Chapter: CAPÍTULO BÔNUS — Um Ano Depois ✨A manhã estava silenciosa. Não o silêncio tenso de estratégias, códigos ou ameaças. Era o tipo de silêncio raro — o que só existe quando o caos finalmente aprende a descansar. Isabella despertou devagar, sentindo primeiro o calor do sol entrando pela grande janela de vidro, depois o peso firme de um braço envolvendo sua cintura — protetor, possessivo, familiar. Dante. Por um segundo, apenas respirou ali — no lugar onde nunca pensou que chegaria. — Eu sei que você está acordado — ela murmurou, sem abrir os olhos. A voz dele veio baixa e rouca, carregada daquele tom que sempre a desarmava: — Estou apreciando a vista. Ela riu, preguiçosamente. — Você diz isso todos os dias. — Porque é verdade todos os dias — ele rebateu, aproximando os lábios do pescoço dela. — E eu aprendi a não desperdiçar o que é meu. Isabella virou de frente para ele, os rostos tão próximos que as respirações se misturaram. Fazia exatamente um ano desde o dia em que tudo terminou. Ou começou. Dependia
Last Updated: 2025-11-26
Chapter: Capítulo 60 — Fim do JogoA explosão não destruiu o prédio — mas abalou tudo o suficiente para transformar o interior em caos. Luzes piscavam, sirenes ecoavam, e o cheiro de fumaça começava a se espalhar pelo ar. Isabella caiu de joelhos com o impacto inicial, sentindo o choque reverberar pelos ossos. Antes que pudesse reagir, Dante já estava ao lado dela, segurando seu braço e puxando-a para ficar de pé. — Vamos — disse ele, firme, sem espaço para dúvida. Elijah, porém, permanecia parado, observando tudo com a calma cruel de alguém que não apenas esperou o caos — mas o planejou. — Impressionante — ele disse, com um sorriso que não alcançava os olhos. — Vocês realmente acreditaram que iam sair daqui simplesmente me enfrentando? Luca entrou pela lateral, arma em mãos, Lorenzo logo atrás monitorando o controle remoto ligado ao servidor. — Dante, temos sinal da equipe — Lorenzo informou. — Sistema restaurando, mas não temos muito tempo. Elijah ergueu uma sobrancelha. — Tempo nunca foi o problema.
Last Updated: 2025-11-26
Chapter: Capítulo 59 — A Queda Antes do FimO relógio na parede marcava 02:47 da manhã, mas ninguém na sala de guerra parecia cansado. A mesa estava coberta por pastas, telas abertas, códigos em execução e rotas traçadas com precisão milimétrica. Ali não havia cansaço — havia tensão, expectativa e a certeza de que algo grande estava prestes a acontecer. Isabella estava de pé, observando a projeção frontal com a postura de alguém que não apenas esperava o impacto — mas o convidava. Lorenzo terminou de revisar a última linha de programação e finalmente falou: — Pronto. Se Elijah tentar acessar qualquer rota alternativa, o sistema vai bloquear e rastrear. Não importa o protocolo que ele use. Dessa vez, a gente vai ver para onde ele corre. Luca exalou um riso curto, quase amargo: — Ele nunca corre. Ele faz os outros correrem. Dante permaneceu calado, apoiado contra a mesa, braços cruzados. Ele estava atento demais — não era espera, era cálculo. A mente dele já estava três movimentos à frente. Isabella sentiu o olhar dele ant
Last Updated: 2025-11-26
Chapter: Capítulo 58 — O Quebrar Do SilêncioA sala subterrânea parecia menor naquela noite. Talvez fosse o peso das informações. Talvez fosse o que estava prestes a acontecer. Ou talvez fosse simplesmente o fato de que, finalmente, não havia mais espaço para ilusões — apenas verdades. Isabella estava diante da mesa central, o holograma flutuando sobre o metal frio, exibindo camadas de rastros digitais deixados por Elijah. Uma dança caótica de códigos, coordenadas e movimentações bancárias — mas havia ordem ali. Um padrão minucioso, meticulosamente planejado. Ela conhecia aquele padrão. Porque já havia vivido sob ele. — Ele não está escondendo mais — murmurou. — Está entregando rotas. De propósito. Luca, sentado ao lado com os braços cruzados, arqueou a sobrancelha. — Ou está fazendo parecer que está entregando. Dante permaneceu em silêncio atrás dela, observando não só os dados — mas a postura dela. A respiração. A firmeza. Isabella não era mais a mulher que Elijah tentou modelar, controlar ou quebrar. Ela era consequ
Last Updated: 2025-11-25
Chapter: Capítulo 57 — A Jogadora OcultaAs horas seguintes não foram marcadas por gritos, caos ou correria — e sim por silêncio.Silêncio de cálculo.Silêncio de preparação.Dante se movia pela sala como alguém que já estava três jogadas à frente. Isabella observava, analisava, encaixava tudo em lugares invisíveis. Luca digitava sem parar, conectando sistemas, criando rotas alternativas e apagando rastros como se estivesse limpando um campo minado.Não havia pressa — havia precisão.Quando Dante finalmente falou, o relógio já tinha avançado quase duas horas.— Ele nunca trabalha sozinho — disse, quebrando o silêncio. — Se Clara deixou aquela mensagem, significa que Elijah começou a eliminar possíveis brechas.Isabella cruzou os braços.— O que significa que ele está preparando um movimento grande.Luca franziu o cenho sem parar de digitar.— Vocês falam como se ele fosse um profeta — murmurou. — Às vezes um psicopata é só… um psicopata.— Não — Isabella respondeu, firme, sem hesitação. — Psicopatas provocam. Elijah constrói
Last Updated: 2025-11-25
Chapter: Capítulo 56 — O Tabuleiro se MoveA porta foi fechada atrás deles com um silêncio tão pesado que parecia vibrar no ar. Isabella ainda segurava o envelope como se fosse uma arma — ou um lembrete de que alguém tinha atravessado limites que nenhum deles permitia. Luca respirou fundo, cruzando os braços. — Ok… precisamos falar sobre isso. Dante não respondeu de imediato. Ele caminhou até a mesa, colocou a foto virada para baixo e apoiou as mãos sobre a madeira, cabeça baixa, ombros tensos. Quando finalmente falou, sua voz não era furiosa — era fria. Controlada. Perigosa. — Ele esteve perto demais. E durante muito tempo. Isabella o observava. Havia algo no olhar dele — não medo, não surpresa — mas um reconhecimento amargo de guerra antiga. — Ele não tiraria essa foto sem intenção — ela disse. — Não é lembrança. Não é ameaça comum. É posicionamento. Luca franziu o cenho. — Como assim? Ela se aproximou, aproximando-se da mesa. — É simples: essa foto não diz “posso machucar”. Ela diz “sempre estive três passos à
Last Updated: 2025-11-25

Apaixonada Por Dois
Elara Martins sempre acreditou que sua vida profissional seria sua prioridade. Competente, determinada e inteligente, ela jamais imaginou que um único encontro poderia abalar todas as suas certezas.
Kael Draven, CEO enigmático e poderoso, é conhecido por seu controle absoluto — nos negócios e na vida pessoal. Ninguém consegue chegar perto do homem que domina cada ambiente com olhar frio e postura implacável… até Elara.
Entre desafios corporativos, encontros inesperados e uma química impossível de ignorar, os dois descobrem que o jogo de poder pode ser muito mais intenso quando sentimentos entram em cena. Cada toque, cada olhar, cada beijo é um passo perigoso em direção a uma paixão que desafia limites.
Mas nem tudo é simples: ciúmes, segredos do passado e o medo de se perder tornam cada momento juntos ainda mais ardente e imprevisível. E quando Kael finalmente deixa transparecer sua vulnerabilidade, Elara percebe que, por trás do homem firme e controlado, existe alguém capaz de amar intensamente — e somente ela poderá desvendar esse lado oculto.
“Apaixdonada Por Dois" é uma história de atração, desejo e conexão emocional que vai prender o leitor do início ao fim, em um romance intenso e inesquecível.
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Chapter: Capítulo 120 — O Que PermaneceElara não voltou imediatamente para sua sala. Caminhou sem direção definida pelos corredores quase vazios, como se o movimento físico pudesse organizar algo que ainda não tinha forma. A conversa com Kael havia encerrado uma possibilidade. A ligação com Leon abrira outra. Pela primeira vez, não havia mais espaço intermediário. Ela parou diante da janela do último andar. O reflexo devolvia uma imagem mais cansada do que ela lembrava. Não era apenas desgaste. Era o resultado de decisões acumuladas, de silêncios prolongados, de escolhas adiadas até se tornarem inevitáveis. O telefone ainda estava em sua mão. Ela sabia que Leon esperava. Não pressionando. Apenas presente. E, curiosamente, essa ausência de urgência tornava tudo mais difícil. Ele não tentava convencê-la. Não tentava ocupar o espaço deixado por Kael. Apenas aguardava. Elara respirou fundo. Não queria decidir por comparação. Nem por culpa. Nem por medo de perder algo que já estava perdido. Precisava decidir pelo que ainda f
Last Updated: 2026-04-25
Chapter: Capítulo 119 — Tarde Demais Para VoltarElara passou a manhã evitando decisões objetivas. Não por falta de clareza, mas porque qualquer movimento agora teria peso definitivo. O afastamento de Kael não criara apenas um vazio emocional; reorganizara o espaço inteiro ao redor dela. Sem ele, tudo parecia mais direto. Mais exposto.Ela revisava o mesmo documento havia vários minutos quando percebeu que não lera nenhuma linha. A mente insistia em voltar à última frase dele: Você precisa decidir sem mim agora. Não era cobrança. Era encerramento.O telefone vibrou. Uma mensagem curta, sem nome salvo.“Precisamos conversar. Hoje.”Ela leu duas vezes. Sabia quem era. Kael não mandava mensagens assim sem já ter decidido algo.Elara deixou o celular sobre a mesa e caminhou até a janela. Não havia dúvida, apenas antecipação. Minutos depois respondeu: “Onde?”“Sala antiga. 18h.”A sala antiga ficava longe do fluxo principal. Discreta. Um lugar escolhido para evitar interrupções. Aquilo não era casual.O restante do dia passou com uma ate
Last Updated: 2026-04-06
Chapter: Capítulo 118 — O Que Não Pode Ser DesditoA sala ainda carregava o silêncio do que havia sido dito minutos antes. Elara não se mexeu imediatamente. Permanecer ali era desconfortável, mas sair rápido demais pareceria fuga. E ela não podia mais fugir de nada — não agora.Kael continuava de pé perto da janela. Não olhava para ela, mas também não a ignorava completamente. Havia uma tensão controlada na postura dele, como alguém que estava tentando não atravessar uma linha que já havia sido cruzada muitas vezes antes.— Você vai dizer alguma coisa? — ele perguntou, sem virar.Elara respirou devagar.— Depende.— Do quê?— Do que você quer ouvir.Ele soltou um riso curto, sem humor.— Não é assim que funciona.— Sempre funcionou.Agora ele virou. O olhar veio direto, firme, mas cansado. Não havia raiva explícita. Era algo pior. Era lucidez.— Não — disse Kael. — Funcionava quando você ainda fingia que não estava escolhendo.As palavras ficaram entre eles. Elara sentiu o impacto, mas não respondeu imediatamente. Ela sabia que qualqu
Last Updated: 2026-04-06
Chapter: Capítulo 117 — O Espaço Que FicaElara não desacelerou depois que saiu da sala.O corpo seguiu em movimento como se parar fosse permitir que tudo a alcançasse de uma vez. O corredor parecia o mesmo, as pessoas continuavam em seus lugares, vozes baixas, passos comuns — mas havia uma distância agora. Não física. Interna.Ela passou por dois funcionários que cumprimentaram com um aceno contido. Elara respondeu no automático. O controle ainda estava lá. Funcionando. Mas já não sustentava da mesma forma.Quando chegou à própria sala, fechou a porta sem força. O som foi baixo, quase irrelevante. Mesmo assim, ela percebeu.Pequenas coisas tinham começado a importar mais.Ou talvez sempre importaram, e ela só não estava mais desviando.Elara deixou a bolsa sobre a mesa, mas não se sentou imediatamente. Caminhou até a janela, olhando para fora sem realmente focar em algo específico. A cidade seguia em ritmo constante, indiferente ao que tinha acabado de acontecer.E era exatamente isso.Nada ali fora ia parar.Nada ali dentro
Last Updated: 2026-04-02
Chapter: Capítulo 116 — O Que Precisa Ser Dito Elara não saiu da sala imediatamente.Ficou sentada por alguns segundos a mais do que o necessário, como se o corpo ainda estivesse tentando acompanhar o que já tinha sido decidido antes mesmo de ser dito. A mesa à sua frente continuava organizada, intacta, como se nada tivesse acontecido ali. E, ainda assim, tudo tinha mudado.Ela se levantou devagar.Não havia mais espaço para adiamento. O que antes era possibilidade agora era direção.E direção exigia confronto.Elara saiu da sala sem pressa, mas sem hesitação. O corredor parecia mais longo do que de costume, não por distância, mas pelo que esperava no fim dele. Cada passo carregava uma espécie de antecipação contida, como se o próprio ambiente já soubesse que aquilo não seria apenas mais uma conversa.Ela parou diante da porta antes de bater.Não precisava pensar em quem estava lá dentro.Abriu.Kael estava sozinho.Ele não pareceu surpreso ao vê-la, o que só confirmou que, de alguma forma, ele já esperava. Estava de pé, próximo
Last Updated: 2026-03-30
Chapter: Capítulo 115 — O Que Não Se SustentaO silêncio entre eles não era ausência de palavras. Era escolha. Elara percebeu isso antes mesmo de entrar na sala. Não pelo que via, mas pelo que não acontecia. Nenhum som deslocado, nenhuma movimentação desnecessária. Tudo parecia contido demais — como se qualquer gesto pudesse acionar algo irreversível. Ela fechou a porta com cuidado. O clique ecoou mais do que deveria. Kael estava encostado na mesa, braços cruzados, o peso distribuído de forma controlada. Leon permanecia sentado, postura rígida, como se estivesse sustentando mais do que o próprio corpo. Nenhum dos dois olhou imediatamente para ela. Aquilo já dizia o suficiente. — Vocês pediram essa reunião — disse Elara, sem avançar. Kael levantou o olhar primeiro, mas respondeu só depois de um segundo a mais do que o normal. — Precisávamos alinhar algumas coisas. “Alinhar.” Elara deixou a palavra passar sem reagir. Caminhou até a outra ponta da mesa, escolhendo distância. — Então alinhem. Leon soltou o
Last Updated: 2026-03-30
Chapter: Capítulo 140 — O Que PermaneceA manhã não trouxe nada de novo. E foi exatamente isso que tornou tudo definitivo. Dominic acordou com a luz já espalhada pelo quarto, filtrada pelas cortinas que Elena insistira em manter claras. Por um instante, permaneceu imóvel, não por cansaço, mas por reconhecimento. Havia aprendido, ao longo dos últimos meses, a identificar os momentos em que a vida não pedia ação — apenas presença. Elena ainda dormia. O rosto relaxado, sem a tensão residual que antes nem o sono conseguia apagar. Ele observou o ritmo da respiração dela, regular, contínuo, e entendeu algo que jamais coubera em relatórios ou estratégias: aquilo não era um intervalo seguro. Era o estado natural que haviam construído. Levantou-se com cuidado e saiu do quarto. A casa estava desperta de um modo silencioso, como se soubesse que não precisava mais anunciar nada. Na cozinha, preparou café sem pensar muito nos gestos. Não havia checklist mental, nem antecipação de imprevistos. Apenas o ato. Liam apareceu pouco de
Last Updated: 2026-02-13
Chapter: Capítulo 139 — O Que Não Precisa Mais Ser ProvadoO dia amanheceu sem anúncio. Não houve mudança no céu, nem na temperatura, nem na rotina. Ainda assim, Dominic percebeu que havia algo diferente no modo como a luz atravessava o quarto. Não era mais suave, nem mais intensa — apenas constante. Estável. Como se o mundo tivesse decidido, enfim, parar de testar. Ele abriu as cortinas com cuidado, não por cautela, mas por respeito ao silêncio que já existia ali. O jardim estava como sempre estivera nos últimos meses: vivo, organizado, sem excesso. Nenhuma presença externa, nenhum sinal de vigilância. Pela primeira vez em muito tempo, a ausência de sinais não provocou análise. Apenas aceitação. Dominic ficou ali alguns segundos, mãos apoiadas no vidro, sentindo algo que durante anos confundira com vazio. Agora sabia nomear. Espaço. Atrás dele, Elena se mexeu, ainda presa ao sono leve que aprendera a ter depois de tanto tempo vivendo em alerta. Abriu os olhos devagar. — Já levantou? — perguntou, a voz baixa, sem urgência. — Ain
Last Updated: 2026-02-12
Chapter: Capítulo 138 — O Tempo Que Não Precisa Ser MarcadoO dia começou com uma luz mais clara do que o habitual, como se o céu tivesse decidido colaborar. Não houve pressa. Dominic acordou antes de Elena, mas permaneceu deitado, observando o modo como a respiração dela mantinha o quarto em equilíbrio. Era um hábito recente — não vigiar, apenas estar. O tempo já não pedia prontidão; pedia presença.Levantou-se devagar, fechando a porta sem ruído. A casa ainda dormia, mas não estava vazia. Havia sinais de vida espalhados de forma quase desorganizada: um livro esquecido sobre a mesa, um casaco de Liam dobrado de qualquer jeito na poltrona, uma xícara que não fora guardada na noite anterior. Coisas pequenas, irrelevantes para qualquer outro olhar. Para Dominic, eram confirmações.Na cozinha, preparou café como sempre, sem medir com exatidão, sem ajustar cada detalhe. Aprendera que algumas coisas funcionavam melhor quando não eram controladas. Sentou-se à mesa e abriu o caderno que usava menos como agenda e mais como registro de decisões já toma
Last Updated: 2026-02-11
Chapter: Capítulo 137 — O Tempo Que SustentaA casa acordou antes deles, não por ruído, mas por rotina. A luz atravessou as janelas em um ângulo conhecido, tocando os móveis com a familiaridade de quem já esteve ali muitas vezes. Dominic abriu os olhos com a sensação de que o dia não precisava ser conquistado. Ele já estava dado. Elena se mexeu ao lado dele, ainda meio desperta, meio presente. Não houve troca imediata de palavras. Não era ausência — era economia. Havia coisas que já não precisavam ser ditas para existirem. — Você vai sair cedo hoje? — perguntou ela, a voz baixa, sem urgência. — Um pouco — respondeu ele. — Mas volto antes do fim da tarde. Ela assentiu, como quem registra uma informação prática, não um risco. Antes, horários eram âncoras de tensão. Agora eram apenas linhas do dia. Na cozinha, o cheiro de café se espalhava enquanto Dominic preparava a mesa sem método defensivo. Liam apareceu poucos minutos depois, já vestido, carregando a mochila com mais desatenção do que cuidado. — Hoje tem apresentação — a
Last Updated: 2026-02-11
Chapter: Capítulo 136 — O Tempo Que Não Se AnunciaA casa despertou antes dos moradores, como vinha fazendo havia algum tempo. Não era um despertar literal — não havia ruído, nem movimento —, mas uma espécie de prontidão tranquila. A luz da manhã entrou pelas janelas sem pressa, tocando superfícies já conhecidas, revelando o que permanecia igual e o que mudara de forma quase imperceptível.Dominic foi o primeiro a se mover. Não abriu os olhos imediatamente. Permaneceu alguns segundos atento à própria respiração, ao peso do corpo contra o colchão, à presença constante ao seu lado. Elena ainda dormia, o rosto voltado para ele, os traços serenos de quem não precisava vigiar o mundo enquanto descansava. Aquilo, mais do que qualquer outra coisa, era o sinal mais concreto de que algo havia se consolidado.Ele se levantou com cuidado, vestiu-se em silêncio e deixou o quarto. Não havia urgência alguma em seu dia, apenas compromissos comuns. O tipo de agenda que, antes, teria sido impensável para alguém acostumado a administrar crises em cadei
Last Updated: 2026-02-10
Chapter: Capítulo 135 — O Tempo Que PermaneceA casa acordou antes de qualquer um deles perceber. Não com ruídos, mas com pequenos sinais de continuidade: a luz que atravessava as cortinas no mesmo ângulo de sempre, o leve estalo da madeira aquecendo, o cheiro de café que Dominic preparou quase por reflexo, sem marcar a hora.Ele ficou alguns segundos parado na cozinha, a xícara entre as mãos, observando o espaço como quem reconhece um território que já não precisa ser defendido. Durante anos, cada manhã tinha sido um cálculo. Agora era apenas começo.Elena apareceu pouco depois, ainda descalça, o cabelo solto de um jeito que não pedia correção. Ela encostou no balcão, pegou a própria xícara e sorriu ao perceber que ele tinha usado a caneca dela, não a de costume.— Você sempre esquece qual é a sua — ela comentou.— Não esqueço — ele respondeu. — Só deixei de achar importante.Ela riu baixo, sem ironia, e se aproximou da janela. O jardim estava quieto. Nenhum movimento além do vento leve.— Hoje está com cara de dia comum — ela d
Last Updated: 2026-02-07
Chapter: O Jogo do EspelhoCapítulo 20 O silêncio no quarto da mansão era quebrado apenas pelo som da chuva batendo contra as janelas de vidro. Gustavo estava sentado na poltrona, observando o jardim com um olhar vago que me gelava o sangue. Fazia três dias que havíamos voltado do mar. Três dias desde que ele me perguntara quem eu era. Os médicos falavam em trauma neurológico temporário, mas eu conhecia o homem com quem me casara. Gustavo Almeida não era uma vítima; ele era um estrategista. — Trouxe o teu chá — disse, colocando a bandeja sobre a mesa lateral. Ele virou o rosto lentamente. A cicatriz no ombro ainda estava protegida por curativos, mas a postura dele era rígida demais para um homem desorientado. — Obrigado, Ana — respondeu ele. O uso do meu nome fez o meu coração falhar uma batida. — Começo a lembrar-me de fragmentos. O porto, o fogo... e o teu rosto no meio das chamas. Aproximei-me, sentindo a tensão elétrica entre nós. A "substituta" agora era a dona da casa, mas o mestre estava de volta a
Last Updated: 2026-09-12
Chapter: O Canto da Sereia NegraCapítulo 19O helicóptero da segurança do Grupo Almeida cortava o céu noturno sobre a Ilha Bela, avançando em direção às coordenadas do iate dos Mendonça. O vento fustigava o meu rosto através da porta semiaberta, mas eu não sentia frio. A adrenalina agia como um anestésico para o medo. Ao meu lado, Lucas estava algemado ao assento, o rosto iluminado pelos instrumentos do painel. Ele sabia que, se o plano falhasse, eu não hesitaria em deixá-lo cair no oceano.— Vês aquele brilho prateado? — gritou Lucas sobre o barulho das hélices. — É o *Siren*. O iate de luxo dos meus "parentes". Se o Gustavo estiver lá, ele está no convés inferior, onde montaram uma unidade médica improvisada.— Ou uma câmara de tortura — respondi, ajustando o colete à prova de balas por baixo do meu terno azul. — O que a Pérola quer com a Crisálida, Lucas? Ela não tem o intelecto para gerir a fórmula.— Ela não quer gerir, Ana. Ela quer usar. Ela quer apagar a memória do Gustavo e reprogramá-lo para ser o seu fant
Last Updated: 2026-04-02
Chapter: O Sangue e a HerançaCapítulo 18 Lucas Duarte atravessou o gabinete com uma confiança que eu nunca vira nele. O homem que antes vestia jeans gastos e tinha um olhar de adoração, agora usava um terno de três peças e carregava uma pasta de couro com o brasão dos Mendonça. O silêncio na sala era tão denso que eu podia ouvir a minha própria respiração acelerada. Ele parou diante da mesa de Gustavo, a mesa que agora eu ocupava, e abriu um sorriso que não alcançava os olhos. — Estás muito bem nesse trono, Ana — disse ele, a voz desprovida da doçura de outrora. — O azul-marinho realça a tua nova frieza. O Gustavo ficaria orgulhoso da viúva que ele ainda não é. — O que estás a fazer aqui, Lucas? — perguntei, mantendo a mão direita sob a mesa, perto do coldre. — O vídeo do Gustavo disse-me quem tu és. Um espião. Um traidor que vendeu a nossa história por um cargo nos Mendonça. Lucas soltou uma risada seca e sentou-se na cadeira à minha frente, cruzando as pernas com elegância. — O Gustavo sempre foi paranoico
Last Updated: 2026-04-02
Chapter: O Trono de EspinhosCapítulo 17Às sete da manhã, o espelho do banheiro da suíte presidencial não refletia a noiva assustada de semanas atrás. Eu vestia um terno azul-marinho que moldava o meu corpo como uma armadura de seda. O batom vermelho era a única cor num rosto que aprendera a mascarar o cansaço. As queimaduras nas minhas mãos estavam escondidas por luvas de pelica fina, um detalhe que me conferia um ar de mistério. Gustavo ainda estava em coma, mas o seu império não esperaria pelo seu despertar.— A reunião começa em dez minutos, senhora — anunciou o secretário, entrando sem bater. — O conselho está em polvorosa. Os Mendonça já moveram as peças para desvalorizar as nossas ações na abertura do pregão. Eles sentem o cheiro de sangue.— Deixe que tentem — respondi, pegando a minha pasta de couro e sentindo o peso do chip de memória. — Eles acham que o Grupo Almeida está decapitado. Mal sabem eles que a nova cabeça é muito mais afiada e não tem nada a perder.Caminhei pelos corredores com uma escolta
Last Updated: 2026-03-25
Chapter: O Último Suspiro da HonraCapítulo 16 O cheiro de antisséptico do hospital era agressivo, mas não conseguia camuflar o cheiro de fumaça que ainda emanava dos meus cabelos. Gustavo tinha acabado de ser levado para o centro cirúrgico. A última imagem que eu tinha dele era o seu rosto pálido, a máscara de oxigênio embaçada e a mão dele soltando a minha enquanto a maca desaparecia pelas portas duplas. — Senhora Almeida? Precisa que examinemos essas queimaduras — disse uma enfermeira, tentando tocar o meu braço. — Eu estou bem — respondi, a voz ríspida. — Onde está o meu pai? Eu sabia que ele estaria ali. Arthur Silva não perderia a chance de ver os destroços do que ele mesmo causara. Avistei-o no final do corredor, sentado numa das poltronas de couro da área VIP, segurando um copo de água com as mãos trêmulas. Ele não parecia um pai preocupado; parecia um rato acuado. Caminhei até ele. Cada passo dos meus saltos no piso de mármore soava como uma sentença. Quando ele me viu, tentou se levantar, um sorriso fals
Last Updated: 2026-03-25
Chapter: Cinzas da LiberdadeCapítulo 15O calor no interior do galpão era uma barreira física intransponível. O metal estalando sob a pressão das chamas competia com o barulho da chuva que castigava o telhado de zinco. Eu estava parada no centro do caos, a arma de Gustavo pesando na minha mão direita e o chip de memória na esquerda. De um lado, a saída sul e a liberdade imediata. Do outro, o inferno onde o homem que me comprara tentava agora enfrentar a própria ruína para me devolver a vida.— Gustavo! — gritei, mas a minha voz foi engolida por uma nova explosão de um dos geradores nos fundos do armazém.Meus pés se moveram por instinto. Eu não podia deixá-lo morrer ali. Corri para o labirinto de contentores, desviando de labaredas que subiam pelas caixas de madeira empilhadas. Subi por uma escada metálica lateral, sentindo o ferro queimar as palmas das minhas mãos. Lá no alto, a visão era dantesca. Pérola estava de pé sobre uma plataforma de carregamento, rindo enquanto segurava um maço de papéis amarrados por
Last Updated: 2026-03-24