade que ela preferia ignorar.

---

A mansão Valenti ficava em uma área afastada da cidade.

O lugar era elegante, mas diferente do que Helena esperava.

Não havia exageros.

Não havia ostentação.

Havia silêncio.

Muito silêncio.

Quando entrou, foi recebida por uma funcionária.

— O senhor Valenti está no escritório.

Helena seguiu pelo corredor.

Antes de bater, ouviu a voz dele.

— Entre.

Ela abriu a porta.

Dante estava diante de uma mesa cheia de documentos.

Mesmo fora da empresa, ele parecia completamente no controle.

— Você sempre trabalha?

Ele levantou os olhos.

— Quase sempre.

— Isso explica muita coisa.

— O quê?

Helena aproximou-se.

— A impressão de que você nunca relaxa.

Por um instante, algo passou pelo olhar dele.

Mas desapareceu rápido.

— Relaxar é um hábito que poucas pessoas podem manter.

Ela não insistiu.

Ainda não.

Dante entregou uma pasta.

— Aqui estão os detalhes do anúncio oficial.

Ela abriu.

Fotos.

Datas.

Entrevistas.

Eventos.

Tudo planejado.

— Você já pensou em tudo.

— É necessário.

Helena fechou a pasta.

— Para você, tudo é uma estratégia.

Ele ficou em silêncio.

A frase pareceu atingir algo.

— Estratégias evitam erros.

Ela o encarou.

— Mas também impedem algumas coisas.

— Como o quê?

Helena pensou antes de responder.

— Surpresas.

Dante sustentou o olhar dela.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Havia algo estranho naquele silêncio.

Uma tensão que nenhum deles queria reconhecer.

Foi Helena quem desviou primeiro.

— Quando será o anúncio oficial?

— Amanhã.

Ela assentiu.

— Então acho que devemos começar a aprender a atuar.

Dante levantou-se.

Ficou diante dela.

A diferença de altura e presença era impossível de ignorar.

— Não será uma atuação.

Helena franziu a testa.

— Não?

— Para todos os outros, será real.

A resposta fez seu coração acelerar levemente.

Ela tentou ignorar.

— E para nós?

Dante demorou alguns segundos.

— Para nós será um acordo.

A resposta deveria ser simples.

Mas Helena percebeu uma pequena mudança na voz dele.

Como se ele mesmo precisasse acreditar nisso.

---

Na manhã seguinte, Helena e Dante apareceram lado a lado diante das câmeras.

O mundo observava.

Dois sobrenomes poderosos unidos.

Dois desconhecidos fingindo ser um casal perfeito.

Os flashes iluminavam seus rostos.

Dante segurou sua mão.

O gesto parecia natural para todos.

Mas Helena sabia a verdade.

Era apenas parte do contrato.

Ou pelo menos era isso que ela repetia para si mesma.

Porque, quando olhou para ele e viu a forma como Dante a observava, uma pergunta surgiu pela primeira vez:

Será que era possível fingir algo por tanto tempo sem que, em algum momento, deixasse de ser fingimento?

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