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Capítulo 4: Nada nessa vida é de graça, Grace

last update Date de publication: 2026-02-02 19:05:13

GRACE REED

Me aproximei da cadeira e meus joelhos cederam. Eu me sentei, não por obediência, mas porque minhas pernas simplesmente se recusavam a sustentar meu peso por mais tempo.

O homem à minha frente era o mesmo homem que horas atrás estava nu, suado e gemendo comigo em um hotel cinco estrelas e também era meu novo chefe.

— É um prazer te receber. Sou Dominic Thorne. O novo Diretor Geral e chefe do conselho administrativo do hospital geral de Nova York.

Diretor geral, Dominic Thorne. Eu tinha dormido com o diretor e agora, ele tinha minha vida nas mãos.

Minha garganta estava tão seca que parecia cheia de areia. Tentei formular um cumprimento qualquer, mas nada saiu além de um suspiro.

Ele não pareceu se importar com meu silêncio e pegou uma pasta bege da mesa.

— Dra. Grace Reed — ele pronunciou o rótulo, embora seus olhos não deixassem os meus. — Excelente médica. Notas perfeitas na faculdade. Recomendações estelares de todos os supervisores. Um histórico completamente limpo... até ontem à noite.

Ele abriu a pasta e folheou os papéis enquanto minha ansiedade atingia picos nunca antes alcançados.

— Sr. Thorne... Diretor... — Minha voz falhou miseravelmente e respirei fundo tentando focar no que era importante. — Eu não sei o que dizer. Sobre... sobre tudo isso.

— Vamos nos ater aos fatos por um momento, Dra. Reed.

Ele puxou uma folha de papel e a deslizou pela mesa em minha direção. Era o relatório de segurança.

— A acusação é grave. Roubo de substâncias controladas. Fentanil e Oxicodona. Medicamentos que valem muito dinheiro no mercado negro e que destroem carreiras em segundos. O relatório diz que sua senha foi usada no dispensário às 19:45h.

Ele entrelaçou os dedos na frente do rosto, observando-me como um falcão observa um rato de campo.

— No entanto, eu sou um homem de detalhes, Grace. E há algo nesse relatório que me incomoda profundamente.

Ele girou o computador para que eu pudesse ver a tela. Era um gráfico de turnos e registros de acesso.

— Às 19:45h, você deveria estar mesmo no seu plantão e não mostra uma troca com outro funcionário. Mas sabemos que você não estava aqui ontem. — Não que seja possível usá-lo como testemunha de que estávamos juntos, aposto que ele não ia querer essa fofoca. Era mais provável me mandar pro olho da rua. — A menos que você tenha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, é fisicamente impossível que você tenha digitado essa senha.

— Exatamente! — exclamei, sentindo as lágrimas de frustração queimarem meus olhos. — Brenda... Brenda sabia minha senha. Ela me pediu para trocar o turno... com certeza ela armou tudo isso.

Dominic assentiu lentamente.

— Eu sei que foi uma armação. O sistema de câmeras do corredor do dispensário tem um ponto cego, convenientemente explorado, mas a câmera do elevador mostra a Dra. Brenda saindo com uma bolsa volumosa às 20:00h.

Eu quase sorri de alívio.

— Então eu posso voltar ao trabalho? O senhor vai limpar meu nome?

Dominic fechou a pasta e se levantou.

— Não é tão simples assim.

Ele contornou a mesa. A cada passo que ele dava em minha direção, a memória do corpo dele sobre o meu invadia minha mente sem permissão.

— O conselho não está interessado na verdade, Grace. Eles estão interessados em conter danos. — Ele parou na minha frente, apoiando o quadril na beirada da mesa. — O desaparecimento das drogas já vazou para a imprensa. Eles querem uma cabeça numa bandeja. E a sua já está servida.

— Mas eu sou inocente! — protestei, levantando-me num impulso de desespero, o que foi um erro.

Agora estávamos a centímetros de distância. O cheiro dele me atingiu e minha respiração engatou.

— Sim, nisso você é... — ele disse suavemente, olhando para a minha boca e minhas bochechas esquentaram violentamente.

Um canto da boca dele se curvou num sorriso mínimo.

— Você está vermelha, Dra. Reed. Está com calor? O ar condicionado está no máximo.

— Eu... eu estou sob muita pressão — gaguejei, recuando um passo e Dominic deu mais um passo à frente, eliminando a distância que eu tentei criar. Ele inclinou a cabeça, deixando sua boca perigosamente perto da minha orelha.

— Engraçado... ontem à noite, você parecia lidar muito bem com a pressão.

— Por favor, Sr. Thorne... isso é assédio — sussurrei, sem convicção alguma.

— Isso é a realidade, Grace — ele recuou, voltando a ser profissional. — A realidade é que nós compartilhamos uma noite. E a outra realidade é que sua carreira acabou.

Sentei-me novamente, derrotada.

— Então é isso? — perguntei, sentindo a exaustão esmagar meus ombros. — Eu perdi tudo?

— Existe uma saída — ele disse e levantei a cabeça rapidamente.

— Qual? Eu faço qualquer coisa.

— Eu posso fazer esse processo desaparecer. Não em meses, mas hoje. Tenho autoridade para demitir a Dra. Brenda por má conduta e expor a verdade de uma forma que transforme você em uma vítima, não em uma viciada suspeita. Posso restaurar sua reputação, seu salário e seu futuro.

— Por quê? — perguntei, desconfiada. — Por que você faria isso por alguém que acabou de conhecer? Só porque dormimos juntos?

Ele riu.

— Sexo é ótimo, Grace, e o nosso foi memorável, admito. Mas a verdade é que você tem algo que eu quero.

Eu estava confusa. Minha cabeça doía, tentando acompanhar o raciocínio dele.

— Eu não estou entendendo.

— Nada nessa vida é de graça, Grace. Eu posso salvar a sua carreira, devolver sua vida e te dar proteção contra qualquer um que tente te derrubar. Tanto nesse hospital quanto fora dele. Mas para isso, você também tem que me dar uma coisa.

— O quê? — perguntei, embora temesse a resposta.

Dominic Thorne sorriu genuína e alcançou seus olhos, tornando-o mais bonito e aterrorizante.

— Em troca, Dra. Reed... Eu quero a sua mão em casamento.

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