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Afogada no Silêncio Deles
Afogada no Silêncio Deles
Author: Cocojam

CAPÍTULO 1

Author: Cocojam
Cada respiração era um caco de vidro na minha garganta. Minhas costelas estavam quebradas.

Uma espuma ensanguentada borbulhava nos meus lábios, manchando o mármore branco de vermelho.

— Você não consegue simplesmente ficar quieta? Quer deixá-la louca? — meu pai, Victor, rugiu tão alto que a mansão inteira pareceu tremer.

Eu queria dizer a ele que tinha sido um acidente, mas minha garganta estava cheia de sangue. Eu não conseguia emitir som algum.

Ao lado da mesa de vidro quebrada, minha irmã, Chloe, estava encolhida como uma bola, com as mãos pressionadas contra os ouvidos, soltando um grito agudo.

— Ela fez de propósito! Ela quer me matar! Tirem ela de perto de mim! Tirem ela daqui!

Minha mãe, Elena, ajoelhou-se diante dela, cuidando do corte superficial em seu braço e a acalmando.

— Está tudo bem, meu amor, está tudo bem. A mamãe está aqui. Ela não vai incomodar você de novo.

Tentei levantar uma mão para pedir ajuda.

Mas mais sangue espumou nos meus lábios. A escuridão estava se aproximando.

— Pai... Mãe... — minha voz era pouco mais que um sussurro.

Ninguém olhou para trás.

Minha visão estava ficando turva.

O mundo deles havia se reduzido à minha irmã, tremendo ao lado da mesa quebrada.

Minha mente voltou para a tarde que mudou tudo.

Eu tinha corrido para casa, segurando uma carta de aceitação do programa de bailarina principal.

— Mãe, eu entrei para a Royal Ballet Company! — entrei pela porta, com as palavras saindo atropeladas.

Elena arrancou a carta da minha mão. Rasgou-a em pedaços bem diante de mim.

— Você enlouqueceu, Sera? — ela sibilou, olhando para o andar de cima com medo. — O barulho das pontas no chão vai fazer Chloe passar mal!

Eu apenas fiquei parada ali, congelada, enquanto o sorriso morria no meu rosto.

— Mas, mãe, é a Royal Ballet! Só havia três vagas em toda Nova York! — minha voz tremeu. — Minha professora me chamou de prodígio...

— Você é a boa filha.

Elena acariciou meu cabelo, com os olhos cheios de pena.

— A família inteira precisa proteger sua irmã. Você é saudável. Pode fazer um pequeno sacrifício por ela, não pode?

Eu assenti. No meu quarto, guardei meu sonho, engolindo-o como um caco de vidro.

A poça de sangue no chão estava ficando maior.

Minha respiração ficou curta e rápida. Comecei a ver pontos escuros.

— Mãe, está doendo! — lutei para estender a mão.

Elena olhou de relance para mim, seu rosto uma máscara de irritação.

— Sera, pare de ser tão dramática. Não está vendo que Chloe não está bem? Vamos lidar com você depois.

Os gritos da minha irmã ficaram mais histéricos.

— Tire ela daqui! Tire ela desta casa!

Ela pegou, de um pedestal próximo, um vaso pesado de mármore, e o arremessou no chão, fazendo os cacos voarem.

Victor correu para o lado dela, segurando-a como se fosse feita de vidro.

— Está tudo bem, Chloe, papai está aqui. Você está segura — a voz de Victor era suave como uma brisa de primavera. — Papai cuidou da sua irmã descuidada. Ninguém nunca mais vai machucar você, meu anjo.

Meus dedos arranharam o corrimão de ferro. Uma unha se quebrou, deixando uma fina marca de sangue no metal.

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