MasukAsllan respirou fundo, sentindo a consciência pesar. Ele sabia que, por mais que a intenção fosse proteger os sentimentos de Belly, havia um limite: ele não podia continuar com a mentira. Mas revelar a farsa naquele momento, diante de todos, seria explosivo.E então, por um instante, Asllan considerou simplesmente ficar em silêncio, deixando que Belly completasse o pedido de desculpas.O salão parecia suspenso no tempo. Cada convidado, congelado, assistia àquela tensão que pairava entre Asllan e Kevin. O silêncio era quase palpável, quebrado apenas pelo sussurro de algumas velas acesas e pelo leve tilintar de talheres nas mesas de apoio.Asllan sentiu o corpo inteiro tremer, e não era só o nervosismo do momento — era a expectativa contida de todos os olhares sobre ele, misturada à confusão que sentia por dentro. Kevin, percebendo a hesitação, não deixou que o silêncio se prolongasse. Aproximou-se com aquela confiança debochada que sempre o caracterizava e, para surpresa de todos — inc
O salão silenciou quando a música mudou, suave, mas suficiente para anunciar que era hora. Cada olhar se voltou para a entrada, onde Belly surgia, radiante, abraçada pelo braço do pai. O vestido branco flutuava em ondas delicadas, a cauda parecia beijar o chão em um ritmo próprio, e o véu, preso com pequenas flores, cintilava à luz das velas. Era impossível não se render à sua presença; mesmo os convidados mais distraídos ficaram imóveis, absorvendo cada detalhe da perfeição cuidadosamente planejada.O padre já esperava ao centro, sereno, com uma expressão que misturava solenidade e leve curiosidade. O corredor que levava ao altar estava impecável, flores brancas e azuis marcando o caminho, iluminadas por pequenas velas que tremeluziam como estrelas contidas em castiçais. Cada passo da noiva parecia prolongar o tempo, e Asllan sentiu o coração acelerar, não só pelo momento, mas pela tensão silenciosa que o acompanhava desde o beijo — agora ainda mais presente em sua mente.Kevin estav
Enquanto os preparativos para o casamento avançavam, os corredores da casa pareciam pulsar com o ritmo apressado das damas de honra e da equipe de organização. Belly, trêmula e com o coração carregado de culpa, vestia sua maquiagem com mãos inseguras. O espelho refletia não apenas sua beleza de noiva, mas também a consciência pesada: acreditava ter atrapalhado um amor verdadeiro que, na verdade, nunca existiu.No quarto um pouco distante, Keven ajeitava a gravata diante do espelho, enquanto Asllan lutava com os botões da camisa. O silêncio entre eles era pesado, carregado de complicações não ditas, mas agora muito claras para ambos.— Você ouviu o que ela anda dizendo? — murmurou Asllan, evitando o olhar de Keven.— Ouvi... — respondeu Keven, ajustando o nó da gravata com força. — Ela quer consertar algo que acha verdadeiro. Não sabe que tudo isso é uma farsa.Asllan suspirou fundo, sentando-se na beira da cama.— Ela acredita que a gente terminou de verdade, que o romance é real. Ago
Belly sentiu o peso da coisa como se tivesse engolido uma série inteira de culpabilidades em dose dupla: vira-lata de amizade, organizadora de caos e agora cupido involuntária com consciência pesada. Ela se trancou por cinco minutos no lavabo do quarto de noiva e repetiu, em voz baixa, o que o coração dela já sabia:— Eu não posso deixar eles se estragarem por minha causa.A decisão era tão clara quanto um roteiro de comédia romântica — e tão prática quanto um plano de casamento: se a vida te dá limões, dá-lhes uma taça de espumante e um microfone. Só que Belly, dessa vez, preferia usar artimanhas mais sutis que discursos públicos. Um grande discurso podia até reparar danos, mas também podia desdobrar humilhações. Ela queria consertar as coisas antes que alguém abrisse a palavra “verdade” no microfone.Saiu do lavabo com a expressão de quem já tinha traçado um mapa. No corredor, passou pelo planner, que conversava com um técnico de som, e lhes deu um sorriso de quem sabe pedir favores
O dia do casamento amanheceu com o brilho dourado do sol refletindo nas águas tranquilas das Ilhas Verdes. O vento soprava leve, trazendo o perfume do mar, enquanto a equipe corria de um lado para o outro, ajustando os últimos detalhes da grande celebração de Belly. As tendas brancas já estavam erguidas, os arranjos florais tomavam forma e os técnicos cuidavam da iluminação que daria vida à noite de festa.Asllan acompanhava de perto, atento aos preparativos, mas ao mesmo tempo perdido nos próprios pensamentos. Kevin mantinha o bom humor, fazendo piadas com os garçons que testavam as taças de cristal, mas, por dentro, algo começava a incomodá-lo. O que um dia começou como um jogo divertido — esse namoro de fachada — agora deixava pequenas marcas invisíveis em seu coração. Ele sabia, e fingia não saber, o quanto Dorian olhava para Asllan.Enquanto Kevin se distraía supervisionando a montagem das mesas, Dorian se aproximou de Asllan. Havia um silêncio confortável entre eles, quebrado ap
Fim de tarde.Os fornecedores iam desmontando a cena do ensaio e armando a do grande dia. Eu tentava sair de fininho quando o celular vibrou. Mensagem de Dorian:5h45. Vale 1. Trago o silêncio. Você traz a verdade que quiser. Sem testemunhas.Não havia ameaça ali. Havia… método. E um humor insolente que me atingia por baixo da guarda.— Convite ou convocação? — Keven leu por cima do meu ombro (talento nato).— Vale número um. — respondi, mostrando.— Vai?— Acho que vou. — falei, surpreendendo a mim mesmo. — Melhor eu conduzir essa conversa do que ser conduzido por ela o dia inteiro.— Ótimo. — Keven assentiu, simples. — Eu cubro você com a Belly no começo da manhã. Digo que você está garantindo a luz perfeita pra foto do nascer do sol. É romântico, rende likes. — Pausa. — E, se ele passar do ponto, você me manda um ponto e vírgula. Eu apareço. Ponto final.— Ponto e vírgula?— Sinal internacional de “vem, mas discretamente”. — Ele fez o gesto no ar. — Funciona melhor







