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Capítulo 7 – A Primeira Fissura

last update Data de publicação: 2026-08-11 01:31:57

Helena voltou para a cobertura antes que Dante percebesse que ela havia saído.

O caminho de volta pareceu mais longo do que realmente era.

As palavras daquela conversa continuavam ecoando em sua cabeça.

Ela já assinou o contrato.

Então o plano começou.

Ela é a única pessoa capaz de fazer isso.

Quem era aquele homem?

Que plano precisava começar depois que ela assinasse o contrato?

E, principalmente, o que Dante estava escondendo?

Helena entrou no apartamento e fechou a porta atrás de si.

Precisava parecer tranquila.

Precisava agir como se nada tivesse acontecido.

Mas seu coração ainda batia rápido.

Ela tirou o casaco e o colocou sobre uma cadeira.

Poucos minutos depois, ouviu o elevador privativo.

Dante havia voltado.

Helena respirou fundo.

A porta se abriu.

Ele entrou, retirando o relógio do pulso.

— Ainda está acordada?

— Sim.

Dante olhou para ela.

— Aconteceu alguma coisa?

A pergunta fez Helena quase perder a compostura.

Ele estava perguntando porque realmente não sabia?

Ou porque queria descobrir se ela tinha ido atrás dele?

— Não.

Dante permaneceu observando-a.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ele assentiu.

Caminhou até o bar e serviu um pouco de água.

Helena o observava em silêncio.

Era estranho.

Horas antes, tinha visto aquele mesmo homem em uma conversa secreta.

Agora ele estava ali, diante dela, como se aquela noite tivesse sido completamente normal.

— Foi uma reunião importante? — perguntou.

Dante parou por um instante.

— Sim.

— Resolvida?

— Ainda não.

Helena assentiu.

— Imagino que seja difícil administrar tantas coisas ao mesmo tempo.

Ele a encarou.

— Algumas coisas são mais complicadas do que parecem.

A resposta provocou um arrepio nela.

— Imagino.

Dante colocou o copo sobre a bancada.

— Você deveria dormir.

— Você também.

Ele caminhou em direção ao corredor.

Antes de desaparecer, virou-se.

— Helena.

— Sim?

— Não confie em tudo que ouvir.

Ela ficou imóvel.

Dante continuou:

— Principalmente quando não conhece a origem.

E então foi embora.

Helena sentiu o sangue gelar.

Aquilo tinha sido uma coincidência?

Ou ele sabia que ela havia escutado?

---

Na manhã seguinte, Helena decidiu que não faria perguntas.

Pelo menos ainda não.

Se Dante escondia alguma coisa, confrontá-lo naquele momento poderia fazer com que ele fechasse todas as portas.

Ela precisava descobrir primeiro.

Não podia agir por impulso.

Quando chegou à Montenegro, encontrou uma surpresa esperando por ela.

Ricardo estava acompanhado de dois representantes da Valenti Corporation.

— Helena, eles vieram apresentar o novo plano de recuperação.

Ela os cumprimentou.

— Vamos começar.

Durante quase duas horas, analisaram números, contratos e possibilidades de expansão.

Helena percebeu rapidamente que a proposta era melhor do que esperava.

A Valenti não estava apenas colocando dinheiro na empresa.

Estava abrindo portas.

Fornecedores.

Investidores.

Novos mercados.

Era uma oportunidade real.

E isso tornava tudo ainda mais confuso.

Se Dante queria apenas controlá-la, por que permitir que ela mantivesse tanta autonomia?

Por que investir tanto na Montenegro?

Por que precisava se casar com ela?

As perguntas se acumulavam.

No final da reunião, um dos representantes entregou a Helena uma pasta.

— O senhor Valenti pediu que a senhora analisasse pessoalmente.

Ela abriu.

Na primeira página havia uma lista de nomes.

Alguns eram conhecidos.

Outros, não.

Um deles chamou sua atenção.

Henrique Avelar.

Helena franziu a testa.

— Quem é ele?

Os dois homens trocaram um olhar rápido.

— Um antigo parceiro comercial da Valenti.

— Antigo?

— Sim.

— Por que o nome dele está aqui?

O representante hesitou.

— Porque o senhor Valenti acredita que ele pode estar envolvido em algumas movimentações contra as duas empresas.

Helena fechou a pasta.

Então havia um inimigo.

Talvez aquele homem tivesse alguma relação com o bilhete.

Talvez não.

Mas agora ela tinha um nome.

---

Naquela noite, Dante a esperava na cobertura.

— Como foi seu dia?

Helena deixou a bolsa sobre o sofá.

— Produtivo.

— A reunião com minha equipe?

— Interessante.

Ele percebeu o tom.

— Algum problema?

— Não.

Helena aproximou-se.

— Só descobri algumas coisas.

Dante ficou atento.

— Sobre?

— Henrique Avelar.

O silêncio foi imediato.

Dessa vez, Helena teve certeza.

Ele conhecia aquele nome.

— Onde ouviu falar dele?

— Nos documentos que sua equipe me entregou.

Dante caminhou lentamente até ela.

— Você não deveria se preocupar com Henrique.

— Isso parece exatamente o tipo de frase que faz alguém se preocupar.

Ele suspirou.

— Henrique é perigoso.

— Por quê?

— Porque não aceita perder.

— Perder o quê?

Dante ficou em silêncio.

Helena percebeu que ele estava escolhendo cuidadosamente cada palavra.

— Negócios.

— Apenas negócios?

Os olhos dos dois se encontraram.

Dante não respondeu.

E aquela ausência de resposta dizia mais do que qualquer explicação.

---

Mais tarde, Helena entrou em seu quarto e fechou a porta.

Pegou o bilhete escondido dentro da gaveta.

Colocou-o sobre a cama.

Ao lado, colocou o nome de Henrique Avelar que havia anotado.

Não sabia se os dois estavam relacionados.

Mas alguma coisa dizia que sim.

Ela pegou o celular e pesquisou discretamente pelo nome.

Os resultados eram escassos.

Empresário.

Ex-sócio.

Investidor.

Nada que justificasse o desconforto que sentia.

Até encontrar uma notícia antiga.

A manchete dizia:

"Disputa entre Valenti Corporation e Avelar Group termina após acordo judicial."

Helena abriu a matéria.

O conteúdo era limitado.

Mas uma frase chamou sua atenção:

"Fontes próximas ao caso afirmam que a ruptura entre Dante Valenti e Henrique Avelar ocorreu após um episódio que nunca foi totalmente esclarecido."

Ela continuou lendo.

Então encontrou uma fotografia.

Dante estava ao lado de Henrique.

Os dois pareciam muito mais jovens.

E, pela primeira vez, Helena percebeu algo que nunca tinha imaginado.

Eles não tinham sido apenas parceiros.

Tinham sido amigos.

---

Um ruído no corredor fez Helena fechar rapidamente a página.

Guardou o celular.

Dante apareceu à porta.

— Posso entrar?

Ela assentiu.

Ele entrou.

— Precisamos conversar.

Helena sentiu o coração acelerar.

— Sobre o quê?

Dante permaneceu alguns segundos em silêncio.

— Sobre o casamento.

Ela esperou.

— A cerimônia será em três semanas.

Helena arregalou os olhos.

— Três semanas?

— Sim.

— Isso é muito rápido.

— Eu sei.

— Então por que tanta pressa?

Dante desviou o olhar.

— Porque precisamos que o casamento seja oficial antes que certas pessoas percebam o que estamos tentando fazer.

Helena sentiu um frio percorrer sua espinha.

— O que estamos tentando fazer?

Ele voltou a olhá-la.

Por um instante, pareceu que finalmente revelaria tudo.

Mas não.

— Proteger nossas empresas.

Helena não acreditou completamente.

Ainda assim, não insistiu.

Dante deu um passo em direção à porta.

— Helena.

— Sim?

— Se alguém tentar se aproximar de você usando meu nome, não confie.

Ela franziu a testa.

— Isso inclui Henrique Avelar?

Dante ficou imóvel.

A expressão dele mudou completamente.

— Como você sabe esse nome?

Helena sustentou o olhar.

Agora tinha certeza.

Henrique não era apenas um antigo parceiro.

Era uma peça importante naquela história.

— Porque você acabou de confirmar que eu deveria desconfiar dele.

Dante apertou a mandíbula.

E, pela primeira vez desde que Helena o conhecera, ela viu algo próximo do medo nos olhos daquele homem.

— Você não entende o perigo em que está entrando.

Helena aproximou-se.

— Então pare de esconder as coisas de mim.

Ele ficou em silêncio.

Ela esperou.

Mas Dante apenas respondeu:

— Ainda não posso.

E saiu.

Helena permaneceu sozinha no quarto.

O contrato dizia que eles deveriam confiar um no outro.

Mas, naquele momento, ela percebeu que o casamento estava prestes a acontecer justamente quando a confiança entre os dois começava a desaparecer.

E, em algum lugar da cidade, alguém já sabia que Helena Montenegro havia começado a fazer perguntas demais.

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