INICIAR SESIÓN— Separe as coisas, não estou falando de nós, estou falando de um funcionário, irmão de uma amiga, alguém que fazia parte do círculo de amizade da minha noiva. Não imponha nosso bolor como desculpa.
— Desculpa? — Meu punho fecha. — Vai se foder, David! Desde quando preciso dar alguma desculpa, ainda mais para você? Foi uma fatalidade, um erro de merda dos meus seguranças, eu vou resolver…
— ELE MORREU, PORRA!
— EU SEI, CARALHO, NÃO VOU CONSEGUIR DORMIR NUNCA MAIS DEPOIS DAS CENAS QUE PRESENCIEI NAQUELE MALDITO ESTACIONAMANTO. ENTÃO NÃO VENHA VOCÊ ME ACUSAR, ESTOU ME AÇOITANDO O SUFICIENTE DESDE O MINUTO QUE SAÍ DAQUELE HOSPITAL. DESDE O MINUTO QUE VI O CARAÇÃO DO GAROTO PARAR E SUA IRMÃ IMPLORAR PELA SUA VIDA E EU NÃO SABER O QUE FAZER. NÃO TER EM POSSE UM CORAÇÃO NOVO, O AR DA VIDA.
Recaio sobre o encosto, fraco, a consciência pesando em mil pensamentos destrutivos, o corpo queimando com o ódio emitente de apertar cada pescoço dos malditos que tirou a vida do garoto. A garganta entala de angústia.
Merda, ele tinha só dezenove anos.
— Eu vou fazer o impossível para punir os responsáveis, e com essa visibilidade da mídia não posso fazer o que desejo.
Ele semicerra os olhos, estudando meu rosto.
— Pretende matá-los?
— Sim. — Intensifico o contato fodido. — O único que não matei mesmo merecendo tal sentença foi você.
Ele ri amargo. Não devolvo o sorriso.
— Não acredito em você, mesmo que o desejo tóxico de destruir um ao outro nos consuma em muitos momentos, você não teria coragem, eu não teria coragem, somos irmãos.
Meus movimentos tardios e pesados espalmam a mesa, curvo a coluna, tendo-o cara a cara comigo.
— Não, somos inimigos, David.
— Nicholas…
— Não há perdão para o que fez, eu…
— Ainda ama Eduarda? Porque consigo ver além do ódio nos seus olhos — se impõe um pouco mais, sequer piscamos —, consigo ver algo que reprimi e enlouquece seu sistema e não é só sobre mim.
— Você é hipócrita pra caralho para entender.
— Talvez seja mesmo.
Volto para minha cadeira, David não vale à pena. Não hoje.
— Saia daqui, estou sem condições de lidar com você.
— De qualquer forma teremos que nos pronunciar juntos, meu nome já está ao lado do seu em todas as manchetes. Renan era um funcionário e bolsista da WUC, além de um amigo, tem foto dele com a Aurora nas redes sociais, enfim, estamos todos ligados. E você sabe o quanto a imprensa adora ter muito material para publicar.
— Tanto faz. — Giro a cadeira para a janela, a visão do meu irmão embrulha meu estômago. — Minha assessora de imprensa liga para a sua e resolve.
— Tá certo. Raica precisa de assistência psicológica e financeira, não só ela como o Théo, então providencie isso. Outra coisa, a WUC entrará em luto no período de 36 horas, infelizmente é pouco, mas não consigo parar a empresa mais que isso. Meu setor de criação está desenvolvendo uma campanha, quem sabe o que aconteceu com Renan apesar de não ser algo novo, sirva como espelho para evitar novos ataques.
— Duvido muito — digo e o fel desce pela garganta.
— Nicholas, me ligue, passei a querer a cabeça desses malditos tanto quanto você.
Volto para ele.
— Se eu os encontrar antes da polícia, não haverá tempo para ligar para ninguém, garanto.
— Pode me chamar de Beca, sr. Queen.
— Então me chame de Nick, srta. Fontes.
A investigadora sorri e se senta na cadeira à frente da mesa. Athos dispôs de algumas informações importantes sobre a mulher de lindos cabelos pretos e olhos de águia. Rebeca Fontes tem trinta e dois anos, iniciou na Polícia Federal há oito anos, teve participações representativas em casos difíceis e liderou outros que venceu sem dificuldade. Se Garbo confia nela, então eu também confio.
— Combinado.
— Athos me indicou você, acredito que temos uma confiança total aqui. — Inicio com franqueza, visto que se o destino der uma oportunidade para burlar a lei, farei sem pensar. — Não sou um cara que respeita algumas regras ou aceite um não facilmente.
Ela avalia as minhas palavras por alguns segundos, enquanto analiso sua seriedade profissional.
— Fiz a lição de casa após Athos me ligar — meneia a cabeça calculista —, é um homem poderoso, Nick Queen, não acha que mexer com a lei seja arriscado para o seu status?
— Não pesquisou direito, essa preocupação jogue para o meu irmão, óbvio que sabe quem é, para mim, jogue toda a incoerência.
Beca estica os lábios e sorri contida.
— Não tenho tanta certeza, tem fama de bad boy desapegado. Mas não passa de fachada, não?
Que porra é essa?
— Beca — cruzo os braços —, investigou minha vida?
— Investiguei, seu rosto bonito me tentou. — Esboça outro sorriso, esse bem charmoso por sinal.
— Melhor tomar cuidado, não sou de deixar passar detalhes como esse.
— Não misturo as coisas, mesmo com um bonitão como você. — Ela desfaz o sorriso e prossegue numa mudança drástica de comportamento. — Enfim, aceito o caso, faremos uma investigação silenciosa, enquanto trabalho junto à delegacia que cuida do caso. Tenho contatos importantes lá, então não vai ser difícil fazer parte da equipe.
— Um detalhe importante, quando encontrarmos os vermes, quero eles antes da polícia.
— Fará o quê?
— Advinha.
Ela umedece os lábios, negando com a cabeça.
— Não tem cara de que mataria alguém, jamais o deixaria ser imprudente e cometer alguma merda — diz firme. Levanta e seu corpo curvilíneo alimenta meus olhos. Porra, não pude evitar. — Como a boate está no domínio da polícia e fechada para a investigação, vou aproveitar os peritos criminais que estão no local do crime e ficar atentas as filmagens. Tenho faro, e sei que nada aqui é por acaso.
Franzo o cenho, totalmente incomodado com sua análise precoce.
— Além das câmeras, Théo é o único que pode reconhecer os agressores, certo? Acho conveniente que providencie escolta policial para o hospital, ele é vítima e testemunha.
— Sim, já foi providenciado pelo que sei. Talvez em três dias tenho liberação médica para interrogá-lo.
— Perfeito.
— Até o presente momento estamos com indícios de homofobia, mas acredito que seja muito pior, só um palpite.
Ela realmente parece saber o que diz.
— Como isso pode acontecer aqui? — vocifero de punhos fechado.
— Isso acontece o tempo todo, Nick, acredite, mortes como a do Renan não é novidade no Brasil. Por isso tenho um palpite, mas antes vou averiguar as câmeras.
Dois toques na porta levam meu rosto na direção.
— Entre.
Day põe o pé para dentro com um enorme buquê de flores vermelhas escondendo uma boa parte do seu corpo.
— Nick, as flores — diz na retaguarda.
Ela exagerou no tamanho.
— Um pouco grande, não?
— Você acha? — Inclina a cabeça de lado, revelando um rosto sorridente e feliz.
Eu entregar flores a alguém, a deixou sorridente e feliz?
Que ridículo!
— São lindas — elogia Beca. — As flores são…
— Raica Vásquez, irmã de Renan.
— Muito gentil da sua parte.
Direciono meus pés ao encontro do tal buquê de dois metros e meio de altura, ou quase isso.
— É uma situação delicada. — Tomo posse do maço de flores, ouvindo como uma gravação lamuriosa e repetitiva, o choro desesperado da irmã.
Que instante fodido.
— Ah, outro favor — peço para minha assistente. — Mande flores como essa para o quarto do Théo, também pretendo visitá-lo ainda hoje.
— Sim, senhor.
— Beca, preciso ir, Day ficará à sua disposição. — Ela assente e sorri simpática, volto para a assistente. — Faça tudo que a investigadora solicitar, sabe aonde vou, então só me interrompa em caso de urgência.
Nicholas:— Relaxa, ela só tem olhos para os netos e os filhos, não passamos de agregadas sanguessugas. — Debocha minha cunhada e ri dramática.— Amor… — Bella beija minha bochecha —, vamos relaxar próximo ao lago, fique de olho nas crianças.— Há-há-há, acha mesmo que os olhos dele terão outra direção? — Essa garota é abusada. — Até mais, cunhado. — Ela esmurra meu ombro. Melissa solta uma risada cúmplice e antes que minha mãe perceba, as três estão longe.Meneio o copo com líquido âmbar, as janelas largas da mansão refletem a imagem de uma parcela do corpo masculino entretido na conversa chata do caralho sobre negócios. Avanço para o limite entre o assoalho e o gramado, paro ali, mão livre no bolso frontal, olha
Volto a respirar nesse instante.Orgulhoso e apaixonado. Acompanho os presentes com a leva de aplausos ensurdecedores que explode no ginásio da WIS UNIVERSITY. Demora um pouco para a plateia se acalmar, enquanto isso, as duplas competidoras se posicionam em uma grande parede.O apresentador entra com o envelope e inicia os agradecimentos aos patrocinadores, a balela de sempre.Quando ele abre o envelope, os tambores soam alto, e sem delongas anuncia o terceiro e o segundo lugar, que ficou para Espanha e Cuba. É feito um mistério desnecessário para o anúncio da primeira posição, nesse hiato fito os olhos esverdeados que brilham mais que qualquer estrela, e nada nem ninguém quebra o contato intenso. Bella sopra um “Eu te amo.” e eu retribuo com “Meu coração é seu.”. Ela sorri, eu sempre sorrio quando essa garota prende meus olhos.— Raica Queen e Pietr
Três anos depois.Califórnia, Los Angeles, EUA.Faz exatamente um mês que nos mudamos para a Califórnia. Faz exatamente dois anos que consegui levar Raica para o altar, essa mulher deu um ano de canseira entre marcar a data e dizer que era cedo demais. O nosso casamento foi consumado em Angra, na casa que marcou nossa primeira vez.Uma cerimônia simples e íntima, repleta de amor, era só o que precisávamos. Voltando para Califórnia, minha esposa vai iniciar sua pós- graduação na área de audiovisual, e eu irei inaugurar mais três boates nos Estados Unidos. Comprei uma bela casa em Los Angeles, sol e praia é uma das maravilhas que me fascinam no Brasil, e LA tem esse sabor.Outro detalhe muito empolgante para Raica, e um tanto angustiante para mim, é que a competição de salsa, o ritmo que rouba m
— Se manteve casto para mim, senhor cacto?Ele enreda o meu cabelo e me puxa contra seu peito ainda coberto com uma camiseta preta, posiciona seu rosto ao lado do meu e murmura no meu ouvido.— Sou seu para todo sempre, assim como você é minha.— Como sabe que ninguém me tocou nesse período? — provoco e o desgraçado nem disfarça a vaidade.— Não precisei matar ninguém de uns tempos para cá. — Sua língua lambe meus lábios, sua mão desce na minha coluna. Recebo outro tapa, outro e mais um. Não há dúvida do quanto meu traseiro está marcado. — Você é minha, caralho!Nicholas abre as bandas da minha bunda e cospe no meu ânus, seus dedos serpenteiam o orifício conforme a cabeça do seu pau invade minha boceta melada, gemo igual a uma cadela. Então, ele mete fundo e
Aceno para o porteiro e ele destrava a tranca, o portão se abre, ouço cada pisada aproximando e quando sinto seu perfume vadiar meu espaço, viro para ele. Seu corpo, um degrau abaixo, permite que nossos narizes se alinhem, nossa respiração se choque e nosso contato visual invada profundamente.— Por que demorou tanto? — balbucio sem controlar o choro. — Por que demorou tanto? — Ele ampara meu rosto e seu polegar tenta abrandar as gotas tristes, felizes, reais. — Por que não ligou uma única vez?— Meus punhos se fecham e socam seu tórax. — Seis meses, Nicholas. Seis malditos meses, porra! — Esmurro forte, uma, duas, diversas vezes até perder a força e deixar minha testa colar na dele. Seus olhos se fecham, percebo uma lágrima escorrer na pele clara, então fecho os meus. Quietos, lábios se tocando, coração disparado.
É um sentimento mútuo, Sara Queen é um pé no saco.A senhora elegante e esnobe mal falou comigo, no entanto, quando falou deixou explícito o quanto discordava da relação. Se bem que, não valia a pena se abalar, Nicholas sumiu e a contar da ligação do hospital, nunca mais ouvi sua voz. Ele desapareceu como fumaça, somente o médico tem contato com ele em segredo de estado, por causa do tratamento e acompanhamento constante.— Faz seis meses. — Evito tocar no assunto. Pouso as taças na bancada, pego o vinho e entrego para ela que ondula o vidro. — Sei que evita tocar no assunto, mas…, não suporto mais sua vida parada à espera da decisão do Nicholas. Sei que o ama…— Aurora…, não.Ela se cala e toma um gole da sua bebida.— Essa noite é nossa. — Ergo a taça. —







