FAZER LOGINViviane
É sempre assim com Pedro. Se eu digo “não”, ele reage daquela forma imediatamente e me trata como se fosse nada. Vou para o banheiro e faço minha higiene matinal, depois tomo um banho gelado lavando tudo que houve na noite passada, volto para o quarto e visto a primeira roupa que encontro. Como vou ficar em casa, não tem necessidade de me arrumar apenas para servir as manias do Pedro. Quando vou para a cozinha, encontro Maria terminando de arrumar a mesa, ela me olha com o olhar de desprezo de sempre. Quando Pedro não está por perto, ela me trata como os lixos que costuma lidar, mas claro que na frente do chefe ela coloca o sorriso falso e se finge de boa.— Maria, pode arrumar o nosso quarto? Quero tomar o café sozinho com minha mulher.Pedro dá ordem e claro que aquela bruxa não dá nem mesmo um suspiro. Sempre se mostrando de boazinha, mas não passa de uma cobra m*****a.***LeonardoO dia da inauguração da clínica na comunidade chegou e depois de muita discussão com mamãe, saio de casa diretamente para a favela Estrela Guia. Depois de algumas pesquisas, descobri que o chefe daquele lugar era um policial federal com uma certa fama que logo depois descobri que era filho do antigo dono do lugar. Mesmo sendo um bandido respeitado e traficante de armas e mercadorias vindo de fora, ele não aceitava boca de fumos por ali e os usuários eram obrigados a comprar suas drogas em favelas vizinhas. Paro o meu carro na entrada e vejo crianças brincando, homens e mulheres dançando e pelo que notei, era um dia de festa. Bandeiras de festas e faixas onde se lia bem-vindos novos médicos e enfermeiros. Um sorriso brotou nos meus lábios por saber que a profissão que amo seria valorizada mesmo de uma forma um pouco torpe, já que teria que trabalhar sob os mandos e desmando do famoso Pedro Pascoal.***Viviane— Viviane, vai demorar muito ou precisa se embelezar ainda mais?Pedro me espera na sala reclamando da demora em me vestir. Enrolo o quanto posso para não ter que participar daquela festa, mas sei que se recusar terá consequências, e durante os dias que fiquei na casa dele, por um milagre me tratou bem e até mesmo trouxe a vovó para me visitar.Escolhi um vestido de alças curto de um tom salmão, e mesmo Pedro querendo que eu use algo chamativo, não sou desse jeito e nem sou como as piranhas que morrem para ter a atenção dele. Naquele dia decidi alisar meu cabelo que caía em uma cascata negra, na orelha um brinco de argola de ouro e no pescoço um colar com o pingente de perola que Pedro me deu de aniversário.Pego minha bolsa de festa, checo se não esqueci nada e saio do quarto encontrando-o ao celular impaciente e falando com alguém.— Se algo der errado essa noite, saiba que vou pegar vocês e quebrar os dedos de cada um.Pedro desliga o celular, guarda no bolso da calça jeans e se vira para mim com um sorriso ao me ver arrumada.— Pensei que tinha esquecido do nosso compromisso.Me abraça depositando um beijo em meus lábios e me trazendo para mais perto dele.— Se minha presença não fosse importante, te levaria para o nosso quarto e passaria o resto do dia dentro de você.— Você ficou reclamando da minha demora. Estou aqui e você já pensa em transar comigo!Me afasto dele arrumando meu vestido e sento o tapa na minha bunda da sua mão pesada.— Eu gosto quando sua língua ferina está no modo ativado. Mas prefiro ela mais ainda lambendo meu pau ao invés de falar demais como agora. Segura meu braço com um pouco de força e tento me soltar, mas ele me traz para mais perto dele.— Hoje vamos ter a presença de gente importante e o médico responsável, que pelo que já me avisaram, chegou aqui na comunidade. Espero que você não fique desfilando esse seu corpo entre os homens e não saía de perto de mim.Suspiro sentindo a mão dele apertando ainda mais o meu braço, sabendo que vou ter que ficar ao lado dele como uma boneca sem opinião apenas para satisfazer seu ego por ter uma garota mais nova ao seu lado.Saímos da casa em direção a garagem. Pedro destranca o carro, entramos e somos seguidos por mais dois veículos que fazem a nossa segurança. Ele acha que não ouvi, mas Bigode foi até a casa na noite passada informando que Zezinho, o chefe da favela ao lado que é um traficante merdinha que acha que pode tudo, planejava um ataque. Quando Pedro ainda trabalhava como policial federal em uma das operações contra o tráfico de drogas, o pai de Zezinho foi preso e morto na cadeia um ano depois— Posso ao menos ficar junto da Vicky quando chegarmos lá?Enquanto ele dirige com atenção mesmo estando no mesmo bairro, Pedro não se distrai e tá sempre atento a todos os lados. Em menos de 5 minutos ele estaciona o carro junto aos veículos chiques, que pelo o que noto, é de autoridades e de alguns empresários que pagavam para Pedro para terem uma certa segurança.— Eu deixo você ficar com aquela sua amiga, mas é só enquanto converso com o governador e aquele secretário de merda. Você sabe, sem olhar para os lados, muito menos conversar com algum estranho que ousar se aproximar de você.Concordo, mas sabendo que vou dar um jeito de escapar dos urubus que trabalham para ele. — Eu quero apenas me divertir um pouco. Você sabe que a vovó não vai poder participar e sabe também que odeio ter que ficar sorrindo pra todo aquela gente chata que adora te bajular.Pedro segura minha nuca com um pouco mais de força e beija meu pescoço, passando a língua em minha pele, descendo a mão até minha calcinha e apertando meu clítoris por cima do tecido com força.— Faça o que eu te disse. Assim que a fita for cortada, dou um jeito de irmos embora, sabe bem que preciso viajar na próxima semana e vou ficar longe de você por 3 dias.Antes que eu possa responder, ele me beija da forma rude e segura meu cabelo com força, me mostrando que sempre será meu dono.3 anos e meio depois...VivianeSentada na varanda conversando com minha melhor amiga e vovó, observava o movimento àquela hora do dia na rua. Ester brincava de casinha com Duda a filha da Vitória com Lucas. 4 anos se passaram desde a volta do Pedro, minha separação, meu novo casamento com o pai dos meus filhos. Estrela Guia agora se encontrava tão diferente de 8 anos atrás. Eu agora estava com 26 anos. Casada com o amor da minha vida, dona de duas docerias na cidade e vivendo uma vida que nunca esperava viver. Tanta coisa mudou em nossa comunidade. Tanto para o bem quanto para o mau. Pedro dizia que pensava em se aposentar e passar os negócios para o Lucas. No fundo eu sabia que era apenas da boca para fora isso. Meu marido amava o que fazia e se orgulhava de tudo que construiu com o passar dos anos. Aos 40 anos, se tornou conhecido pelo pulso firme com que lidava com as coisas, os negócios não tão certos, bem ele continuava fazendo. Porém não era, mas alvo da polícia como antes. Eu
Leonardo Sentado sozinho no primeiro bar que encontrei, depois que saí da casa dos meus pais. Minha rotina agora era do trabalho para casa, com parada para o jantar com minha família. Há seis meses eu vivia assim. Tentando focar no trabalho, projetos e propostas que eu analisava todos os dias. A vida deu um giro de 360º depois que Marcelo foi preso e agora aguardava o julgamento em um dos presídios da cidade. Por dias ele tentou me manipular, chantagear, porém, eu não deixei que ele dominasse novamente minha vida profissional. Minha mãe palpitava sobre um novo casamento, por conta do partido que sempre batia na tecla de que um político casado com família sempre seria bem-visto aos olhos da população. Sara estava de volta ao Brasil e retomamos nossa relação. Nos encontrávamos a noite em seu apartamento, conversávamos sobre nossas vidas, evitando falar do meu casamento com Viviane e do que eu fiz para tentar conquistar o amor dela. Quando me encontrava com Sofia, ela comentava algo sobr
PedroSeu Neto e eu esperávamos por Vitória. A garota nos avisaria o momento em que Viviane se encontrava pronta para assim darmos início a cerimônia. Hoje era o dia, mas importante na minha vida. Viviane se tornaria minha esposa para todo o sempre. Todos esperavam a chegada da noiva. Seu Neto e eu nos encontrávamos atrás do altar enquanto Viviane terminava de se arrumar na salinha.—José não conseguiu chegar para o casamento, mas mandou avisar que torce pela sua felicidade ao lado da Viviane.—Ele me contou que não teria como vim e avisou que espera com ansiedade o convite do batizado do segundo filho.Nós dois rimos assim que falo. Viviane me contou que pararia de tomar a medicação. Que ter mais um filho, mesmo com Francisco ainda pequeno. Assim os dois cresceriam juntos.Enquanto conversa com meu amigo, vi Lucas se aproximando de mim. O garoto parecia nervoso e me chamou para conversar em particular.—Chefe, não queria estragar o casamento do senhor, só que preciso contar que a Viv
PedroViviane admirava a cidade ao meu lado. Depois do jantar, pedi para que um dos funcionários retirasse as coisas do quarto e assim nós dois poderíamos ficar, mas a vontade. Sentada ao meu lado, minha princesa via do alto as luzes que iluminavam a noite paulista. A única coisa que pedi que deixassem em cima da mesa que ficava ali na varanda era a caixinha com a joia que seria a surpresa final da nossa noite.—Acho que vou ligar para a Fátima e saber o que nosso filho anda fazendo — impeço que Viviane se levante para pegar o celular na sua bolsa.—Não precisa se preocupar com nada Viviane. Nosso filho essa hora já deve estar dormindo. Se algo tivesse acontecido, tenho certeza de que a Fátima ou até mesmo a sua avó teriam nos avisado. Tento deixar Viviane, mas calma. Eu tinha muitos planos para depois do nosso jantar. O anel que eu entregaria dois anos atrás, ela já havia descoberto então eu precisava de uma outra forma de fazer o pedido de casamento e dessa vez de forma correta.A n
LeonardoNunca na vida imaginei, que estaria em uma delegacia esperando para conversar com um preso. Ao chegar em casa depois do jantar na casa dos meus pais, enquanto trabalhava no escritório, recebi a ligação de um dos advogados do Marcelo. Na mensagem, o homem exigia a minha presença na manhã seguinte. Que eu precisava ir até lá para ter uma reunião com Marcelo, relacionado às questões da secretária. Claro que era uma mentira, com certeza os celulares dos advogados estavam sendo rastreados. Apenas respondi com um “sim” e agora me encontrava aqui nessa sala, com um policial me vigiando a todo instante como se eu fosse o bandido ali. Disfarçava o nervosismo, concentrando em um ponto qualquer daquela sala, aguardando a entrada do Marcelo. Quase 15 minutos depois, que mais parecia horas, a porta se abriu e ele entrou escoltado por dois policiais.— Garoto, não precisa ficar aqui vigiando a nossa conversa. Você e seus companheiros aí do lado sabem o que devem fazer a partir de agora.Ma
Leonardo— Leonardo, não consigo acreditar em tudo que ouvi e li — mamãe seguia desconfiada, achando que Marcelo era inocente. Que um complô foi armado, porque ele era um homem justo, correto e que jamais faria algo assim.—Soraia, não seja ingênua, minha querida. Às vezes achamos que conhecemos alguém e no final tudo não passa de um personagem.Papai, afirmava enquanto eu permanecia calado na sala apenas ouvindo. Depois que a polícia revistou minha sala, não encontrando nada que me prejudicasse, foram embora e logo depois vim para casa dos meus pais. A notícia nas mídias sociais, pipocavam com acusações piores do que a polícia descobriu. Durante o jantar, a conversa foi a prisão dele e agora seguia o mesmo assunto. Mamãe não acreditava que um homem “bondoso” como Marcelo cometeria crimes horrendos como os que ele estava sendo acusado.—Pai, não sei se devo continuar com o cargo de secretário — desde o momento que Pedro saiu da minha sala a polícia apareceu logo depois, me peguei pens







