LOGINAssim que me viu, arregalou os olhos e se levantou:— O que você está fazendo aqui?Meu Deus, o que havia acontecido com os cabelos dela?— Onde estão os meus filhos?Ela riu e largou sobre o móvel alguns fios... completamente desiguais.— Oliver os levou.— Para onde? — Senti meu peito se apertar.Brianna cruzou os braços:— Você não desiste, não é mesmo?— De procurar os meus filhos? De me preocupar com eles? Realmente, eu não desisto. E nunca vou desistir. Enquanto eu respirar, estarei pensando neles.Ela gargalhou:— Que bom que alguém se preocupa com eles. Porque, em breve, serão duas crianças mimadas abandonadas pelo pai. Oli e eu já estamos tentando ter um bebê.Senti minhas pernas enfraquecerem. Mesmo assim, mantive-me firme:— Acha que eu me importo com isso?— Se importa. Se não se importasse, não ficaria impondo sua presença a Oli o tempo inteiro. Entenda de uma vez: ele não
Bastou abrir os olhos para que tudo desaparecesse. O homem com a cicatriz já havia se afastado pelo corredor. Mas minhas mãos ainda tremiam como se continuassem segurando aquela garrafa quebrada.Mas não era ele. Certamente, o homem daquela noite estaria mais velho. Além disso, o corte havia sido feito do lado contrário. Era apenas uma coincidência. Uma infeliz e cruel coincidência.Durante muitos anos, a imagem daquele homem fez parte das minhas memórias. Mas já fazia algum tempo que eu não pensava mais naquilo. Talvez porque, depois daquela noite, nunca tivesse visto um homem com uma cicatriz que me fizesse lembrar do que aconteceu.Mas então eu vi. E aquilo me lembrou de que, em algum lugar do mundo, aquele homem ainda vivia... ou se escondia.Nunca imaginei que pudesse reencontrá-lo. Tampouco... fazer alguma coisa a respeito. Na época, eu era apenas uma criança. Não contei a ninguém sobre a tentativa de abuso. Mas agora, naquele momento, pela primeira
Quando cheguei ao hospital, encontrei minha mãe e...— Nikolay? — Fiquei atordoada ao vê-lo junto dela.Nikolay fez um breve cumprimento com a cabeça:— Boa noite, Jaqueline.Natália o encarou:— O que você está fazendo aqui?— Estou aqui como advogado e amigo de Oliver. E você? O que está fazendo aqui? Por acaso tem alguma coisa a ver com Johnny?— Estou aqui como advogada e amiga de Jack. E, seja lá o que você esteja defendendo ou acusando... eu sou contrária a você.Respirei fundo e toquei o ombro de Natália. Depois, sussurrei ao ouvido dela, tentando manter a calma (a dela, claro):— Não é hora de discutir com ele, Natália. Por favor... ainda nem sabemos o que realmente aconteceu.Natália abaixou a cabeça. Não precisou se desculpar. Eu sabia que estava arrependida. Realmente não era hora para ela e Nikolay manifestarem suas síndromes de competência e talento.Minha mãe me abraçou, aos pran
POV JaquelineQuando minha mãe ligou, já passava das dez horas da noite. Fiquei em dúvida se deveria atender ou não.Decidi atender. Se eu não quisesse ouvir o que quer que ela tivesse para me dizer, desligaria e pronto. Recusei várias ligações da minha mãe nos últimos dias porque sabia que todas tratavam do meu pai. E ela sabia disso. Ou seja, não ligaria novamente apenas para tentar me convencer a visitá-lo no hospital.Se, no passado, quando tudo aconteceu, minha mãe tivesse percebido ao menos uma vez o quanto eu estava sofrendo, notado todas as mudanças no meu comportamento e me perguntado o que estava acontecendo, eu teria contado imediatamente sobre aquela noite no clube.Mas ela nunca perguntou. Por isso, eu nunca contei. E aquilo se tornou um segredo meu e do meu pai. Sim, um segredo compartilhado justamente com o homem que havia destruído a minha infância.Atualmente, eu não tinha a mínima intenção de contar à minha mãe o que aconteceu naq
Assim que saí do carro, ouvi os gritos vindos do interior da mansão:— Chame uma ambulância para aquele filho da puta, Niko. Ou, se for necessário, uma funerária. Ligo para você assim que puder. Alguma coisa bem mais séria está acontecendo na minha casa.Encerrei a ligação. Nem tive tempo de temer o que poderia acontecer comigo por talvez ter matado Johnny. Naquele momento, prisão, julgamento ou qualquer outra consequência pareciam problemas de uma versão futura de mim. A versão atual só conseguia ouvir os gritos dos meus filhos.Tudo o que eu queria e precisava era entrar em casa, descobrir o que havia acontecido com Zoe e Maicon e ter certeza de que os dois estavam bem.Quando abri a porta, meus dedos tremiam tanto que quase não consegui girar a maçaneta. Brianna estava de pé no meio da sala, gritando. Zoe e Maicon permaneciam
Olhei para Johnny caído no chão. O sangue escorria por sua cabeça, avançando lentamente pelo piso. Então me lembrei dos gritos dos meus filhos do outro lado da linha. Era uma escolha muito fácil de fazer. Não existia nada naquele mundo que fosse mais importante do que Zoe e Maicon.Deixei o filho da puta do Johnny para trás.Dirigi para casa tão depressa que não parei em nenhum sinal vermelho. Por duas vezes, quase bati o carro. E, como se não bastasse, Niko começou a me ligar repetidamente, fazendo o telefone vibrar sobre o banco enquanto eu tentava não morrer antes de descobrir o que estava acontecendo com meus filhos.Assim que atravessei os portões da mansão, atendi à ligação de Niko.— Onde você está, porra? — ele gritou do outro lado da linha.— Vim para casa...&mdas







