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CAPÍTULO 2

Penulis: Cocojam
Lembrei-me do jantar de família do mês passado. Um evento formal. Eu estava usando um vestido branco, como um fantasma no canto da sala.

Mas as filhas de uma família rival me encontraram mesmo assim.

— Ora, ora, vejam só quem está aqui. A princesa invisível.

Isabella Rosetti bloqueou meu caminho, com um sorriso cruel nos lábios.

Outras duas garotas, ambas minhas rivais da academia de balé, ficaram ao lado dela.

— Ouvi dizer que você roubou minha vaga na Royal.

A voz de Isabella era puro veneno, coberto por uma camada de mel.

— Você realmente acha que é boa o bastante?

Elas me empurraram para dentro de um camarim e trancaram a porta.

— Você acha que é tão especial?

Anna tirou uma pequena tesoura e começou a cortar meu vestido.

— Seus próprios pais nem se importam com você.

Tentei lutar, mas elas eram muitas.

— Por favor, não.

Minha voz tremia.

— Você pode ficar com a vaga. Eu entrego ela para você.

— Agora é tarde demais.

Disse Isabella, pressionando o salto fino contra os meus dedos dos pés.

— Você deveria ter aprendido o seu lugar mais cedo.

O sangue atravessou minhas meias brancas.

Mas engoli o grito. Segurei as lágrimas. Um único som, um único soluço, e Chloe ouviria. Ela teria outra crise.

Elas me deixaram presa ali por uma hora inteira. Só me deixaram sair depois que o jantar terminou.

Voltei mancando para a mansão, usando meu vestido destruído. Quando Elena viu meu vestido rasgado e meus dedos dos pés sangrando, seu rosto endureceu.

— Sera! O que você fez?

Baixei a cabeça, escondendo as mãos ensanguentadas atrás das costas.

— Me desculpa, mãe. Eu vou trocar de roupa.

A escuridão finalmente estava tomando conta de mim.

Ouvi Victor falando ao telefone.

— ...Sim, Chloe teve outra crise. Mandem o melhor médico. Vamos levá-la agora para o hospital particular.

Passos apressados passaram por mim. Ninguém parou para perguntar por que eu estava tão quieta.

— Sera, vá buscar os fones com cancelamento de ruído da Chloe!

Elena ordenou sem sequer olhar para mim uma segunda vez.

Tentei responder, mas meus lábios não se moviam.

— Patética. Sempre tentando roubar o momento da Chloe.

Victor murmurou com desprezo.

Meu último pensamento foi o dia em que guardei todas as minhas sapatilhas de ponta e meus collants, trancando-os para sempre dentro de um baú.

— Por que você está desistindo?

Minha professora de balé perguntou, chocada.

— Você é a aluna mais talentosa que eu já tive!

— O barulho das sapatilhas... faz minha irmã querer morrer.

Eu disse, olhando para o chão, incapaz de encarar seus olhos decepcionados.

— O médico disse que o cérebro dela precisa de silêncio absoluto.

Agora, todos aqueles sonhos trancados estavam morrendo ali comigo.

O som do carro do médico particular ficou mais próximo.

Ouvi Elena gritar:

— Chloe! Aguente firme! O médico chegou!

Uma correria de passos, e as portas da mansão foram abertas.

Uma rajada de ar noturno atravessou o forte cheiro metálico de sangue.

— Onde está a paciente?

Perguntou uma voz masculina familiar.

— Aqui! Rápido! Minha filha está piorando!

Victor respondeu com urgência, apontando para a mesa quebrada.

Eu desejava que alguém, qualquer pessoa, simplesmente olhasse para baixo e visse outra filha sangrando até a morte, esperando para ser salva.

A equipe médica correu diretamente para Chloe, tratando cuidadosamente os cortes em seu braço.

Ninguém percebeu que eu estava morrendo no canto.

— Uma crise sensorial é uma emergência crítica...

A voz foi desaparecendo.

Depois...

Nada.

Senti meu corpo estranhamente leve. Alguma coisa estava deixando meu corpo.

A dor desapareceu.

Eu estava flutuando no ar.

Olhei para baixo e vi meu corpo.

A garota de dezenove anos estava deitada em uma poça do próprio sangue, com o rosto pálido e sangue seco nos lábios.

Seus dedos estavam quebrados. As unhas estavam cobertas de sangue.

Era eu.

Sera Castellano.

A filha mais velha do Don.

Morta nas escadas de mármore da própria casa.

— Rápido! Coloquem ela no carro!

A voz de Victor veio do andar de baixo.

Victor ergueu cuidadosamente minha irmã, agora usando seus fones de ouvido, e caminhou em direção ao Maybach que esperava do lado de fora.

— Ela vai ficar bem, não vai?

Elena o seguiu de perto, com os olhos cheios de lágrimas por sua filha mais nova ferida.

— Ela ficará bem com o tratamento imediato.

O médico a tranquilizou.

— Os cortes não são profundos.

A porta do carro se abriu. Victor acomodou Chloe delicadamente no banco de trás.

Elena estava prestes a entrar, mas parou.

— Espera, onde está Sera?

Minha alma flutuou em direção ao carro, observando a expressão confusa de Elena.

— Esqueça ela! Chloe é o que importa!

Victor retrucou, enquanto prendia o cinto de sua filha favorita.

Elena hesitou por apenas um segundo, depois entrou no carro.

O motor rugiu, e o Maybach deixou a mansão.

Os pneus do Maybach esmagaram as pétalas das rosas brancas espalhadas pela entrada.

Eu flutuava no ar da noite, observando o carro levar toda a minha família para a escuridão.

Só eu sabia que aquelas rosas brancas esmagadas eram o presente que passei seis meses cultivando para o aniversário de Victor.

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