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A noticía

last update Fecha de publicación: 2026-03-12 09:01:15

Do outro lado da cidade, a boate pulsava com aquela energia específica das noites de quinta — não o caos exuberante do fim de semana, mas algo mais tenso, mais íntimo, mais concentrado.

Antony estava numa das mesas laterais com um drinque que não havia tocado.

Ele vinha ali há pelo menos 04 dias.

Sempre pela mesma razão.

Sempre olhando para o mesmo lugar — o espaço entre a cortina e o palco onde, em algum momento da noite, ela aparecia.

A Domadora.

Havia algo naquele nome que era ao mesmo tempo
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Último capítulo

  • A Babá da minha filha é dançarina de boate   A Prova

    Ao pegar a máscara na mão, ele pode sentir o couro era frio — aquele frio específico dos objetos que estiveram fora do calor de um corpo por tempo suficiente para absorver a temperatura do ambiente. Liso nas partes que eram feitas para ser lisas, com aquela textura cuidadosa de algo que havia sido escolhido com atenção.Ele a virou nas mãos. Examinou. O formato das aberturas para os olhos — aquele ângulo específico. A curvatura que se adaptava a um rosto. Os detalhes das bordas que ele havia tentado, em mais de uma noite que não admitia para si mesmo, recordar com precisão. Era idêntica. Exatamente.Não similar — idêntica. Com aquela especificidade que não permite interpretação alternativa, que não oferece a saída confortável do talvez seja coincidência porque não há coincidência que produza aquele resultado com aquela precisão.O coração de Antony bateu mais forte. Não da maneira que o coração bate quando algo assusta — da maneira que bate quando algo que estava sendo buscado é final

  • A Babá da minha filha é dançarina de boate   A Máscara

    A casa estava silenciosa. Não o silêncio confortável das madrugadas quando tudo repousa e o mundo faz uma pausa voluntária — era o silêncio tenso, carregado, daquele tipo que existe quando uma pergunta grande está sendo carregada por uma pessoa que ainda não encontrou a coragem ou o momento certo para fazê-la.Antony havia ficado acordado.Não havia tentado dormir — havia passado pelas formas externas do ritual, havia deitado, havia fechado os olhos, havia ficado de pé no escuro do próprio quarto por tempo suficiente para perceber que a cama era o lugar errado para o que estava acontecendo dentro dele. Então havia se levantado.Havia descido.Sem destino declarado — sem dizer para si mesmo vou até lá, sem formular a intenção com clareza suficiente para ter que examiná-la. Apenas a escada, os degraus que conhecia de memória, o corredor que levava ao andar dos funcionários com aquela luz baixa que ficava acesa a noite toda por questão de segurança. A inquietação havia crescido ao longo de

  • A Babá da minha filha é dançarina de boate   A Investigação

    Ficou de pé com o celular na mão por alguns segundos, olhando para a cidade que não apagava. Ela sabia que logo teria mais informações sobre a babá, o suficiente para ameaçar a mesma ou tirar ela do seu caminho.Havia uma versão desta situação que ela havia testado ao longo dos últimos dias — a versão razoável, a versão que aplicava a mesma objetividade que aplicava a qualquer análise de negócios. A versão que dizia que Antony estava passando por uma fase, que o casamento tinha ciclos, que havia explicações mais simples do que a que estava tomando forma na sua cabeça. Havia tentado ficar nessa versão, até ele apresentar os papéis do divórcio e isso confirmar que ele de fato não queria mais estar com ela, isso significaria perder a empresa e o seu dinheiro e status. Ela não deixaria isso ocorrer.E então havia parado, porque Helena Brandão havia chegado onde havia chegado exatamente por não ficar em versões confortáveis quando a evidência apontava para outra direção.Ela voltou para a

  • A Babá da minha filha é dançarina de boate   A Ligação

    A cidade nunca apagava completamente.Era isso que Helena havia aprendido ao longo dos anos que vivia naquele apartamento no décimo oitavo andar da empresa — que São Paulo tinha aquela qualidade específica das coisas que não param, que mantinha uma luminosidade residual mesmo nas horas mais fundas da madrugada, aquele brilho difuso que subia dos prédios e das ruas e chegava até as janelas altas como um lembrete constante de que o mundo lá fora continuava independentemente do que estivesse acontecendo aqui dentro.Helena estava de pé diante da janela do escritório. A taça de vinho na mão direita — segurada com aquela firmeza contida que não era o gesto relaxado de quem bebe para apreciar, mas o gesto de quem precisa de algo para segurar enquanto processa o que está processando. O líquido escuro refletia a luz fraca do ambiente. Ela não havia bebido ainda. O reflexo dela mesma no vidro a olhava de volta.Ela conhecia aquele rosto melhor do que qualquer espelho poderia mostrar — não apen

  • A Babá da minha filha é dançarina de boate   A Fantasia é real

    A sala ficou quieta por um segundo.— Diferente como — disse ela, e havia no tom uma cautela que ele reconheceu — a cautela de quem sabe exatamente o que a pergunta significa mas está medindo quanto da resposta é seguro dar.— Você sabe como — respondeu eleOutro silêncio. Seus olhares se chocam, está escrito em seus olhos a intensão de cada palavra, daquele momento, não era mais apenas luxuria ou prazer, era mais, tinha um sentimento maior ali entre aqueles dois e parecia crescer em cada encontro. A Domadora caminhou até a janela sem vista. Ficou de costas para ele por alguns segundos — e havia algo naquele gesto que era diferente de todos os movimentos calculados que ela usava naquele espaço. Era o gesto de alguém que precisa de um segundo sem ser observada.— Todos os clientes acham que a conversa deles é especial — disse ela, finalmente, ainda de costas.— Você está me dizendo que não é.— Estou te dizendo que todos acham.— E você está desviando, do nosso assunto real.Ela virou

  • A Babá da minha filha é dançarina de boate   A PRIMEIRA QUEBRA DE REGRA

    Três semanas.Antony havia contado — não intencionalmente, não com a consciência de quem marca calendário esperando algo, mas da maneira que o tempo se torna contável quando cada semana tem um ponto fixo ao redor do qual o resto se organiza sem que você admita para si mesmo que é isso que está acontecendo. Três semanas de quartas-feiras. Três semanas de chegar à boate mais cedo do que precisava e pedir a mesma sala privada com uma naturalidade construída que enganava talvez todo mundo exceto Laura, que havia desenvolvido ao longo dos anos aquele sorriso discreto de quem viu muitas variações daquela mesma história e reconhecia os padrões antes que os personagens os reconhecessem.Três semanas de conversas que não deveriam ser o que eram. Porque havia uma diferença — ele havia percebido isso desde a primeira noite, havia tentado arquivar a percepção e ela havia se recusado a ser arquivada — entre o que acontecia naquelas salas privadas quando a Domadora estava com outros clientes e o qu

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