LOGINOlívia
— Eu não sei. Papai, por favor!
— NÃO MINTA PARA MIM SUA INSOLENTE! EU QUERO O NOME DESSE DESGRAÇADO, OLÍVIA! Ele terá que ser homem para aceitar o que fez e se casar com você!
— Por Deus, eu não estou mentindo! — rebato em um misto de medo e impertinência. — Eu não sei o nome dele...
— Ora, sua... — Ele ergue o cinturão e eu fecho os olhos esperando o couro estralar na minha pele.
— Papai, não faça isso! — Kim interpele, parando entre ele e eu.
— Kimberly, saia da frente agora!
— Não! Papai, ela está grávida e o senhor não pode bater nela assim!
— Se você não sair daí eu vou bater nas duas! — Ele berra, erguendo o cinto outra vez e novamente fecho os meus olhos esperando pela ardência cortante na minha pele. Contudo, ela não veio e mesmo sem coragem resolvo abri-los. Para a minha surpresa mamãe está segurando no braço do meu pai e esperançosa procuro os seus olhos.
— Quero que saia da minha casa, Olívia.
— Mamãe, por favor...
— Saia da minha casa agora! — Ela ordena com um tom baixo, porém, imperativo. Kim me lança um olhar piedoso. Entretanto, olho para os meus pais em uma súplica muda.
— Por favor, para onde eu irei a essa hora?
— Isso não me importa. Eu não vou acolher uma vagabunda promíscua dentro da minha casa. Quero que arrume as suas coisas e suma daqui!
— Mamãe... — Tento pedir por sua misericórdia, mas ela me dá as costas e a única coisa que sobrou para mim foi o olhar rígido do meu pai.
— Kimberly, vá para o seu quarto.
— Mas, papai...
— MANDEI SUBIR, VÁ AGORA!
— Eu sinto muito, Olívia! — Minha irmã sibila sem emitir som e corre para as escadarias.
— E você, esqueça que tem uma família aqui, porque a partir de hoje você não tem mais um pai e nem uma mãe. Eu estou saindo agora e quando voltar não quero vê-la aqui. — Ele me dá as costas e arrasada, eu volto a me sentar na cadeira, e começo a chorar.
Não foi assim que planejei a minha saída dessa casa. Eu deveria estar trabalhando, ganhando o meu próprio sustento e escolhido uma casa aconchegante para acolher a mim e a minha irmã. No entanto, estou arrumando algumas roupas dentro de uma bolsa e entre lágrimas dolorosas, me despeço da minha irmã.
— Quero que leve isso com você. — Ela me estende um pano colorido como se ele fosse um embrulho.
— O que é?
— São as minhas economias, Olívia. É pouca coisa, mas vai te ajudar.
— Ah não, Kim, eu não posso aceitar isso!
— Por favor, Olívia, leve consigo, você vai precisar, minha irmã. — Ela insiste e emocionada, recebo o pequeno embrulho de suas mãos e volto a abraçá-la. Dessa vez forte e demoradamente, e por fim, olho ao meu redor. Para cada canto desse quarto que guarda boa parte da minha história.
— Eu volto para te buscar — prometo fitando-a com esperança de conseguir vencer lá fora.
— E eu estarei esperando por você bem aqui. — Faço um sim com a cabeça e forço um sorriso para ela.
— Eu te amo, não esqueça disso.
— Também te amo, Olívia, mas você precisa ir antes que eles...
— Eu sei, eu sei. — Respiro fundo. — Eu não sei como, Kim, mas vou conseguir vencer por mim, por nós duas.
Não pensei que seria tão difícil sair, mas é.
De qualquer forma eu nasci nessa casa e me criei nela também. E tenho muitas, muitas lembranças nesse lugar. Do lado de fora, olho para os lados da rua sem saber para onde ir realmente e quando começo a caminhar pela calçada, decido ir até o Edie e pedir-lhe que me ajude.
— Eu só preciso de um quarto por alguns dias. Preciso procurar um emprego e um lugar seguro para ficar. — Ele bufa audivelmente.
— Eu não posso, Olívia. O seu pai me destruiria se fizesse isso.
— Edie, por favor, prometo que será alguns dias apenas. E ele não precisa ficar sabendo. — O rapaz força um sorriso.
— Você o conhece mais do que ninguém, Olivia. O seu pai me deixaria sem clientes do dia para noite. Você sabe da influência dele sobre todos aqui. — Apenas confirmo balançando a cabeça.
— Tudo bem! — Largo a bolsa no chão para retirar do meu dedo o anel que me deu há alguns dias. — Isso lhe pertence. Eu nunca seria uma boa esposa para você, Edie. Não nunca me encaixaria nesse padrão idiota que vocês insistem em manter nessa cidade.
— Olivia, eu...
— Até um dia, Edie!
Athos— OLÍVIA!! — grito subindo os degraus com pressa e invado o nosso quarto encontrando o buquê de lírios brancos largado de todo jeito no chão e apenas um pé do seu salto alto está aqui.Em pânico engulo em seco e procuro algum vestíOlívia que me diga o que realmente aconteceu aqui nesse quarto.— Como ela estava quando vocês a deixaram? — pergunto para Kimberly que entra no meu campo de visão assim que me viro para a saída.— Feliz. Ela só falava no momento que entraria naquela igreja e que o veria lá. — Sinto as minhas pernas fraquejarem.— QUE MERDA ACONTECEU AQUI?! — berro alto e em desespero. — Você não viu nada, Romão? — Ele faz um não com a cabeça.— Eu estava a esperando do lado fora da casa.— É impressão minha, ou tem cheiro forte aqui dentro?Artêmis comenta assim que entra no cômodo. E curioso, aspiro profundamente o ar tendo a mesma percepção. Fecho os meus olhos apertando com força as pálpebras.— Alguém a tirou daqui. Alguém a tirou de mim! — digo sentindo as minhas
AthosArtêmis recomeça a música e eu torno a cantá-la junto com ele entrando na casa e não demora para ajudá-lo a se acomodar em sua cama e eu vou para o meu quarto, a encontrando adormecida. Sem mais delongas, me deito do seu lado, aspiro o seu cheiro e a puxo para mais perto de mim, adormecendo nos seus braços.***Na manhã seguinte...— Oh, merda! — resmungo dolorosamente quando abro os meus olhos e sinto a minha cabeça latejar furiosamente.Uma rodada de dez shots após errar algumas perguntas daquela lista interminável sinto que não quero beber nunca mais na minha vida.— Amor? — resmungo passando a mão do meu lado da cama, porém, o sinto vazio e atordoado ergo a minha cabeça para olhar ao meu redor. — Olívia?Uma batida na porta do quarto me faz sentar no colchão e percebo que ainda estou vestido com as roupas da noite passada.— Entre! — A porta se abre e o meu irmão passa por ela com um tom esverdeado na pele.— Estou fodido! — Ele resmunga com desânimo e eu não seguro uma risad
Athos— Um brinde ao mais novo homem de família! — Andreas diz, erguendo o seu copo no ar.— Ainda não acredito que você vai se casar, cara! — Enrico comenta me fazendo rir.— Então, eu passo dois meses na Europa e quando volto encontro o seu convite de casamento? Fala sério, quem foi a felizarda que roubou o seu coração, meu amigo? — Andreas envolve o meu ombro com essa indagação, porém, não tenho tempo de respondê-la.— Eu respondo essa!Romão se adianta e a empolgação na sua voz arranca algumas risadas. Pois é, estamos em uma despedida de solteiro e os meus amigos, além de alguns funcionários e sócios também estão aqui. Devo mencionar as garotas? Não, até porque planejo ficar bem longe delas.— Vocês precisam ver o quanto ela é linda e gostosa...Desperto dos meus pensamentos com o final dessa frase e não consigo evitar o olhar assassino para o meu amigo. Contudo, ele ergue as mãos em redenção e se afasta um pouco cautelo.— Com todo respeito, meu amigo.Romão completa a frase e eu
OlíviaSemanas depois...— Hum! — gemo baixinho me espreguiçando em cima do colchão e quando abro uma brecha de olhos percebo o dia já claro lá fora.Com um sorriso languido, estico o meu braço, passando a mão do seu lado da cama, o encontrando completamente vazio. Bufo de frustração quando olho para as horas e percebo que ela já se foi. Hoje é a primeira audiência de acusação de Estela Constantine, mas também é o dia que iremos a loja Lapel Noivas para escolher o meu vestido.Pensar nisso me faz ampliar o meu sorriso.Portanto, salto para fora da cama e corro para o banheiro. O plano é o seguinte: banho – café da manhã – algumas horas de brincadeiras com os meninos – banho – almoço e escolha do vestido. Quanto aos preparativos do casamento tudo será como uma grande surpresa, já que Athos está cuidando dos detalhes pessoalmente e como ele mesmo disse, não tenho que me preocupar com nada.— Animada para escolher o seu vestido de noiva? — Tia Ju pergunta assim que me acomodo em uma cadei
Athos— Estou muito feliz, mano! — Meu irmão fala após algum tempo quando todos estão espalhados e perdidos em conversas animadas, e risos fáceis.— Eu também — sibilo com um suspiro os observando. — Kim e Olívia estão brincando com os meus filhos na grama, Romão está envolvido em uma conversa profissional com a Barbara e com a Anne, e a Victória como sempre mimando o meu irmão gêmeo.Eu tenho uma nova família agora, mãe e eles trouxeram a alegria de volta a essa casa.— Que tal uma dança, Senhor Mazza? — desperto quando a Olívia pede entrando no meu campo de visão. Respondo-lhe com um sorriso satisfeito e ali mesmo envolvo a sua cintura, e começo a nos embalar— Eu estive pensando...— Espero que não venha me falar sobre a Estela e esse novo caso de vocês outra vez. É sério, esse é um momento de alegria para todos nós e não acho que ela deveria ser o centro das nossas atenções por agora.— E você está certa, senhorita Martin, mas não é sobre isso que eu quero falar.— Hum, nesse caso
Athos— Pronto, irmão?Artêmis pergunta quando o carro para em frente aos portões largos de ferro pintados de branco e no mesmo instante os meus dedos apertam com força o buquê de flores brancas em minhas mãos, à medida que solto o ar pela boca. Assim que saio do carro os meus olhos se erguem para a placa larga logo acima.Cemitério Vale das Rosas.Essa é a primeira vez que ponho os meus pés aqui após a sua triste despedida e diferente do que eu esperava hoje o meu coração não está oprimido, não estou afundando em angústias e menos ainda em dor.Saber que eu não causei aquele acidente realmente é libertador. Contudo, estou sendo consumido pela raiva agora, a final, eu permiti que toda aquela tragédia acontecesse. Contudo, é o ódio que está envenenando o meu sangue.— É por ali.Artêmis aponta um caminho verdejante para mim, mas estou focado no seu silêncio, na paz que esse lugar nos traz quando ele deveria trazer tristezas e dor. Um nó começa a sufocar a minha garganta quando paramos d







