Beranda / Romance / Apaixonada Por Dois / Capítulo 6 — Linhas Que Não Deveriam Ser Cruzadas

Share

Capítulo 6 — Linhas Que Não Deveriam Ser Cruzadas

Penulis: Any Ferreira
last update Tanggal publikasi: 2025-11-24 11:51:27

O elevador subia devagar demais — ou talvez fosse apenas a adrenalina que fazia o tempo parecer mais lento do que realmente era. Elara respirou fundo, tentando controlar o nervosismo que se acumulava em seu peito. Não sabia se estava pronta para essa conversa com Kael. Depois do que aconteceu naquele corredor… depois da forma como ele a puxou para perto, como se ela fosse algo que ele tinha o direito de tocar, de reivindicar… nada parecia mais simples.

Quando as portas se abriram, Kael estava lá.

Encostado na parede de vidro, braços cruzados, expressão contida — mas o olhar… o olhar ardia como se ainda sentisse o toque dela.

— Você veio. — A voz dele era grave, sem emoção aparente, mas carregada de significado.

— Você mandou me chamar — ela respondeu tentando manter a compostura.

Kael avançou um passo. Não o suficiente para tocá-la, mas perto o bastante para dominar o espaço.

— Tem muitas coisas que poderíamos discutir agora, Elara — ele disse lentamente — mas vou ser direto.

Ela esperou, o coração batendo tão forte que parecia ecoar no silêncio.

— Quero saber até que ponto Leon Hale importa.

Elara piscou, atônita.

— Isso não é assunto profissional.

— Não — ele concordou, e ainda assim o olhar dele não suavizou — mas afeta sua estabilidade aqui. Afeta decisões. Afeta... escolhas.

Ela engoliu seco.

Kael aproximou-se mais, e agora sua voz tinha algo quase perigoso:

— Eu não gosto de distrações.

Era quase um aviso. Quase um território marcado.

— Eu não sou propriedade de ninguém — ela rebateu, firme, surpreendendo a si mesma tanto quanto a ele.

Os olhos dourados de Kael se estreitaram… e um sorriso sutil — muito breve — surgiu em seus lábios.

— Bom. Eu não teria interesse se você fosse alguém fácil de dobrar.

Elara desviou o olhar. A tensão entre eles era tanta que respirar parecia um esforço.

— E quanto ao que aconteceu hoje? — ela perguntou finalmente. — Foi só impulso? Ego? Controle?

Kael se manteve em silêncio por alguns segundos longos.

Então respondeu, sem hesitação:

— Foi inevitável.

Essas duas palavras fizeram algo dentro dela vacilar. Ela deveria ter recuado, dito algo lógico, profissional. Mas sua mente estava embaralhada demais.

— Isso não pode acontecer de novo — ela tentou reforçar.

— Não? — ele questionou em voz baixa — ou não deveria?

Ela não respondeu. Não confiava na própria voz.

Kael deu um passo atrás, como se estivesse lhe dando espaço — ou testando uma linha invisível.

— Seu projeto será revisado amanhã — disse ele, agora em tom executivo novamente. — E quero você na reunião com a diretoria.

O choque fez Elara erguer o olhar.

— Mas eu ainda sou nova aqui — ela protestou.

— Eu decido quem está pronta. — Kael respondeu. — E você está.

Antes que ela pudesse reagir, a porta atrás deles se abriu.

Leon.

Ele parou ao ver a cena: Kael perto demais, Elara tensa, o clima impossível de ignorar.

— Tudo bem aqui? — Leon perguntou, o olhar alternando entre os dois.

Kael respondeu antes dela:

— Estávamos apenas finalizando algo pendente.

Leon estreitou o olhar, claramente duvidando.

— Elara, preciso falar com você — ele disse, ignorando Kael.

Kael não se moveu — mas o ar ao redor dele ficou mais frio.

— Ela está ocupada — Kael declarou.

Leon riu — mas não havia humor ali.

— Com todo respeito, Kael, você não controla o tempo de todo mundo.

Kael não respondeu. O silêncio era mais ameaçador do que qualquer frase.

Elara deu um passo, quebrando a tensão.

— Eu posso ir, é rápido.

Kael finalmente desviou o olhar dela… mas a mensagem era clara:

Isso não terminou.

Leon caminhou ao lado dela até um dos lounges do andar inferior.

— Ele está ultrapassando limites — Leon disse quando finalmente ficaram a sós.

— Eu sei — Elara respondeu, cansada. — Mas eu estou tentando lidar com isso.

Leon respirou fundo.

— Eu vou ser direto, Elara: ele está interessado em você. Não é sobre trabalho. Não é sobre avaliação. É pessoal. E quando alguém como Kael Draven quer algo… ele não recua.

Elara desviou o olhar, inquieta.

— E você? — ela perguntou baixinho. — Você também não recua.

Leon sorriu, um sorriso quase triste.

— A diferença é que eu respeito escolhas.

Aquilo acertou algo dentro dela.

— Leon… eu não sei o que estou sentindo. Tudo aconteceu muito rápido.

Ele assentiu.

— Eu não vou pedir pra você escolher agora — disse suavemente. — Mas quero que saiba: eu estou aqui. E não tenho medo dele.

A sinceridade na voz dele fez algo dentro dela se partir — porque era exatamente o que ela não queria: dois homens em rota de colisão por causa dela.

Antes que ela pudesse responder, o celular vibrou em sua mão.

Uma mensagem.

De Kael.

> Reunião adiantada. Sala 19. Agora.

Leon viu a expressão dela mudar.

— Foi ele, não foi?

Ela assentiu.

Leon respirou fundo… como alguém prestes a entrar numa guerra.

— Então vai — ele disse. — Mas cuidado, Elara.

Ela hesitou.

— Por quê?

Ele segurou o olhar dela e respondeu:

— Porque você está começando a mexer com dois homens que não sabem perder — e um deles nunca precisou disputar nada na vida.

Quando ela entrou na sala 19, Kael estava à mesa, papeladas organizadas, expressão impecável. Mas os olhos… os olhos diziam outra coisa.

— Perdi você para Hale por cinco minutos — ele disse sem olhar para cima. — Não fique confortável com isso.

— Kael — ela suspirou — por favor, não transforme isso em uma competição.

Ele ergueu o olhar devagar.

— Já é.

E naquele instante Elara percebeu:

Não havia mais retorno.

O jogo tinha começado.

E ela era o centro do conflito.

Entre desejo, poder e escolhas — alguém sairia ferido.

Talvez mais de um.

Talvez… ela.

O elevador para com um aviso suave, mas o ar entre nós continua tenso, quase elétrico. As portas se abrem lentamente e Kael segura meu pulso antes que eu dê o primeiro passo.

— Não fuja de mim, Elara — sua voz é baixa, firme, íntima demais para um corredor vazio.

Meu coração b**e forte, traindo qualquer tentativa de indiferença.

— Não estou fugindo — minto, sabendo que ele percebe.

Seu olhar desce para minha boca por um segundo que parece uma eternidade.

— Está. Mas não por muito tempo.

Ele solta meu pulso como se estivesse me concedendo liberdade — quando na verdade, prendeu algo muito mais profundo.

Eu.

A ele.

Lanjutkan membaca buku ini secara gratis
Pindai kode untuk mengunduh Aplikasi

Bab terbaru

  • Apaixonada Por Dois   Capítulo 120 — O Que Permanece

    Elara não voltou imediatamente para sua sala. Caminhou sem direção definida pelos corredores quase vazios, como se o movimento físico pudesse organizar algo que ainda não tinha forma. A conversa com Kael havia encerrado uma possibilidade. A ligação com Leon abrira outra. Pela primeira vez, não havia mais espaço intermediário. Ela parou diante da janela do último andar. O reflexo devolvia uma imagem mais cansada do que ela lembrava. Não era apenas desgaste. Era o resultado de decisões acumuladas, de silêncios prolongados, de escolhas adiadas até se tornarem inevitáveis. O telefone ainda estava em sua mão. Ela sabia que Leon esperava. Não pressionando. Apenas presente. E, curiosamente, essa ausência de urgência tornava tudo mais difícil. Ele não tentava convencê-la. Não tentava ocupar o espaço deixado por Kael. Apenas aguardava. Elara respirou fundo. Não queria decidir por comparação. Nem por culpa. Nem por medo de perder algo que já estava perdido. Precisava decidir pelo que ainda f

  • Apaixonada Por Dois   Capítulo 119 — Tarde Demais Para Voltar

    Elara passou a manhã evitando decisões objetivas. Não por falta de clareza, mas porque qualquer movimento agora teria peso definitivo. O afastamento de Kael não criara apenas um vazio emocional; reorganizara o espaço inteiro ao redor dela. Sem ele, tudo parecia mais direto. Mais exposto.Ela revisava o mesmo documento havia vários minutos quando percebeu que não lera nenhuma linha. A mente insistia em voltar à última frase dele: Você precisa decidir sem mim agora. Não era cobrança. Era encerramento.O telefone vibrou. Uma mensagem curta, sem nome salvo.“Precisamos conversar. Hoje.”Ela leu duas vezes. Sabia quem era. Kael não mandava mensagens assim sem já ter decidido algo.Elara deixou o celular sobre a mesa e caminhou até a janela. Não havia dúvida, apenas antecipação. Minutos depois respondeu: “Onde?”“Sala antiga. 18h.”A sala antiga ficava longe do fluxo principal. Discreta. Um lugar escolhido para evitar interrupções. Aquilo não era casual.O restante do dia passou com uma ate

  • Apaixonada Por Dois   Capítulo 118 — O Que Não Pode Ser Desdito

    A sala ainda carregava o silêncio do que havia sido dito minutos antes. Elara não se mexeu imediatamente. Permanecer ali era desconfortável, mas sair rápido demais pareceria fuga. E ela não podia mais fugir de nada — não agora.Kael continuava de pé perto da janela. Não olhava para ela, mas também não a ignorava completamente. Havia uma tensão controlada na postura dele, como alguém que estava tentando não atravessar uma linha que já havia sido cruzada muitas vezes antes.— Você vai dizer alguma coisa? — ele perguntou, sem virar.Elara respirou devagar.— Depende.— Do quê?— Do que você quer ouvir.Ele soltou um riso curto, sem humor.— Não é assim que funciona.— Sempre funcionou.Agora ele virou. O olhar veio direto, firme, mas cansado. Não havia raiva explícita. Era algo pior. Era lucidez.— Não — disse Kael. — Funcionava quando você ainda fingia que não estava escolhendo.As palavras ficaram entre eles. Elara sentiu o impacto, mas não respondeu imediatamente. Ela sabia que qualqu

  • Apaixonada Por Dois   Capítulo 117 — O Espaço Que Fica

    Elara não desacelerou depois que saiu da sala.O corpo seguiu em movimento como se parar fosse permitir que tudo a alcançasse de uma vez. O corredor parecia o mesmo, as pessoas continuavam em seus lugares, vozes baixas, passos comuns — mas havia uma distância agora. Não física. Interna.Ela passou por dois funcionários que cumprimentaram com um aceno contido. Elara respondeu no automático. O controle ainda estava lá. Funcionando. Mas já não sustentava da mesma forma.Quando chegou à própria sala, fechou a porta sem força. O som foi baixo, quase irrelevante. Mesmo assim, ela percebeu.Pequenas coisas tinham começado a importar mais.Ou talvez sempre importaram, e ela só não estava mais desviando.Elara deixou a bolsa sobre a mesa, mas não se sentou imediatamente. Caminhou até a janela, olhando para fora sem realmente focar em algo específico. A cidade seguia em ritmo constante, indiferente ao que tinha acabado de acontecer.E era exatamente isso.Nada ali fora ia parar.Nada ali dentro

  • Apaixonada Por Dois   Capítulo 116 — O Que Precisa Ser Dito

    Elara não saiu da sala imediatamente.Ficou sentada por alguns segundos a mais do que o necessário, como se o corpo ainda estivesse tentando acompanhar o que já tinha sido decidido antes mesmo de ser dito. A mesa à sua frente continuava organizada, intacta, como se nada tivesse acontecido ali. E, ainda assim, tudo tinha mudado.Ela se levantou devagar.Não havia mais espaço para adiamento. O que antes era possibilidade agora era direção.E direção exigia confronto.Elara saiu da sala sem pressa, mas sem hesitação. O corredor parecia mais longo do que de costume, não por distância, mas pelo que esperava no fim dele. Cada passo carregava uma espécie de antecipação contida, como se o próprio ambiente já soubesse que aquilo não seria apenas mais uma conversa.Ela parou diante da porta antes de bater.Não precisava pensar em quem estava lá dentro.Abriu.Kael estava sozinho.Ele não pareceu surpreso ao vê-la, o que só confirmou que, de alguma forma, ele já esperava. Estava de pé, próximo

  • Apaixonada Por Dois   Capítulo 115 — O Que Não Se Sustenta

    O silêncio entre eles não era ausência de palavras. Era escolha. Elara percebeu isso antes mesmo de entrar na sala. Não pelo que via, mas pelo que não acontecia. Nenhum som deslocado, nenhuma movimentação desnecessária. Tudo parecia contido demais — como se qualquer gesto pudesse acionar algo irreversível. Ela fechou a porta com cuidado. O clique ecoou mais do que deveria. Kael estava encostado na mesa, braços cruzados, o peso distribuído de forma controlada. Leon permanecia sentado, postura rígida, como se estivesse sustentando mais do que o próprio corpo. Nenhum dos dois olhou imediatamente para ela. Aquilo já dizia o suficiente. — Vocês pediram essa reunião — disse Elara, sem avançar. Kael levantou o olhar primeiro, mas respondeu só depois de um segundo a mais do que o normal. — Precisávamos alinhar algumas coisas. “Alinhar.” Elara deixou a palavra passar sem reagir. Caminhou até a outra ponta da mesa, escolhendo distância. — Então alinhem. Leon soltou o

Bab Lainnya
Jelajahi dan baca novel bagus secara gratis
Akses gratis ke berbagai novel bagus di aplikasi GoodNovel. Unduh buku yang kamu suka dan baca di mana saja & kapan saja.
Baca buku gratis di Aplikasi
Pindai kode untuk membaca di Aplikasi
DMCA.com Protection Status