登入Na manhã seguinte, Maya acordou com o despertador do celular. Estendeu a mão para desligá-lo e sorriu, satisfeita. Dessa vez, não perderia a hora. Levantou-se, tomou banho e se vestiu, contente por conseguir encontrar as crianças antes que saíssem para a escola.Mas, quando desceu a escada, levou um susto.Havia uma movimentação incomum no palácio. Homens atravessavam a sala carregando caixas, outros entravam por uma das portas laterais, enquanto alguns funcionários conversavam com pessoas que Maya nunca tinha visto.Ela arregalou os olhos ao encontrar sua ajudante no meio da sala, acompanhando com a mesma surpresa aquele movimento.— O que está acontecendo aqui?— Não sei bem, senhora. Começaram a chegar muito cedo. Alguns entraram pelo jardim e foram lá para os fundos. Ouvi barulho de gente batendo alguma coisa, mas não faço ideia do que estão fazendo. Deve ser coisa do senhor Emir.— Ai, Emir... — Maya murmurou, levando a mão ao rosto e apertando a ponte do nariz.Olhou mais uma ve
Quando entrou no quarto, encontrou tudo organizado.Abriu o guarda-roupa e ficou olhando para os vestidos que Emir havia comprado. Eram peças bonitas, delicadas, algumas muito mais elegantes do que qualquer roupa que já tivera.Passou os dedos por um dos tecidos.Talvez pudesse se acostumar àquela vida. Usar aquelas roupas, aprender a se comportar naquele ambiente, conhecer os costumes daquela casa.Mas continuaria sendo Maya.Não era como Soraya ou Latifa. Não sabia passar os dias dando ordens, esperando que outras pessoas fizessem tudo por ela. Gostava de cozinhar, de cuidar das crianças, de escolher os ingredientes na feira. Eram coisas que faziam parte de quem ela era.Será que Emir continuaria gostando dela quando percebesse que não pretendia mudar tanto assim?Escolheu um vestido e se trocou. Depois, aproximou-se do espelho e observou o próprio reflexo.Tocou levemente o rosto, ajeitou os cabelos e inclinou a cabeça, examinando-se.Não se achava tão bonita quanto as mulheres que
Quando ficou sozinha, olhou ao redor. A mesa ainda estava posta, e o jardim, além das grandes portas de vidro, parecia especialmente bonito naquela manhã. Serviu-se de mais um pouco de chá e permaneceu sentada, observando as flores que se moviam suavemente com o vento.Não sabia exatamente o que fazer.As crianças já tinham ido para a escola quando acordara. Dormira tanto que nem sequer as vira sair. Depois tomara café com Emir, e agora estava ali, sem nenhuma obrigação esperando por ela.Não era sua casa. Não havia roupas para lavar, quartos para arrumar ou comida para preparar. Tudo parecia funcionar perfeitamente sem que precisasse levantar um dedo.Tomou mais um gole de chá e suspirou.Uma das empregadas apareceu pouco depois, aproximando-se discretamente.— A senhora deseja mais alguma coisa?Maya olhou para ela e sorriu, um pouco sem jeito.— Na verdade, preciso sair daqui, mas não sei muito bem para onde devo ir.A mulher deixou escapar uma riso pequeno, que tentou disfarçar.—
Emir permaneceu no corredor por alguns instantes, olhando para a porta fechada. Ainda sorria ao se lembrar da expressão de Maya quando percebeu que estava de camisola. Depois, encostou-se tranquilamente à parede e esperou.Não demorou muito para que a porta se abrisse novamente.Maya apareceu vestida com um dos vestidos que encontrara no closet, os cabelos cuidadosamente presos e o véu ajustado sobre a cabeça. Ao ver Emir ainda ali, parou.— Você ainda está aqui?— Estou.Ela olhou para um lado do corredor, depois para o outro, como se procurasse alguma coisa.Emir cruzou os braços, observando-a com um sorriso discreto.— E agora? — perguntou Maya, finalmente.— Você não vai tomar café?— As crianças já foram.— Eu sei.Maya franziu o cenho.— Então...— Mas eu estou aqui esperando você.Antes que ela pudesse responder, Emir passou por ela, segurou sua mão e começou a caminhar.— Venha.— Para onde?— Tomar café, Maya. É o que as pessoas costumam fazer pela manhã.Ela olhou para ele,
Maya arregalou os olhos, assustada.— O que quer dizer?— O que já disse mais cedo. Nosso casamento será daqui a uma semana. Já estou providenciando as coisas.— Mas, Emir, há tantas coisas... Nossa vida é tão diferente.— O quê? Você não me ama? Não quer ficar comigo?A pergunta saiu com uma mistura de surpresa e dor.Emir nunca havia sido rejeitado. E, acima de tudo, acreditava que Maya o amava. Entretanto, ela vinha encontrando motivos para adiar o casamento. Antes, era Youssef. Agora, aquela história de que suas vidas eram diferentes.Eles haviam passado algum tempo na casa dela, e tudo funcionara tão bem. Mesmo ali, no palácio, naquela noite, haviam sido como uma família que ele nunca tivera. Nenhuma discussão, os filhos felizes, Maya à vontade e ele em paz.E havia algo mais. Emir estava louco para tê-la nos braços, um desejo que não sentia havia muito tempo. Durante anos, estivera com suas esposas mais por obrigação, aproveitando aqueles momentos para aliviar a tensão e satisfa
O jantar prosseguiu entre conversas e risadas. As crianças, que a princípio haviam se comportado à mesa, começaram a ficar inquietas depois da sobremesa. Algumas pediram licença para se levantar, enquanto outras permaneceram conversando, animadas com a ideia de passar mais algum tempo juntas.A noite avançou sem que ninguém percebesse. Quando os primeiros convidados anunciaram que precisavam partir, o Emir se levantou para acompanhá-los até a entrada.Samir foi um dos primeiros a se despedir. Ada abraçou Maya, agradecendo pelo jantar, enquanto ele trocava algumas palavras com o pai. Richard e Irina também se despediram, chamando Amy, que parecia pouco disposta a interromper as brincadeiras.— Vamos, querida. Já está tarde — disse Irina.— Mas nós ainda estávamos brincando!Richard sorriu e estendeu a mão para a filha.— Amanhã você pode brincar novamente. Agora precisamos ir.Amy acabou cedendo, não sem antes se despedir das outras crianças.Pouco a pouco, a sala foi ficando mais tran







