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Capítulo 5

Author: Axel Cardoso
last update publish date: 2021-08-03 02:44:16

Eles passam alguns minutos olhando a "bela" paisagem de casas destruídas e a deles exclusivamente queimada.

O Vlad olha a casa totalmente queimada somente com alguns escombros e pedaços de madeira.

– É... Isso foi uma baita fogueira.

A Emma solta o Vlad e anda até a casa .

– Vamos procurar, a gente vai precisar de qualquer coisa.

Em seguida ela começa a jogar as madeiras pro lado, Trevor vai na direção dela e ajuda a retirar os escombros até que eles acham o lugar aonde Steve escondeu os grimórios.

Enquanto isso Vlad e Eloi começaram a procurar nas outras casas. A Jade fica perto da Emma e do Trevor  olhando o que seria seu quarto.

Todos eles passam alguns minutos procurando algumas coisas que fossem úteis e enquanto isso, na casa que Steve ficou com os outros, eles juntam um pouco de comida enlatada e algumas facas.

O Steve arruma o cabelo com a mão enquanto diz:

– Isso é muito pouco... A gente não vai durar muito nessa situação.

A Regina arrumar alguns panos para servir de trouxas para os mantimentos, o Rodrigo e a Cléo ajudam a organizar as coisas e os animais ficam olhando sentados.

Em meio às procuras, eles conseguem escutar os urrus do dragão mesmo estando quilómetros de distância.

Passam alguns minutos e Vlad retorna com todos, eles conseguiram pegar apenas os grimórios pois as outras casas foram saqueadas.

O Trevor ajuda Emma a colocar os grimórios no chão.

– Precisamos ser rápidos, eu escutei os barulhos do dragão, se ele vir até aqui a gente não vai ter como lutar.

Ele abaixa e começa a separar por peso, pra ninguém carregar além do que consegue.

Antes de guardar o último grimório a Emma abre e ela pega o mapa que eles já tinham guardado antes.

– Nós temos o mapa, temos um pouco de comida e temos grimórios. Acho que é isso.

O Vlad vai até o quarto e pega roupas de frio.

– Vamos precisar disso também, eu não faço ideia do que vem por aí, mas qualquer coisa é bem vinda.

Eles guardam as coisas, separam por peso, até o lobo Nero carrega algumas coisas para ajudar.

E assim eles partem para o leste onde antigamente ficava um ponto turístico conhecido como "Torre Eiffel".

Eles passam pelo meio de uma grande floresta com galhos secos, nesse ponto a neve está tão alta que suas botas afundam no solo deixando o grupo cada vez mais exausto.

Já está escurecendo e eles resolvem parar para fazer um acampamento.

O Trevor para de andar em um lugar plano sem árvores.

– Aqui está bom, vamos passar a noite aqui... Vamos nos dividir em turnos, nós não sabemos o que vem por aí, ou se o grupo daquele cara do tempo vai vir atrás da gente.

O Steve solta as coisas no chão.

– Tem razão, fora isso eu não ia me assustar se outros seres mitológicos começarem a aparecer. A atenção é crucial.

A Emma também soltou as coisas no chão.

– Como o Rodrigo, a Regina e a Cléo nunca foram acampar desse jeito, acho justo eles dormirem mais que a gente, nós aguentamos mais que eles.

A Regina se sente um pouco ofendida.

– Você acha que a gente é incapaz? Eu consigo tanto quanto vocês.

O Vlad respira fundo.

– Com todo respeito moça, até a garotinha dá de dez a zero em você, basta ver a movimentação de vocês. 

– O que quer dizer com isso?

O Rodrigo dá um passo a frente.

O Vlad continua.

– Ao andar vocês não dobram os joelhos pra evitar barulho, quando a gente anda sem saber de onde vem o ataque a gente olha para os lados e para trás o tempo todo, vocês não fazem isso mesmo sabendo do perigo eminente. A Cléo não está cem porcento, você só sabe reclamar e a Regina só se preocupa com sua amiga mas não com a segurança do grupo, então por favor se for pra ser um peso morto que seja um peso calado, morto não fala.

A Cléo anda na direção dele um pouco  tímida.

– Desculpa, você tem razão... A gente não tem direito de reclamar das decisões de vocês, afinal vocês fazem tudo pra proteger a gente.

A Regina continua indignada e olha para a Emma.

– Você treinou a gente, você sabe que eu sou boa nisso.

A Emma faz uma negação com a cabeça.

– Você saiu comigo só uma tarde e a gente nem fez muita coisa, você não tá preparada ainda.

A Regina continua reclamando.

– E por culpa da sua grande experiência todo mundo morreu né...

A Emma abaixa a cabeça, e antes de Trevor fazer alguma coisa o Eloi dá um passo a frente e ele está muito bravo.

– Agradeça por você estar viva ainda, agora eu sei porque seu marido te batia, você é muito irritante.

O Steve ignorou a discussão e limpou o chão para fazer uma fogueira, e depois disso ele montou um tipo de cobertura para a neve não cair encima deles enquanto eles dormem.

A Jade fica olhando aquilo tudo enquanto fazia carinho na cabeça de Nero e abraçava ele.

A Regina olha para Eloi e fala:

– E sua namorada? Agora eu sei porque ela te deixou...

O Rodrigo puxa a Regina para trás enquanto fala:

– Já chega, você sabe que a gente não vai sobreviver sem eles, a gente ainda não consegue.

Ela se desvencilha dos braços dele e retruca levantando seu tom de voz.

– Agora você também quer ficar embaixo das asas deles? Se você era covarde antes... Agora eu não sei nem qual palavra te define.

O Trevor finalmente encara a Regina e começa a andar lentamente na direção dela com um olhar fixo. O perigo que ela sente é semelhante ao medo que uma presa sente de seu predador, ele chega mais perto dela e fala com um tom grave porém sereno:

– Sua gritaria já começou a me irritar, eu não vou por a mão em você, mas fique sabendo que a próxima vez que você erguer a voz desse jeito você vai ter o pior final que você possa imaginar.

Ela cede a pressão da presença de Trevor e cai para trás tremendo.

O Vlad assobia e fala:

– Rapaz, até eu arrepiei.

– Cala a boca Vlad.

O Eloi disse dando uma risadinha.

O Steve terminar de montar aquela cobertura com os panos das trouxas dos grimórios.

– Acabei...

A Emma olha um pouco assustada.

– Quando você fez isso?

Ele olha orgulhoso.

– Enquanto vocês discutiam eu comecei, e agora a gente pode conversar um pouco sobre os grimórios.

O Trevor que ainda encarava Regina, para e se afasta virando as costas e indo pra debaixo da cobertura que Steve montou. Logo após Trevor ir, os outros seguem e assim eles se protegem da neve exceto Regina que virou as costas e saiu chorando para a floresta que ficou em completa escuridão.

A Emma pega um pedaço de madeira e usa como tocha.

– Eu vou atrás dela... Me dêem um tempo.

– Eu vou com você. 

A Cléo levantou e saiu na frente visivelmente abalada.

Assim as duas vão a procura da Regina.

Elas passam por algumas árvores e depois de alguns metros elas vêem Regina sentada em uma rocha pequena enquanto a neve cai sobre seus ombros.

– Vão embora...

A Regina fala sem nem mesmo virar para ver seus rostos.

A Cléo senta ao lado dela e pega na sua mão e a Emma fica em pé ao lado esquerdo de Regina.

– Eu não sei porque falaram daquele jeito, mas vocês não tem o direito de nos tratar como inferiores só porque são mais fortes.

Ela disse isso enquanto olhava fixamente para o chão coberto de neve.

– É exatamente por isso que vocês são inferiores... Eu sou bem mais forte que você e você vai ser um fardo se não ficar forte. Ninguém fica forte do dia pra noite, então para de ser mimada e faz alguma coisa pra provar que a gente tá errado.

A Emma dá esse sermão e vira as costas para ir embora porém a Regina se levanta com um tronco que provavelmente caiu de uma árvore e acerta a cabeça de Emma que cai no chão com a cabeça sangrando.

A Regina sobe encima de Emma e começa a dar socos nela que desmaiou no primeiro golpe.

A Cléo assim que percebe isso, corre e pula em Regina para tentar para-lá mas a Regina empurra a Cléo fazendo ela cair no chão.

Mas de repente, a Regina ouve uma voz ecoando na sua cabeça, essa voz é da Emma e ela dizia: "É por esse e outros motivos que você continua fraca." 

Ao terminar da frase, a Regina se encontra olhando fixamente para a neve, mas dessa vez ela treme.

– O que foi isso?

A Regina disse enquanto olhava para suas mensagens tremolas.

A Emma olha de longe com seu grimório aberto.

– Uma ilusão. Eu queria te mostrar que você ainda não tá pronta e você me surpreendeu... Você tá pior do que eu imaginava.

A Cléo olha as duas sem entender nada.

– Será que a gente pode voltar? Tá escuto e eu tô começando a me sentir mal aqui.

A Emma fecha o livro e se retira virando as costas enquanto fala:

– Vamos, eu não vou contar o que aconteceu aqui. Porém o menor indício que você vai colocar o grupo a perder, eu mesma acabo com você.

A Regina permanece sentada e pelo que parece ela não vai voltar. A Cléo segue a Emma com um grande aperto no peito de ter que deixar sua amiga para trás.

Emma e Cléo chegam no acampamento improvisado que eles montaram e os homens do grupo organizaram os grimórios e os livros de magia que eles encontraram no meio das coisas.

A Emma olha impressionada.

– Olha, quem diria... 

O Rodrigo olha para as duas e a Emma balança a cabeça fazendo uma negação, o Rodrigo fica um pouco cabisbaixo mas ele não se frustra completamente.

A Emma chega junto com a Cléo e ambas se protegem da neve.

Todos se sentam e a Emma pega um grimório em branco.

– Vamos lá... Todos nós temos uma quantidade de magia, alguns mais e outros menos. Alguns chamam de energia mas em resumo é a mesma coisa. As magias que aparecem nos livros só podem ser lidas pelo dono do grimório, ou seja , se alguém roubar seu grimório, ele não vai ter serventia nenhuma e também o grimório sempre vai de encontro ao seu mestre. 

Ela abre o grimório em branco e continua.

– Esse tá em branco e não tem dono, porém assim que eu denominar um dono a ele ou alguém se denominar dono desse grimório, ele vai criar um vínculo ou um laço de confiança como se fosse um amigo. É estranho falar isso eu sei. 

Se eu entregar um desses grimórios à vocês, eles vão se moldar de acordo com vocês e vão evoluir com vocês, é como se fosse parte das suas essências dentro desse livro... Acho que é tudo, o restante vocês vão precisar entender com tentativa e erro. Podem escolher um.

Ela olha para a fileira de grimórios separados.

O Eloi é o primeiro a se levantar e ir pegar o seu. A princípio parecem todos iguais com capas de couro comuns, mas alguma coisa guia a mão de Eloi para um grimório na ponta. Ele pega e fala:

– Eu quero esse...

A Emma olha e fala:

– Agora diga com convicção, "eu sou o seu mestre." E ele será seu.

O Elói segura com a mão esquerda e olha fixamente, até que ele fala: 

– Eu sou o seu mestre.

Quando ele termina de falar, o grimório começa a mudar, sua capa de couro começa a escurecer tomando uma textura mais antiga, partes de metal começam a surgir das laterais, do topo e da parte inferior, seguindo para o centro como um ponto principal. O metal começa a fazer uma espécie de círculo e no meio e um esfera azul se forma no centro dele.

O Eloi olhava assustado toda essa transformação na frente dos seus olhos.

– Caramba...

Essas foi a única palavra que ele conseguiu falar.

O Vlad vai um pouco mais animado e pega um aleatório. Ele levanta pro ar e diz em voz alta:

– Eu sou o seu mestre!!!!

O Grimório do Vlad começa a brilhar em vermelho porém tem uma aura negra mesclada nesse tom escarlate, linhas de metal também surgem até o meio do livro e uma espécie de olho vermelho se forma no meio como se fosse o olho de um dragão.

O Vlad olha visivelmente animado.

– Irado.

O Rodrigo fica sentado e fala:

– Isso não é pra mim... 

O Trevor olha e fala.

– É... Eu também acho que não é para mim, eu prefiro deixar a magia para vocês.

O Steve anda até esses grimórios e também pega um.

– Eu serei o seu mestre.

O grimório começa a mudar, linhas de metal começam a surgir com o formato de ondas porém o livro começou a esquentar e queimou a mão de Steve fazendo ele soltar no chão enquanto gritava de dor.

– Que droga, o que à de errado com esse?

O Steve fala enquanto olha sua mão um pouco vermelha por conta da leve queimadura.

A Cléo anda até os grimórios também e pega um gentilmente colocando ele contra seu peito.

– Eu serei sua mestra.

Ai terminar a frase uma cúpula transparente se forma e estoura gentilmente como uma bolha de sabão, o grimório muda para a cor azul e a Cléo ganha orelhas pontudas.

A Emma olha um pouco surpresa.

– Meu Deus... Faz tempo que eu não vejo uma coisa dessas...

A Cléo fica sem entender muito bem.

– O que foi gente? Eu tô com neve na cara? 

– Não minha querida, você tá ótima e ganhou orelhinhas de elfo.

A Emma fala com um tom de brincadeira.

A Cléo coloca a mão na orelha.

– Ai, socorro, eu virei um bicho. Emma, tira isso.

A Emma dá risada e fala.

– Calma, isso é um bom sinal, quando você conseguir controlar você vai poder voltar a ter suas orelhas normais, se bem que assim tá ótimo.

A Cléo fica um pouco mais calma porém ela ainda não está confortável com as orelhas novas.

– Bom... Vamos comer alguma coisa e vamos dormir, amanhã temos um longo dia de caminhada.

O Trevor fala isso enquanto pega algumas latas que parecem comida enlatada e frutas em conserva.

O Vlad pega o seu novo grimório e começa a andar em direção a floresta enquanto diz:

– A gente revesa a vigilância, eu vou dar uma volta por enquanto.

O Eloi pega seu grimório também e diz:

– Eu vou junto...

Ele se levanta e os dois vão juntos para o meio da floresta. 

Alguns minutos se passam e os dois se distanciam cada vez mais do grupo. O Vlad guarda seu grimório na parte de dentro do seu sobretudo e para de andar m

– O que você quer?

O Vlad pergunta para Eloi.

O Eloi anda alguns metros e para de frente pra Vlad.

– Eu quero saber sobre o outro eu, o seu irmão.

O Vlad respira fundo e fala:

– Não tem muita coisa pra saber.

O Eloi se dá um passo a frente.

– Porque eu? 

– Deixe que ele te responda...

O Vlad se aproxima e toca novamente na testa de Eloi e os cabelos dele voltam a ficar brancos e os olhos brilhando em azul turquesa.

O Vlad no corpo de Eloi toma consciência e começa a falar.

– Olha, eu tinha que dar chance para a humanidade lutar, acredito que eu dei o poder as pessoas certas, meu pai queria eliminar todos porque ele acredita que a vida em si foi um erro, ele quer resetar toda a vida e ditar as próprias regras. Como ele é um cronomante ele tem poder pra isso, porém como eu e o meu irmão estamos aqui, nós conseguimos atrasar esse processo... Meu intuito não é te prejudicar Eloi, isso é tudo...

Os cabelos voltam a sua coloração escura e os olhos param de brilhar trazendo Eloi de volta.

O Vlad se afasta um pouco de Eloi e fala:

– Satisfeito? 

O Eloi permanece de cabeça baixa.

– Na verdade não... Mas seja como for, eu vou destruir o mundo e vou reconstruir pela minha irmãzinha.

O Vlad olha para Eloi um pouco espantado.

– Credo... Você falou igual o meu velho. Vem, vamos voltar.

O Vlad se vira e juntos eles começam a voltar para o seu acampamento improvisado. 

A noite em sí é tranquila, todos passam um tempo conversando coisas fúteis, Jade é a primeira a pegar no sono, ela dorme encima do seu lobo que serve de travesseiro pra ela. O restante revesa entre turnos de três em três horas para todos dormirem bem até o amanhecer.

Eles acordam e pelo que parece, a Regina não tem a intenção de voltar, depois de esperar um pouco, eles seguem sem ela. Eles caçam pra poder comer, param algumas vezes para fazer as necessidades, e assim foi por dois dias seguidos.

Eles já estavam sem comida quando chegaram em um ponto que acendia a esperança de seus corações. Uma placa de madeira que dava boas vindas a uma cidade.

De longe dava pra ver um castelo branco com detalhes em dourado com o que provavelmente seria ouro, as casas com um aspecto medieval e barracas de frutas diversas. Eles ainda estão metros de distância do portão, mas na placa está entalhado com letras grandes e bem desenhadas a seguinte frase: "Sejam bem vindos a Eternidade" 

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