ログインPor um instante, a tensão dentro de Carolina cedeu.Ela virou a cabeça na direção indicada.O caminho estreito estava vazio. Silencioso. Não havia ninguém.A esperança que acabara de nascer se apagou na mesma hora.Quando percebeu o erro, já era tarde.O homem surgiu num movimento rápido ao lado dela, agarrou seu pulso com força brutal, torceu o braço sem piedade e arrancou o bastão elétrico da mão dela, jogando-o para dentro dos arbustos.O pânico tomou conta.Carolina se virou e saiu correndo, gritando com todas as forças:— Socorro…!Antônio disparou atrás dela e puxou seu cabelo com violência.— Ah!Uma dor lancinante explodriu no couro cabeludo. As pernas travaram. Ela não conseguiu avançar nem mais um passo.Antônio não era um homem grande ou imponente.Mas a diferença de força entre um homem e uma mulher ainda assim era cruel.Diante dele, Carolina continuava em desvantagem.Com uma mão, ele tapou a boca dela.Com a outra, manteve os dedos enroscados em seus cabelos, arrastando
— Você mesma que vai fazer?— Esse eu não dou conta. Só dá pra comprar pronto.Carolina caminhava enquanto ouvia os áudios no WhatsApp, e o sorriso não saía do rosto.A voz grave de Henrique, fosse em mensagem de áudio ou ao vivo, era sempre assim, fácil de gostar.Ela fingiu estar decepcionada, alongando o final da frase de propósito:— Tá boooom…Henrique perguntou na hora:— Ficou chateada?Carolina não queria dar trabalho pra ele. Tinha medo de que, por causa de uma frase solta, ele fosse atrás de vídeo, receita, tutorial, e acabasse passando horas tentando inventar algum doce complicado de amendoim.— Não fiquei chateada, não. — Disse em voz baixa, agora mais relaxada. — Na verdade, tô até animada. Amanhã é feriado, vai ter queima de fogos na praia. Dizem que ainda vai rolar show de drones.— Então eu vou com você.— Deixa pra ver amanhã… — Carolina respondeu. — Nem sei se vou acabar fazendo hora extra.De cabeça baixa, ela entrou no condomínio, trocando áudios com Henrique, uma m
Henrique entrou no quarto com uma mão segurando os doces e a outra fechando a porta.Carolina, já no limite da paciência, apoiou as duas mãos na porta dele e falou pausadamente, palavra por palavra:— Eu vou de metrô pro trabalho. Não preciso que você me leve. Entendeu?Henrique sorriu com tranquilidade.— Somos amigos, ué? Não precisa tanta cerimônia. Não vou te cobrar corrida.— Não é questão de dinheiro. — Carolina fechou o rosto, séria. — É questão de tempo e de energia.— Tempo e energia eu tenho de sobra.— Henrique, você…Ele a interrompeu com a maior naturalidade:— Se você não me deixa fechar a porta, é porque quer dormir comigo?A frase saiu de repente, carregada de uma ambiguidade perigosa.O coração de Carolina deu um solavanco. Assustada, ela recolheu as mãos na mesma hora. O rosto voltou a queimar.— Boa noite. — Henrique sorriu de um jeito que deixava claro que sabia exatamente o efeito que tinha causado e fechou a porta devagar.Carolina ficou parada diante da porta del
Por um instante, ele mesmo achou que tinha ouvido errado.Carolina estendeu o dedo e apontou para as três caixas nas mãos dele, lendo com cuidado, de baixo para cima:— Pão de queijo, cocada… Marido gelado.As orelhas de Henrique ficaram vermelhas na hora. Ele apertou os lábios, sorriu de leve, meio sem jeito, e assentiu com a cabeça.— Uhum. Ouvi sim.— São doces bem comuns. — Carolina explicou. — Não sabia se você já tinha provado, então trouxe pra você experimentar.— Pão de queijo eu já comi. — Henrique olhou para ela com um meio sorriso difícil de decifrar. — Marido… É a primeira vez que eu ganho um. Que gosto tem?Carolina travou.O calor subiu direto para o rosto.— É… É só o nome do doce. — Apressou-se em explicar. — Creme com bolacha, dessas sobremesas geladas. Você não gosta muito de coisa muito doce, então não peguei as versões mais enjoativas.O olhar de Henrique escureceu um pouco. Ele ficou encarando-a por alguns segundos antes de falar, com a voz baixa:— Você lembra que
A noite avançava em silêncio absoluto.Já de madrugada, o ônibus fretado da empresa parou em frente ao Morada One. Carolina se despediu das duas últimas colegas, desceu e seguiu a pé em direção a casa.Dessa vez, a confraternização tinha sido em um chalé nos arredores de Porto Velho. Natureza por todos os lados, comida local farta, aquele tipo de descanso que prometia desligar a cabeça do trabalho.Ao chegar à porta, Carolina encostou o dedo no leitor biométrico e empurrou a porta com cuidado.No instante em que viu a luz da sala acesa, sentiu um leve sobressalto. Àquela hora, Henrique já deveria estar dormindo havia muito tempo.Ela entrou, trocou os sapatos e virou o rosto em direção à sala.Como esperado, Henrique ainda estava acordado. Vestia um pijama casual e estava sentado de forma relaxada no sofá, assistindo televisão."A essa hora, vendo TV?"De chinelos, Carolina caminhou até a sala, deixando o olhar pousar na tela.Henrique ergueu a cabeça para encará-la.Ela franziu a test
Ele tirou uma garrafa de água mineral da sacola e, em seguida, colocou a sacola inteira sobre o colo dela.— Veio de brinde. — Disse.Carolina franziu a testa, intrigada, e abriu a sacola.Dentro havia uma caixinha de leite e um sanduíche de carne com ovo.O coração dela estremeceu levemente. Carolina virou o rosto para ele.Henrique parecia completamente à vontade, bebendo água, como se nada daquilo tivesse importância.— Obrigada. — Disse ela.Um calor inexplicável percorreu o peito de Carolina, descendo, pulsando de um jeito difícil de controlar.Henrique pousou a garrafa, ligou o carro e seguiu adiante.Carolina segurou o café da manhã contra o peito, sentindo uma melancolia suave se espalhar por dentro.Henrique era, no fundo, um homem realmente bom.No futuro, fosse qual fosse a mulher que acabasse se casando com ele, certamente viveria muito bem.Quando chegaram em frente ao escritório de advocacia, Henrique estacionou. Olhou para fora pela janela, curioso com o local onde ela t






