LOGINNo dia em que Lorena Rochas e Isaac Cunha completavam cinco anos de casados, o primeiro amor de Isaac voltou para o Brasil. Naquela mesma noite, Lorena descobriu que Isaac, trancado no banheiro, murmurava o nome do primeiro amor enquanto se masturbava com a própria mão. Foi assim que Lorena entendeu qual tinha sido, durante cinco anos, o verdadeiro motivo de Isaac nunca ter tocado nela. Isaac disse: — Lorena, a Aurora voltou sozinha, ela está sem ninguém aqui, eu só estou ajudando como amigo. Ela respondeu: — Eu entendi. Isaac explicou: — Lorena, eu prometi para a Aurora que eu ia com ela para a ilha comemorar o aniversário dela. Eu só estou cumprindo uma promessa antiga. Ela disse: — Tá bom. Isaac continuou: — Lorena, para esse jantar eu preciso de uma assistente à altura. A Aurora é mais adequada do que você. Ela apenas murmurou: — Uhum, vão vocês dois. Quando Lorena parou de se irritar, parou de chorar e parou de discutir, foi Isaac quem começou a estranhar e perguntou: — Lorena, por que você não fica com raiva? Lorena, claro, já não ficava mais com raiva, porque ela também estava de partida. Lorena, que já estava cansada havia muito tempo daquele casamento morto, começou, em silêncio, a estudar inglês, a prestar todo tipo de prova e a enviar candidaturas para programas de estudos no exterior. No dia em que o visto dela finalmente saiu, Lorena colocou o acordo de divórcio na frente dele. Isaac riu, sem acreditar: — Para de graça. Sem mim, como é que você vai sobreviver? Lorena virou as costas, comprou a passagem e voou para a Europa. A partir daquele dia, ela desapareceu sem deixar rastro. A próxima vez que Isaac viu notícias sobre ela, foi em um vídeo que tinha explodido nas redes: Lorena, vestida com um traje tradicional brasileiro, dançava uma coreografia típica do Brasil no céu de um país estrangeiro. O vídeo viralizou no mundo inteiro. Isaac cerrou os dentes e prometeu em silêncio. "Não importa onde você esteja, Lorena. Eu vou dar um jeito de trazer você de volta."
View MoreLorena estava com uma expressão decidida. Depois de dizer aquilo, ela se virou e voltou para dentro de casa.Alberto ainda lançou a Isaac um olhar de desprezo. Lorena olhou para trás e o chamou:— Vamos para casa. Por que você está enrolando?Isaac continuou caído no chão, sem forças para fazer qualquer coisa, enquanto observava aquela porta se fechar.Ela havia dito a Alberto: “Vamos para casa”...Aquela expressão era algo que Isaac nunca imaginara que ela diria a outro homem.— Isaac, quando você vai para casa?— Isaac, eu quero ir para casa primeiro.— Isaac, você pode trazer uma coisa para mim quando voltar para casa?— Isaac, me avisa antes de vir para casa.— Isaac, vamos para casa...Aquela casa a que ela sempre se referia não deveria ser somente a casa deles? Ele e ela é que tinham um lar!Agora, porém, ela chamava outro homem para casa...O coração de Isaac parecia estar preso nas garras de uma fera. A dor o dilacerava por dentro.Então era assim que doía um coração partido...
Ele viu que havia bonecos de neve nos jardins das casas vizinhas e quis que o jardim da sua Lô também tivesse um.Mesmo que ele soubesse que, talvez, dali em diante, ela já não fosse mais sua Lorena...Isaac observou de longe, esperando ver a reação de Lorena ao encontrar o boneco de neve. Mesmo que ela já não quisesse lhe dar atenção, ao menos ficaria surpresa ao encontrar aquele boneco, não ficaria?No entanto, ele jamais imaginou que ela não apenas jogaria o cartão fora, mas que aquele Alberto insuportável ainda teria a audácia de despejar água quente no boneco de neve!E um balde não bastou. Alberto jogou um balde depois do outro. O que ele estava pensando?Quando Isaac viu que a cabeça do boneco de neve já havia derretido, ele não aguentou mais. Saiu do carro e foi direto até Alberto para tirar satisfação.— Alberto! O que você pensa que está fazendo?A roupa de Isaac ainda estava suja de lama por causa dos respingos que Alberto havia levantado com o carro naquela manhã. Além diss
Lorena não respondeu.Alberto entrou no carro depressa e saiu dali sem hesitar. Os pneus levantaram neve derretida, espalhando respingos por todos os lados.Isaac ficou parado no meio da neve. Baixou os olhos para a grande mancha de água suja que respingara em sua roupa, mas nem se deu ao trabalho de limpá-la. Apenas ergueu os olhos para o carro que se afastava. Uma frase martelava em sua cabeça, sem lhe dar trégua: ela estava com ele. Ela realmente estava com ele. Os dois haviam saído da mesma casa naquela manhã. Será que estavam morando juntos? Então, ela e ele...Uma onda de amargura subiu pela garganta de Isaac. Ele havia sido marido dela por cinco anos. E, ainda assim, nem sequer a havia tocado de verdade...Alberto dirigiu direto até a clínica. Quando chegou, ele ainda estava de rosto fechado. Mas, depois de algum tempo, como se tivesse feito algo errado, virou-se para Lorena com uma expressão ligeiramente culpada e disse:— Lorena, me desculpa.Lorena não entendeu por que ele es
Lorena riu.— É isso mesmo! — Alberto acompanhou o riso dela. — Quando meu pai não está ocupado, ele cozinha para minha mãe. Eu aprendi tudo com ele!Então aquilo era uma espécie de tradição de família. Lorena não esperava por essa.Ela não acreditava que, dentro de uma casa, a cozinha tivesse de ser obrigação da mulher. Mas, numa família riquíssima como a de Alberto, certamente havia inúmeras funcionárias, talvez até chefs profissionais. Além disso, o pai dele deveria ser um homem muito ocupado. Mesmo assim, ele ainda cozinhava com frequência para a esposa?Lorena acreditava que, dentro de uma família, a influência dos pais sobre os filhos vinha justamente das pequenas coisas vistas todos os dias.Por exemplo, com pais como os dela, não era nada estranho que alguém como Francisco tivesse sido criado.Já pais como os de Alberto criavam filhos que... por um instante, Lorena nem sequer soube como definir aquilo. Talvez criassem exatamente alguém como Alberto.Ela e Alberto eram dançarino
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv






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