INICIAR SESIÓNOs anos passaram‑se em paz, harmonia e crescimento constante. A nossa alcatéia prosperava, o Santuário da Lua Nova continuava a acolher e a transformar vidas, e ao lado de Dante, Kaique e Enzo, eu construí um lar cheio de carinho, respeito e alegria — tudo o que eu jamais ousei sonhar quando era uma menina que vivia à sombra de outra.No meu dedo brilhava um anel delicado mas forte, feito à mão por eles três juntos: uma pedra branca como a minha pelagem de lobo, rodeada de pequenos detalhes que representavam cada um dos meus amores. Era o símbolo do nosso compromisso eterno — decidimos que não precisávamos de uma cerimônia formal para provar o que já sentíamos e vivíamos todos os dias; o nosso vínculo era sagrado e completo por si só. Mas havia uma alegria ainda maior a caminho: eu estava grávida, e todos sabíamos que uma menina estava para chegar — uma filha que traria ainda mais luz à nossa vida.A minha barriga crescia muito, mais do que o normal, e sentia‑me forte e cheia de vida,
Os meses que se seguiram àquele dia decisivo passaram‑se com uma paz e uma alegria que eu nunca julguei possíveis alcançar. Na nossa alcatéia, a vida corria harmoniosa e serena; todos me acolhiam como parte essencial da sua história, respeitavam‑me como Luna e faziam‑me sentir, a cada instante, que finalmente tinha encontrado o meu verdadeiro lar. Ao lado de Dante, Kaique e Enzo, aprendia e crescia todos os dias, sabendo que o meu coração estava seguro e completo.Mas à medida que os dias iam passando, uma ideia começou a tomar forma cada vez mais clara dentro de mim: o que eu tinha vivido, o sofrimento que carreguei e a verdade que descobri, não deviam ficar apenas guardados na minha memória ou servir apenas para o meu próprio bem. Havia muitas outras pessoas, espalhadas por terras próximas e distantes, que viviam a mesma realidade que eu conheci tão bem: eram vistas como diferentes, fracas ou imperfeitas apenas porque ainda não tinham visto o seu lobo despertar, porque não sabiam ou
Enquanto todos ainda estavam paralisados de espanto com a minha revelação, avancei mais um passo, mantendo o olhar firme sobre Lívia, que parecia cada vez menor e mais abalada diante de mim. Não havia mais segredos, não havia mais razões para esconder nada — e eu iria contar tudo, para que ninguém voltasse a duvidar ou a deixar‑se enganar por ela.— Se ainda achas que isto é impossível ou algum truque, ouçam‑me todos com atenção — comecei, com voz clara e forte, que ecoou por todo o espaço, chegando aos ouvidos de cada pessoa ali presente. — Durante anos, desde que éramos muito pequenas, alguém me dava diariamente uma poção preparada com ervas raras e proibidas, capaz de adormecer, esconder e impedir o crescimento do lobo que vivia dentro de mim. Alguém que usava a minha confiança, a minha bondade e a minha inocência para me ferir devagar, dia após dia… e essa pessoa foi sempre ela: a minha própria irmã, Lívia!Um murmúrio de choque percorreu a multidão. Os meus pais levaram as mãos à
Ao entrarmos, o burburinho que enchia o espaço foi diminuindo pouco a pouco, até se transformar num silêncio absoluto e pesado, como se o próprio ar tivesse parado de se mover. Todos os olhares se voltaram imediatamente para nós — curiosos, surpresos, incrédulos. Ninguém ali esperava ver‑me, muito menos daquela forma: de cabeça erguida, passo firme, vestida de azul profundo e radiante, caminhando no meio de três dos mais poderosos alfas que existiam em toda a região, como se eu fosse o centro de tudo o que era importante.Vi de relance a expressão de Lívia, que estava de pé ao lado do altar, vestida de branco e com um sorriso de vitória que logo se desfez, dando lugar a uma boca aberta de espanto e a um brilho de inquietação nos olhos. Ao seu lado, Rômulo franziu o rosto de imediato, o olhar percorrendo‑me de cima a baixo com uma mistura de arrependimento, desejo e uma inveja clara ao ver os três homens ao meu lado. Mais ao fundo, os meus pais estavam parados, imóveis, sem saber onde
A notícia chegou‑me como uma brisa leve, mas que me fez parar por um instante, com o coração a bater de forma diferente no peito: Lívia e Rômulo iriam casar‑se em breve, numa cerimônia grande e aberta a toda a comunidade da antiga alcatéia onde eu vivi.Quando ouvi falar pela primeira vez, senti uma mistura estranha de lembranças antigas e uma calma nova que já fazia parte de mim. Houve um tempo em que essa informação teria partido‑me ao meio, feito chorar e desejar fugir para sempre. Mas agora… agora senti apenas uma certeza clara e forte: eu queria ir. Não por ódio, não para causar problemas, nem para tentar impedir o que quer que fosse. Queria ir apenas para estar presente, de pé, visível e inteira — para que todos aqueles que um dia me viram como sombra, como falha ou como algo sem valor, pudessem ver com os próprios olhos o que eu me tornei.Queria mostrar‑lhes que já não precisava de nada nem de ninguém deles para ser feliz, que tinha encontrado o meu lugar, o meu valor e o amor
Nos dias que se seguiram à nossa declaração mútua, percebi rapidamente como tudo mudara — não só dentro de mim, mas também na forma como todos me viam e me tratavam. A notícia espalhou‑se pela alcatéia com a velocidade do vento: ninguém estranhou o vínculo que nos unia, pelo contrário, parecia que todos já esperavam por isso, como se fosse o desfecho natural e certo de tudo o que acontecera.O que mais me tocou foi ver que, onde antes havia olhares de pena, dúvida ou indiferença, agora havia respeito, carinho e uma espécie de reverência suave. Por onde passava, recebia sorrisos, acenos e palavras amáveis — e, pouco a pouco, todos começaram a chamar‑me de Luna. No início fiquei confusa, até que Dante me explicou com doçura:— É como chamam àquela que é o coração, a luz e a guia da nossa família e de toda a alcatéia. Você preencheu esse espaço sem sequer perceber, Lira… e esse nome pertence‑lhe por direito.Senti o peito encher‑se de uma alegria imensa e serena. Depois de uma vida intei







