LOGIN— O presente da Srta. Ayla é mesmo irresistível. — Daniel manteve os olhos nela e sorriu.Ayla ia se levantar, mas ele segurou levemente seu pulso. Desequilibrada, acabou caindo no colo dele.O calor do corpo dele a envolveu por completo. O hálito roçou sua orelha, fazendo com que ela encolhesse os ombros.Ao levantar os olhos, deu de cara com o olhar intenso dele. Com a mente vazia, passou os braços pelo pescoço dele.Daniel reparou no rubor das orelhas dela e, sem pensar, se inclinou para falar baixinho.Mas Ayla, sentindo cócegas, virou o rosto — o que fez com que os lábios dele roçassem de leve sua bochecha.Ela ficou paralisada, as orelhas em chamas, o rubor se espalhando pelo rosto.Daniel também congelou, os dedos apertando de leve a cintura dela. Não avançou mais. A voz saiu rouca:— ...Não conseguiu desviar?Ayla mal teve tempo de processar. O toque inesperado embaralhou todos os pensamentos.Os olhos se arregalaram, os cílios tremiam como asas batendo ao vento.— Sr... Danie
Daniel não levou Ayla para o térreo, mas sim direto para a cobertura pelo elevador.Ayla ficou surpresa. Tão tarde assim... será que ele queria levá-la para ver as estrelas?Mas a ideia logo se desfez. Daniel não parecia ser o tipo romântico, e certamente não do tipo que faria algo tão juvenil.De fato, o céu estava encoberto, e não havia estrelas à vista. O que havia era um helicóptero pousado na beirada do prédio.O vento forte sacudia a barra das roupas dos dois. Ayla olhou, perplexa, para Daniel.— Sr. Daniel... o que é isso?Enzo saltou do helicóptero e correu em direção a ela, sorrindo com entusiasmo: — Srta. Ayla, por favor, suba. Vai entender tudo assim que estiver lá em cima.Ele ainda lançou um olhar para Daniel, acenando com a cabeça — tudo pronto.Daniel não disse nada. Retirou o casaco dos ombros e o colocou sobre Ayla com delicadeza. — Está com frio?O casaco trazia o perfume frio e discreto do homem, com uma leve nota amadeirada de pinho e sândalo.Ayla corou. Olhou cu
Daniel assentiu com a cabeça.Ele tinha acabado de sair de uma reunião, e saiu alguns minutos mais tarde do que o planejado.Quis pegar a estrada pra ganhar tempo, mas acabou se envolvendo num engavetamento. O carro dele também foi atingido.Daniel não se machucou gravemente, foram só ferimentos superficiais.Mas o acidente foi grave e a estrada foi interditada, o que causou um grande atraso.Pra não deixar Ayla preocupada, ele preferiu não dar detalhes por telefone.Fez apenas um curativo rápido e correu para o encontro.— Aconteceu uma coisa tão séria e você não me avisou? Nenhum encontro vale mais que a sua segurança!Ayla sentiu o peito apertar. Ao ver o estado dele, ficou nervosa também.Foi tomada por um medo súbito e abraçou Daniel por impulso.— Ayla... — Daniel sentiu algo dentro de si se mover.Seus olhos tremeram levemente.O corpo dela estava quente. Logo aqueceu o dele, que ainda estava frio por causa do vento.Ele levantou o braço e, depois de hesitar um pouco, pousou a m
Quando conheceu Gustavo, ele ainda era muito jovem, mas já demonstrava maturidade e um charme contido. Era meticuloso, calculado, e jamais deixava as emoções fugirem do controle.Se embriagar num restaurante, de forma tão indigna, era algo que ele nunca teria permitido a si mesmo.Havia marcas discretas de lágrimas em seu rosto. Era evidente que, por causa deles, ele havia chegado ao limite.Quanto mais Bianca pensava nisso, mais o coração doía. Com a ajuda dos funcionários, tratou de levá-lo até o carro.Ao vê-lo largado no banco do passageiro, pálido e sem forças, Bianca franziu a testa e passou a mão pelo rosto dele com cuidado.Quando se inclinou para lhe beijar os lábios, ouviu Gustavo murmurar, num fio de voz:— Lalá...— Não faz isso comigo...Ele agarrou o pulso de Bianca de repente e a puxou para os braços. Mas os nomes que escapavam de sua boca, um após o outro, eram todos o de Ayla.Os olhos de Bianca se arregalaram.Foi como se uma lâmina atravessasse seu coração de uma vez
O coração de Ayla se apertou por um instante.Ter chamado Daniel justo no Dia dos Namorados... será que ele entenderia mal?Ela reservou a sala mais luxuosa do andar superior, cercada por três paredes de vidro.Dali, dava pra ver o brilho noturno de toda a cidade de San Elívar.A noite avançava devagar, envolta em silêncio e paz.De repente, o celular de Ayla vibrou. Era uma ligação de Gustavo.Ela tentou recusar, mas passou o dedo rápido demais e acabou atendendo sem querer.— Lalá?A voz de Gustavo soou no mesmo instante.Antes que ela desligasse, já era tarde.Ele tampouco esperava que ela atendesse. E ficou animado com isso.Parecia acreditar que ela já havia se acalmado.— O que você quer? — Ayla respondeu fria, impaciente.— Hoje é Dia dos Namorados. Se você não estiver ocupada, eu fiz uma reserva... quem sabe a gente janta junto?Mas Ayla não deu sequência.Algo lhe veio à mente, e ela sorriu de leve, quase imperceptivelmente.— E a Prof. Bianca? Como ela está? Ontem desmaiou...
Na loja, Bianca ficou tão furiosa que sentiu o sangue subir. As pernas falharam e tudo escureceu diante dos olhos.Mas o desmaio teve, sim, uma boa dose de encenação.Ver Gustavo se humilhar daquele jeito pra agradar Ayla foi demais pra ela. Chegou a pensar que preferia morrer.Felizmente, na hora mais crítica, Gustavo ainda se preocupava mais com ela.Quando a viu cair, largou Ayla no mesmo instante e correu com ela para o hospital.Fez questão de pedir que o médico receitasse os remédios certos, ficou com ela durante horas até que se recuperasse e, depois, a levou pessoalmente de volta pra casa.Ele mesmo preparou um jantar leve para ela.— Gustavo, a Ayla passou de todos os limites. Você viu hoje, viu como ela me tratou e como tratou você?— E se... e se a gente contasse tudo de uma vez? Eu já tenho seu filho. Por mais que seus pais me odeiem, vão ter que aceitar, não vão?No momento em que Gustavo esfriava o mingau de frutos do mar para alimentá-la, Bianca segurou o braço dele com







