Se connecterAntes de qualquer movimento final, Ayla ainda precisava diluir completamente as ações que permaneciam nas mãos da família Siqueira.O Grupo Siqueira deixaria de ter qualquer ligação com os Siqueira. Ela só pararia quando cada um deles estivesse reduzido a nada.Quando saiu do prédio do Grupo Siqueira, percebeu que muitos a observavam.A maioria daqueles olhares carregava receio. Alguns, medo puro.Todos tinham visto as notícias. Para quem estava de fora, Gustavo era o canalha da história. Mas a retaliação de Ayla também não era menos assustadora.Canalha merecia troco, era verdade. Ainda assim, o que ela fazia não atingia apenas um homem... envolvia o destino de todos dentro do Grupo Siqueira.E a maioria ali não possuía a frieza, nem a capacidade estratégica que ela demonstrava. Ao pensar nela, o sentimento que surgia não era admiração — era temor.Por fora, Ayla mantinha a postura impecável, indiferente.Por dentro, porém, uma mistura amarga se espalhava no peito. Era algo mais compl
Bianca já sabia de tudo o que aconteceu na empresa.Assim como o restante da família Siqueira, ela ardia de indignação. Mas, naquele momento, como Sra. Siqueira, precisava manter a casa de pé e sustentar Gustavo. Não podia permitir que tudo desmoronasse de vez.Elena era idosa e não podia permanecer no hospital por muito tempo. Depois que Armando saiu da cirurgia, Selina assumiu os cuidados e levou Elena de volta para casa.O hospital e Gustavo ficaram sob responsabilidade de Bianca.Ela respirou fundo várias vezes. Só de pensar no que Ayla fez com a família Siqueira e com Gustavo, sentia os dentes rangerem de ódio. Era impossível manter a calma de verdade.Ela não teve coragem de reler as notícias. Os comentários eram um massacre. Cada frase era mais cruel que a anterior.Os internautas se colocavam no pedestal da moralidade, julgavam como se fossem juízes supremos, quando na própria vida muitos não faziam metade do que exigiam dos outros.Um bando de parasitas desocupados, que não fa
O outro acionista, vendo a posição do colega, apressou-se em declarar:— Eu também concordo! Que a Sra. Ayla execute a decisão imediatamente!— Canalhas! Vocês... ingratos! — Armando apontou para os dois com a mão trêmula.Antes de concluir a frase, foi tomado por uma crise de tosse violenta. O rosto, que estava vermelho, ficou arroxeado. Por pouco não desmaiou.Gustavo correu para ampará-lo. O próprio semblante já estava lívido.— Ayla, depois de tantos anos, você realmente vai ser tão implacável comigo? Depois de se vingar, vai se sentir satisfeita?— Gustavo agora você enxerga? — Armando apertou os dentes, quase os quebrando, e segurou o braço do filho com força. — A mulher que você protegeu... em quem confiou cegamente... veja como ela trata você... veja o quanto ela é fria... cruel...Desta vez, Ayla nem precisou responder.Alguns executivos, atentos ao rumo da situação, chamaram imediatamente a segurança.Os seguranças cercaram Gustavo e Armando. Hesitaram por um segundo, mas man
Desta vez, com a retirada do investimento do Grupo Fonseca, metade dos projetos da empresa caiu por terra. Ayla voltou porque a chamaram para salvar a situação.— Isso... Ayla, gratidão também conta. Mesmo que você tenha conflitos pessoais com a família Siqueira, não pode usar a empresa para vingança particular, pode? — Finalmente, um dos acionistas abriu a boca, tentando aliviar a tensão.Ayla não respondeu. Apenas curvou os lábios num leve sorriso.Ela ergueu a mão. O advogado ao lado lhe entregou um tablet.Ayla virou a tela para os presentes.— Imagino que ninguém ainda viu as notícias. A essa altura, aconselho todos a priorizarem os próprios interesses. Se o Grupo Siqueira falir agora, quem sairá mais prejudicado não serão vocês?Mal terminou de falar, a sala de reuniões explodiu em alvoroço. Alguns executivos quase se levantaram das cadeiras.O rosto dos dois acionistas empalideceu de imediato.Gustavo ainda não reagia. Armando, porém, já arregalava os olhos diante da manchete ex
— Nem pense nisso! — Armando tremia de raiva. — Ayla, mesmo que você detenha ações, a demissão de dois executivos desse nível não depende apenas da sua palavra! O Grupo Siqueira é patrimônio da nossa família! Se acionarmos o mecanismo de defesa societária, quem sai é você!— Fiquem à vontade para tentar. — Ayla respondeu sem hesitar. Ela lançou um olhar breve aos advogados ao lado. — Eu já pretendo iniciar uma auditoria completa dos últimos três anos. Espero que, quando isso acontecer, o máximo que recaia sobre o senhor e sobre Gustavo seja apenas a perda dos cargos.Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Nenhuma empresa teme tanto quanto uma auditoria. Muito menos o Grupo Siqueira.Desde que assumiu, Gustavo desviou recursos para atender interesses de Bianca. Armando tampouco mantinha as mãos limpas.Se as contas fossem abertas, a consequência poderia ir muito além da simples exoneração.A segurança de Gustavo vacilou pela primeira vez.Ele não imaginou que Ayla chegaria a esse ponto.
Era impressão dele?Desde quando Ayla passou a brilhar daquela forma, distante e inalcançável?— Bom dia a todos. Eu sou Ayla. Imagino que os senhores já estejam cientes da alteração societária. A empresa enfrentou vários incidentes recentes. Eu não vou tomar muito do tempo de ninguém. Após anunciar alguns pontos importantes, a reunião pode ser encerrada. — Declarou ela, com voz firme.Ayla passou direto por Gustavo.Também ignorou Armando, que permanecia sentado na cadeira principal, aguardando que ela ao menos o cumprimentasse.Ela caminhou até a posição central da mesa. Não se sentou.Apenas fez um leve gesto para um dos advogados.O advogado avançou um passo e anunciou com clareza:— De acordo com o acordo societário com força legal e conforme o estatuto da companhia, a Sra. Ayla agora detém cinquenta por cento das ações do Grupo Siqueira, se tornando a maior acionista individual do grupo. Fica confirmado que a Sra. Ayla possui pleno direito de decisão e gestão correspondente à sua






