INICIAR SESIÓN— E, quando se trata de mim, qual é o seu limite? — Perguntou Henrique, sério.Carolina virou o rosto e apontou para a delegacia.— É ali.Henrique não pareceu nem um pouco intimidado.— Você não teria coragem.Carolina sustentou o olhar, tão firme quanto ele.— E você também não me forçaria a nada.— Talvez você ainda não me conheça tão bem assim. — Henrique soltou um sorriso sem força e se virou para abrir a porta do carro. — Entra.Carolina hesitou por um instante, mas acabou se sentando no banco do passageiro e afivelou o cinto.Henrique contornou o carro, entrou no lado do motorista e fechou a porta.— Vamos comer alguma coisa. O que você quer?— Não estou com fome. Me leva para casa.Carolina virou o rosto e ficou olhando para o poste aceso, não muito longe dali.Henrique afivelou o cinto e voltou a encará-la de lado.— Você nem jantou. Como é que não está com fome?Carolina permaneceu irredutível.— Me leva para casa. Senão, eu pego um táxi sozinha.Henrique não insistiu. Apenas
No fim, tudo indicava que tinha sido apenas coincidência: a gari só havia seguido o mesmo caminho que ela.Sem encontrar nada de realmente concreto, os dois saíram da delegacia.Carolina voltou a duvidar de si mesma. Será que a depressão tinha evoluído para um transtorno bipolar? Ou ela estava começando a desenvolver esquizofrenia?Não. Aquilo não fazia sentido.Ultimamente, ela vinha tomando os remédios direitinho, andava ocupada com o trabalho, e seu quadro até estava melhorando. As somatizações também tinham diminuído aos poucos.Mas, quanto mais pensava, mais medo sentia. As mãos começaram a formigar, o coração disparou, e ela se perdeu nos próprios pensamentos, seguindo Henrique até o carro quase sem perceber o caminho.Henrique parou e se virou, prestes a dizer alguma coisa.Só então percebeu Carolina vindo de cabeça baixa, completamente absorta, sem notar nada ao redor. No instante seguinte, ela bateu em cheio no peito dele.Ele não tentou afastá-la.Carolina se desnorteou com o
De repente, duas mãos fortes agarraram seus braços e a puxaram de volta antes que pudesse se afastar mais, mantendo-a firme no lugar e contendo um pouco do pânico que a dominava.Carolina estava pálida.Baixou a cabeça por reflexo, tentando se desvencilhar, e começou a se debater para se soltar de quem a segurava.— Carolina, o que houve?A voz tensa de Henrique chegou até ela.Naquele instante, o coração de Carolina, ainda tomado pelo terror, finalmente pareceu se acalmar. Ofegante, ela ergueu os olhos devagar para encará-lo.Os olhos ainda carregavam o susto.Henrique continuava segurando seus braços com firmeza. Havia preocupação evidente em seu olhar enquanto a examinava de cima a baixo.— Por que você está tão pálida? Do que está com tanto medo?Carolina virou a cabeça para trás.Não havia ninguém.Então voltou a olhar para Henrique e, aos poucos, foi recuperando o controle.— Acho que tem alguém me seguindo... Já aconteceu várias vezes. Mas eu nunca consigo ver quem é.— Não tenh
O rosto de Carolina se fechou na mesma hora.Alguns colegas do escritório se aproximaram. Até a recepcionista colocou a cabeça para fora, curiosa com o que estava acontecendo.Aquela cena ridícula fez a irritação de Carolina transbordar de vez.Ela estava ali para trabalhar. O que mais detestava era justamente esse tipo de drama sentimental. Aquilo era insuportável.Será que tinha sido educada demais antes? Foi isso que fez aquele homem perder completamente a noção? Arrogante, cheio de si, e agora ainda tentando apelar para chantagem emocional?— Doutor André, quem é a sua mãe? Por acaso eu a conheço? — Rebateu Carolina, fria, marcando cada palavra.A expressão de André se fechou ainda mais.Visivelmente constrangido, ele ficou sem resposta.Vendo o silêncio dele, Carolina continuou:— Por que eu teria que comer comida feita por alguém que eu nem conheço? E, além disso, nós somos apenas colegas de trabalho. Por favor, não alimente nenhum outro tipo de expectativa em relação a mim.Depo
Henrique saiu do escritório.Daniela se levantou às pressas do sofá, o olhar ardendo enquanto acompanhava cada passo dele.Ao passar pela sala, ele se despediu de Vanessa:— Mãe, eu já vou.Vanessa continuou sentada, sem demonstrar muita vontade de fazê-lo ficar.— Você não vai jantar?— Não. — Respondeu Henrique, seco.Sem sequer lançar um olhar para Daniela, ele se virou e foi embora.Daniela correu atrás dele.Já no jardim, Henrique caminhou até o carro. Quando puxava a maçaneta, ouviu a voz dela às suas costas:— Rick, espera.Ele parou.Soltou a mão da porta e se virou para encará-la.— Senhorita Daniela, prefiro que me chame de senhor Henrique. Não temos esse grau de intimidade.— Desculpe, senhor Henrique. — Daniela parou diante dele, com a postura impecável e a voz suave. — Mesmo depois do noivado desfeito... Nós não podemos ser amigos?Henrique foi direto:— Eu não preciso de mais amigos.— Mas...— Sem "mas". — O rosto dele endureceu, e o olhar ficou glacial. — Vou ser sincer
O semblante de Henrique fechou na mesma hora. Sem dizer nada, ele se virou para ir embora.— Pare aí. — Chamou Saulo. — Venha comigo até o escritório. Precisamos conversar.Henrique interrompeu o passo. Ficou alguns segundos em silêncio, como se ponderasse, e então tornou a se virar, resignado, seguindo o pai até o escritório.Os dois se sentaram no sofá da área de descanso. A luz do sol entrava pelas janelas e iluminava o cômodo por inteiro.Num tom severo, Saulo disse:— Rick, nunca me meti na sua vida amorosa porque sempre achei que você fosse maduro e sensato o bastante. Acreditei que a mulher que você escolhesse não seria alguém inadequada. Além disso, os homens da família Queiroz não precisam subir na vida por meio de casamento. Mas há uma coisa que eu não admito: que uma mulher atrapalhe o seu futuro.O olhar de Henrique escureceu, mas ele continuou calado.Saulo prosseguiu:— Se a origem da Carolina fosse limpa, eu jamais me oporia a um casamento entre vocês. Mas, pelo que tudo
— Obrigada.Carolina finalmente parou de insistir em recusar. Estava profundamente grata.Henrique pegou o celular e olhou a hora. Já passava da meia-noite.— Já está muito tarde. Vá dormir.— Ok. — Ela respondeu baixinho.Henrique então acrescentou, em tom tranquilo, quase como uma orientação:— Le
O chicote cortava o ar de forma caótica, atingindo seus braços e pulsos.A camisa branca de Carolina logo foi marcada por faixas vermelho-vivo de sangue.Ela tremia de dor, o corpo inteiro sacudindo, mas continuava segurando a faca com todas as forças. Lágrimas enchiam seus olhos, e ela não ousava p
Depois de terminar o jantar, Carolina organizou a mesa e lavou pratos e talheres.Ao sair da cozinha, seu olhar pousou em Henrique quase sem perceber.Ele havia mudado para uma posição mais relaxada, apoiando a cabeça em uma das mãos, recostado de lado no sofá. Continuava completamente absorvido pel
Do lado de fora da janela, tudo era escuridão.O vento uivava com violência.Carolina se aproximou e puxou a cortina, isolando o quarto daquele caos.Em seguida, voltou-se para o guarda-roupa e o abriu.Havia, de fato, algumas roupas, mas poucas. Apenas dois vestidos de festa caros e uma camisola de