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CAPÍTULO SETE

Autor: Gabi Nunes
last update Fecha de publicación: 2026-07-26 16:00:26

POV: SOFIA CAPONE

A tarde corria arrastada e o sol de inverno mal conseguia vencer as cortinas pesadas do meu quarto. Eu estava jogada na cama, perdida nos meus próprios pensamentos, quando a porta se abriu sem cerimônia. Minha mãe entrou com sua postura elegante de sempre, mas trazia uma expressão que misturava dever e impaciência.

— Sofia, tire um tempo para escolher algo decente — ela começou, cruzando os braços. — Hoje à noite teremos um jantar formal em família. O seu irmão vai trazer uma garota para apresentar oficialmente a todos nós.

Eu me joguei para trás no travesseiro, soltando uma risada irônica.

— A senhora só pode estar brincando, dona Aurora — debochei, arqueando uma sobrancelha. — Massimo trazendo uma mulher para um jantar de família? O mesmo Massimo que muda de acompanhante como quem muda de terno?

— Você acha que estou brincando, Sofia? — Minha mãe me encarou com aquele olhar severo que não dava margem para contestações. — Esteja pronta às 19:00. E não se atrase. Seu pai não vai tolerar nenhuma falta de modos hoje.

— Estarei pronta no horário, dona Aurora — respondi, revirando os olhos com uma falsa submissão.

Ela assentiu, dando as costas para sair. No entanto, quando sua mão tocou a maçaneta, ela parou por um instante, olhou por cima do ombro e soltou a informação que fez o meu coração falhar uma batida e o meu sangue congelar nas veias.

— Ah, e mais uma coisa: o Matteo também virá para o jantar.

Eu me sentei na cama em um sobressalto, os olhos arregalados de surpresa.

— O Matteo está na Itália? — perguntei, tentando manter a voz firme, embora o meu peito já estivesse batendo descompassado.

— Sim, ele chegou hoje mais cedo com o seu irmão — ela respondeu de forma simples, saindo logo em seguida e fechando a porta atrás de si.

Fiquei estática por alguns segundos, processando a informação. Matteo Volkov estava sob o mesmo teto que eu. Voltei a deitar na cama, mas a ironia de antes havia desaparecido por completo. Peguei o meu celular, coloquei uma música suave para tocar no ambiente e fiquei encarando o teto, sorrindo sozinha, sentindo um calor conhecido se espalhar pelo meu corpo.

Eu era completamente apaixonada pelo Matteo desde a minha adolescência. Aquele russo de olhar gélido e presença brutal era tudo o que eu sempre desejei. O grande problema era que ele sempre me tratou como a irmã mais nova do seu melhor amigo, uma garotinha protegida pela máfia italiana que não oferecia perigo. Mas, quem sabe dessa vez as coisas não pudessem ser diferentes? Eu mudei. Eu cresci. Eu tinha vinte anos agora, tinha uma língua afiada e sabia exatamente o poder que a minha beleza exercia. Eu não era mais uma menina indefesa esperando por migalhas de atenção.

Mais tarde, quando o relógio começou a se aproximar do horário estipulado, comecei a me arrumar. A minha missão para aquela noite estava muito bem definida: eu iria mostrar para Matteo Volkov, de uma vez por todas, que a garotinha havia ficado no passado.

Caminhei até o closet e escolhi um vestido preto extremamente justo, que abraçava cada curva do meu corpo e terminava um pouco acima dos joelhos. Deixei os meus longos cabelos loiros e dourados soltos, caindo em ondas perfeitas pelas minhas costas. Caprichei em uma maquiagem leve, destacando os meus olhos verdes, e passei um batom discreto, mas que deixava os meus lábios desenhados e convidativos. Olhei-me no espelho uma última vez, respirei fundo e adotei a postura de uma verdadeira Capone.

Desci as escadas de mármore com passos lentos e calculados, seguindo o som das vozes que vinham da sala de jantar principal. Assim que passei pelos arcos da entrada, avistei o grupo. Massimo estava de pé ao lado de uma mulher de aparência simples, que parecia visivelmente desconfortável sob o olhar avaliador do meu pai.

— Olha só quem decidiu sair da promiscuidade e finalmente trouxe uma garota para casa! — anunciei em voz alta, aproximando-me com um sorriso aberto e provocativo no rosto.

Antes que o meu irmão pudesse reclamar da minha audácia, passei por ele e puxei a jovem para um abraço rápido, quebrando o gelo da sala. Afastei-me um pouco e passei os olhos pelo corpo dela sem qualquer filtro ou timidez, avaliando-a.

— E tenho que admitir, irmão... ela é uma baita de uma gostosona — comentei, sorrindo de lado. A garota corou instantaneamente, as bochechas ficando vermelhas sob o meu comentário. Eu achei graça daquela reação tão inocente. Estendi a mão para ela. — Prazer, sou Sofia Capone, a irmã mais nova do Massimo.

— O prazer é meu, Sofia... — ela respondeu com a voz mansa, tentando se recompor. — Sou a Chiara Rossi... namorada do Massimo.

As palavras saíram de forma natural da boca dela, mas Massimo interveio no mesmo milésimo de segundo, corrigindo-a com o tom de voz firme e possessivo:

— Noiva.

— Noivos? — A voz do meu pai ecoou do outro lado da mesa, carregada de um desdém cortante. Vittorio Capone arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços. — Engraçado, eu não estou vendo anel nenhum no dedo da moça para confirmar esse título.

Chiara arregalou os olhos, levando a mão ao peito em um gesto de puro pânico cênico.

— Ai meu Deus, amor! — ela exclamou, olhando para Massimo com os olhos suplicantes. — Eu tinha tirado o anel no banheiro para lavar as mãos e esqueci completamente de colocar de volta no dedo. Me desculpa, querido. Que cabeça a minha...

— Tudo bem, minha querida — Massimo respondeu, embora o seu maxilar estivesse visivelmente trancado. Ele pegou a mão dela, dando um aperto firme. — Só espero que isso não aconteça mais, para não darmos motivos desnecessários para o meu pai questionar a legitimidade do nosso relacionamento diante da família.

— É verdade, cunhada. Meu irmão tem toda razão — comentei, segurando o riso diante do teatro instalado.

Aproveitei a distração geral e girei o meu corpo na direção do homem que eu realmente queria focar naquela sala. Ele estava um pouco mais afastado, observando a cena com os braços cruzados.

— Matteo.

Pronunciei o nome dele de forma suave. Ele virou a cabeça lentamente na minha direção, fixando aqueles olhos azuis cortantes em mim. Caminhei em sua direção com passos firmes, exibindo um sorriso caloroso e genuíno que guardava apenas para ele.

Matteo se levantou da poltrona onde estava encostado. Ele não disse nada de imediato; apenas me olhou dos pés à cabeça com uma lentidão calculada. Pude notar um lampejo rápido de surpresa passar pelas suas pupilas antes que sua expressão gélida retornasse. O vestido justo e o cabelo solto definitivamente haviam feito o efeito desejado.

— Sofia Capone — ele pronunciou meu nome, a voz grossa e rouca vibrando no meu peito.

Aproximei-me o suficiente para sentir o aroma do seu perfume importado misturado com o tabaco caro e o abracei de forma apertada, descansando as minhas mãos nas suas costas musculosas por um segundo a mais do que o socialmente aceitável.

— Que bom ver você novamente em solo italiano, Matteo — sussurrei, afastando-me minimamente, mas mantendo o meu corpo perto do dele.

Ele inclinou levemente a cabeça, mantendo a postura fria e imponente.

— É bom vê-la também, Sofia.

Ele deu um pequeno sorriso de canto, aquele jeito de sorrir minimalista e devastador que eu achava a coisa mais linda do mundo e que só Matteo Volkov conseguia fazer.

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