FAZER LOGIN(Narrado por Rafael) O silêncio finalmente retornou ao quarto quando o último visitante partiu. O bebê – nosso bebê – dormia profundamente nos meu colo, seus lábios minúsculos sugando levemente no sonho. Flávia, exausta mas radiante, esticou o braço para ajustar o cobertorzinho azul do berçário quando algo chamou sua atenção. — Olha só — murmurou, puxando minha mão. Inclinei-me sobre o berço. Escrito em letras tortas com adesivos coloridos, claramente obra de Bia, lia-se: "DRAGÕES TAMBÉM PODEM SER PAIS" Um rugido de riso abafado escapou-me antes que eu pudesse conter. — Parece que definitivamente fui promovido de monstro a dragão — comentei, cuidadosamente depositando nosso filho no berço. Ele resmungou, afundando no colchão macio como um pequeno rei em seu trono. Flávia soltou uma risada cansada, afundando nos travesseiros também. Seus olhos pesados fechavam-se contra sua vontade, mas seu sorriso permanecia. — Devemos impor limites a esses bagunceiros? — perguntei, deit
(Narrado por Rafael) Dois meses depois, Flávia já havia completado 8 meses de gravidez O berço já estava montado no quarto ao lado do das gêmeas, pintado de azul-celeste por Bia: "Porque os bebês gostam de cores felizes!*" e decorado com adesivos de planetas por Mel "Estimulação visual pré-natal é essencial, eu vi no YouTube" Mariana, agora parte da casa, provara ser tão resistente quanto esperado – sobrevivendo a uma "festa do pijama" das gêmeas que incluíra tinta glitter e um experimento de vulcão de bicarbonato no meio da sala. E Flávia? Minha esposa desfilava pela casa com seu vestido de grávida favorito – aquele que eu odiava, todo florido e largo, porque escondia suas curvas –, rindo das piadas sem graça de Johnny e deixando que as gêmeas pintassem suas unhas dos pés ou pelo menos tentassem, já que nem ela mesmo alcançava mais seus pés. Naquela noite, quando a ajudava a subir as escadas. Seus pés inchados, minha paciência infinita, ela parou no meio do caminho,
(Narrado por Rafael) A festa ainda estava no auge – Solange dançando descalça na fonte, o “coronel”James ensinando passos de country para Heitor, as gêmeas roubando doces da mesa como bandidinhas loiras – quando eu agarrei Flávia pelo pulso e puxei-a para fora do salão. — Rafa, o que você está… Calei-a com um beijo na escada de mármore, minhas mãos deslizando pelo vestido de noiva que eu mal conseguia esperar para arrancar. — Jatinho, agora! — ordenei contra seus lábios, sentindo seu sorriso. Ela sabia. Sabia que eu estava doido para tê-la só para mim, longe de olhares, de responsabilidades, daquelas pestinhas loiras que, mesmo amando mais que a minha vida, eram especialistas em cortar meus momentos a sós com ela. Dois dias depois, em Maurício… A areia branca sob nossos pés ainda guardava o calor do sol quando caminhávamos à beira-mar, ela com seu vestido leve esvoaçando, eu de bermuda e camisa aberta – e puta que pariu, como aquela mulher fazia um traje simples pa
(Narrado por Flávia) O escritório de Rafael cheirava a couro e uísque caro, mas o ar agora estava carregado de um perfume barato e desesperado. Lorena Sinclair girava em frente à estante, suas unhas vermelhas arranhando os braços do sofá como garras de um animal encurralado. Quando me viu, seus lábios se esticaram em algo que tentou ser um sorriso. — Senhorita Carter. Que bom que você veio. — O que você quer? — perguntei, mantendo a voz firme, mas meu pulso acelerado traía-me. Ela riu, um som rouco que terminou em tosse, porém foi direta: — Vinte milhões de dólares. — Avançou um passo, o vestido justo marcando os ossos que não estavam lá da última vez. — Meus credores não são pacientes… nem gentis. — Vinte
(Narrado por Flávia) Eu sentia cada vez mais forte a união da minha pequena família. Sentia que todos os dragões que sempre reverenciei — estavam naquela força protetora que eu via nos olhos do Rafael e no carinho das gêmeas. Agora só faltava um mês para o nosso casamento, é incrível como seis meses passam voando, estávamos muito felizes com a perspectiva do casamento e do nascimento do bebê. Mas infelizmente, nem tudo são flores. E eu relembrei isso naquela noite, quando Rafael recebeu a notícia. Seu pai — o homem que havia destruído a infância dele, que maltratou ele e Miguel, que matou a própria esposa — fora encontrado morto na prisão. Quando eu cheguei da universidade, percebi antes mesmo dele falar. E depois que me contou, se trancou no escritório, e quando saiu, horas depois, o cheiro de álcool
(Narrado por Flávia) Acordei aos sobressaltos, o suor frio escorrendo pelas minhas costas. O quarto ainda estava escuro, apenas a luz fraca da lua entrando pelas cortinas. Meus dedos tremeram ao tocar a barriga já arredondada, como se pudesse proteger nosso bebê dos fantasmas que insistiam em me visitar à noite. — De novo? A voz rouca de Rafael veio antes do toque. Suas mãos grandes envolveram meus ombros, puxando-me contra seu peito. Eu não precisava responder; ele já sabia. Sabia que os pesadelos tinham voltado nas últimas semanas, trazendo memórias que eu pensava ter superado. — Era ele? — Rafael perguntou, e eu senti os músculos dele endurecerem mesmo antes de eu acenar com a cabeça. Odiva aqueles sonhos nele Deivison não estava mais algemado. Às vezes, eu o via rastejando pelos corredores escuros da minha mente, seus dedos pegajosos tentando alcançar minha barriga. Outras vezes, era Lorena, com seu sorriso afiado, sussurrando que eu nunca seria uma mãe de verdade. Mas e







