INICIAR SESIÓNOs guardas se movem rápido. Correm para socorrer Elise, que choraminga e grita de dor no chão. Lucius se junta a eles, desesperado.
Outros guardas me seguram pelos braços, me contêm — mesmo que eu não esteja resistindo.
Olho direto nos olhos do Alfa Líder. Seu semblante transborda ódio puro. Lambo os beiços sujos com o sangue da filha preferida dele.
É o meu fim. Mas não estou nem um pouco arrependida. Posso morrer agora mesmo, com toda a honra do mundo.
Busco o olhar da minha mãe. Seu rosto mostra satisfação. Orgulho puro.
Mesmo sabendo que ela e Aiden provavelmente também serão punidos pela minha rebeldia, sei que ela não poderia estar mais orgulhosa de mim.
Já Aiden... Está em choque. Com medo.
Ele não sabe lidar com o desdobramento do que causei. E por um momento, sinto uma ponta de arrependimento. Por ele.
Ele não merecia ser punido por um ato de egoísmo meu. Mas agora já foi feito.
A única coisa que posso fazer... É agir por mim mesma. E por mais ninguém.
— ARTEMÍSIA GOLDRYN! PARE IMEDIATAMENTE! — A voz do Alfa Líder ecoa como um comando absoluto.
Meu corpo paralisa no mesmo instante. Tento resistir por alguns segundos, mas é inútil. A dor é insuportável — ainda mais com a ferida da queimadura, ainda fresca.
Os guardas me soltam. Sabem que não vou sair do lugar.
— Você atentou contra a família Alfa. Colocou em risco uma mulher grávida... pela segunda vez! Uma nova sentença será aplicada.
— Estou pronta para morrer sem arrependimentos. — eu respondo firme.
— Ah, minha querida... — A voz do Alfa Líder escorre com veneno e prazer. — Morrer seria um alívio. Você e sua família serão exilados. Vendidos à Alcatéia Umbra como propriedade.
O tom é cruel. Frio. Sádico.
Meu corpo enrijece. Eu estava pronta para morrer — com honra. Mas ser enviada à Umbra... Isso nunca passou pela minha cabeça.
Olho para minha mãe. A loba que me criou está tensa, mas mantém o rosto impassível. Firme. Orgulhosa.
Já Aiden... Ele não consegue esconder o desespero. Está visivelmente tremendo.
A Alcatéia Umbra é considerada amaldiçoada. O Alfa Líder de lá foi acometido por uma terrível maldição. Mas ninguém sabe ao certo o que é.
Boatos correm por todos os cantos. Especulações surgem e se espalham. Nenhuma delas traz algo concreto.
Umbra fica isolada, ao norte. Uma terra tomada pela neve e pelo frio. Ninguém vai para lá de passagem. Quem entra... entra para ficar.
E a maioria que ousa pisar naquele território... São escravos. Prisioneiros. Exilados vendidos por outras matilhas.
Assim como eu. Assim como minha família. Agora.
Perdida em meus pensamentos, silenciosa diante da sentença, sou interrompida pela voz cortante do Alfa Líder:
— Alguma objeção? — A ironia escorre pelas palavras. Ele sabe que não temos escolha.
— Nenhuma, Alfa Líder. Obrigada pelo julgamento. — Respondo com a mesma ironia.
Ele franze a testa. Não gostou. Não conseguiu me afetar como queria.
Ou pelo menos... Foi isso que eu o fiz acreditar.
A sala já estava quase vazia. Os guardas me levaram de volta à prisão.
Lá estavam minha mãe e Aiden. Diferente de mim, não estavam algemados. Nem usavam focinheiras. Não ofereceram resistência.
Antes que os guardas deixassem a cela, minha mãe se pronuncia:
— Quando partiremos, Reagan? — A voz dela é firme, serena.
O guarda suaviza o rosto. Abandona a postura militar por um instante. É visível o respeito que tem por ela. Assim como muitos da matilha.
Apesar de ser uma Ômega, minha mãe sempre foi sábia. E conquistou respeito onde poucos conseguiam.
— A viagem está marcada para amanhã de manhã. Assim que o sol nascer, madame Diana. — A voz dele carrega um tom de pena.
— Entendi… Você pode nos dar mais detalhes de como vai funcionar? — Ela tenta arrancar qualquer informação que nos prepare para o que está por vir.
Reagan hesita. Mas responde:
— Não posso me estender muito, Diana. Mas posso dizer que não será uma viagem fácil. Quando o Alfa exila e vende prisioneiros, eles são obrigados a ir andando até o destino. Não há transporte. No máximo, carros de trilha para os guardas que guiam o caminho. Os prisioneiros... São condenados a seguir a pé.
— O quê?! Não tem como a gente ir andando até Umbra! Isso fica no extremo norte! Nós estamos no extremo sul! Seria pelo menos uma semana de caminhada! — Aiden se exalta. O desespero transparece em cada palavra.
Eu o encaro. E me sinto péssima. Minhas ações respingaram nele também. Ele não merecia isso.
— Sinto muito, mas é assim que vai ser. Enfim, eu não posso conversar mais, desejo boa sorte para vocês amanhã. — Reagan diz com sinceridade, acenando respeitosamente para minha mãe que retribuiu o aceno com carinho.
Todos os guardas saem. A cela fica em silêncio. Só nós três.
O tempo passa devagar, pesado. Até que Aiden quebra o silêncio:
— Você tinha que se descontrolar como sempre, não é? — A pergunta vem direto pra mim. Cheia de rancor.
— Eu sinto muito. Não calculei carregar vocês junto comigo.
— Típico. Você é mestre em pensar só no próprio umbigo. — Ele retruca, com raiva nos olhos.
— Aiden, chega! — Nossa mãe interrompe, firme. — Não há nada que possamos fazer para mudar nosso destino agora. Brigar com Artemísia não vai tirar a gente daqui.
Aiden se cala. Se j**a no canto da cela, derrotado.
— Eu tinha tanta coisa pela frente… Tenho só dezesseis anos. Acabei de conhecer meu lobo. Ainda ia encontrar minha companheira predestinada… — Ele se lamenta, a voz embargada.
— Você ainda pode fazer tudo isso, Aiden. Nós só vamos nos mudar. Não fomos sentenciados à morte. — Nossa mãe suspira, cansada do drama.
— Mãe, nós vamos pra Umbra! Você tem noção disso? É uma maldita matilha amaldiçoada! Com um Alfa sádico que provavelmente vai nos usar como bonecos de treino pros filhotes demoníacos dele! É pior que a morte! — Aiden está tomado pelo pânico. Parece ter ouvido boatos demais.
— Isso são apenas boatos. Deve ser uma alcatéia com costumes diferentes. Nada que não possamos nos adaptar. Não criei filho meu pra ser covarde. Engole esse medo. Use esse tempo de cela pra refletir e descansar. Amanhã será um dia cansativo.
O silêncio volta. Denso. Quase sufocante.
Mas dura pouco.
A porta da cela se abre com estrondo. Guardas entram abruptamente, agitados, apressados.
— Levantem! Vocês partem agora mesmo! — Um deles ordena, sem espaço para perguntas.
Nos entreolhamos, confusos. A viagem estava marcada para o amanhecer. Algo mudou.
Algo está errado.
E ninguém sabe o que nos espera lá fora.
Quando comecei a escrever esta história, não imaginava o quanto ela me envolveria. Cada capítulo foi uma jornada de descobertas, cada personagem uma extensão da minha mente, e cada reviravolta me fez vibrar junto com eles. Artemísia e Lioran não são apenas protagonistas, são símbolos de força, redenção e amor que desafiam qualquer maldição, e foi muito divertido escrevê-los.Agradeço profundamente a cada leitor que acompanhou esta história, é a primeira vez que escrevo e publico algo, reconheço que posso melhorar em muitos pontos ainda, mas fico feliz que essa história tenha chegado até você de alguma forma e que você tenha chegado até o final. Vocês tornaram este universo real e possível.Escrever sobre lobos foi, acima de tudo, escrever sobre humanidade. Sobre instintos, escolhas, medos e coragem. Sobre o que significa amar alguém por inteiro mesmo quando esse alguém está quebrado.E agora, com Lirya, uma nova era começa nesse universo. Talvez um dia eu volte para contar a história d
POV: Artemísia(CINCO ANOS DEPOIS.)Solto um urro que ecoa por todo o templo. Fecho os olhos, esperando a contração aliviar. Estou de cócoras, apoiada por Lioran, que segura minha mão com firmeza. No canto, Illía prepara uma infusão de ervas medicinais, o aroma forte e reconfortante preenchendo o ar.Tento enxergar meus pés, o chão, mas a barriga enorme não permite. Outra dor irradia pela lombar, como um raio atravessando meu corpo. A contração vem, dessa vez com um ardor intenso.— Eu não aguento mais! — grito para Illía.Ela sorri, serena como sempre.— Você aguentou coisa pior. Muito pior. E isso é bom. Significa que está quase chegando.Mesmo em meio à dor, as palavras dela me alcançam. Ela tem razão. Já senti dores que me rasgaram por dentro. Já morri, literalmente. Essa dor… É diferente. É feita de amor.Lioran aperta minha mão mais forte.— Está tudo bem? Se quiser, podemos ir para um hospital e…Interrompo, a voz abafada:— Não! Eu consigo fazer isso. E eu confio em Illía.D
-POV: Artemísia-(1 MÊS DEPOIS.)Me seguro para não roer as unhas perfeitamente feitas e pintadas. O ar-condicionado do carro intensifica o frio de Umbra, mas dentro de mim… É um forno. Não de calor. De fervor.O vestido aperta minha cintura com uma firmeza quase reconfortante. Como se dissesse: “É hoje.”Branco como espuma, ele se estende ao meu redor com rendas delicadas que dançam sobre o tecido como neve em movimento. As mangas longas abraçam meus braços com carinho. A gola alta de tule rendado roça meu pescoço como um lembrete suave: Cada detalhe foi escolhido com amor.A cauda atrás de mim se espalha pelo banco como uma onda calma. Tento não rir ao pensar que, se eu me mexer demais, ela vai engolir todos nós.Estou atrasada. Claro que estou. Mas não consigo me importar.Cada segundo que passa me aproxima do momento que sonhei desde menina. O momento em que selaria um amor sem precedentes. E eu não poderia estar mais satisfeita com o rumo que as coisas tomaram.— Seu nervosismo
-POV: Lioran-Quando abro os olhos, um feixe de luz atravessa a fresta da cortina da imensa janela da suíte Alfa. A claridade suave me faz piscar algumas vezes, até que tudo se acomoda.Sinto o calor da respiração pesada em meu peito. E os longos cabelos pretos de Artemísia espalhados como uma cascata escura sobre mim. Ela repousa ali, tão perto do meu coração.Sorrio. E levo a mão até sua nuca, acariciando com delicadeza. Ela se remexe com meu toque, resmunga baixinho, tentando despertar.— Foi mal, te acordei?Ela afunda o rosto no meu peito, balança a cabeça de forma preguiçosa e murmura, dengosa:— Que horas são?Olho para o relógio digital na mesa de cabeceira.— Quase meio-dia.Ela levanta a cabeça num pulo, como se tivesse levado um choque.— O quê?! Por que me deixou dormir tanto?Dou risada.— Não deixei. Acabei de acordar também.Ela começa a se arrastar do meu peito, tentando se levantar. Mas não deixo. A puxo de volta, envolvendo-a com os braços. Aninho sua cabeça de novo
ALERTA! Cenas 18+ envolvendo conteúdo sexual.-POV: Artemísia-A luz da lua iluminava o torso nu e escultural de Lioran enquanto eu rolava por cima dele no chão da estufa. Seus olhos vermelhos percorriam minha silhueta como se adorassem uma deusa. Brilhavam com desejo. Com fogo.Deslizei uma garra do topo do seu abdômen até a virilha. Gravando cada gomo, cada detalhe. O ruído que ele soltou, gutural, vibrou na ponta dos meus dedos. Me arrepiou a espinha.Ele era meu. Só meu.Minhas mãos desceram mais. Se deliciando com o calor que emanava dele. Quando pararam, apertando a fonte daquele fogo, Lioran soltou outro grunhido. Mais profundo. Mais entregue.— Você está totalmente refém, meu Alfa — comentei, maliciosa.Ele respondeu com a voz contida, mas provocante:— Estou? Ou talvez eu esteja deixando você brincar um pouco…Subi por cima dele, encaixando nossos corpos como um quebra-cabeças.— Vou te mostrar quem está brincando…Comecei a me mover lentamente. Ele fechou os olhos com a sens
POV: ArtemísiaSaímos para o jardim externo. A noite estava calma, e o ar carregava aquele frescor típico de Umbra. Mas o que me chamou atenção foi a estrutura à frente. Algo que eu nunca tinha visto ali antes.Uma estufa. Enorme. Com vitrais coloridos e vigas que desenhavam vinhas de flores. Flores de seis pétalas.Lioran abriu a porta e me levou até ela. Por dentro, parecia um salão amplo, repleto das flores mais distintas. Todas lindas. Todas vivas.Fiquei maravilhada com a beleza do lugar.— Lioran… Quando você fez tudo isso?Ele sorriu, com aquele brilho nos olhos que só aparece quando fala de algo que ama.— Desde que me livrei das amarras de Sylvia. A estufa já existia, mas estava inativa. Trabalhei ativamente para reformar tudo e encher de vida.Passei os dedos delicadamente pelas flores. Analisando cada detalhe.— A maioria tem seis pétalas.Ele sorriu mais largo.— Então você percebeu. Mas minhas favoritas são estas aqui.Me aproximei. Havia um canteiro inteiro com um tipo d







